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Aaaah, o amor, esse sentimento tão estranho e que tanto nos une. Ao longo da história do Cinema, o romance foi peça primordial na popularização da arte. De casais que dão nome aos filmes - como o caso de "Bonnie & Clyde" (1967) - até amores lendários - como Jack e Rose em "Titanic" (1997) -, esses relacionamentos são compartilhados para com o público, que ama, ri, sofre e chora junto com eles.

Mas é interessante, também, ver que não é só o amor que une duas pessoas; em vários casos, o ódio é o sentimento presente, como Zhenya e Boris, os pais que desencadeiam toda a tragédia de "Sem Amor" (2017). Pensando nisso, esse post tem como objetivo listar 10 casais do cinema contemporâneo que gravaram seus nomes pelos mais diferentes motivos - romances perfeitos, ódio que une, amores fadados ao fracasso ou até casais impossíveis, não importa. Como sempre, cada texto tenta ao máximo trazer o menor teor de spoilers possível, mas às vezes é inevitável. Agora é hora de chamar o mozão e fazer uma maratona.


A Forma da Água (2015)

Meu deus, meu deus, o Homem Peixe. "A Forma da Água" é um dos melhores vencedores do Oscar de "Melhor Filme" no século pelo resgate impecável da Hollywood de Ouro. Era de técnica faraônica e amores lendários, Guilhermo Del Toro usa sua estética fantasiosa e dá vida a um romance absurdo: de uma tímida mulher muda e um humanoide anfíbio da Amazônia. As características dos pombinhos já seriam o suficiente para garantir qualquer interesse, mas o desenvolvimento dessa relação atinge outro patamar quando, durante todo o filme, eles não trocam uma fala. A cena final é um júbilo e o que há de melhor no gênero romance nos últimos tempos.

Carol (2014)

Therese trabalha como vendedora numa loja de brinquedos quando conhece Carol. As duas parecem habitar mundos completamente diferentes, porém, há uma semelhança: ambas estão vivendo uma mentira. A libertação dessas máscaras fará com que elas se unam de formas que nem ousavam cogitar, o que rende um dos romances mais requintados já feitos. "Carol" - que injustamente nem indicado ao Oscar de "Melhor Filme" foi - é a prova indiscutível de que local de fala não garante um bom trabalho - o filme é dirigido por um homem gay, e isso em nada diminui o impacto dessa obra-prima lésbica, que transcende a barreira da sexualidade.

Garota Exemplar (2014)

Dizem que a linha que separa o amor e ódio é tênue, e Nick e Amy provavelmente concordariam com essa premissa. O que começou como um jovem e promissor casal vai aos poucos entrando na roda que gira o casamento convencional: a rotina. As crises pessoas, profissionais e econômicas vão pesando ainda mais a insatisfação com o casamento, até que um dia, no aniversário de cinco anos do matrimônio, Amy desaparece. Nick, claro, é o principal suspeito. A odisseia de "Garota Exemplar", conduzida com brilhantismo por David Fincher, é uma montanha-russa entre paixão e desprezo de duas pessoas que vão longe demais para ferir um ao outro.

Ela (2013)

Em um futuro não tão longe assim, Theodore tenta ao máximo superar o fim do casamento, sem sucesso. Ele vai em encontros casuais, faz sexo virtual, mas nada é capaz de arrancar a dor que reside em seu peito. Quando compra um novo sistema operacional, desenvolvido com inteligência artifical capaz de se adaptar aos gostos do usuário, Theo acaba...se apaixonando pelo computador - chamado de Samantha. Sim, isso soa patético, e é aqui que mostra a grandeza de "Ela": transformar o amor de um homem e uma máquina em algo verdadeiro. O melhor filme de Spike Jonze - que lhe garantiu o Oscar de "Melhor Roteiro Original" - questiona o quão desesperados estamos por uma migalha de afeto em tempos em que a tecnologia desune ao invés de aproximar. Samantha, não conte com a gente.

Amantes Eternos (2013)

Quando o título do filme carrega toda a sua essência: em "Amantes Eternos", Adão e Eva são dois vampiros centenários que estão em momentos diferentes de suas eternidades; Eva é uma luminosa vampira, com incessável sede pela vida, enquanto Adão se cansou das atividades terrenas. O que mantém os dois é a existência um do outro. O longa é um honesto questionamento de uma das dúvidas universais: valeria mesmo a pena ser imortal? Uma hora não cansaria? E o amor pode perdurar? Talvez o melhor filme sobre vampiros já feitos na história, "Amantes Eternos" é verossímil e narcotizante, com paixão latente entre seus estranhos (e hipsters!) protagonistas.

La La Land (2016)

O musical do século (sim) é uma das obras mais conhecidas e aclamadas da década, e também pudera. Os arquétipos que solidificam "La La Land" são absolutamente clichês: a mocinha que sonha estar nas telas do cinema enquanto sofre com seu iPhone com a tela quebrada de um lado, o galã viciado em jazz que luta para ganhar cada gorjeta do outro. É claro que eles se odeiam de início, é óbvio que eles vão se apaixonar loucamente. O que faz com que "La La Land" não seja só um filme da Sessão da Tarde é, além de sua produção fenomenal, a maneira como Emma Stone e Ryan Gosling abraçam aquele romance, mesmo questionando se ele deve se sobrepor às suas carreiras. Um filme lindo de doer - e dói.

A Região Selvagem (2016)

Alejandra, mãe e dona de casa, vive um casamento falido. O marido, que mantém um caso extra-conjugal com o irmão de Alejadra, é reflexo de tantos homens que enxergam as mulheres como objetos de posse. A salvação da vida sexual de Alejandra estava a um meteorito de distância: quando o objeto especial cai na sua cidade, traz com ele um alienígena faminto por..........sexo. Essa ficção-científica mexicana é um dos filmes mais bizarros já feitos, mas não por isso menos fantástico. Alejandra e o e.t. desenvolvem uma relação inacreditável, fomentada pelos efeitos especiais de primeira linha que transformaram a criatura em realidade. Só vendo para crer.

Nasce Uma Estrela (2018)

O filme que catapultou Lady Gaga como ícone do Cinema mal havia visto a luz do dia e já era chamado de "clássico". A quarta versão da mesma história, o "Nasce Uma Estrela" de Bradley Cooper encontra o apogeu ao casar uma história shakespeariana com uma cultura moderna, além de elevar os elementos básicos do enredo original. Impulsionado ainda mais pelas canções perfeitas - de "Shallow" a "I'll Never Love Again" -, Ally e Jack formam um turbulento casal que são também casados com a fama e o vício. Quer um romance para se acabar de chorar? Achou.

Mãe! (2017)

Idolatrado por uns, repudiados por outros, é impossível ser indiferente com "Mãe!", o filme mais polêmico de Darren Aronofsky. Um casal mora em uma idílica casa no meio do nada, buscando apenas paz e sossego, que são obliterados com a chegada de um hóspede não convidado. A relação do casal, que não possui nome em cena, gravita ao redor do humor do marido, um escritor atualmente em bloqueio criativo. Quando as alegorias do enredo se tornam claras, a película mostra a que veio e abre as portas do inferno de um amor que não existia pelos motivos corretos. "Você só ama o meu amor por você" é uma das falas definitivas de "Mãe!".

Moonrise Kingdom (2012)

Wes Anderson, um dos melhores diretores em atuação, é famoso pelas suas histórias fabulescas e cheia de cores, e seu ápice foi com "Moonrise Kingdom". Suzy e Sam são adolescentes que se conhecem em uma peça e imediatamente se apaixonam. Eles trocam cartas e decidem fugir para poder viver aquele amor livremente. A magia do filme está na pureza gritante daquela relação na flor da idade, enquanto eles ainda nem sabem quem são completamente. Recheado com diálogos delicados e sempre repleto de simpatia, "Moonrise Kingdom" é uma daquelas obras que, se pudéssemos, moraríamos dentro. Fofíssimo e inocente na medida certa.

***

Quando o primeiro trailer de “Passageiros” saiu, lá por meados de setembro, muitos de nós ficamos um pouco irritados com o possível gigante spoiler que o vídeo de pouco mais de dois minutos trazia. A tela escurece, e antes do trailer acabar ouvimos Chris Pratt dizer, “Há um motivo para termos acordado antes”. BAM! Isso já foi o suficiente para irmos às redes sociais reclamar de que o plot principal do filme havia sido entregue e a surpresa estragada. Mas será que é realmente assim tão catastrófico a revelação do trailer? Passados quatro meses após a liberação do primeiro vídeo, fomos conferir o aguardado filme que estreou essa semana, e podemos afirmar com toda a certeza: Não! O trailer não estraga as surpresas da história.

Demorou, mas finalmente aconteceu. Juntaram a queridinha e o queridinho de Hollywood como protagonistas em um filme. Aliás, o protagonismo dos dois é tão grande (ou o cachê) que não existe mais nenhum outro personagem no filme além dos dois, salvo algumas participações especiais de míseros minutos em tela. J-Law aos 26 anos já tem um currículo invejável. Indicada quatro vezes ao Oscar (2011, 2013, 2014 e 2016), e vencedora de uma estatueta por Melhor Atriz em 2013, protagonista de uma franquia de sucesso, atriz mais bem paga de Hollywood por dois anos consecutivos e claro, não podemos deixar de mencionar o controverso protagonismo na nova trilogia dos mutantes da Fox. É inegável que sozinha a atriz já seria um arrasa quarteirão em bilheteria. Chris Pratt pode até não ter um Oscar, mas já é o protagonista de um dos melhores filmes do universo Marvel, confirmadíssimo em “Vingadores: Guerra Infinita” e protagonista da quarta maior bilheteria da história do cinema. Os dois tem carisma, bom humor, atuam bem além de serem maravilhosos. Só faltava o teste final para saber se teriam química em cena.


O tal teste final se chama “Passageiros” e apesar de todos os pesares, é um filme com um excelente potencial. Uma nave leva cerca de 5.000 pessoas em capsulas para habitarem uma nova colônia em um planeta que fica há cerca de 120 anos de distância da Terra. Tais capsulas programadas para acordarem os passageiros quatro meses antes da chegada ao planeta são a prova de falhas. Porém, algum erro misterioso acontece e Jim (Pratt) e Aurora (Lawrence) são acordados antes do tempo, precisamente 90 anos mais cedo. Sem poder voltar ao estado de hibernação inicial, eles ainda descobrem que a nave está apresentando uma série de comportamentos estranhos, e apenas eles podem fazer algo para salvar a nave e as outras milhares de pessoas. Basicamente, essa é a premissa do filme. Os trailers divulgados ainda nos dão a entender que existe toda uma conspiração e um bom motivo malévolo para os dois terem acordado mais cedo e a nave estar em pane.

E aí que começam os problemas de “Passageiros”. As prévias nos vendem um outro filme, que aparentemente funcionaria muito melhor do que o que foi entregue. Uma trama que se fosse bem aproveitada teria resultado ao menos em um excelente filme de ficção cientifica, mas que acabou sendo resumido rapidamente a um mero romance com saídas preguiçosas de roteiro. Antes de falarmos do roteiro, podemos parar aqui para elogiar as qualidades técnicas do filme. Se passando quase que exclusivamente dentro da tal nave, o filme aproveita bastante do conceito de futuro platinado utilizando cenários bem claros e luminosos e tecnologias fantasiosas. O design da própria nave é incrível, mas fica mal aproveitado dentro da história, não temos nenhuma sensação espacial dos ambientes por onde os personagens passam e aonde eles se localizam dentro da embarcação. O bar, onde temos os momentos de maior descontração do filme, e também a sempre excelente participação do Michael Sheen, é um ambiente clássico e sem nada demais. O design do androide Arthur está ótimo, foi criado para o personagem uma figura humana, porém com rodas da cintura para baixo. Apesar de ser curta sua participação podemos afirmar que sim, ela é o suficiente para ser elogiada. A famosa cena em que a personagem de Jennifer Lawrence se vê presa em uma piscina sob gravidade zero, também é digna de nota, e traz um dos momentos mais criativos em filmes do gênero que no final se transforma em um momento curto e de solução simplista. As rápidas cenas em que vemos o espaço foram bem desenhadas, mas não há nada visualmente espetacular.

O filme que começa com uma espécie de “O Naufrago” substituindo Wilson pelo androide Arthur possui bons momentos iniciais. Ironicamente após a entrada de Aurora na história o roteiro degringola para situações de extremos clichés. Sendo o maior e pior clichê do filme a aparição do personagem de Laurence Fishburne, quem para não estragar a história com mais detalhes, podemos dizer que está ali apenas como o deus ex-machina do roteiro. Para piorar, os personagens são absurdamente rasos, os momentos de tensão são raros e muitas vezes interrompidos rapidamente, a trilha sonora é neutra e não ajuda em nada para contar a história.  O final apesar de rápido até foge do convencional, e traz uma bonita mensagem, similar ao que temos no aclamado “A Chegada”. Quando tudo acaba, sentimos que nem todo o carisma e talento dos protagonistas poderiam segurar a bomba de roteiro que lhes foi entregue. Apesar das claras comparações com “Titanic”, “Passageiros” é um filme que será esquecido horas depois dos créditos subirem e que de clássico só possui a pretensão de ser um.