Review: apressado come cru? O que achamos do disco de estreia homônimo da Anitta!

Quem nunca se pegou cantarolando um verso de “Show das Poderosas”, da brasileira Anitta, que atire a primeira pedra! A cantora, obr...


Quem nunca se pegou cantarolando um verso de “Show das Poderosas”, da brasileira Anitta, que atire a primeira pedra! A cantora, obra da Warner Music Brasil, foi um dos maiores fenômenos pop do Brasil dos últimos anos e, obviamente, teve toda sua trajetória planejada por sua gravadora e empresários, mas emplacar um grande hit logo no início de sua carreira teve seus prós e contras. No lado bom da coisa, Anitta se tornou um nome popular, apareceu em diversos programas de tv, tocou nas rádios e, claro, vendeu bastante, mas no outro lado da história ela teve que correr com a gravadora para finalizar um disco de estreia, aproveitando esse momento no auge, e precisou também lidar com a pressão de conseguir um novo hit, maior ou tão grande quanto seu primeiro sucesso.


Eis que na última semana o “Anitta”, primeiro CD da funkeira que canta pop, foi revelado no iTunes e, assim como qualquer outro lançamento do gênero, paramos para dar atenção ao mesmo. Numa primeira ouvida, as impressões foram as piores possíveis. A ideia que ficamos foi de que reuniram os mesmos nomes por trás de “Show das Poderosas” e disseram coisas como “façam mais disso! Sampleiem aquela outra da Beyoncé! Rimem sobre poder, entrar, sair e cafajestes outra vez! Ah, e não se esqueçam de algo apaixonado pois mulher, mesmo quando está no controle, também ama! Versos fáceis, por favor! E não se esqueçam de alguma batidas de funk, mas não exagerem!”. Pra não sermos injustos com a moça, paramos de ouví-lo, esfriamos a cabeça e demos outras chances homeopaticamente, escutando uma ou outra de forma aleatória, até voltar a encarar o disco completo outra vez e o resultado é esta resenha que, para nossa própria surpresa, vem no bom e velho formato faixa-à-faixa. Vamos ver se ela é mesmo poderosa?

1)     “Show das Poderosas”
É só tocar a sirene e já sabemos o que nos espera! Com sample de “Run The World (Girls)” da Beyoncé que, por sua vez, sampleia “Pon De Floor” do Diplo com o projeto Major Lazer, a canção não foi a primeira que ouvimos de Anitta, mas a que tornou as coisas grandes. Na faixa, ela canta sobre comandar, incomodar as invejosas e estar bem ciente do poder que tem em mãos — e ouçam bem, pois esse poder inclui, além do sample do Diplo, uma dose de dubstep e o tal do funk, ô mistura pra funcionar bem!

2)     “Meiga e Abusada”
É impressão nossa ou tem um rip-off de algo do “The Fame”, da Lady Gaga, por aqui? Investigação sobre samples à parte, a música mantém a fórmula da faixa anterior, só que menos explosiva e mais chiclete, com Anitta reforçando a postura sobre estar no comando. Ela conquista tudo o que quer, é meiga, mas não economiza na hora de se mostrar ousada e 10temida e ainda deixa claro que encena muito bem, fazendo o rapaz de palhaço. Musicalmente, lembra bastante o que a Perlla fez há uns anos atrás.

3)     “Tá Na Mira”
E quem disse que ela não conseguiria algo tão bom quanto “Show das Poderosas”? Aqui, Anitta começa com algo meio bang bang, meio faroeste, meio Tarantino, com direito a tiros à la “Gang Bang” da Madonna e um refrão chiclete mais funcional que da nossa amiga acima. Assim como grande parte do disco, o funk aparece com uns flertes aqui e ali, e a proposta segue bem coerente, com ela cantando sobre estar caidinha pelo rapaz, mas ainda assim mantendo algumas exigências — seu “procedê”. A gente crê.

4)     “Zen”
Anitta não é Rihanna, mas também mostra sua queda pelo reggae em seu CD! “Zen”, a quarta faixa do disco, pega aquela fórmula classicona do gênero, com letra bonitinha que nem aqueles sucessos do Natiruts, Chimarruts, AlgumaCoisaRoots, e também convence. Ela tá apaixonada outra vez e, só de olhar para o rapaz amado, já fica toda desconcentrada. A proposta é válida.

5)     “Achei”
Ainda no comando da coisa toda, agora ela foca no rapaz que já estava na sua mira há umas faixas atrás e deixa claro “sai, esse daqui tem dona!”. Descrevendo o rapaz, ela diz que ele é “o cara mais perfeito desse mundo”, e com um atributo tão grande assim, é claro que ele estaria cotado e por isso ela briga pelo moço durante toda a música, até porque “achado não é roubado”. O pop aqui fica no meio termo do começo do disco, com um pouquinho de dance, uns sintetizadores, flertes com funk e doses de dubstep outra vez.

6)     “Menina Má”
Desde a primeira vez que escutamos “Menina Má”, um dos primeiros singles de Anitta, nunca entendemos sua introdução, mas costumamos acreditar que se trate de algo pra fazer aquele suspense, passar aquela sensação de medo, porque ela é meiga, abusada, poderosa e má — haja adjetivos! Sob um instrumental à la “A Pantera Cor de Rosa”, ela promete se vingar daquele cara que um dia há negou e agora fica “ba-ban-do”. Ao decorrer da letra, ela recomenda que o rapaz sonhe, pois ela vai provocar e até beijos recusar. Soa como uma versão mais madura de “Baba, Baby”, da Kelly Key.

7)     “Príncipe de Vento”
Todo mundo tem um ponto fraco, né? Depois de tanto cantar sobre estar por cima, comandando a coisa toda, Anitta cai no papo do rapaz, até então “o melhor desse mundo” e acredita estar prestes a viver seu conto de fadas, mas aí o cara não representa, não cumpre com o “procedê” da moça e o que ela faz? Deixa ele lá no chão. “O príncipe encantado que pra mim já virou sapo”.  Nesse ponto, já é notável que, com exceção de reggae em “Zen” e a Tarantina “Tá Na Mira”, o disco não varia muito em seus ritmos e aqui parece que ela vai começar a cantar “Menina Má” a qualquer momento. Poderiam ao menos ter separado as canções na tracklist.

8)     “Não Para”
Quando escutamos “Não Para” pela primeira vez, a achamos bem qualquer coisa. As batidas são aquelas dançantes que Calvin Harris e David Guetta vivem tocando por aí, a letra é na mesma pegada do que já tínhamos ouvido da própria Anitta anteriormente e temos até mesmo mais um pouco dessa postura “vim pra ficar”, “abre pra eu passar” e etc. Poréeeeem, bastou escutá-la mais algumas vezes pra sofrer o mesmo efeito “Show das Poderosas” e cair então na aceitação. É pop nacional, com batida de gringo, todo em português e, depois de algumas chances, funciona bem!

9)     “Eu Sou Assim”
Aqui só falta o dubstep pra ficar “Come & Get It” da Selena Gomez, hein? Hahahah! Com uma coisa toda étnica, “Eu Sou Assim” cumpre a cota fora do padrão no álbum, mas falha por ser uma das mais bobinhas do disco. Rebelde com causa, antenada “na sua parada”, careta com atitude e que gosta de “bala com papel” (“cê sabe do que eu tô falando”, complementa Anitta, fazendo alusão ao sexo com camisinha). Sério que você é assim, Anitta? SÉRIO?

10)  “Fica Só Olhando”
“Não jogue ideia pra mim, beijo tu manda pra Xuxa”, hahaha, é por isso que amamos a Anitta! Passado o surto adolescente de “Eu Sou Assim”, Anitta assume outra vez a faceta de mulher que manda na situação e dá um fora em outro rapaz, dizendo que, em vez de insistir, ele deveria procurar ajuda. O funk desta vez deixa de ser segundo plano e ganha a parte principal do instrumental. Na letra da música, já antiga pra quem conheceu Anitta quando ela ainda usava um “MC” na frente do nome, ela até abusa de algumas gírias, mas tudo continua soando bem funcional.

11)  “Proposta”
Mais uma vez com o funk sendo a batida principal, agora ela já está no máximo com o cara que não sai da sua cola e tudo o que ela quer é vê-lo bem longe. Falamos por todos quando dizemos que não é nenhuma novidade dentro do álbum, certo?

12)  “Cachorro Eu Tenho Em Casa”
Mostrando que a carne é fraca, Anitta se rende de novo na décima-segunda faixa do álbum, mas continua bem exigente. Com a mesma batida-que-tem-de-tudo-um-pouco, ela confessa que está “a fim”, mas não economiza na hora de cuspir no prato antes mesmo de comer, dizendo que está atrás de um homem de verdade e não um “moleque”, além de utilizar o titulo da canção pra reforçar suas preferências, porque cachorro ela tem em casa, viu?

13)  “Som do Coração”
*Pausa para cochilar/ir ao banheiro*

14)  “Eu Vou Ficar”
Assim como “Fica Só Olhando”, aqui Anitta está mais funkeira que o habitual, utilizando gírias como “pente” — uma relação passageira, rs —, e cantando sobre esquecer o cara até amanhecer, pois agora ela só quer saber de ficar e trair. O refrão continua bem grudento, mas a batida soa como aqueles funks do “Furacão 2000”, contando até mesmo com aquele sample de uma mulher gemendo que todo funkeiro usa. E isso, somado ao vocal enjoadinho da moça nessa canção, não parece uma mistura muito interessante.

15)   “Show das Poderosas (DJ Barutunha)”
Pegaram a versão acapella de “Show das Poderosas” e mesclaram, usando o Virtual DJ, com um instrumental de funk, além de acrescentar também diversos trechos — aqui mais notáveis — de “Pon De Floor” do Major Lazer. Tá escroto, não tá “manêro”, remix nada poderoso.

E não é que dar outra chance ao disco nem foi tão ruim? Só para concluir, é óbvio que o que a Anitta trouxe as rádios nos dias de hoje não é nenhuma novidade. Tiazinha, Kelly Key, Perlla, todas fizeram exatamente a mesma coisa e cumpriram o mesmo papel de musa “sexy sem ser vulgar” (talvez Tiazinha nem tanto). Mas em sua ascensão, Anitta contou com algo que não tinha tanta força em outrora: a internet. As que citei anteriormente, quando queriam mostrar algo novo precisavam se apresentar no programa do Gugu ou, quando fosse pra polemizar, soltar declarações fora da caixa em entrevistas para revistas, jornais e rádio. Não tinha iTunes ou Youtube sendo usados como referências para comprovar se aquilo era ou não um “fenômeno”, muito menos as redes-sociais para alavancar seus nomes e forçar essa proximidade entre fãs e artistas.


Quanto a parte musical da coisa, por mais que seja funcional, Anitta ainda deixa a desejar em muitos quesitos. Seu talento vocal é bem limitado, agora que faz um show atrás do outro perdeu muitos pontos na categoria “presença de palco” — quase sempre salva pelos dançarinos, além da boa e velha base pré-gravada — e como dissemos anteriormente, por conta da pressa para aproveitar o seu primeiro grande sucesso tudo o que a gravadora fez foi lançar um álbum cheio de canções parecidinhas, tendo pontos positivos aqui ou ali. Em suma, as coisas funcionariam melhor se a gravadora tivesse investido mais em estúdio e menos em publieditoriais, mas esperamos (de coração, rs) que Anitta seja esperta e aproveite as vendas desse CD (pois sim, ele vai vender e muito), se PRE-PA-RAN-DO financeiramente, pois a mesma internet que a levou ao topo irá derrubá-la assim que outro “fenômeno” aparecer.

Review: apressado come cru? O que achamos do disco de estreia homônimo da Anitta! Review: apressado come cru? O que achamos do disco de estreia homônimo da Anitta! Reviewed by Guilherme Tintel on 7/12/2013 11:35:00 AM Rating: 5

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