Os 20 melhores singles brasileiros de 2016

Em 2016, a música nacional protestou, rebolou, deu close e, claro, nos orgulhou pra caralho.

Cada vez mais plural, 2016 foi um ano de encontros e reencontros para a música nacional e, em especial, para o cenário pop, cada vez mais cheio de cores, gêneros e motivações que vão além de nos fazer rebolar ao som do novo refrão chiclete da Anitta – que sempre será muito bem vinda, diga-se de passagem.

Desta forma, foi inevitável que reconhecêssemos também os nomes que mais chamaram nossa atenção ao longo dos últimos doze meses e, com isso, preparamos uma lista que representa bem toda a versatilidade do que invadiu nossas playlists vestindo verde e amarelo, indo do rap de Emicida ao synthpop da Manu Gavassi.

Esses são os 20 melhores singles nacionais de 2016:

20. Banda Uó, “Arregaçada”




O forte da Banda Uó sempre foram as referências e, no disco “Veneno”, eles não só entenderam isso, como trouxeram de volta para o público. “Arregaçada” é o bom e escrachado humor do trio brasileiro, levado pelo clássico “Super Freak”, enquanto indiretamente revive também os tempos da Blitz no pop nacional. – Guilherme Tintel


19. Siso, “Eclipse”




Abrindo o EP de estreia da persona Siso (do mineiro David Dines), “Eclipse” traz quase 4 minutos de puro pop e várias camadas de sintetizadores. A composição conversa sobre o processo de amadurecimento e sua identidade no mundo, fazendo muita analogia ao cosmos. Uma das faixas mais interessantes do último ano, mostrando que podemos aguardar grandes feitos do músico no futuro. – Sebastião Mota


18. Liniker e os Caramelows, “BoxOkê”




Pluralidade é a palavra, quando o assunto é Liniker. O cantor é uma das maiores vozes brasileiras da música LGBTQ, ainda que não cante diretamente sobre isso, e em seu disco de estreia, “Remonta”, entrega um pop redondo e que resgata muito da black music brasileira, sintetizado pela faixa que abriu os trabalhos com o CD, “BoxOkê”.


17. Baleia, “Estrangeiro”




Numa primeira audição, “Estrangeiro”, da banda Baleia, pode soar um pouco suja, extravagante demais, mas basta ouvir outras vezes para se habituar no singular universo da faixa, que empresta bastante do indie-rock apoteótico de nomes como Imagine Dragons, Of Monsters and Men e Kings of Leon. – Guilherme Tintel 


16. Silva, “Feliz e Ponto”




A nova MPB de Silva é leve, aconchegante, contagiante e cheia de gingado. “Feliz e Ponto” fez parte do disco que reafirmou a posição pop do cantor, “Júpiter”, e nos ganha por sua simplicidade, que combina, inclusive, com a letra da canção. É boa e ponto. – Guilherme Tintel


15. O Terno, “Culpa”




Para o primeiro single do terceiro álbum, o trio esbanja senso de humor e despretensão. A baladinha pop tem uma vibe sessentista e uma letra com complexo de culpa, mas sem jamais demonstrar tristeza ou dor, temática que se estende ao longo do LP. – Sebastião Mota


14. Anitta, “Sim ou Não (feat. Maluma)”




Ame ou odeie, todos sabem os refrões da mulher que ressuscitou o pop nacional. Apostando agora em novos sons, a criadora de tendências trouxe o dancehall jamaicano e não poderia ter acertado mais. Entre versos do rapper colombiano Maluma, a rainha do pop fala sobre o jogo de sedução que pode acontecer numa pista de dança. Com Anitta sempre vai ser sim ou sim! – Sebastião Mota


13. Lia Clark, “Trava Trava”




Com a explosão do reality show RuPaul’s Drag Race no mundo, a cultura drag tem ganhado cada vez mais admiradores. Não tardou e já temos algumas representantes na música brasileira. Lia Clark se uniu ao produtor Pedrowl (anotem esse nome!) e lançou o hit viral “Trava Trava”, que une elementos do pop com muito funk carioca. Sem dó e piedade, as repetições no refrão, o sample de “Show das Poderosas” e o carisma da intérprete, não tem como não se viciar. Então prepara! – Sebastião Mota


12. Céu, “Perfume do Invisível”




Apresentando o novo álbum, a cantora resolveu apostar na arrebatadora e melancólica “Perfume do Invisível”, que recorda o “cheiro” de um relacionamento fracassado. Em diversos momentos, a balada cede espaço ao groove das guitarras melódicas e baixo intenso. – Sebastião Mota


11. Mahmundi, “Eterno Verão”




Uma das melodias mais gostosas do ano passado, “Eterno Verão” é um ótimo hino pop nacional. Cheio de referência aos hits dos anos 80, a letra romântica, aliada à guitarras e sintetizadores, gruda na cabeça já no primeiro play. É nessa “ingenuidade” retrô que queremos passar o verão inteiro. – Sebastião Mota


10. MC Carol, “100% Feminista (feat. Karol Conka)”




A união entre MC Carol e Karol Conka resultou num dos maiores tiros que a música nacional levou em 2016. “100% Feminista” é quase uma aula sobre feminismo, na qual Carol costura seu discurso por meio de sua vivência e nomes de mulheres que não só marcaram, mas, sim, fizeram história. – Guilherme Tintel


09. Manu Gavassi, “Direção”




É perceptível a evolução de Manu Gavassi em relação ao seu último álbum com o EP “Vício” e, no single “Direção”, temos uma boa amostra dessa mudança positiva, com uma faixa construída por cordas e elementos eletrônicos, sob a narrativa romântica usual, só que agora tão amadurecida quanto sua sonoridade. – Guilherme Tintel 


08. Clarice Falcão, “Irônico”




Já estamos acostumados com as composições ácidas de Clarice, mas a canção aqui ganha corpo com sintetizadores logo no início e acaba por se tornar uma ótima fanfarra. Nesse bloco, não faltam ironias sobre relacionamentos amorosos no meio de toda serpentina e glitter que banham a marchinha carnavalesca. – Sebastião Mota


07. Jão, “Dança Pra Mim (feat. Pedrowl)”




Pedrowl é um nome para ficarmos de olho. O produtor esteve ao lado de nomes como Banda Uó, Lia Clark e Manu Gavassi nos últimos anos e, em 2016, estreou o single “Dança Pra Mim”, com os vocais de outra aposta brasileira: o cantor Jão. Toda trabalhada no synthpop, a faixa oferece uma alternativa ao que conhecemos como pop nacional até aqui e, a cada audição, fomos capazes de descobrir um elemento novo. – Guilherme Tintel


06. Omulu, “Bonde de Pantera”




Se a sonoridade tropical ditou a tendência do último ano, a mistura dela com o funk, proposta pelo brasileiro Omulu, ao lado da MC Tha e do também produtor King Doudou, foi um dos melhores experimentos que poderíamos ter ouvido em 2016. “Bonde de Pantera” possui um arranjo coeso pelos mínimos detalhes, que ascende com a batida do funk em seu refrão, mas é mesmo guiado pelo sexy vocal de Thai. Tudo na medida. – Guilherme Tintel


05. Fresno, “Hoje Eu Sou Trovão (feat. Caetano Veloso)”




Um marco na maturidade da banda. Não por conta da parceria inesperada e espetacular de Caetano Veloso, mas por mostrar que os gaúchos não têm medo de experimentar novas sonoridades. O lírico da canção aqui traz algumas referências cósmicas, comparando-as com seus sentimentos, sempre dialogando com outras faixas do álbum. Tudo brilhantemente casado com os vocais explosivos do vocalista. – Sebastião Mota


04. Rico Dalasam, “Esse Close Eu Dei”




Dar close: ato ou ação que atraia todos os olhares, fechar com, ser o melhor no que faz. É exatamente isso que o rapper paulistano faz no carro chefe de seu primeiro disco. As rimas do trap de pura autoafirmação e empoderamento negro e queer carregam vários neologismos, com referências a sua origem na favela e elementos da cultura pop. Emergindo em um gênero predominantemente homofóbico, Rico sem dúvidas foi onde ninguém (até então) tinha ido. – Sebastião Mota


03. Emicida, “Mandume”




A crítica ao racismo já era frequente na música de Emicida e, em seus últimos trabalhos, se mostrou ainda mais presente, mas quando lançou “Mandume”, o rapper foi além, com uma extensa lista de colaboradores que, por conta de sua diversidade, permitiu que o debate se estendesse em torno do feminismo negro, intolerância religiosa e LGBTQfobia. Só pela introdução aos trabalhos de Drik Barbosa, já valeria uma posição em nossa lista. – Guilherme Tintel


02. MC Linn da Quebrada, “Talento”




Cada vez mais, o funk tem se tornado um ambiente familiar pra que os artistas LGBTQs façam música por meio da militância e, na voz de MC Linn da Quebrada, são as pessoas transexuais que entram em formação, questionando a objetificação e hipersexualização da classe, em meio ao arranjo dançante e, apesar do tema sério, bastante descontraído. Talento, não temos dúvidas de que ela tem. – Guilherme Tintel


01. Dennis DJ, “Malandramente”




O funk carioca não só vem se reinventando como voltou a ter destaque nacional. O próprio sertanejo universitário já havia incorporado elementos do gênero, mas agora o jogo se inverte. O maior hit viral de 2016 é um exemplo dessa subversão. Passeia pelo pop, eletrônico e até o reggae, para contar a saga de uma moça dona de si que só quer sair para se divertir. A “menina inocente”, historicamente objetificada, agora é a protagonista desses novos tempos de intensas discussões sobre feminismo e a violência contra a mulher. – Sebastião Mota

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