Video Review (Especial VMA): Miley Cyrus, 'Wrecking Ball'

Pare agora o que você esteja fazendo e se concentre na próxima pergunta: qual foi o clipe mais memorável de 2013? As chances de você pen...

Pare agora o que você esteja fazendo e se concentre na próxima pergunta: qual foi o clipe mais memorável de 2013? As chances de você pensar "Wrecking Ball" são altíssimas. E não só o clipe marcou o ano como a música e a própria cantora. 2013 teve uma dona, e ela se chama Miley Cyrus.

A ex-Hannah Montana tirou 2013 para obliterar a personagem da sua vida, e tudo feito de forma bem minuciosa e cuidadosa. Foi o corte de cabelo, e as entrevistas, e as roupas, o término do noivado com o ator Liam Hemsworth (terminar com boy magya é pecado, viu?), aí *BOOOM* surge "We Can't Stop". Foi um baque. Aquela Miley do clipe parou a internet de uma forma absurda, e o clipe bateu o recorde no VEVO como o vídeo mais assistido da plataforma em 24h. Um verdadeiro acontecimento. Mas Molly já havia adiantado: ela não pararia.

Então veio "Wrecking Ball". A música imediatamente ganhou o gosto do público com a fórmula certeira do velho "pé na bunda". Mas não só isso: liricamente a canção é lindíssima, com versos inspirados e verdadeiros, uma obra de arte. Para completar tamanho acerto só um clipe à altura. E o clipe de "Wrecking Ball" é esmagador.

Dirigido pelo polêmico Terry Richardson, Miley vem crua, em takes com close e praticamente sem maquiagem, deixando transparecer a áurea de vulnerabilidade da letra da canção. Só não esperávamos que a cenografia fosse ornamentada com uma bola de demolição de verdade. E que Miley rebolaria nua em cima dela.

Richardson apostou no conceito "menos é mais" ao criar um só cenário simplíssimo para as gravações: uma caixa de concreto. Só. Até os materiais para construí-la estão lá no fundo. Miley apenas caminha pela caixa e a quebra com uma marreta, mas não sem antes lambe-la. Porque não seria um clipe da Molly se ela não lambesse algo fálico, certo? Mesmo com macetes polêmicos, o clipe é tratado com uma delicadeza primorosa, o que casa com a canção e dá o ritmo fenomenal para a auto-destruição do tema - não foi preciso criar uma historinha com começo, meio e fim.


O uso da bola de demolição é um daqueles casos onde o óbvio é tão óbvio que vira genial. Não existe imagem mais icônica  no ano do que Miley em cima da bola (I'm gonna swing from the wrecking ball N), tanto que a mesma virou um dos maiores virais da internet, sendo copiada e memezirada numa potência absurda. E quem depois disso não quis se balançar em cima de uma bola e sair demolindo tudo? 


O impacto do clipe foi ainda maior que o de "We Can't Stop": além da massificação da imagem (tanto do próprio clipe quanto da cantora), "Wrecking Ball" se tornou o primeiro #1 de Miley na Hot 100, sendo um dos maiores hits do ano; recorde no VEVO como o clipe mais assistido em 24h (que só foi batido quase um ano depois, nessa semana com o clipe de "Anaconda" da Nicki Minaj) e VEVO Certified de 100 milhões de views mais rápido (apenas SEIS dias).

"Wrecking Ball" não é o melhor clipe do ano, mas é o mais icônico, o mais marcante, o mais memorável,  o mais emblemático. Quando daqui a 20 anos nós pensarmos em 2013/14, o clipe terá a grande prazer de "representar" o período, e é essa a função de um clipe digno ao VMA de "Vídeo do Ano": marcar época. Além do mais, é um clipe realmente demolidor.