A banda Restart anunciou uma pausa na carreira e nós queremos agradecê-los com esta bela homenagem (sério!)

No fim de 2009, o blogueiro que vos fala, com seus quatorze anos, descobria pela internet o que viria a ser um dos maiores fenômenos pop nacionais dos últimos anos.



Formada por Koba, Thomas, Pedro Lucas e Pelanza, a banda Restart inaugurou um som que chamava por “happy rock” e, de forma totalmente aliada à internet, foi uma das grandes febres adolescentes que marcou uma das fases mais animadas, coloridas e engraçadas da música nacional.



Hoje, obviamente, morro de vergonha de muita coisa que eu fiz. Desde viajar para OUTRA CIDADE para assisti-los em um festival que só tocariam durante meia-hora à comprar CDs, ir a tarde de autógrafos e, o pior, usar aquelas calças coloridas quase fluorescentes que faziam todo mundo olhar para mim mais ou menos assim:





Mas fui feliz. Todos os fãs da banda foram. A própria banda também.

Sendo assim, não tem como não assumir certa nostalgia ao saber que a banda, em seus sete anos de carreira, anunciou na última terça-feira (17), que é também o Dia do Fã, uma pausa por tempo indeterminado. O que, no fim das contas, deve significar o seu fim ou, melhor dizendo, um hiato até que eles se reúnam quando forem tiozões para lançar alguma coisa que ninguém estará realmente interessado em ouvir.

Em sua página pelo Facebook, a banda Restart divulgou então uma carta aberta, aonde anuncia sua decisão:



E a internet, claro, recebeu a notícia de braços abertos:





Sério, eles ficaram muito felizes mesmo:




E os fãs também, aproveitando a ocasião para agradecer a Restart por tudo o que fizeram até aqui:







E eles não fizeram pouca coisa. Num cenário aonde o rock nacional vende cada vez menos, os caras foram um verdadeiro fenômeno e seu disco de estreia, por exemplo, vendeu mais de 150 mil cópias, garantindo o primeiro Disco de Platina da banda.

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Mais tarde, eles ainda lançaram os discos “Restart By Day” (2010), o registro ao vivo “Happy Rock Sunday” e “Geração Z” (2011), o que lhes rendeu outras 100 mil e poucas cópias vendidas e, voi là, dois discos de ouro no Brasil.

Mas não parou aí. Como todo fenômeno pop, a banda ainda contou com toda uma linha de produtos personalizados, que incluiu bonecos, chicletes, peças de vestuário, materiais escolares e por aí vai. 


Foi uma infinidade de coisas MESMO, comprovando uma febre que só quem presenciou de perto podia entender a dimensão.

E como todo fenômeno pop, eles também tiveram rivais:



A internet adorava comparar os trabalhos da Cine e Restart. Isso porque, no começo da carreira, as duas tinham essa proposta de “colorida”, sendo separadas pelo fato de que Cine sempre carregou uma vertente mais eletrônica, em tempo que a Restart alimentava essa ideia do “rock feliz”. 

Em entrevistas, eles sempre negaram qualquer rivalidade. Mas no fundo, os fãs sabiam que ela existia sim e, pela internet, integrantes das duas bandas viviam soltando indiretas uns para os outros. The shade.



Isso sem falar na revolta de músicos de outras bandas sempre que eles participavam de premiações como o VMB (MTV Brasil) ou Prêmio Multishow e levavam váaaarios prêmios. Eles chegaram até ao Europe Music Awards! E o choro era livre.


Mas deixando as tretas de lado, “happy rock” foi um termo que deixou muita gente puta, vale recordar. Porque rock não tem que ser feliz, rock é preto, emo e gótico. Rock é raivoso, rebelde. Rock não é coisa coloridinha que fala sobre amor, hahahah.


Curiosamente, a carreira da banda só começou a perder sua força quando eles passaram a desapegar das cores e não tinha como evitar a risada com as manchetes acompanhadas do “sem visual colorido, Restart...”:


Fato que, segundo PeLu, não aconteceu como estavam falando. Eles sequer estavam mudando o estilo, era apenas uma evolução, amadurecimento.



Foi por conta disso que seu segundo disco de inéditas, “Geração Z”, não teve lá das melhores recepções comerciais e começou até mesmo a virar o jogo contra a banda, que recebeu acusações de plágio dos fãs do grupo One Direction, por exemplo:


Quando todos sabem que foi Harry Styles e sua trupe que se inspiraram nos brasileiros:




Sem brincadeiras, essas coisas renderam muita discussão.

O último lançamento da banda, entretanto, foi o mais levado para o rock de todos os seus trabalhos. O EP, chamado “Renascer”, foi lançado em 2013 e terminava de enterrar o legado colorido da Restart, a começar por sua capa:



QUANTA SELVAGERIA! 

Neste, a banda ainda fez valer toda a história que contava sobre ter sido fortemente influenciada pelo NX Zero desde o começo da carreira, em canções como “Fé Acesa”, que poderia facilmente integrar o repertório dos caras. Ouça:


Mas dá aquela sensação de que falta alguma coisa, não? Falta um refrão chiclete.


Uma letra tocante.


Algo que nos deixe como esse gordinho do clipe de “Levo Comigo”:




Sim. Namore com alguém que te olhe como esse menino olha para a banda Restart:



Esse clipe é, inclusive, uma das coisas mais bonitinhas e emocionantes que a banda já lançou:


Mais emocionante que o “momento família” de “Pra Você Lembrar”:


E a clara tentativa de emplacar outra moda com calças:



Qual o cantor e ator Filho do Fábio Jr. não hesitou em seguir:


E eles ainda investiram bastante no mercado latino, lançando versões descaradamente em espanhol para seus maiores sucessos, o que foi uma fase bem engraçada, diga-se de passagem:


Só não tão engraçada quanto os memes rendidos por seus fãs, ou você acha que uma “puta falta de sacanagem” e pessoas “xingando muito no Twitter” são coisas que nascem do dia pra noite? RS.


É por essas e outras que, independente de você ter sido fã ou não, é preciso aceitar que Restart deixou sua marca na história da música nacional e foi um dos poucos artistas pop a causarem um impacto tão grande em nossa indústria, quando as rádios só estavam dispostas a erguer mais e mais nomes do sertanejo, sabendo usar de uma maneira que nenhum outro artista brasileiro soube a internet ao seu favor.


Eles são, inclusive, os responsáveis por encorajar pessoas a se vestirem hoje com cada vez mais cores, como nossa aposta recém apresentada, Dream Team do Passinho:


Ou todo o elenco do programa “Esquenta”, da Globo.

E então a gente agradece a banda, primeiramente por sua existência, sem qualquer sarcasmo envolvido, e depois por seu fim, o que garante que eles deixarão de lançar essas coisas tristes e sem cores que, obviamente, fere todo o legado que eles deixaram para trás.


Obrigado, Restart. De S2.
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