Album Review: Paloma Faith mescla ritmos divinos no "A Perfect Contradiction", seu novo álbum!

Paloma Faith ganhou grande visibilidade internacional ao participar da primeira edição do The Voice UK como mentora convidada do time do...

Paloma Faith ganhou grande visibilidade internacional ao participar da primeira edição do The Voice UK como mentora convidada do time do Danny O'Donoghue. Durante sua passagem, performou o lead-single do "Fall To Grace", segundo álbum de sua carreira, "Picking Up The Pieces". Mas para nós, ratos de Lastfm, Paloma tem lugarzinho nos nossos iTunes desde seu primeiro álbum, "Do You Want The Truth Or Something Beautiful?".



Mesclando pop, soul e jazz, Paloma chama atenção tanto pelo vozerão marcante quanto pelo seu visual em clipes, apresentações, premiações e etc. As capas dos seus álbuns e singles são fenomenais, e fazem jus ao conteúdo dos mesmos. Com singles bem sucedidos no Reino Unido ("New York" #15, "Never Tear Us Apart" #16, "Picking Up The Pieces" #7), Paloma busca sempre incluir alguma sonoridade diferente a cada álbum, e com "A Perfect Contradiction", seu mais novo cd, ela consegue alcançar o olimpo de seu próprio estilo.

Quando a ruiva lançou o lead-single do "A Perfect Contradiction", "Can't Rely On You", o susto foi imediato: a faixa era produzida por Pharrell Williams, o produtor do momento. A fórmula "Paloma + Pharrell" foi logo rejeitada, afinal, o estilo lírico de Paloma não casava com o suingue do Pharrell, mas nos enganamos feio. "Can't Rely On You" é um híbrido maravilhoso de soul e funk, que sim, remete sem medo de ser feliz à "Blurred Lines", o smash hit do Robin Thicke, também produzida pelo Pharrell. O objetivo da escolha pelo produtor pode ter sido o despontamento dela nos charts mundiais (Pharrell tem bom dedo e o single entrou no top 10 do UK), mas isso não é defeito algum, principalmente quando a faixa em questão é uma "Can't Rely On You" e não foi produzida pelo will.i.am.



Seguindo a linha inovação, Paloma agora cai no disco (!!!) em "Mouth To Mouth". Pronta para uma discoteca, a música é uma das mais animadas do álbum e uma grata surpresa para a discografia já divina da cantora. Cheio de partes repetitivas para grudar na cabeça e não sair jamais ("do it, do it, do it, yeah!"), "Mouth To Mouth" não só pede como grita para ser single do álbum.

Voltando para as raízes do soul, "Take Me" remete mais aos trabalhos do "Do You Want The Truth Or Something Beautiful?" com seu refrão agitado e pra cima. "Pegue-me, só você pode me salvar e me alivar". Para completar as fusões da cantora no novo álbum, ela incorpora Amy Winehouse em "Only Love Can Hurt Like This". A letra, os acordes, a melodia e até a voz de Paloma em alguns momentos soam absurdamente parecidos com trabalhos de Winehouse. Composta unicamente pela ganhadora do Grammy e Globo de Ouro Diane Warren (que já trabalhou com Christina Aguilera, Jessie J, Mariah Carey, Rihanna e uma infinidade de artistas), a canção é daqueles hinos de fim de namoro: "Digamos que eu não me importe se você for embora, mas toda vez que você está lá eu estou te implorando para ficar. É como uma faca que corta direto na minha alma".



À la Adele, "Other Woman" segue a saga sofrimento de Paloma no álbum, mas sem cair em instrumentais fáceis ao piano. Fazendo a mulher traída a cantora solta "Quando você dará adeus à essa outra mulher?" num refrão inspiradíssimo e pra ser cantado em plenos pulmões. Novamente remetendo à Amy Winehouse, "Taste My Own Tears" é carregada de saxofone e "cha-lá-lá-lá", com uma Paloma que só sente algo ao provar seus próprias lágrimas. Deliciosa.

Voltando à animação, "Trouble With My Baby" é uma autêntica canção retirada dos anos 60. Composta por Faith, Andrea Martin (Leona Lewis, RBD, Nelly) e Steve Robson (James Blunt, Christina Aguilera), com instrumental meio jazz, meio pop, é impossível não balançar o pé no ritmo da música, que casa perfeitamente com aquelas cenas de dança em filmes retrô. A próxima, "The Bigger You Love (The Harder You Fall)", é um cover bem fiel (e lindíssimo) do The Sisters Love, grupo de R&B americano dos anos 70. Paloma incorpora o grupo e solta o gogó com gritos e agudos, dando força para o tema da música, estampado no título ("quanto maior seu amor, mais forte sua queda").

"Impossible Heart", a próxima da tracklist, foi composta e produzida por Chris Braide, o mesmo por trás de Lana Del Rey, David Guetta, Sia, Beyoncé, Britney Spears e Lea Michele. Já diz muita coisa, não? A música é o mais próximo do "Fall To Grace" que o "A Perfect Contradiction" chegou, e isso é muito bom. Pode parecer meio apagada no meio de outras faixas, mas é tão empolgante quanto. Em contra partida, "Love Only Leaves You Lonely" é a canção mais deprê do álbum  (sem deixar de ser estupenda). Começa com um acorde que lembra Scorpions e desemboca num refrão lindo de morrer. Parece Adele, com seus "Até a pessoa mais forte pode se quebrar" e "Amor só faz meu coração doer", mas tem o quê de Paloma, o que não pode faltar.


Para finalizar, "It's The Not Knowing" vem como um descanso depois do sofrimento. Tranquila, com vocais suaves e melodia envolvente, a canção, produzida por Dave Okumu (produtor da - olha ela de novo! - Amy Winehouse), encerra o álbum de forma competente, baixando a bola. Só para voltarmos e darmos um play no gingado de "Can't Rely On You" e ouvirmos o álbum inteiro de novo.


RESUMINDO: A principal crítica ao "A Perfect Contradiction" é que ele mesclou ritmos e sons de vários artistas, o que acabou "descaracterizando" Paloma. Aos nossos ouvidos, esse caleidoscópio de estilos só agregou à imagem e ao som da cantora, não só rendendo um álbum impecável como o seu melhor da carreira. Amy Winehouse é insubstituível, todos nós sabemos disso, mas Paloma Faith, apesar de não receber o mesmo reconhecimento, é uma candidata fortíssima a preencher o vazio deixado pela cantora de "Back To Black". Ora, mas não acabamos de dizer que Amy é insubstituível, como Paloma pode "ficar no lugar" dela? Isso, meus caros, é uma contradição perfeita.

P.S.: Se na versão Deluxe do álbum viesse uma garrafa de uísque como bônus, ganharia cinco estrelas e seria o álbum do ano.