Editorial: Britney Spears deve — e vai — usar playback quando ela bem entender

Foi no último domingo (22) que a Britney Spears orgulhosamente marcou a sua volta aos palcos, durante o Billboard Music Awards. A premiação, que também havia sido palco para a sua performance de “Pretty Girls”, em 2015, aproveitou a oportunidade para reconhecer a sua importância na cultura pop, elegendo-a a ‘Artista do Milênio’, mas o que realmente se tornou assunto foi uma polêmica antiga: o seu famigerado uso do playback.

A discussão já está tão batida que, pra falar a verdade, suspeitamos até mesmo do termo “polêmica”, mas a grande questão em cima disso é o fato do público ou, melhor dizendo, essa parte que ainda se choca em vê-la usar o playback, não entender que, no fim das contas, ela só se dá ao luxo de fazer isso, por ser a Britney Spears. E isso te dá não só crédito, como um passe-livre para sequer ligar o microfone. Como lemos numa rede social, “é como se ela tivesse licença poética para usar o playback”.

Muita puxação de saco? Com razão. Ninguém assiste a uma performance da Britney esperando um puta vozeirão, com ela mandando aquele ao vivaço. Isso fica pra Adele, Beyoncé e essas artistas mais novas, tipo a Demi Lovato, que usa e abusa da sua potência vocal como se não houvessem Aguileras. Com a Britney, não. Nós assistimos esperando uma grande performance, uma grande coreografia, um maravilhoso jogo de luz e, por que não?, de cabelo também. Esperamos o carão, os hits, o combo ‘Britney Spears’ que ela nos entrega como ninguém. E isso ela fez.



É muito importante entender que valorizá-la como cantora, apesar do microfone frequentemente desligado, não diz respeito apenas ao que vemos nos palcos hoje, mas sim tudo o que ela já fez e representou para a cultura pop. Só pra você ter uma ideia, Lady Gaga é uma das fãs confessas que se dizem inspiradas pela Britney Spears e a cantora é apenas uma da lista que ainda traz os nomes de Katy Perry, Kesha e várias das aspirantes às divas da atualidade, como Selena Gomez e Demi Lovato. A perigosa Ariana Grande e sua era “Dangerous Woman” entram no pacoteney.

Isso não significa, de maneira nenhuma, que devamos aceitar qualquer coisa que ela fizer no palco, como quando elogiamos crianças por ações nem-tão-boas, apenas como uma maneira de incentivá-las a continuar tentando, mas se tratando de Spears e toda a trajetória da sua carreira até aqui, incluindo o conturbado período de 2007, em que muitos sequer pensavam em vê-la bem nos palcos outra vez, tê-la de volta, saudável e tão disposta a entregar o seu show com a mesma qualidade de outrora é louvável. Really cool and interesting, como ela ama repetir.

O seu legado na música, digno do título de ‘Artista do Milênio’, é também outra justificativa aceitável. Mas você não acredita nisso até perceber que, falando do Billboard Music Awards, a sua animação ao vê-la ao vivo começou quando tocaram os primeiros segundos de “Oops... I Did It Again”, no momento que ainda estavam chamando-a ao palco, antes mesmo que ela tivesse feito qualquer aparição. Podemos até ter reações bem próximas com outros sucessos de outras artistas, mas, se tratando dela, sempre será algo único. Porque foi isso que ela se tornou para nós.

Ela pode começar as apresentações meio durinha, não dançar exatamente como no auge da sua carreira, até porque muito tempo passou de lá para cá, e sequer se preocupar em cantar de verdade, mas ela pode. Ela é a Britney Spears ou, melhor dizendo, “It’s Britney, bitch”. E você, que começou a consumir música pop agora e já se acha no direito de falar qualquer coisa sobre ela, volte duas décadas. Sem ela, meio mundo que você idolatra hoje nem estaria aqui para continuar sua história.

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