Nossos parabéns para a Miley Cyrus, por seu aniversário e por ‘Bangerz’, que foi uma das melhores eras pop dos últimos anos

Neste domingo, 23 de novembro, a cantora Miley Cyrus entra para o clube dos 22, se identificando com a música da Taylor Swift ou provavelmente com aquela outra da Lily Allen, mas em vez de fazer mais um daqueles posts aonde comemoramos o aniversário da artista com um número de GIFs respectivos à sua idade, decidimos aproveitar a data para lamentarmos o fato de que o último disco de Cyrus, “Bangerz”, realmente não teve a atenção merecida e isso é algo muito triste para a cultura pop.

Desde o seu primeiro single, “We Can’t Stop”, a era “Bangerz” caminhava para ser uma das mais interessantes do pop atual e, em meio a nossa carência de novos ícones e banalização do termo “diva”, ter Miley Cyrus se libertando do seu contrato com a Disney e da personagem que a consagrou de uma maneira tão autêntica quanto fez neste retorno, era algo para se assistir e, por favor, aplaudir.



O single, arriscado por conta do flerte com as rádios urbanas quando o twerk e toda essa coisa do “trap” ainda estava pegando, se saiu muito bem, obrigado, só ficou atrás da canção sucessora, “Wrecking Ball”, que foi e será um verdadeiro marco na história da cantora e, por que não?, da cultura pop moderna, seja por seu refrão pegajoso e produção impecável ou pelo clipe mesmo, mais icônico que qualquer outra coisa pop lançada no mesmo ano.



“Wrecking Ball” foi então o grande acerto de Cyrus com o CD “Bangerz” e era, inclusive, a música favorita da cantora Katy Perry no disco, mas assim como serviu pra catapultá-la no hall de divas da música atual, também serviu para pressioná-la ao ponto de cambalear no single seguinte e, infelizmente, final do disco, a baladinha “Adore You”.

Desde o início da era “Bangerz”, Miley Cyrus estava decidida a “causar”. Como dissemos na resenha de sua turnê, que também foi uma das melhores propriamente pop deste ano, tudo isso é sobre comemorar a sua recém adquirida liberdade e, bem, se já abusamos da falta de bom senso quando temos a oportunidade de ficar sozinhos pela primeira vez em casa durante a adolescência, o que não faríamos se fôssemos uma grande estrela pop com todos os olhos em cima de nós? Se você for Miley Cyrus, corte o cabelo, use roupas bem curtas e faça twerk em um cantor britânico no palco de uma grande premiação americana. Ainda assim, ela foi lá e fez mais, fazendo do clipe de “Adore You” sua sextape que não vazou, enquanto aparece em meio a uma proposta simples, se masturbando.
As questões levantadas por Miley Cyrus durante esta era também foram de se impressionar. Quem diria que a “eterna Hannah Montana” protagonizaria discussões sobre feminismo, machismo e sexismo, fazendo com que pensemos se há ou não um limite para o entretenimento e quando ele está ou não associado ao conservadorismo ou padrões herdados de uma moralidade há tempos perdida? Tudo isso, obviamente, não foi feito com ela sentando e lendo para nós livros de sociologia, mas sim da maneira mais despretensiosa possível e, droga!, como isso funcionou tão bem?

Numa entrevista ao jornal Correio Braziliense, o blogueiro que vos fala, Gui Tintel, foi questionado sobre esse lado “apelativo” adotado por algumas artistas, indo da citada Miley Cyrus à rapper Nicki Minaj, passando ainda por Iggy Azalea, Jennifer Lopez, Beyoncé e outros nomes, todos femininos, e a resposta é a mesma que incluiremos aqui: desde a ascensão de ícones como David Bowie, Madonna e até mesmo Britney Spears, a cultura pop está associada à todo esse “choque” social, a história da ação x reação, e se causa alguma discussão, esta ação tem sim alguma relevância, passando longe de ser apenas apelação.



“Bangerz” e todos os acontecimentos que rodearam esta era de Miley Cyrus geraram discussões, reações e, sim, foram relevantes para a cultura pop moderna, cada vez mais vazia e preenchida por singles atrás de singles, de cantoras que só tem em mente estar na frente na incessante corrida pelo topo da Billboard, sem se lembrar que tudo aquilo que sobe, também vai descer. A própria Miley teve a sua popularidade significativamente diminuída após o fracasso de “Adore You”, até então ofuscado pelo sucesso de “Wrecking Ball”, mas aí está a diferença entre artistas de verdade e esses nomes que só procuram pela chance de ser algum fenômeno, nós sentimos falta de artistas de verdade e queremos vê-los por cima pelo máximo de tempo possível.



Sem mais singles por vir, o CD “Bangerz” deixou pra trás todo um apanhado de canções que poderiam funcionar nas rádios e até mesmo superar o feito de “Adore You”, colocando-a em exposição outra vez. Canções como “Do My Thang” ou “Drive” ganhariam clipes incríveis e, meu Deus, só nós achamos que “FU” tinha tudo para ser outro hino na carreira da moça? Se não, parcerias também fariam um barulho e tanto, e lá tínhamos com Britney Spears, Pharrell Williams e Big Sean, além do parceiro inseparável da cantora durante toda a produção deste material, Mike Will Made It.



Neste domingo, aproveitamos então para parabenizá-la por seu aniversário e também por um dos melhores discos e acontecimentos pop dos últimos anos, só lamentando pelo desperdício que foi vê-lo ser engavetado ao terceiro single, quando temos cantoras bem menos relevantes beirando a sexta música de trabalho após se dar bem com alguma “parceria de sorte”. Nós te adoramos, Miley!