Single Review: Katy Perry é o presente que não pedimos com "Birthday"

Com o "PRISM", Katy Perry repete a fórmula do "Teenage Dream": ter várias canções que dariam bons singles. Mas, como...

Com o "PRISM", Katy Perry repete a fórmula do "Teenage Dream": ter várias canções que dariam bons singles. Mas, como em todo álbum, há aquelas não tão boas e que às vezes acabam, sabe deus como, virando single, deixando outras melhores para depois ou de lado. É o caso de "Birthday", quarto single do seu novo álbum.

Como falamos na nossa review, o álbum não consegue criar um todo sólido. Com a segunda metade bem soro caseiro, ficou com a primeira o trabalho de render bons singles, tanto que os três primeiros ("Roar", "Unconditionally" e "Dark Horse") estão nessa metade. E é nessa metade que habita "Legendary Lovers", "Walking on Air" e "This Is How We Do". A primeira já foi confirmada pela cantora que será single, mas a segunda, que já foi single promocional, e a terceira, single somente na Europa, nadam na incerteza. Com o sucesso em vendas, é capaz de o "PRISM" repetir a maratona do "Teenage Dream" e ver sua era perpetuada com seis ou mais singles, e todos saírem felizes no fim, mas nunca se sabe. Ela pode escolher "Double Rainbow" em vez das citadas (cruzes).

Mas vamos falar de "Birthday". A terceira faixa do álbum é o single que (quase) ninguém quis, mas é o que tem pra hoje. A canção é um exemplar disco bem animado sobre aniversários, bolos, balões e afins, quase uma continuação de "Last Friday Night (T.G.I.F.)". Só que, se pararmos para analisar bem a letra de "Birthday", veremos uma canção de duplo sentido.

Assim como em "Birthday Cake" da Rihanna, o bolo de Katy Perry é uma metáfora sexual. "Então cubra seus olhos, tenho uma surpresa. Espero que você tenha um apetite saudável" canta ela em meio à animação açucarada da melodia, quase escondendo a dualidade da letra. Mesmo não sendo explícita como Rihanna e seus "Nem é meu aniversário, mas ele quer lamber toda a cobertura", Perry trás a sutileza com "Garoto, quando você está comigo, vou te dar um gostinho (...) Eu sei você gosta disso doce, então você pode ter seu bolo".

Mesmo com isso, a cantora falha em criar uma nova versão de si mesma com o single, algo conseguido com maestria em "Dark Horse". Perry com "Birthday" permanece na extrema zona de conforto criada pelo "Teenage Dream" e puxada por "Roar", tanto que "Birthday" mais parece uma descartada do álbum anterior (ou do "Kiss" da Carly Rae Jepsen), fazendo com que tudo soe repetitivo e enjoativo, como quando comemos muito brigadeiro e nos sentimos mal com o excesso de açúcar. E isso só piora quando lembramos que a própria cantora queimou, enterrou e deu pro seu gato comer a era passada. Na letra Katy diz "Eu serei seu presente", todavia com esse single ela é aquele par de meias que ganhamos no Natal enquanto esperávamos um carro de controle remoto ou uma Barbie Rainha dos Cisnes.



O conceito dúbio de "Birthday" com certeza não será explorado pelo videoclipe, como a single cover e o lyric video sugerem, porque, além disso, seria um choque para seus fãs fiéis que sempre se esforçam para conseguir um "Kids' Choice Awards" e "Teen Choice Awards" para a cantora (o principal motivo que "Peacock" ter sido descartada como single foi o conteúdo dúbio e sexual, uma pena). Porém não vamos julgar o tratamento do single por completo antes do clipe, mas já podemos ter certeza de que, nessa versão de "Feliz aniversário", doces e muita cor estão garantidas, e, sinceramente, this is sooooo last week.