Katy Perry, melhor pessoa! Em São Paulo, Prismatic Tour é marcada por sucessos, diversão, muitas cores e interação com o público

Dá um Grammy de Melhor Pessoa para a Katy Perry, gente! A cantora californiana veio ao Brasil pela segunda vez e para uma série de três shows com a Prismatic Tour, que dá suporte ao disco “Prism”, de onde ela extraiu hits como “Roar” e “Dark Horse”, e sua primeira parada por aqui foi nesta sexta (25) em São Paulo, no que ela disse ter sido o melhor dos mais de 140 shows já feitos com essa turnê até aqui, e a gente queria muito ter a chance de presenciar tudo outra vez.

Inicialmente, quem deveria acompanhar Perry nessa vinda ao Brasil era a sueca Robyn, com quem ela trabalhou pela primeira vez na California Dreams Tour e retomou o contato ao colaborar com Kläs Ahlund em “This Is How We Do”, entretanto, problemas pessoais impediram a cantora de prosseguir com sua agenda de shows e, infelizmente, não rolou dela vir brilhar com a doceira do pop, mas enquanto os fãs lamentavam, quem só tinha a comemorar era o duo AlunaGeorge, que assumiu então a posição de abertura da Prismatic no Brasil e, de quebra, conseguiu um invejável espaço no Palco Mundo do Rock in Rio. Nada mal pra quem estreou em solo tupiniquim com uma passagem pelo alternativo MECA Festival.


Como esperado, Aluna simplesmente destruiu! A britânica teve a missão de segurar a animação do público em meio à chuva que pegou todo mundo despreparado e, para isso, apostou numa setlist dançante e repleta de colaborações. Teve “To Ü”, deles com o Skrillex e Diplo, “White Noise”, com o Disclosure, e a versão com o DJ Snake para “You Know You Like It”, mas ainda sobrou espaço para outras como “Attracting Flies” e “Your Drums, Your Love”, do CD de estreia “Body Music”. A única que podia ter, mas não rolou, foi “This Is How We Do It”, que usa o mesmo sample de “This Is How We Do” da Katy e pegaria mal, né? RS.

Um ponto que desvalorizou um pouco a apresentação deles foi a demora da produção para preparar o palco da Katy Perry, o que gerou um intervalo muito grande e, quando a californiana já estava entre nós, mal nos lembrávamos que outro artista esteve por lá. Pelo menos disso a Robyn se livrou.

As luzes se apagam. As luzes se acendem. A plateia vai à loucura e, entre os gritos, você já pode ouvir o instrumental de “Roar” ao fundo: o show começou. Quando Katy Perry surge pela primeira vez, não tem como evitar o vislumbre, a energia dela é contagiante desde o início e a maneira como ela contém os sorrisos para não perder a linha da performance denuncia a felicidade de estar ali. Ainda assim, a primeira parte do show deixa a impressão de que ela estava apreensiva com alguma coisa. A chuva talvez? Mas logo de início, o que não faltaram foram refrãos que estavam na ponta da língua: “Roar”, “Part Of Me” e “Wide Awake”.


Outra coisa que não deu pra deixar de notar nesse começo de show é que a coreografia de “Roar” é tão bobinha, né? Uma das poucas que ela faz quase que completa com os dançarinos, mas que chega a ser engraçada de tão simples. O esforço é maior para os vocais. Mas é na segunda parte que o show começa a pegar mesmo.

Um dos principais receios dos fãs brasileiros era que, assim como no show feito em Lima (Peru), a cantora não trouxesse toda a estrutura da turnê, o que vai das parafernálias no palco às perucas, mas foi no bloco seguinte que essa questão foi respondida. Todo inspirado no Antigo Egito, esse trecho da performance conta com pirâmides, ilustrações em 3D saltando no telão, UM CAVALO MECÂNICO GIGANTE (!), dançarinos vestidos como faraós e ela fazendo a egípcia, literalmente. É nessa parte que ela performa “Dark Horse”, um dos maiores sucessos do “Prism”, e ainda brinca perguntando aos fãs: “vocês sabem a letra dessa?”. O coro que acompanha a música, em momentos até nos impedindo de ouvi-la, garante que sim. 


Mas as coisas só tendem a esquentar. O mesmo bloco conta com a parceria do Kanye West em “E.T.”, com o próprio Yeezus aparecendo no telão, e o single que não foi, “Legendary Lovers”, num dos momentos mais marcantes de todo o show, encerrando ainda com uma versão de “I Kissed A Girl”, com a participação de múmias corpudas e muuuuita sensualidade. Fazia um tempo que não víamos a Katy Perry tão disposta a nos seduzir.


Pra quem não sabe, a cantora é simplesmente louca por gatos e, daqui em diante, essa obsessão também fica clara. Vários animais em tamanho de humano tomam conta do palco e, em clima de musical, começam uma encenação de conquista bem divertida. Nesse momento, rola até um show de sapateado! E feito o anúncio de Kitty Purr, o alter-ego felino de Katy Perry, ela volta ao palco para uma versão jazz de “Hot N’ Cold”. A música é engatada com a filha perdida do “Teenage Dream” no “Prism”, a dançante “International Smile”, e em clima fashionista, a cantora dá início a um desfile de gatos ao som de “Vogue”, da Madonna, até arriscando uma pegada meio “RuPaul’s Drag Race”. Não teve como segurar a risada.

Falando em segurar a risada, outro momento engraçadíssimo foi quando a cantora, antes da sessão acústica do show, convidou um fã ao palco. Lucas, que nasceu em “19-não-20”, nos causou um misto de dó e diversão ao se perder todo pelo nervosismo e falta de domínio do inglês da cantora. Katy Perry precisava de um fã brasileiro pra explicar para ela o significado de “morta” e “linda”, duas das palavras que ela mais recebe pelo Twitter, e como a comunicação com o Lucas não fluiu bem, outra sortuda foi chamada ao palco. Débora tava de boa em falar inglês. Logo, Katy perguntou: “que porra significa ‘morta’?”. Quando a dúvida é esclarecida, ela brinca, “nossa, finalmente eu descobri!”, e depois repete a palavra diversas vezes com um sotaque encantador. 

A aula de português se estende até que Katy aprende a falar outras palavras como “oi”, “selfie” e “pizza”, hahahah, além de um mantra dos fãs, “não fale mal da mama”, um aviso aos haters para não criticarem-na perto de seus Katycats. Encerrada a aula, a cantora recompensa os fãs com várias selfies e, nessa, até o pobre do Lucas, que estava pirando ao lado da cantora, saiu ganhando. Selfie ele sabia o que significava, tadinho.


Com um agradecimento pelo carinho que dura há tantos anos, Katy Perry, vestindo um boné escrito “MORTA” (hahaha), afirma que esse show em São Paulo foi o melhor da turnê até aqui e garante, “eu não saio por aí dizendo que todos são os melhores shows, tá? Esse realmente é o melhor show. Vocês são os melhores”. É ou não uma fofa? E aí o clima sentimental segue em alta com as versões acústicas de “By The Grace Of God”, “Thinking of You”, “The One That Got Away” e “Unconditionally”. A gente acha que uma gota da chuva caiu nos nossos olhos.

Com um poperô bem fuleiro, o palco é esquentado para o momento dance da turnê e, claro, esse bloco é aberto por “Walking On Air”, música que por pouco foi substituída pelo hit “Dark Horse” nas rádios. A música é sucedida pela maravilhosa “This Is How We Do” e faz com que a gente se sinta na Bangerz Tour, por conta do tanto de emojis e cultura da internet exposto juntos de uma só vez no mundo offline. Só pra você ter uma ideia, tinham até emojis infláveis voando pela plateia, enquanto o palco era tomado por muitas cores e coreografia. Ainda em clima de festa, é “Last Friday Night” que encerra o bloco e, não sabemos se isso estava programado, mas a plateia nos arrepiou com o uníssono “do it aaaaaall again” no fim da canção.


Final do show chegando e nos vem em mente que a Katy Perry não é daquelas artistas que deixam os sucessos para o fim do show, até porque a setlist tem quase uma década de hits, e “Teenage Dream” volta a tomar conta com sua faixa-título e o primeiro single “California Gurls”. Em clima praiano, a cantora parece se divertir junto com os fãs, mas sem perder o controle do espetáculo, e no meio da animação, decide tomar chuva junto com os fãs. Em “California”, rola até a aparição de um letreiro de Hollywood. Claro que todo colorido, com partes em neon e, na falta de movimento, dançarinos que controlavam as letras, formando inúmeras outras palavras. A gente ficava ansioso pra saber o que viria a seguir. Eis que a cantora agradece, se despede e, repentinamente, o show acaba.


Acaba? Ah, Katy, isso tá batido já. Tanto que ninguém do público se mexeu. A gente só ficou pensando no que ela cantaria quando voltasse, o que seria forte o suficiente pra encerrar a apresentação, uma vez que “Roar”, “Dark Horse”, “California Gurls”, “Teenage Dream” e “I Kissed A Girl” já tinham sido apresentadas? E com tantos hits, é claro que estávamos esquecendo algo. Daí ela surge com um vestido de fogos de artifício e, tcha rãn!, é “Firework” que encerra o show e de maneira ainda mais grandiosa que as performances anteriores. Quem via a quantidade de fogos estourados no palco, podia jurar que ela antecipou o réveillon por aqui.


Quando o show finalmente acaba, a chuva ainda está apertada, mas a vontade é continuar lá, pedir pra ela voltar e cantar as músicas que faltaram, até um cover de “Bad Blood” a gente aceitava, mas acabou mesmo e a gente só consegue pensar no quanto ela é maravilhosa e carinhosa com os fãs — ainda que a maioria deles estivessem mais preocupados em tirar selfies e fazer vídeos do que assistir ao show em si. Dali em diante, quem ainda não amava a cantora, com certeza passou a amar, e fora o show do Rock in Rio, que assistiremos pela TV, já ficamos na torcida pra que ela volte para cá o quanto antes. Se existisse um Grammy para melhor pessoa, ela já tinha levado vários.
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