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Pode pegar o bloquinho de notas e começar as anotações, porque Luísa Sonza e MC Zaac estão prontos pra te ensinar o único exercício possível aos que estão quarentenados com o arroba e sem muitas opções do que fazer em sua música nova.

Sucedendo os hits “Braba” e “Flores”, essa última com participação do cantor Vitão, a cantora brasileira Luísa Sonza dá sequência na divulgação do seu segundo álbum com a faixa “Toma”, produzida pelo coletivo Brabo Music Team, com quem trabalhou anteriormente em outra que amamos: o feat com a Pabllo em “Garupa”.

Mais uma vez acompanhada, Sonza conta aqui com a participação do MC Zaac, que também colaborou com o Brabo Music Team em “Desce pro play”, e chega batendo nos 150bpm nessa mistura de pop com batidão de funk que só quer saber de uma coisa: agachar e tomar.

Não sem antes, é claro, prender o cabelo e flexionar o joelho. Acho que decoramos. Ouça abaixo:


“Toma” já teve seu clipe gravado, a produção chegará ao público na manhã desta sexta-feira.
O rap nacional ganhou uma novidade poderosa na última semana com a estreia do grupo Quebrada Queer, primeiro cypher a ser composto exclusivamente de artistas LGBTQ no Brasil e na América Latina. O primeiro trabalho do grupo foi apresentado pela plataforma RapBox na semana passada e veio acompanhado de um clipe, apresentando uma proposta de resistência e combate à normatividade típica do gênero.



O Quebrada Queer é composto por Guigo, Harlley, Lucas Boombeat, Murillo Zyess e Tchelo Gomez, rappers negros, gays e vindos da periferia de São Paulo, que formaram o grupo de forma totalmente independente e com o objetivo de trazer suas experiências como pessoas queer no Brasil para o cenário do rap no país.

Um momento histórico para o gênero musical que tem uma carência enorme de representatividade LGBTQ, se comparado com a indústria pop, por exemplo. O lançamento chamou atenção e foi apoiado por grandes nomes LGBTQ da música nacional através das redes sociais, como Pabllo Vittar, Linn da Quebrada e Mateus Carrilho.

A estreia do grupo é um reflexo claro de que não se pode limitar artistas queer e a sua produção a uma só caixinha. Novos nomes continuarão a surgir e mostrar que as suas histórias e experiências tem lugar nos mais variados espaços, gêneros e ritmos.

Fortaleça o trabalho da Quebrada Queer também no Spotify:

Todos os anos, no segundo semestre, começa o mata-mata para selecionarmos o indicado brasileiro ao Oscar de "Melhor Filme Estrangeiro". Depois do fiasco que foi a escolha de "O Pequeno Segredo" em 2017 ao invés de "Aquarius", o que maculou o andamento dos bons filmes indicados nos anos anteriores ("O Som Ao Redor" em 2014, "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" em 2015 e "Que Horas Ela Volta?" em 2016), voltamos aos trilhos com "Bingo: O Rei das Manhãs" para a vaga de 2018.

Apesar de ter influência distante dos grandes nomes da categoria, como os favoritos "Loveless" (Rússia), "Uma Mulher Fantástica" (Chile), "The Square" (Suécia) e "120 Batidas Por Minuto" (França), "Bingo" tem um poderoso reforço: foi comprado pela gigante Warner Bros na distribuição mundial. Com promoção em grandes sites de cinema americanos, o filme tem ganhado destaque na corrida e estreará internacionalmente no pico de atenção dos votantes. Uma indicação ainda é sonhar alto, coisa que não temos desde 1999 com "Central do Brasil", porém, com indicação ou não, é um filme que merece ser visto.
Imagem promocional da campanha internacional de "Bingo", destacando críticas positivas e o BAFTA de Rezende.

"Bingo" é dirigido por Daniel Rezende, montador indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA (o Oscar britânico) por "Cidade de Deus" (2002), um dos principais motores para a divulgação internacional do longa. A obra retrata a vida, a ascensão e a queda de Bozo - ou Bingo (Vladimir Brichta) na versão cinematográfica, já que "Bozo" é uma marca registrada americana -, o palhaço mais famoso do país e apresentador do programa que dominava as manhãs da década de 80 - o "Programa do Bozo".

A produção em si carrega uma dualidade do próprio Bingo: parece uma obra recheada de palhaçadas (e, de fato, é), todavia, há uma crueza dos bastidores da vida de Augusto Mendes, o homem por trás da maquiagem. Ator de pornochanchadas, ele cai nas graças do estrelato ao convencer um produtor americano de que deveria ser o personagem título na versão brasileira da franquia. A cena, feita em sua essência igual ao que realmente aconteceu, mostra Augusto xingando o produtor (em português) enquanto toda a equipe cai na gargalhada. Mesmo sem entender o que ele falava, o produtor o contratou pelo rebuliço causado. No mínimo, curioso.


Então entramos num dos motes mais expressivos do filme: os corredores da produção de um programa de televisão. Numa era pré internet, mundo digital e computadores, tudo era feito no braço. O longa mostra os ensaios do Programa do Bingo, e, ao mesmo tempo, dá uma amostra do caos que é filmar um programa ao vivo. A diretora, Lúcia (Leandra Leal, nossa pérola do cinema), se descabela tentando fazer com que todos os milhares de detalhes saiam dentro dos conformes.

Mas e quando o apresentador é uma variável instável? Bingo começa seguindo o roteiro à risca, e desde já percebe: traduzido direto do original americano, aquele texto jamais fará sucesso no país. Após fracassadas tentativas dentro do molde que Lúcia insiste em que ele se enquadre, Augusto vira o rei da anarquia e começa a tocar o programa à sua maneira, para o bem ou para o mal, adicionando o jeitinho brasileiro na rigidez americana. Se o texto dizia para as crianças obedecerem o papai e a mamãe, Bingo gritava "façam bagunça!".


Temos aqui um retrato dos absurdos da televisão brasileira na década de 80. Visando bater de frente com a audiência, Augusto traz Gretchen (a única personagem efetivamente real do filme, interpretada por Emanuelle Araújo) para dançar o hit "Conga Conga Conga" ao vivo. Com um vestido curtíssimo que, a cada rebolada, subia cada vez mais, ela performa no meio das crianças, que pulam felizes ao som do cântico que fez Maria Odete ser quem a rainha dos memes que hoje é. Completamente inapropriado, o evento é um reflexo dramático fiel do que rolava nesses programas - não podemos esquecer do clássico "Short Dick Man" no palco da Xuxa em 1995. E nesse solo fértil do politicamente incorreto liberado para alcançar o pico de audiência, Augusto é o deus da sociedade do espetáculo.

No topo do mundo, sendo o rosto mais amado pelas crianças do país, há um binarismo na vida do protagonista: por contrato, ele não pode revelar a identidade por trás do Bingo, fazendo-o ser o anônimo mais famoso do país. Se no início do estrelado a fama e os prestígios eram o apogeu de Augusto, tudo foi pouco a pouco soando amargo por não ter, de fato, esses prazeres em suas mãos, e sim nas mãos de Bingo. A maquiagem, uma verdadeira máscara, se torna uma prisão, vislumbrada pelo público quando, ao ganhar um prêmio, Augusto, apenas em sua imaginação, deseja subir ao palco e tirar toda a maquiagem para ter o reconhecimento pessoal que merece.


A união dos tormentos e delírios dessa fama torta é composta com muito sexo, álcool e cocaína. O homem não mantém mais o pique de gravações e, viciado, só consegue sustentar as cinco horas seguidas do programa à base do pó, culminando numa das melhores cenas do longa, quando ele vê seu nariz sangrar graças à droga ao vivo, no meio do palco.

Inversamente proporcional ao seu próprio estrelato, Augusto vê seu relacionamento com o filho se diluir quando o menino diz que o pai é o único que brinca com todas as crianças, menos com ele. Muito mais que os entorpecentes, ele estava viciado na fama. Numa cena bastante emblemática, o pai quebra uma televisão que mostrava - numa alucinação - ele mesmo tentando em vão tirar a maquiagem do Bingo, como se ela estivesse permanentemente presa em seu rosto. Filmada com um falso plano sequência belíssimo, todo o momento demonstra o quanto aquele símbolo do sucesso se tornou o pior pesadelo de Augusto. Como diz a campanha internacional do longa, palhaçadas podem custar sua alma.


"Bingo: O Rei das Manhãs" trata-se de uma cinebiografia correta, com começo, meio e fim bastante redondos (o final é desnecessariamente formulaico, inclusive), fotografia e design de produção no ponto e uma força imagética memorável ao unir as cores aberrantes do universo do palhaço com o submundo depressivo que é sua vida por trás do nariz vermelho, encaixando-se no molde de ascensão e queda que tanto vemos em outros filmes do tema.

A obra é, também, uma viagem (por vezes macabra) à cultura da celebridade e como ela afeta o ser humano e as relações com as pessoas ao seu redor, carregado com bastante louvor por Vladmir Brichta. Num país recém saído da ditadura, Bingo era um símbolo de expressão além dos limites, dentro e fora da tela. Ao mesmo tempo em que humaniza, Rezende mostra os machismos, assédios e vícios de um homem que ajudou a moldar a televisão brasileira à base de boçalidade, 70% de inspiração e 30% de uísque. O Brasil não é mesmo para quem está começando.

Pode ouvir “Work”, da Rihanna, numa versão indie-pop feita por um artista brasileiro? É CLARO que pode!

O goiano Stefanini continua trabalhando o seu EP de estreia, “Onde”, lançado em 2015 com produção do Pedrowl (Banda Uó, Lia Clark) e participação do Rico Dalasam, na faixa “É Tarde”, e lançou nesta quarta (18) uma versão bem inusitada para a parceria da Rihanna com o Drake, transformando o dancehall da barbadiana num synthpop inegavelmente contagiante.

Pra quem curte artistas como Troye Sivan, Melanie Martinez e Halsey, o trabalho do cara é uma ótima pedida e, com esse cover, já é possível ter uma noção do que ele é capaz de fazer. Um dos produtores dessa versão é o Rodrigo Gorky, que também esteve por trás de “Open Bar”, da Pabllo Vittar.

Dá só uma olhada:



Que delícia, gente! (A música, é claro.)

MAIS SOBRE O STEFANINI


Nosso primeiro contato com a música do Stefanini aconteceu em 2015, quando o músico abriu o show da MØ em São Paulo, e daí em diante, não desgrudamos mais dos seus próprios trabalhos. O EP “Onde” está disponível para audição no Soundcloud, Spotify e outras plataformas de streaming.

Ouça abaixo: