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"Minha Mãe é Uma Peça" levou mais de 4 milhões de espectadores aos cinemas e arrecadou quase 50 milhões de reais. Com o sucesso, a comédia logo teve uma sequência prometida. Três anos depois, o primeiro trailer da produção está entre nós, recheado de piadinhas. A produção chega aos cinemas em dezembro.

Após os eventos do primeiro filme, Dona Hermínia virou apresentadora de TV e tem agora seu próprio show. Entretanto, alguns "empecilhos" começam a surgir. Para começar, seu filho Juliano se assume como bissexual para ela; seu ex Carlos Alberto quer uma reconciliação; e os seus filhos irão se mudar para São Paulo.

Depois de receber inúmeras críticas e, num primeiro momento, se defender delas, apontando um certo extremismo na reação da internet quanto ao seu personagem, o ator Paulo Gustavo voltou atrás e, pelo Facebook, se retratou sobre a prática do “blackface” com a personagem Ivonete, que estará na nova temporada do humorístico “220 Volts”, da Multishow.

Por meio de um textão, Paulo afirma que não tinha a intenção de retratar a mulher negra de maneira pejorativa, visto que conhece e admira “várias Ivonetes” que conheceu ao longo da vida, mas compreendeu que o “blackface” carrega todo um peso histórico opressor e racista, por se tratar de uma prática que, antigamente, era feita para excluir os negros do cinema, representando-os sempre de uma maneira preconceituosa e estereotipada, e, desta forma, deixará de fazê-lo.


Na imagem que ilustra sua declaração, ele ainda adianta a nova versão da sua personagem, substituindo o “blackface” por uma leve maquiagem somada à um jogo de iluminações que deixa a sua pele quase bronzeada.

Ficamos satisfeitos em mostrar que a manifestação pública surtiu efeito, mas ressaltamos que, sendo as reclamações sobre essa personagem algo que já aconteceu em anos anteriores, o ator muito bem podia ter evitado toda essa situação anteriormente, assim como podia ter se retratado a partir das primeiras críticas, não deixando a situação ir tão longe. No mais, ao voltar atrás e modificar a sua personagem, ele só fez a sua obrigação. Vida que segue. 
O brasileiro (não dá pra chamar de “humorista”, né?) Paulo Gustavo usou suas redes sociais para revelar, durante os últimos dias, um pouco do que teremos na quinta temporada do programa “220 Volts”, da Multishow, e, por suas primeiras fotos, já conseguiu perder alguns telespectadores, devido a volta da personagem Ivonete.

Clássico estereótipo da mulher negra televisionada, a personagem de Paulo é uma mulher bunduda, que mora no morro, é cheia de dívidas e, mesmo assim, só quer gastar com bebidas. Obviamente, ela gosta de samba, afinal, o que mais elas escutariam? E, pra foder de vez com toda a história, é interpretada pelo próprio, que usa uma peruca que simula o “black power” e, de quebra, faz o famigerado “blackface”.

Pra quem não lembra ou sabe, “blackface” foi uma prática muito utilizada pelo cinema e teatro americano, que preferiam pintar atores brancos para interpretar personagens negros, descartando a necessidade de contratar artistas negros. Além dessa exclusão, a prática também era marcada por uma interpretação ofensiva, reforçando pontos que tornavam esses personagens motivos de piadas, assim como a Ivonete do Paulo.

Em meio a tantas discussões sobre o racismo no Brasil, incluindo a exibição da série “Mister Brau” na Globo, que pertence ao mesmo grupo da Multishow, e casos reais, com figuras próximas ao Paulo Gustavo, como a atriz Tais Araújo, a jornalista Maju Coutinho e a cantora Ludmilla, tê-lo insistindo nessa persosagem que reforça e naturaliza o racismo na TV é lamentável, e demonstra uma clara indiferença dele não só quanto aos últimos acontecimentos em torno do assunto, mas também em relação ao seu próprio público, que, pela internet, também repudia a personagem. Não tinha ninguém na equipe que pudesse olhar para isso e alertar, “cara, não tá legal”!?


Após ser recebido com muitas críticas, Paulo Gustavo usou seu Facebook para justificar o blackface e, em sua defesa, jogou um “eu nunca fui criticado por interpretar personagem um playboy machista, mesmo sendo gay” (?) e, entre outros personagens, mencionou um nerd, mulher feia, “vagaba” (sic), mãe de família e até um anjo. “Mas a Ivonete (...) me rendeu injustas críticas. Eu conheci muitas Ivonetes na minha vida e tenho orgulho dessas mulheres. (...) A Ivonete existe para ridicularizar quem a ridiculariza, porque eu quero rir de quem não gosta das Ivonetes. Porque eu amo a Ivonete”. No post, que pode ser lido aqui, ele ainda associa as críticas recebidas ao atentado na boate de Orlando, que matou cerca de 50 pessoas, numa tentativa de relativizar as lutas.

Na sua fala, ele, que é um homem branco, garante que seu personagem, em vez de alimentar um estereótipo negativo e carregar uma prática racista, é, na verdade, uma homenagem, uma forma de resistência e que expressa os discursos de outras mulheres negras que ele conheceu ao longo de sua vida e tanto admira. Mas, né, a única parte que conseguimos concordar é quando ele fala sobre a personagem servir para “ridicularizar quem a ridiculariza”, afinal, tudo o que conseguimos pensar é no quão ridículo ele consegue ser, não só interpretando-a, como também insistindo nesse discurso barato que, no fim das contas, apenas tenta agir como se as críticas fossem centradas à ele e, não, ao problema real, que é o racismo impregnado nisso.

Paulo Gustavo, com esse posicionamento, não só cagou e andou, com o perdão da expressão, para o seu público e todas as mulheres que ele afirma “admirar”, como também desafiou a nossa inteligência, tentando acobertar algo tão grave com um discurso vazio, hipócrita e, sim, racista, no qual ele fala sobre “dar voz” às mulheres negras, enquanto, em vez de coloca-las em seu programa, apenas se pinta para se dizer o símbolo da representatividade. O que seria de todas as mulheres negras se não fossem por brancos como ele e toda essa admiração, hein?

Até o momento, não há previsão para a estreia da nova temporada de “220 Volts”, na Multishow. Mas, assim que soubermos, será um prazer desligar a TV. Já deu de incentivar e ascender gente babaca e preconceituosa. Os volts foram tantos que a série já voltará com o nome queimadíssimo.

"Vai Que Cola" nasceu lá em 2013, através do canal pago Multishow, e desde então tem feito um sucesso tremendo - contando com duas temporadas, com uma terceira já confirmada -, com o seu ótimo elenco, personagens caricatos e uma história que anda rendendo boas gargalhadas. Mas, mesmo com tal sucesso, ainda faltava algo para a sitcom: um longa! E o primeiro trailer de "Vai Que Cola - O Filme" já está entre nós.

Tal trailer, com quase três minutos de duração, traz um pouco da história de Valdo, "um trambiqueiro que tinha a vida dos sonhos", mas que acabou parando no bairro do subúrbio carioca Méier. O mais legal do vídeo nem chega a ser algumas piadinhas ou até mesmo o enredo, mas sim a pitadinha de metalinguagem que temos lá para o seu final, com Paulo Gustavo reclamando de terem o colocado vestido de mulher, quando, na verdade, ele estava contando com algo ~cult~. Hahahahaha! Já queremos mais disto no decorrer do filme.



"Vai Que Cola - O Filme" conta com Paulo Gustavo,  Marcus Majella, Samanta Schmutz, Cacau Protásio, Fernando Caruso e muitos outros. O filme chega aos cinemas no dia 1º de outubro!