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Crítica: a viagem surrealista (e por vezes assustadora) de Melanie Martinez com o “K-12”

Quando Melanie Martinez anunciou que tinha planos de transformar seu segundo álbum de estúdio em um filme, achei que seria uma empreitada quase impossível. Uma gravadora apostar suas fichas (e seu dinheiro) em um longa é algo para poucas Beyoncés, mas a menina conseguiu. Quatro anos após o lançamento de sua estreia, Melanie lança o filme "K-12" (de graça no YouTube!).



O conceito artístico de Melanie gira em torno de Cry Baby, que foi apresentada através dos 13 clipes retirados do seu álbum de estreia. Em "K-12", a garota vai até a escola, onde encontrará dificuldades em um meio absolutamente repressor. Caso você não tenha assistido aos clipes anteriores, a história do "K-12" se transcorrerá sem grandes problemas - porém é claro, ter a bagagem da história da personagem só acrescentará.

"K-12" é um musical, com todas as treze músicas do álbum de mesmo nome inseridas dentro da narrativa. Desde o primeiro quadro, o que há de mais forte da produção é vigente: seu visual. O universo criado por Melanie - que dirige e roteiriza o filme - é expandido ao máximo imageticamente. Tudo extremamente colorido, com babados e lacinhos, o mundo de Cry Baby é uma mistura perfeita de Wes Anderson com "Desventuras em Série" (2017-19). Há uma clara preocupação na construção de todas as cenas e suas locações faraônicas, figurinos exagerados e até perucas cada vez mais insanas, tudo primordial para fomentar a atmosfera do longa, uma fantasia com ares vitorianos e barrocos. 


A K-12, escola de Cry Baby, é um sistema refletor bem exagerado - e crível - da nossa própria realidade: controlada por um tirado diretor, os alunos são oprimidos das mais bizarras formas. Essa história conhecemos de perto. Inclusive a faixa que fala diretamente com o diretor é um hino contra diversos líderes políticos mundiais, ascendidos pela crista do conservadorismo - os Trumps e Bolson*ros da vida. E como esperado, a protagonista é a voz da resistência: "Você não sabe a dor que está causando /  Sim, suas ações machucam, assim como suas palavras / Quanto mais você tenta nos ferrar / Mais estaremos lá gritando na sua porta".

Aliás, as músicas são elementos fundamentais na narrativa; elas não estão ali só para animar uma cena. As letras são partes integrais do roteiro, e você precisa estar atento à elas para poder entender o que está rolando, afinal, a maior parte do texto é cantado. Quando o filme se distancia das músicas, sua força é empalecida - fica evidente que o processo de criação começou pelas músicas, para depois o roteiro surgir e conectar tudo.

E isto é uma faca de dois gumes: enquanto potencializa o que há de melhor ali - porque, querendo ou não, Melanie é uma cantora, não uma cineasta -, também mostra as fraquezas do seu lado puramente cinematográfico. Há momentos que a história não alcança grandes passos apenas pelo seu roteiro, precisando das músicas para poder sair do lugar - além de sequências que subutilizam as canções, como o caso de "Recess". Contudo, quando o trabalho ao redor das músicas acertam, são fenomenais - a sequência de "Orange Juice" é belíssima.


É curioso ver como o público consumidor de Melanie tem uma enorme parcela de adolescentes (e até crianças), o que é assustador: sua arte, definitivamente, não é destinada para plateias tão novas. Em 15 minutos de filme já tinha rolado maconha, cocaína e bunda de fora. Todavia, concomitantemente, a artista está ciente de que precisa ser porta-voz de temas necessários dentro do contexto em que habita, e o "K-12" é deveras feminista. Até a divindade suprema do filme não é o Deus convencional, e sim Lilith, a primeira mulher de Adão que se rebelou contra a submissão (e interpretada por uma mulher negra).

Melanie declama (e canta) sobre diversas inseguranças de tantas garotas: seus corpos, bombardeados de pressões para um modelo perfeito ("Eles querem uma bunda grande em um jeans novo / Essa não é a vida para mim / Eu não quero parecer com a merda de uma Barbie", ela afirma em "Lunchbox Friends"); a cultura do estupro, que objetifica e ainda culpabiliza a figura da mulher ("Os garotos agem como se nunca tivesse visto pele antes / Tenho que ir para casa me trocar porque minha saia é muito curta / A culpa é minha, eu coloquei cobertura por cima / E agora os garotos querem provar desse bolo", em "Strawberry Shortcake"); e o tabu (ultrapassadíssimo) da menstruação. Destaco a cena em que Cry Baby (literalmente) troca de olhos com uma amiga, para que ela se veja com olhos menos condenatórios. Sororidade em seu estado bruto.

Dentro dessas temáticas, tudo é bem didático, quase expositivo, o que é importante para deixar claras suas mensagens de empoderamento e auto-aceitação, até porque o mote colegial é pra lá de batido quando visto de maneira objetiva. Quando os temas são mais complexos, Melanie decide trabalhar por meio de metáforas e ilustrações, como em "Teacher's Pet", que entra em algo bem obscuro: a pedofilia. A letra e a sequência visual podem causar náuseas quando temos um professor seduzindo uma de suas alunas: "Você tem mulher e filhos, você os vê todo dia / Se eu sou tão especial, por que sou um segredo? / Você se arrepende das coisas que nós fizemos que eu nunca vou esquecer?".


A variedade de temas é tão grande dentro do filme que, inevitavelmente, um ou outro não iria receber o tratamento necessário. "K-12" aborda gênero, transexualidade, racismo, bullying, distúrbios alimentares, desvalorização da arte, etc etc etc. E, sejamos sinceros, Melanie não é uma roteirista, falando em termos técnicos. Ela é, sim, uma exímia contadora de histórias, que consegue transformar um álbum em uma grande peça para ser apreciada em sequência, no entanto, ela não possui um background de linguagem, e isso fica gritante em vários momentos. Há arcos que são abertos e abandonados; outros que encontram desfecho, mas insatisfatoriamente; e alguns que nem sentido fazem.

É importante termos em mente que o filme só pode ser levado a sério até certo ponto - ele é uma fantasia, no fim das contas, então se permite burlar a lógica. Assim como em "Desventuras em Série", tudo é bastante whimsical, lúdico e por vezes macabro, e a mistura surrealista funciona. Cry Baby e suas amigas são basicamente X-Men, possuindo poderes sobrenaturais que as farão sobreviver àquela tortura - e só me recordava de "Inferno no Colégio Interno", o quinto livro da saga literária "Desventuras". Felizmente, os efeitos visuais dão conta de nos transpor até o universo que, assim como em "Peles" (2015), é enganosamente colorido - há muita sujeira escondida em cada canto da K-12.

Para alguém sem embasamento teórico de linguagem cinematográfica (e feito de forma quase independente), Melanie Martinez realiza um competente filme. Se o roteiro por vezes falha - e as atuações, majoritariamente feita por não-profissionais, não sustentam como deveriam -, o "K-12" compensa em composições imagéticas fantásticas e músicas teatrais e socialmente engajadas - chegam até a soarem misantropas. Aqui temos um estilo - visual e musical - que pode não ser tão saboroso em todos os paladares, porém, Melanie demonstra seu poder em autenticidade, relevância e olhar crítico, qualidades que todo artista busca, mas que nem sempre conseguem.

Crítica: acredite no hype, “Nasce Uma Estrela” é fenomenal na tela (e nos alto-falantes)

Indicado a 08 Oscars:

- Melhor Filme
- Melhor Atriz (Lady Gaga)
- Melhor Ator (Bradley Cooper)
- Melhor Ator Coadjuvante (Sam Elliott)
- Melhor Roteiro Adaptado
- Melhor Canção Original
- Melhor Fotografia
- Melhor Mixagem de Som
* Crítica editada após as indicações ao 91º Oscar

Atenção: a crítica contém spoilers para quem assistiu a nenhuma das quatro versões de "Nasce Uma Estrela".

Quando foi anunciada a quarta versão de "Nasce Uma Estrela" (A Star is Born), achei que seria uma bomba, confesso. Remakes, por si só, carregam uma área de desastre pelos inúmeros exemplos malfadados que temos, e, se não bastasse, era Lady Gaga que viria no papel da (nessa versão) aspirante a cantora em busca do estrelato. Caso você me conheça sabe: eu sou muito fã da Gaga cantora. Cantora.

A vencedora do Globo de Ouro mais comprado dos últimos tempos já passeou pelo cinema em pontas - "Machete Kills" e "Sin City 2" - e na tevê, com destaque a "American Horror Story: Hotel" (que a fez assinar o cheque à Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood). Quando as pontas não dispuseram de espaço suficiente para sabermos qual era a da atriz, em "Hotel" consegui perceber o quão rasa era sua atuação: ela posava ao invés de atuar. Em seus clipes, Gaga executava maravilhosamente bem sua louca persona, então onde estava isso?

A soma da equação "remake + Gaga" era um sinal vermelho. O filme foi jogado de um lado para o outro, mudando as datas de lançamento até cair em outubro, quando a corrida para o Oscar começa. Estaria a Warner realmente confiando no potencial do filme? Assim que apareceu no Festival de Veneza, a crítica foi assustadora: todos caíram de amores pela obra, que recebeu aclamação universal. Não era possível sair algo de errado dali, mas ainda assim me mantive cético.


Corri então para a primeira sessão de estreia que pudesse para finalmente comprovar se eu estaria do lado da crítica em geral ou se seria mais um exemplo que me faria nadar contra a maré (já estou acostumado). Felizmente, estou do lado dos que amam "Nasce Uma Estrela". Um breve resumo da obra: Jack Maine (Bradley Cooper, que também dirige o longa na sua estreia na posição) é um consolidado e alcoólatra músico que um dia conhece Ally (Gaga), reclusa em pequenos bares cantando covers. Jack então encoraja a mulher a cantar suas próprias músicas, e dali surge não só uma estrela, mas também um novo amor.

A produção já inicia metendo o pé na porta com Cooper revelando que, além de ótimo ator, canta DEMAIS. "Nasce Uma Estrela" é aberto com "Black Eyes", um rock insano bem Queens of The Stone Age para colocar o público no clima necessário. O rápido corte joga Jack dentro do carro após o show e, com o rosto coberto por sombras, vai direto na garrafa de uísque. Em seguida surge Ally, saindo do trabalho para o bico de cantora em um bar drag (com a Shangela e a Willam de "RuPaul's Drag Race"!), não sem antes ser abusada verbalmente pelo chefe aos gritos. É aí que surge o nome do filme em grandes letras vermelhas, no melhor estilo Hollywood clássica.

O caminho dos dois se esbarra quando Jack entra sem pretensões no bar de Ally, que canta "La Vie en Rose", o suficiente para o cantor querer saber mais sobre aquela estranha mulher, ou melhor, saber mais daquela incrível voz. Ou ambas. A timidez de Ally vai aos poucos derretendo diante do charme de Jack, e ela revela que, apesar dos vocais, nunca conseguiu ir além de covers em bares por causa do seu nariz - "Todos adoram como eu canto, não como eu pareço". Quando o homem conta mais sobre sua infância, ela rapidamente surge com uma letra, provando ser muito mais que uma vocalista, mas uma compositora. Jack sabe que está diante de algo muito grande.


Em um grande show, ele diz que vai cantar a tal música composta por ela, e pede para que Ally se junte a ele no palco, desesperando a mulher. Enquanto Jack canta os primeiros versos, a câmera se mantém por uns bons segundos diante do rosto de Ally, sem cortes. As expressões dela se tornam uma verdadeira montanha-russa de emoções, até que ela vai com a cara e a coragem para a frente do palco. A sequência é a comprovação absoluta de toda a força de "Nasce Uma Estrela" como potência audiovisual: não só as performances dos dois atores são fabulosas - o trajeto de total pânico de Gaga até o entendimento da sua própria capacidade é avassalador - como a canção - "Shallow" - é, talvez, a melhor música de qualquer filme lançado no ano.

Após o show, Ally vislumbra o quão fundo é o real problema de Jack: o alcoolismo. O cara desaba quase em coma, sendo carregado pelo empresário-e-irmão-mais-velho Bobby (Sam Elliott, em ótima forma). O roteiro costura a relação entre Jack e Bobby exemplarmente, fomentando densa carga emocional. Os personagens são o que são por um amontoado de situações no passado, e traumas não só moldam como mudam para sempre quem somos.

"Nasce Uma Estrela" também desenvolve a relação entre Jack e Ally da forma como deve ser. Seguimos todos os passos na construção desse amor e fica sempre claro como aquelas duas pessoas tão machucadas pelo tempo estão fortemente se abraçando a fim de juntar seus cacos. Não temos um belo e romântico conto de fadas, e sim uma ligação humana e lotada de falhas. Caso não resolvamos nossos demônios internos, eles vão inevitavelmente emergir e afetar o outro.



Enquanto isso, Ally vira peça fixa nos shows de Maine, acrescentando cada vez mais as músicas escritas por ela na setlist. Não demora até que um empresário surja oferecendo um grande contrato para que Ally grave seu primeiro álbum, o que gerará atritos na relação: ela não poderá mais viajar em turnê com Jack a fim de gravar o cd, fazendo-o afundar ainda mais no álcool e cocaína.

A gravadora então repagina a imagem de Ally: muda a cor dos seus cabelos e a afasta do country/rock de Jack para músicas mais pop, como a deliciosa "Why Did You Do That?", apresentada no Saturday Night Live (!), o que a rende três indicações ao Grammy. O novo cenário de sucesso da mulher torna Jack destrutivo e vingativo, dizendo que tem vergonha do que ela é agora, além de chamá-la de feia. O homem vai no imo de toda a insegurança de Ally como reflexo da própria insegurança: ele não sabe administrar vê-la crescendo enquanto ele só cai.

A noite do Grammy - cena clássica de todas as versões de "Nasce Uma Estrela" (mudando apenas a premiação, sendo o Oscar nas duas primeiras) - é a erupção de toda a ruína de Jack: de uma só vez ele deixa de ser a atração principal de uma performance para virar mero guitarrista, sendo substituído por um cantor mais novo; e, como se não bastasse, Ally vence o Grammy. Durante o discurso de agradecimento, Jack, absolutamente drogado, urina no palco e desmaia, arruinando ao vivo o momento da mulher. Não apenas um dos melhores da película como a melhor sequência entre todas as quatro versões.


Daí para frente é ladeira abaixo. Mesmo passando uma temporada na reabilitação, a culpa pelo peso que exerce sobre Ally é grande demais e Jack se suicida. A fita já deixa anunciada sua morte logo na segunda cena, lá no início, quando o enquadramento pega Jack dentro do carro e, através da janela, vemos um letreiro como várias forcas. A fotografia é deveras respeitosa, e filma a morte do protagonista sem glamorização e fetichização. É tudo captado em closes ou bem distante, sem acompanhar o derradeiro momento.

Por ser a terceira recontagem da mesma história, é impossível não cair na comparação. O que faz a versão de Cooper a melhor das quatro é a mudança de direcionamento do roteiro (co-escrito pelo próprio). Antes era a personagem da estrela em ascensão que dominava a fita - Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand, respectivamente - com o papel do marido falido servindo quase como coadjuvante. Cooper coloca seu personagem no holofote principal, dando um estudo para todo o seu vício gerado pela depressão. O suicídio de Maine nunca recebeu o tratamento devido nos filmes anteriores, finalmente sendo um ato de reação dos problemas psicológicos do homem, e não mera reviravolta para dar peso à protagonista. Maine aqui não é alavanca de condução da história, e sim a própria história.

Se todos os atores que interpretaram Maine eram ofuscados por suas co-protagonistas, Cooper em momento nenhum deixa a cena ser assaltada, entregando a melhor performance de sua carreira com esse decrépito músico com ares de Jeff Bridges. Sua estreia como diretor também é um sucesso, pecando apenas na hora de ditar a montagem, que em alguns momentos soa deslocada e com cortes que não transmitem suavidade.


Mas não se engane: Lady Gaga está brilhante. Fica difícil imaginar outra atriz no lugar dela, que não só exala os pormenores psicológicos de Ally como possui os traços físicos perfeitos para colocar os pés da personagem no chão. Completamente despida de toda a parafernália que a fez famosa, Gaga transborda vulnerabilidade e é uma forte candidata ao Oscar de "Melhor Atriz" não pelas sequências no palco, mas sim pelas pequenas cenas, pelos contatos intimistas que mais parecem espontâneos que fincados sob um roteiro - a cena da banheira vem logo à mente. Todavia, é óbvio que sua performance musical é sem precedentes. De "Always Remember Us This Way" à pop "Heal Me", Gaga só nos recorda que é uma das maiores vocalistas do nosso tempo.

Falando nas músicas, ah, as músicas... A trilha sonora de "Nasce Uma Estrela" é fenomenal em todos os aspectos. Dá absoluto prazer ver uma coleção de músicas que tanto funcionam sozinhas como são imprescindíveis para o plot. Da porrada que é "Shallow" e sua honesta letra sobre manter-se longe do superficial, até o final irretocável com "I'll Never Love Again" (não segure as lágrimas), com Gaga em seu momento Mariah Carey, é impossível não se emocionar com a música do filme, uma sucessão de clássicos - gravados ao vivo. Sair da sessão cantarolando as faixas é caminho sem volta.

Todas as dúvidas ao redor de "Nasce Uma Estrela" são bombardeadas com argumentos audiovisuais do seu esplendor. Um dos raros exemplos de remakes que não são só realizados da maneira correta como superam seus originais, a obra deixa de ser mera viagem aos bastidores da indústria do entretenimento ou mais uma platônica história de amor para realizar um estudo necessário sobre a fragilidade da mente humana e nossa sucessão diária à ruína e ao sucesso. Se sua maior curiosidade é ver Lady Gaga sem maquiagem ou vestido de carne, prepare-se para ser arrebatado pela avalanche de talento que é "Nasce Uma Estela", um espetáculo na tela (e nos alto-falantes).

"O Rei do Show", com Hugh Jackman e Zac Efron, é o nosso mais novo musical favorito

Criador do conceito homão da porra, Hugh Jackman antes mesmo de fazer sucesso nos Estados Unidos com seu parrudão Wolverine, invadiu os palcos de diversos teatros australianos com produções musicais. O ator já interpretou Gaston em uma peça de "A Bela e a Fera" de seu país. No cinema, ele esteve em "Os Miseráveis", musical que lhe rendeu uma indicação na categoria Melhor Ator do Oscar.  E agora no finalzinho de 2017, ele vem com "O Rei do Show".

Dirigido pelo desconhecidíssmo Michael Gracey, o musical conta a história de P.T. Barnum, famoso apresentador conhecido por criar um novo tipo circo. A produção conta com o já experiente em musicais, Zac Efron, Michele Williams ("Manchester À Beira-Mar"), Zendaya ("Homem-Aranha: De Volta ao Lar") e Rebecca Ferguson ("A Garota do Trem"). Um trailer saiu esta tarde, e com certeza este já é o nosso mais novo musical favorito.



Aqui no Brasil, o longa-metragem chega no natal, e não ficaríamos surpresos em ver inúmeras indicações ao Oscar no ano seguinte. Imagina só, dois musicais recebendo o prêmio de Melhor Filme em dois anos consecutivos. Pera.

Cantando Emoções: nós montamos uma playlist com o melhor dos musicais do cinema

Na última terça-feira (24), a Academia de Artes Cinematográficas revelou a lista de indicados ao Oscar 2017. Com 14 indicações, o mesmo número dos clássicos "Titanic" (1997) e "A Malvada" (1950), o queridinho "La La Land: Cantando Estações" (que a gente adorou!) segue como um dos principais filmes da temporada.

Em comemoração a isso, o It Pop preparou uma playlist que busca, assim como o filme, celebrar o melhor dos musicais já lançados no cinema. Em cinquenta faixas, a gente conseguiu colocar de tudo: das clássicas canções herdadas da Broadway aos maiores hinos que o cinema de animação nos trouxe!

As músicas de "Chicago" (2003), "A Noviça Rebelde" (1965), "Minha Bela Dama" (1964) e "Amor Sublime Amor" (1961), alguns vencedores do Oscar de Melhor Filme, vão te fazer fazer cantar bem alto. Aliás, a playlist tá perfeita para quem adora um momento diva: tem Barbra Streisand, Judy Garland, Julie Andrews e muitas outras vozes que marcaram o cinema (e nossos corações!).

É quase impossível não dançar com "You Can't Stop the Beat" ("Hairspray - Em Busca da Fama", 2007), "Dancing Queen" ("Mamma Mia!", 2008), "Time Warp" ("The Rocky Horror Picture Show", 1975) e "You're the One That I Want" ("Grease: Nos Tempos da Brilhantina", 1978)! E, para quando bater a vontade de abrir o berreiro com aquela música que toca a alma, também incluímos "I Dreamed a Dream" ("Os Miseráveis", 2012), "And I Am Telling You I'm Not Going" ("Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho", 2006) e "Maybe This Time" ("Cabaret", 1972); todas responsáveis por premiar suas intérpretes com o Oscar de Melhor Atriz (coadjuvante ou principal).

Nossa lista também inclui romances como "Os Últimos Cinco Anos" (2014), "Moulin Rouge!: Amor em Vermelho" (2001) e "Apenas Uma Vez" (2006), e filmes clássicos, como "Cantando Na Chuva" (1952), "Cinderela em Paris" (1957) e "O Mágico de Oz" (1939).

Para quem produções da Disney, não poderíamos esquecer de "High School Musical 3: Ano da Formatura" (2008), "Encantada" (2007), "Mary Poppins" (1964), "O Rei Leão" (1994), "A Bela e a Fera" (1991) e "A Pequena Sereia" (1989) — além dos recentes "Caminhos da Floresta" (2014), "Frozen: Uma Aventura Congelante" (2013) e "Moana" (2016). Dá para lembrar da infância e cantar muuuito lerigou!

Grandes nomes da música pop já passaram pelo cinema musical e, claro, nosso trabalho é divulgar e enaltecer. Diana Ross e Michael Jackson estão na faixa do filme "O Mágico Inesquecível" (1978); Madonna performa em "Evita" (1996), no papel-título da primeira-dama argentina Eva Perón, e a islandesa Björk é a estrela de "Dançando no Escuro" (2000), do famoso diretor Lars Von Trier.

A seguir, ouça a playlist completa, com muitos outros títulos além dos já citados. Você também pode acompanhar essa e outras playlists do It Pop nos seguindo no Spotify!

"La La Land" é um filme belíssimo que faz uma grande homenagem ao cinema clássico de Hollywood

Conquistando buzz desde sua divulgação prévia, por tratar-se de um musical original com elenco de renome, "La La Land: Cantando Estações" (2016), filme de Damien Chazelle (diretor de "Whiplash" [2014] e roteirista de "Rua Cloverfield, 10" [2016]), tem divido bastante o público. Notório em seu patamar de "produção nostálgica", que enaltece o cinema clássico de Hollywood (um molde muito em voga nos 1950), o filme vem angariando prêmios e aplausos por onde passa, quebrando recordes no Globo de Ouro 2017 e sendo indicado como uma das principais apostas ao Oscar. 

A história de "La La Land" é, assim como seu título, simples. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz frustrada que ama cinema clássico; Sebastian (Ryan Gosling), por sua vez, é um pianista desempregado apaixonado por free jazz. Ambos se conhecem, se apaixonam e passam a acompanhar as conquistas e derrotas um do outro. O que há de tão espetacular que faça o filme se destacar, então? A dualidade entre sonho e realidade que seus carismáticos protagonistas vivenciam. 

Mia e Sebastian são tão tridimensionais quanto qualquer um de nós; são críveis, empáticos. Jovens adultos cujo a chama sonhadora resquício de um impulso artístico, seja do cinema hollywoodiano clássico ou da música como forma de expressão criativa e social — persiste, acima de qualquer decepção que a dura vida apresente. Uma temática de esperança já apresentada no número de abertura "Another Day of Sun" ("Quando te decepcionarem / Você levantará do chão / O amanhecer estará ao seu redor / É outro dia de Sol"), que inclusive cita cinema Technicolor, e que atinge ápice na belíssima canção "Audition (The Fools Who Dream)" ("Tragam os rebeldes / as ondas de cristais / Os pintores, os poetas e as peças / Um brinde aos tolos que sonham / Tão loucos quanto parecem / Um brinde aos corações que se partem / Um brinde à bagunça que criamos"). É uma história movida por paixão, sobre paixão, e que atinge em cheio o emocional de seus espectadores que sonham (frustrados ou não).

Damien Chazelle construiu isto brilhantemente em seu roteiro, escolhendo um gênero cinematográfico tão marcado por "sequências de sonho" na era dourada de Hollywood, e que hoje resiste graças à seu público apaixonado. Em um dos principais diálogos, por exemplo, é perfeitamente notável o paralelismo existente entre o jazz e os filmes musicais, ambos supostamente "enterrados" pela modernidade, mas que persistem com grande potencial de adaptação.

A composição visual de "La La Land" está entre seus principais méritos. A fotografia, com muitas cores vivas e saturadas, não só homenageia os cenários em Technicolor dos principais musicais clássicos, mas também faz utilização sensacional da psicodinâmica das cores e constrói sequências belíssimas com um ótimo uso de contraste e iluminação (ferramenta por vezes utilizada no longa-metragem para destacar seus protagonistas). A abertura conta com uma ótima referência ao uso de Cinemascope, e os movimentos de câmera são quase coreografados como passos de dança, em uma decisão arriscada, mas que traz uma prazerosa dinamicidade (talvez inovadora) ao espectador.

Os números musicais são, certamente, ótimos. A coreografia de Mandy Moore (não é a atriz!) evoca muitas referências à musicais como "Cantando na Chuva" (1952) e "Amor Sublime Amor" (1961), principalmente durante as cenas de sapateado. A trilha sonora, composta por Justin Hurwitz, já parceiro do diretor em suas produções, é outro grande destaque positivo, com composições que exploram muito bem o instrumental e que são revisitadas durante todo o filme. As músicas da dupla Benj Pasek e Justin Paul, responsáveis pelo recente musical da Broadway "Dear Evan Hansen" (estrelado por Ben Platt, o Benji da franquia "A Escolha Perfeita") e alguns hits do seriado da NBC "Smash", são muito bem aproveitadas, principalmente no primeiro ato da produção, sendo responsáveis por parte do sentimento positivo que cerca "La La Land". A respeito de "City of Stars", só me resta dizer o óbvio: uma das favoritas ao Oscar de Melhor Canção Original.  

Sob a competente direção de Damien Chazelle e a química entre o casal protagonista (cujas atuações agradam), "La La Land" é um filme belo e bem realizado; cinema na sua forma mais pura e simples de contar histórias, que agracia a "fábrica de sonhos" californiana e emociona (e muito) com seu discurso esperançoso sobre sonhos. Uma ode aos musicais, com um final triunfante que convida à reflexão sobre decisões e a realidade natural da vida. "Um brinde aos tolos que sonham".

Sia, Miguel e Kelly Clarkson simplesmente DESTRUÍRAM nessas versões para o musical “Hamilton”

Não há o que discutir quando se fala sobre “Hamilton” ser uma das melhores coisas que aconteceram na Broadway, mas tá mais do que permitido pirar ao saber que, no dia 2 de dezembro, o musical ganhará uma mixtape com suas canções regravadas por alguns dos nossos artistas favoritos, com lançamento pelo Spotify e outras plataformas de streaming ao redor da rede mundial de computadores.

Só pra você ter uma ideia, alguns dos nomes presentes em “The Hamilton Mixtape” são Chance The Rapper, Alicia Keys, Regina Spektor, Sia, Miguel e Kelly Clarkson, e, se tratando desses três últimos, as músicas já estão até entre nós.

Com a pré-venda do álbum, algumas das versões foram lançadas para venda e streaming e, entre elas, temos a regravação de “Satisfied”, numa inusitada parceria entre Sia, Miguel e Queen Latifah (!), e a versão de Kelly Clarson para a baladinha “It’s Quiet Uptown”, ouça abaixo:

Outra inusitada parceria ficou para Nate Ruess, da banda fun, ao lado de Busta Rhymes e Joell Ortiz na releitura de “My Shot”:

Quantos hinos da porra!

“The Hamilton Mixtape” será oficialmente lançada no dia 2 de dezembro e, no que depender dessas primeiras versões, nós já estamos no chão.

Vale ressaltar que, em sua versão original, o musical já possui todas suas músicas disponíveis no Spotify:


QUE. TIRO.

Assista ao primeiro trailer de 'Into The Woods', filme com Meryl Streep e Johnny Depp!


Alguns filmes são superestimados antes mesmo de serem lançados. Fotos, trailers e informações mostram um longa completamente diferente do lançado, criando uma enorme decepção. "Into The Woods" não chega à esse ponto, visto que já com seu primeiro trailer, toda a esperança de termos um musical de contos de fadas extremamente bom é extinto.

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