Video Review (Especial VMA): o diferencial que colocou Sia em evidência no clipe de ‘Chandelier’

Nós não cansamos de elogiar a cantora e compositora australiana Sia e tudo o que nos apresentou tanto antes como depois da sua dominação ...
Nós não cansamos de elogiar a cantora e compositora australiana Sia e tudo o que nos apresentou tanto antes como depois da sua dominação clandestina nas rádios mainstream e quando lançou seu sexto CD, “1000 Forms of Fear” (nossa resenha: parte 1 e 2), nossa recepção não poderia ter sido melhor, mas segura teu candelabrinho aí que tem mais, Giovana, até porque a hitmaker que não quer ser famosa é uma das indicadas na categoria de Melhor Vídeo do Ano, do Video Music Awards, da MTV, e caso tenha perdido, começamos por aqui um especial de resenhas aos clipes indicados a principal categoria da premiação, aonde já escrevemos sobre “Happy”, do Pharrell Williams, “Drunk In Love”, da Beyoncé, e “Fancy”, da Iggy Azalea. Na sequência, ainda tem a nossa opinião emo e gótica sobre “Wrecking Ball”, da Miley Cyrus, que é destruidora mesmo, mas por enquanto ficamos com “Chandelier” e todo o minimalismo genial de Furler.

A gente tem uma estranha mania de, sempre que ouvimos uma grande canção, tentarmos imaginar seu videoclipe. Com “Chandelier”, por exemplo, esperávamos ver Sia assumir uma posição de diva aos moldes de Celine Dion, Mariah Carey, com um clipe numa mansão cheia de lustres, velas e champagnes, enquanto afogava às suas mágoas em meio a muitos carões e até um vestidão longo, mas vamos lá, isso estava mais clichê do que qualquer coisa que a Katy Perry já fez, de forma que erramos ao esperar de Sia.

Pra sua baladinha, por sua vez, Furler inovou. Em vez dos figurinos marcantes, a mansão com os lustres e tudo o que ela, numa perspectiva óbvia, pediria, a australiana nem se quer apareceu na produção, deixando que os holofotes mirassem em Maddie Ziegler, uma dançarina de 11 anos e com um talento que mal cabe dentro do seu figurino de balé. 

No clipe, o que temos então é a menina interpretando a letra da canção, mas como é jovem demais pra fazer a personagem que bebe pra esquecer dos problemas, faz isso de uma forma artisticamente encantadora, com uma coreografia que, em suas mãos, soa tão natural, leve, que nem parece ser tão complicada como realmente é. Ao decorrer do vídeo, somos então guiados pelos passos de Ziegler, passos ora ágeis, ora devagar, e muitas caras e bocas, apenas reforçando o hino da incompreensão de Sia, incompreensão de uma cantora que luta contra a depressão e sociofobia e faz isso de maneira majestosa. ALIÁS, quem disse que não tem a cantora no clipe? Tem sim! Mas representada pelo elemento que marcou a sua identidade neste retorno, sendo ele a sua peruca loira. Até porque grandes artistas são lembradas por pequenos gestos.

Falando em termos técnicos, o clipe também dá um show a parte. A sua edição parece casar perfeitamente com os movimentos inquietantes de Maddie, em tempo que também garante que não percamos um só suspiro da menina, contribuindo pra que o enredo em momento algum fique cansativo. Pelo contrário, toda a expressão nos instiga e inspira, e o que é mais emocional do que algo que nos gere alguma reação? Só nos primeiros minutos, fomos da surpresa à identificação, e depois ficamos em um estado que ia além da satisfação. Que produção!



O Video Music Awards ’14 acontece neste domingo, 24 de agosto, e “Chandelier” da Sia é um dos fortes candidatos ao moonman. Teria a cantora balançado forte o suficiente para derrubar Miley, Iggy Azalea, Beyoncé e Pharrell Williams?