O clipe de “Talento”, da MC Linn da Quebrada, é aquele tapa na cara que todos precisam assistir

Por muito tempo, o rap e o funk foram utilizados como uma maneira de dar voz aos marginalizados, sendo, inclusive, um dos motivos pelos quais ambos os gêneros ainda são alvos de preconceito. Entretanto, de um tempo pra cá, artistas que investiam neste tipo de música ganharam cada vez mais a atenção de grandes gravadoras e, como um efeito quase que natural da “massificação” da sua sonoridade, passaram a ter discursos menos relevantes, mais dispostos à entreter o público.

Do ano passado pra cá, essa cena voltou a mudar e, com a ajuda da internet, muitos nomes independentes começaram a ganhar reconhecimento com letras que levantam bandeiras a favor de várias lutas, sendo eles artistas que vão da Karol Conka ao Rico Dalasam, e, neste post, a gente aproveita para apresentar mais um deles, a MC Linn da Quebrada.

Para a internet, o seu nome não é necessariamente novo, mas fizemos um primeiro contato concreto com a sua música em “Talento”, seu novo single, e as impressões foram as melhores possíveis.

O novo clipe de MC Linn da Quebrada chega depois do sucesso de “Enviadescer”, que é uma das suas músicas mais famosas, e prestes a lançar um EP que, futuramente, deve se concluir em um disco, ela dá voz às minorias mais uma vez, criticando agora a LGBTfobia que acontece dentro e fora do movimento, ressaltando a frequente exclusão dos gays afeminados, tidos como inferiores por o que ela chama de “gays alfas”.

“Talento”, além de Linn da Quebrada, conta com a participação de outras mulheres e drags, que fazem parte do Grupo Valéria, uma iniciativa dos próprios coletivos LGBTT, associada ao Centro de Acolhimento – de pessoas em situação de rua – da Zona Norte. Segundo a descrição do vídeo no Youtube, seu esquadrão é composto por Adão Lima, Aguilera (Igor Eduardo), Amanda Modesto, Bombom, Carla (Gilson Andrade), Livia Marine, Luana Fawkes e Marcos Paulo. A direção é assinada por Carolina Del Blue, Louise Winkler, Pedro Avila e a própria Linn.

Confira:


“Ser bicha não é só dar o cu, é também poder resistir!”


Dá-lhe representatividade! No fim do clipe, como você viu, Linn da Quebrada ainda traz depoimentos das suas convidadas, que contam um pouquinho das suas histórias e, em alguns casos, o que esperam das pessoas em relação ao que são. É difícil não se emocionar, mesmo depois todo o batidão.

Falando sobre seu disco de estreia, MC Linn da Quebrada afirmou: 
“Tenho várias músicas minhas já, mas ainda estamos tentando materializar essa obra. Espero que ele [o álbum], assim como eu, seja bem transviado e que represente as minhas experiências e de todas as pessoas trans, sapatões e bichas, principalmente de periferia, que não têm suas histórias contadas em nenhum lugar da grande mídia.”

A gente mal pode esperar para ouvir o tiro que será esse disco.
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