Reprodução/Divulgação Tudo pode mudar em apenas um dia e temos 10 filmes para provar

Lista: 10 filmes com tramas que se passam em até 24h

Tudo pode mudar em apenas um dia e temos 10 filmes para provar
Ah, o Cinema, que arte maravilhosa, não é mesmo? Capaz de nos levar para diferentes lugares, épocas e até realidades, a Sétima Arte é uma caixinha inesgotável que não conhece limites. Com histórias enormes que abocanham gerações, costumamos associar um filme com a captura de um longo período de tempo. Mas e aquelas que se passam durante um dia?

Talvez seja ainda mais difícil fazer um arco narrativo com começo, meio e fim quando a duração desse arco é de até 24h. O que pode acontecer de tão definitivo nesse meio tempo? Trouxe 10 filmes que mostram como absolutamente tudo pode mudar em apenas um dia.

O critério para a escolha foi, além da qualidade, claro, o fato do longa em questão ter sua trama desenvolvida em até 24h. São filmes do mundo inteiro, com diferentes abordagens, temáticas e técnicas de filmagem para darem vida ao dia em questão na tela. Nossa vida pode mudar num piscar de olhos, e é tão fascinante quanto assustador aceitar isso. Como sempre, todos os textos são livres de spoilers e prontos para te convencer a embarcar em cada um dos dias.


Direções (Posoki), 2017

Direção de Stephan Komandarev, Bulgária.
"Direções" faz com que o espectador entre no banco do carona de inúmeros taxistas durante um dia quando um motorista comete assassinato e suicídio por não conseguir pagar as taxas altíssimas do banco. O filme de Stephan Komandarev é um road movie búlgaro, porém, poderia estar nas ruas brasileiras: aquela noite é um espetáculo misantropo e entra nas veias urbanas com o intuito de fixar no globo ocular da plateia uma cidade cuja esperança já foi embora. De suásticas nazistas pichadas nas paredes à corrupção impregnada em cada um pelo sistema capitalista, "Direções" é uma irretocável obra-prima que extrai o que há de mais extraordinário no pessimismo artístico.

Tangerina (Tangerine), 2015

Direção de Sean Baker, EUA.
"Tangerina" vai na cola de uma prostituta e sua amiga - ambas interpretadas por atrizes trans -, que, ao descobrirem a traição do cafetão, saem em busca do traidor e sua amante. Qual o cerne do filme? A triste e estreita ligação entre a transsexualidade e a marginalização. É nada confortável encarar de frente os vários tópicos que a obra escancara sem vergonhas, porém, "Tangerina" é um filme sobre como a sororidade é peça indispensável para a sobrevivência de pessoas ainda varridas para debaixo do tapete. Longe de um trato plástico e artificial na tela, "Tangerina" vem como um sopro de ar livre ao dar voz, provocar e abordar uma realidade marginalizadora de forma crível, correta e socialmente relevante. E foi inteiramente filmado com celulares.

Victoria (idem), 2015

Direção de Sebastian Schipper, Alemanha.
"Victoria" é a definição do rolê que você pensa "deveria ter ficado em casa". A protagonista está em uma festa e conhece um cara, rapidamente criando uma forte ligação. Mas os amigos do rapaz devem sair para quitar uma dívida, arrastando Victoria junto. Esse filme alemão não apenas é uma corrida madrugada adentro como leva o título desta lista ao extremo pé da letra: é inteiramente filmado sem cortes, ou seja, o filme começa e termina exatamente como está na tela. E não se trata de falsos planos-sequência - como em "Birdman" ou "1917" -, a câmera é ligada e só desliga 138 minutos depois. Uma experiência pra lá de única.

Bom Comportamento (Good Time), 2015

Direção de Josh Safdie & Benny Safdie, EUA.
O filme que apagou de vez qualquer dúvida vampiresca do talento de Robert Pattinson enquanto ator, "Bom Comportamento" segue o protagonista fazendo um malsucedido assalto a banco e vendo seu irmão sendo preso. Ele corre contra o tempo para salvar a própria pele e tirar o irmão da cadeia antes que a polícia e outra gangue agarre seu pescoço. O “Depois das Horas” desse século, “Bom Comportamento” é um filme de amor bandido bastante sincero, que consegue compor personagens e situações para gerar a simpatia do público, mesmo com personas tão problemáticas. E possui os créditos finais mais bem valorizados dos últimos tempos.

A Última Parada (Fruitvale Station), 2013

Direção de Ryan Coogler, EUA.
O filme de estreia do futuro diretor de "Pantera Negra", "A Última Parada" é sobre o último dia de vida de Oscar Grant, homem negro assassinado pela polícia em 2009. A legitimação do porte de arma por meio dos integrantes das polícias o tornam "seres superiores", quase com permissão para matar. Um filme revoltante que mostra o abuso de poder pela polícia e como essa vã superioridade pode custar com a vida de muitos - e não se surpreenda caso a vida de George Floyd, que teve o mesmo destino de Grant, também vire filme.

4 Meses 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni 3 Săptămâni și 2 Zile), 2007

Direção de Cristian Mungiu, Romênia.
No final da década de 80, no declínio do Comunismo romeno, uma estudante busca por um aborto, ilegal no país. Com a ajuda de uma amiga, ela conhece um médico clandestino apto para o procedimento, mas ele cobra muito mais do que o esperado quando descobre o real avanço da gravidez. "4 Meses 3 Semanas e 2 Dias", vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é genial já pelo título, e, além de trazer um tema difícil e controverso, consegue ser um ato sobre como uma decisão pode impactar a vida de mais pessoas que gostaríamos. A protagonista tem apenas aquele dia para escolher qual será o rumo da sua vida dali para frente.

Clímax (Climax), 2018

Direção de Gaspar Noé, França/Bélgica.
"Clímax" não é uma produção recomendável, mas pelos motivos corretos: quando um grupo de dançarinos descobre que a bebida da festa foi batizada com LSD, o lado mais animalesco de cada um vem à superfície. Excluindo um rápido prólogo com entrevistas dos personagens, embarcamos na noite medonha dentro de um galpão que não garantirá a sobrevivência até a manhã seguinte. Esse é um filme que não só demanda como suga o emocional do público, tão massacrado quanto os personagens, presos em uma bolha ácida que não escolheram e nem podem escapar. E talvez seja a impotência - tanto nossa como deles - que faz "Clímax" tão bizarro.

Gravidade (Gravity), 2013

Direção de Alfonso Cuarón, EUA/Reino Unido.
Um dos filmes definitivos não apenas para o sub-gênero "cinema espacial", mas para toda a arte, "Gravidade" dispensa grandes apresentações. Quando um desastre acontece e deixa uma astronauta à deriva e sozinha na imensidão do cosmo, ela deve reaver toda a força e coragem para conseguir voltar à Terra. A montanha-russa intergalática de Afonso Cuarón (que lhe rendeu a primeira leva de Oscars) é uma experiência tão competente que houve quem jurasse que a fita havia de fato sido filmada no espaço. Não dá para julgar.

Os 8 Odiados (The Hateful Eight), 2015

Direção de Quentin Tarantino, EUA.
Todo lançamento de um filme do Tarantino é um verdadeiro evento, mas o parto de "Os 8 Odiados" foi mais complicado. O roteiro vazou em 2014, a produção foi cancelada até que o diretor mudou de ideia, reescreveu o roteiro e as filmagens começaram. Confinados num pensionato no meio de uma nevasca, Tarantino reconstrói a Guerra Civil americana para escancarar o racismo enraizado na sociedade, com, claro, muitos baldes de sangue, humor negro e performances brilhantes. Poderia, sim, ser um pouco mais curto (são mais de 3h), porém quando a marcha engata, temos uma loucura eufórica com boas doses de tensão e divertidas sacadas, além do usual domínio de cena de Tarantino, capaz de orquestrar grandes cenas num local e tempo restritos. O último bom filme do diretor - fãs de "Era Uma Vez em Hollywood" favor não tumultuar.

O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods), 2012

Direção de Drew Goddard, EUA.
Uma galera jovem vai aproveitar as férias em uma cabana na floresta, local que vai ser o túmulo de muitos. Saindo em um trailer pela manhã, o plano por trás da simples viagem é fazer com que ninguém veja a luz do sol no dia seguinte. Soa familiar? Sim, essa é uma premissa pra lá de conhecida, e é proposital. "O Segredo da Cabana" vai no que há de mais óbvio e clichê no terror norte-americano e, de forma sagaz, reinventa uma roda já há muito tempo gasta. Um terrir legítimo (terror + comédia), o filme enterrou essa história específica de maneira criativa, lúdica e que jamais deixa a bola cair, criando camadas cada vez mais eletrizantes. O clímax, uma enorme homenagem ao gênero, é sensacional.

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