Manda mais pop nacional! Zennus lança “Blackout” e se mostra mais um nome pra ficarmos de olho

Com influências que vão da Rihanna ao Little Mix, o grupo é tipo uma versão desconstruída do RBD e tem muito a nos oferecer.

Do Rouge ao Restart, foram muitas as vezes em que grupos deram muito certo e muito errado na música pop nacional, mas nesta quinta-feira (22), seis novos rostos dão a cara por sua música ao som de uma faixa chamada “Blackout”.



Conhecidos por sua participação no X-Factor Brasil, Aísha, Mitty, Ursula, Kaico, Lau e Felipo se unem no grupo Zennus – e explicam, a letra Z vem da geração em que nasceram, após os anos 90, enquanto o final “nus” é uma variação cool da palavra “nós”. Z-nós, Zennus.

Alguns dos principais grupos da atualidade, como Fifth Harmony e Little Mix, são óbvias influências para o que querem fazer por aqui, mas artistas solos também são lembradas, incluindo Beyoncé, Rihanna, Nicki Minaj e Shakira. Eles também citaram RBD e exemplos brasileiros, como Rouge e Banda Uó. De diferente dos grupos famosos lá fora, bem como dos que já fizeram sucesso por aqui, eles trazem a diversidade intrínseca do grupo, que conta com integrantes abertamente gays, além de uma variedade étnico-racial. E, conversando com eles, é perceptível o quanto essa variedade aconteceu de uma forma natural, não sendo previamente pensada para atender as demandas do público pop atual.

Tivemos a oportunidade de bater um papo com o grupo há cerca de duas semanas e, neste encontro, conferimos também o seu trabalho de estreia. “Blackout” é uma música explosiva, tão dançante quanto o que Little Mix fez em “Touch” ou Justin Bieber em “Sorry”, e se esforça para soar democrática na divisão de vocais, permitindo que todos deem uma amostra do seu potencial, ainda que isso deva ser melhor explorado em trabalhos futuros. Ao contrário do seu título, a música é toda em português e, felizmente, eles mandaram muito bem neste ponto.

Direita para a esquerda: Ursula, Kaico, Lau (em pé), Felipo, Mitty e Aísha (acima).

O clipe da faixa, que será lançado após a canção, não traz nada excepcionalmente novo, mas conversa bem com a canção, mostrando todos numa grande festa, em que aproveitam para mostrar um pouco de seus talentos individuais, além de, (respira fundo aí!) arriscarem até uma coreografia. Como não poderia faltar, também tem muito carão.


Tanto na faixa quanto no videoclipe, são as integrantes femininas quem roubam a cena, até pela música pop ser um gênero em que elas sempre estiveram em alta, elas têm maior potência vocal e também são melhores na postura em frente às câmeras, mas, durante nossa conversa, todos concordaram que os caras dançam mais. O que esperaremos por outros exemplos para ter certeza.

Apesar da descontração de sua letra, o papo com o sexteto é muito inteligente. Eles assistiram “Dear White People”, da Netlix, e trocam ideias sobre as bandeiras que, naturalmente, representam. Felipo, o único hétero entre os homens da Zennus, fala sobre como aprende com os outros integrantes sobre seus privilégios, por exemplo, bem como as formas que pode contribuir na luta contra a homofobia. E levando essa diversidade para além do que apresentam visualmente, todos se mostram muito dispostos a levarem com o grupo essas pautas, há tempos discutidas por artistas pop lá fora, mas muitas vezes evitadas ou omitidas por artistas de grandes gravadoras por aqui.

O público brasileiro tem aberto cada vez mais a mão do nosso velho viralatismo quando falamos em música pop nacional, com os exemplos de Pabllo Vittar, Anitta, Manu Gavassi, Karol Conka, Rico Dalasam, entre outros, de forma que, apesar do formato arriscado, Zennus tem tudo para oferecer mais uma perspectiva para esse cenário que ainda vem sendo construído. Como não podíamos evitar um trocadilho com o nome “Blackout”, o que vemos neles é mais uma luz no fim desse túnel.

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Durante sua passagem pelo X-Factor, o Zennus apresentou versões de Rihanna, Bruno Mars, Pussycat Dolls e Usher. A nossa favorita foi essa aí embaixo: