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Atenção: a crítica contém spoilers.

Indicado a 10 Oscars:

- Melhor Filme
- Melhor Direção
- Melhor Roteiro Original
- Melhor Ator (Leonardo DiCaprio)
- Melhor Ator Codjuvante (Brad Pitt)
- Melhor Design de Produção
- Melhor Fotografia
- Melhor Figurino
- Melhor Edição de Som
- Melhor Mixagem de Som

* Crítica editada após o anúncio dos indicados ao Oscar 2020

Quentin Tarantino lançando um filme significa que eu estarei no cinema. Não sou desses que acha o diretor o suprassumo da Sétima Arte, mas, de "Cães de Aluguel" (1992) até "Os 8 Odiados" (2015), nunca o vi lançar uma película ruim - "Pulp Fiction: Tempo de Violência" (1994), sua obra-prima, é um dos melhores filmes já feitos, inclusive. Não tinha como não dar meu dinheiro para "Era Uma Vez em Hollywood" (Once Upon a Time in Hollywood), seu novíssimo projeto.

No final da década de 60, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator que alcançou o ápice da fama em Hollywood na década anterior, andando atualmente por uma crise artística. Seu melhor amigo - e dublê e motorista e o que aparecer -, Cliff Booth (Brad Pitt), sempre está ali para dar suporte a Rick, no protagonismo ou como coadjuvante de uma série que ninguém assiste.

A mansão de Rick, nos altos montes da ensolarada Califórnia, é ao lado da residência de ninguém menos que Roman Polanski e sua esposa, Sharon Tate (Margot Robbie), um dos apogeus do Cinema na época - Polanski havia acabado de lançar "O Bebê de Rosemary" (1968), um dos maiores clássicos de toda a história.


Essa dicotomia representa perfeitamente o status artístico do fim da Era de Ouro de Hollywood: de um lado, Rick, a encarnação do declínio; do outro, Polanski e seu magnetismo de sucesso e genialidade. Você pode tentar, mas será árduo não lembrar de "Crepúsculo dos Deuses" (1950), o melhor estudo da fama dentro de Hollywood já criado na telona: Rick chega perto da insanidade de Norma Desmond, o cânone da fama perdida, ao tentar alcançar o prestígio de outrora - semelhanças com Riggan Thomson de "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (2015) não são mera coincidência.

Já podemos apontar o óbvio: "Era Uma Vez..." é uma homenagem ao Cinema - mais especificamente à Hollywood, todavia, pincela outros nichos como o faroeste italiano, (conhecidos como Spaghettis). A metanarrativa, então, é uma das principais forças da produção, que mergulha na indústria até demais. O filme chega perto de 3h de duração, o que fundamentalmente não é um problema, a questão é a maneira como Tarantino decidiu preencher seu arrastado filme. Realmente me surpreendi quando lembrei que tanto "Django Livre" (2012) quanto "Os 8 Odiados" possuem durações maiores à de "Era Uma Vez...", e o tempo voa nos dois primeiros, ao contrário do último.

Para quem conhece a filmografia do diretor - que sempre escreve os próprios roteiros - sabe que suas narrativas evocam os dramas de seus personagens de maneira não tão linear. Os acontecimentos não são exatamente fechados, com cada passo sendo um tijolo na construção da trama - um estilo que, particularmente, não me agrada tanto. O que fazia com que isso jamais fosse um empecilho é a vivacidade de suas histórias, sempre cativantes - o que inexiste em "Era Uma Vez...".

A trama gira entorno dos três personagens principais - Rick, Cliff e Sharon. Mesmo se encontrando e se aproximando, eles possuem núcleos completamente distintos, três histórias deveras diferentes; e a montagem não se apressa em mostrar em detalhes cada uma delas. Rick gasta horas nos sets de filmagem, Sharon no cinema vendo o filme em que atua e Cliff flerta com uma garota que acaba se revelando uma das integrantes da família Manson. Nenhuma delas é exatamente empolgante.


Tarantino, cinéfilo inveterado, quer ovacionar o faroeste - gênero fundamentalmente hollywoodiano - e nos cola em Rick por intermináveis filmagens, que são sofríveis. Com cenas longuíssimas, a sensação de que 10% do exibido era o necessário está sentada do nosso lado, o que é reflexo do domínio criativo que o diretor tem sobre suas obras - que tem o poder em decidir como será o corte final do filme, algo raro dentro da indústria.

Com Cliff, soterrado na sombra do personagem de Rick, ganha camadas de composição que surgem e somem sem impacto algum - o filme literalmente para a história para mostrar que ele matou a própria mulher. O que em qualquer enredo seria ponto incontestável, serve para coisa nenhuma - se não existisse, o filme percorreria sem mudanças. E aqui é apenas um dos vários exemplos de entupimentos do roteiro.

É em Sharon que o plot parece alavancar. Não é a primeira vez que Tarantino se apropria de um fato real e a mistura com a ficção - "Bastardos Inglórios" (2009) ressignifica a História e mete a bala em Adolf Hitler, e o mesmo acontece em "Era Uma Vez...". No entanto, aqui temos um grande "porém": ao contrário de Hitler, Sharon Tate não é uma figura universalmente conhecida - durante a sessão que assisti, várias pessoas não a conheciam. E, por não a conhecerem, o viés híbrido do filme não fez sentido.

Sharon foi assassinada pela família Manson, e em "Era Uma Vez...", Tarantino faz o oposto de "Bastardos": poupa a vida da mulher com uma virada deliciosa que subverte expectativas. To-da-vi-a, essa expectativa, essencial no clímax, só existe se você conhecer o destino de Sharon. Sem um desenvolvimento digno em cima do culto bizarro criado por Charles Manson (que aparece em apenas UMA cena), o crime acontece na tela sem motivações e se apega demasiadamente em um fato aquém de sua existência e que não encontra explicações o suficiente dentro de seu corpo. Sem o conhecimento prévio, Sharon é só a vizinha que em uma noite descobriu que a casa ao lado foi invadida. E isso é um grande problema.


E Tarantino não está nem um pouco preocupado se você não catar as milhares de referências que explodem na tela a cada segundo, virando um festival impossível de ser assimilado tamanha afetação. Ele vai nos confins da cultura norte-americana das duas décadas exploradas e põe tudo na tela milimetricamente, uma porrada no interesse do público - ou você quer mesmo ver um episódio de uma série policial de 1965? Chega a ser uma tortura - e tenho certeza de que, caso estive assistindo ao filme em casa, teria abandonado.

Tudo é, como sempre, embalado com muito afinco, da fotografia coloridíssima da era dos hippies até a energética trilha sonora - mas a cansativa história, os inúmeros personagens de apoio que entram e saem da tela, as sequências infinitas de gravações, as subtramas deixadas pra trás, tudo colabora para assassinar a diversão que é elemento intrínseco dentro do cinema tarantiano - e que, em alguns momentos, faziam as falhas passadas serem perdoadas.

É uma surpresa ver o infortúnio de Tarantino ao abraçar um longa mais voltado para o drama - ele se saiu tão bem no subestimado "Jackie Brown" (1997). "Era Uma Vez em Hollywood" carrega os estilos que moldaram um cinema tão característico, porém, sua nova produção é uma inorgânica homenagem à fantasia hollywoodiana pela sua trama que vai matando a própria vida a cada minuto (e são muitos). Se as atuações são de primeira linha e os momentos de ação maravilhosos, "Era Uma Vez" parece não entregar uma recompensa à plateia, mesmo com seu protagonista sendo recebido de portões abertos na magia irrefreável da mitologia por trás da terra do Cinema - e que não está presente no filme que conta sua história, coisa diferente em outras homenagens à Sétima Arte na contemporaneidade, como "La La Land" (2016). Tarantino, pela primeira vez, não é cool, é só chato.

Alejandro G. Iñárritu continua sua trajetória de dominação mundial. Em 2015 ele voltou com “Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância”, um virtuoso filme sobre as loucuras de um decadente ator que tenta de tudo para reaver o sucesso. No Oscar, “Birdman” foi indicado a nove categorias – o maior da noite, vencendo quatro: “Melhor Fotografia”, “Melhor Roteiro Original”, “Melhor Direção” e “Melhor Filme”.

Então que na 88ª edição do prêmio temos novamente Iñarritu disparando nas categorias. “O Regresso” (The Revenant) conseguiu impressionantes 12 indicações, com o diretor tendo pelo segundo ano consecutivo o maior montante de indicações.

“O Regresso” é baseado na história de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um caçador de peles do século XIX que, durante uma expedição, é atacado por um urso e abandonado pelos seus colegas. Ele então passará pelas provações da natureza para conseguir sobreviver e se vingar de John Fitzgerald (Tom Hardy), companheiro que matou seu filho.

Aqui Iñarritu demonstra sua versatilidade. “O Regresso” não se parece com nenhum dos seus filmes anteriores, e fica ainda mais distante do ritmo frenético de “Birdman”. Logo nos primeiros minutos o diretor entrega o tom épico que perdurará pela projeção. O grupo de caçadores é surpreendido por indígenas, orquestrando uma batalha primorosa num grande plano sequência que impressiona pela riqueza de detalhes. Qualquer lugar do quadro há movimentação, há vida e há morte.


O desenvolvimento dos personagens é primordial para que entendamos os conflitos daquela situação, que por sua vez acarretarão nos conflitos seguintes. Enquanto Glass demonstra uma firmeza paterna e um amor muito forte pela sua misteriosa esposa, sendo um verdadeiro líder a ser seguido, Fitzgerald é o perfeito contraponto. Seu sotaque carregadíssimo praticamente impede a compreensão, soando ríspido e inconsequente, principalmente quando se encontra com Glass. Pouco a pouco vamos delimitando suas personalidades, cada vez mais complexas, o que nos conecta com a história facilmente.

O meio modifica o indivíduo ao máximo nas belíssimas paisagens de “O Regresso”. Todo filmado à luz natural, a fotografia de Emmanuel Lubezki é uma obra-prima, com todas as cenas sendo verdadeiras pinturas. O seu terceiro Oscar (seguido!) parece certo, e é nada menos que correto. Todo o trabalho visual transmite a precariedade daquela realidade, que derruba os mais fracos e bate nos mais fortes. São longos planos da superfície coberta de gelo, que constrói um verdadeiro inferno branco, atormentando até o espectador. Invadindo as terras indígenas, os “homens brancos” buscam as peles para poder sobreviver, o que gera o plano de fundo da história.


Aqui não existem vilões ou mocinhos quando se trata desse plano de fundo, o genocídio indígena americano. Como o longa é passado pelo ponto de vista dos caçadores, os ataques indígenas poderiam parecer gratuitos, mas felizmente o roteiro se dá ao trabalho de contextualizar o lado dos indígenas, dando voz e razão para todo aquele embate. É a luta pela sobrevivência em tempos e locais tão difíceis.

E os difíceis locais do filme são lugares reais – não há cenas em estúdio. Toda a promoção do longa fez questão de deixar claríssimo as inúmeras dificuldades que houveram durantes as filmagens, feitas nos Estados Unidos, Canadá e Argentina. DiCaprio disse em várias entrevistas que "30 ou 40 sequências" foram as "mais difíceis" de toda a sua carreira, tendo entrado em rios congelantes, dormido com carcaça de animais e quase tendo hipotermia. Isso, claro, é um impulso gigante para a campanha ao Oscar – não esqueçamos que a premiação é uma eleição, mas, mesmo possuindo o intuito de vencer prêmios, essa pretensão é bastante justificada pela realização do filme.


DiCaprio está avassaladoramente incrível no papel principal, entregando-se de corpo e alma para transbordar as dificuldades do personagem – e finalmente deve render seu primeiro Oscar. E, com muita felicidade, Hardy foi lembrado em “Ator Coadjuvante”, podendo levar com muito louvor pela atuação brilhante, talvez a melhor de toda sua carreira – ele faz aqui tudo o que não fez em “Mad Max: Estrada da Fúria”. A sintonia paradoxal dos dois é o que move o longa, que, além de um épico sobre sobrevivência, é puramente uma história de vingança.

E muito se fala sobre a cena do urso. Também pudera. Toda a sequência é escandalosamente incrível, feita com requintes de brutalidade sem precedentes. Ficamos grudados na cadeira enquanto o – agora – pequeno DiCaprio luta contra aquele monstro enorme. Sem piedade, o ator é jogado de um lado para o outro, nos deixando boquiabertos pela violência sem pudor. São minutos que congelam na tela, jorrando aflição, dor e medo na cara do espectador. Uma das melhores sequências do ano.


Mesmo com doses cavalares de adrenalina nesta cena, “O Regresso” é, antes de tudo, um filme contemplativo. Sua duração é robusta (156 minutos), recheada com muitos silêncios e paisagens intermináveis, que cria o contraponto entre a beleza da natureza com a selvageria dos homens. Há sim momentos bem arrastados, principalmente no seu miolo, porém é tudo em nome da contemplação da finitude humana. Somos grãos de areia em meio ao gigante ambiente hostil, frágeis demais para conseguirmos vencê-lo. O percurso de Glass da quase morte para a vingança é longo, cruel e lento, mas jamais banal.

Nas mãos de outro diretor, “O Regresso” poderia ser mais um filme de sobrevivência com aquele roteiro ordinário do embate “homem vs. natureza”. Mas, novamente, a mão pesada de Iñarritu, juntamente com sua competência, consegue criar um filme deslumbrante, inesquecível e poderoso. Ao mesmo tempo em que vemos a natureza engolindo os personagens, jogos jogados para suas intimidades, em diversos momentos onde Glass está tão próximo da câmera que sua respiração embaça a tela – fora a quebra máxima da quarta parede (1) no final, uma das mais belas do cinema recente. “O Regresso” é um espetáculo cru e sensorial e que comprova: não nos livraremos de Alejandro G. Iñárritu tão cedo. Ainda bem.

(1) A "quarta parede" é uma parede imaginária situada na frente da tela. "Quebrar" a quarta parede é olhar para a câmera, diretamente para o espectador.

Se existe uma dupla do universo cinematográfico atual que possui uma grande sinergia é Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese. Mesmo que Leo não tenha ganhado a tão esperada estatueta do Oscar com um dos filmes do diretor (que, convenhamos, foram pontos-chave para ascensão da carreira dele [DiCaprio]), já sabemos que quando esses dois se juntam o tiro é certo. 

Essa parceria começou em 2002, com “Gangues de Nova York’’ e rendeu, posteriormente, mais quatro obras: “O Aviador”, “Os Infiltrados”, “Ilha do Medo” e “O Lobo de Wall Street”.

Agora, ao que parece, a dupla está de volta em "Roosevelt", filme sobre a vida de Theodore Roosevelt, 26° presidente dos Estados Unidos, de acordo com a Variety. Apesar de não haver previsão de estreia – tampouco do início da produção –, já se sabe que DiCaprio também produzirá a obra, juntamente com Scorsese, Jennifer Davisson, Emma Koskoff e Chuck Pacheco. 

O longa, que será escrito por Scott Bloom, abordará a trajetória do ex-presidente desde quando fora governador de Nova York até ocupar a presidência após o assassinato de William McKinley. Um fato bacana é que Roosevelt teve papel expressivo na luta para a conservação dos parques nacionais dos EUA, o que conversa bastante com o ativismo de Leo nas questões relacionadas ao meio ambiente. 

Além deste, existem outros dois projetos com a dupla dinâmica em andamento: "The Devil in the White City" e "Killers of The Flower Moon". Uma parceria dessas, bicho?

Finalmente aconteceu, gente! Após anos de espera, Leonardo DiCaprio ganhou o seu tão sonhado prêmio Oscar na categoria de Melhor Ator. Ver Leonardo ganhando o prêmio foi um misto de emoções tão grande que a gente resolver reunir 18 gifs que demonstram como o mundo reagiu ao primeiro Oscar do ator de "Titanic".

A gente estava tão certo de que Leozinho ganharia seu prêmio que estamos essa publicação pronta desde sexta-feira, viu?

Você já não estava com muitas esperanças porque a Academia sempre dá prêmio pra quem não merece.



Começou a se lembrar das entregas injustas.



Gwen Paltrow ganhando de Fernanda Montenegro.



Jennifer Lawrence levando sua primeira estatueta.



Pera, a dela foi justa.



Enfim.

Apesar do medo, você estava confiante porque o Leo já esteve perto de ganhar várias vezes, né?



Mas dessa vez o moço estava ganhando quase todos os prêmios por "O Regresso", não tinha como algo dar errado.



Então finalmente chega a hora de anunciarem o vencedor da categoria "Melhor Ator".



Começam a falar os nomes dos indicados, e aquilo parece ser uma eternidade.



And the Oscar goes to...



Leonardo DiCaprio. Que?



Não é possível.



É, SIM. ELE GANHOU!



Após anos, ele finalmente ganhou! ♥



A Academia poderia entregar todos os prêmios errados agora, porque Leonardo DiCaprio tinha ganhado seu primeiro Oscar.



Agora ele realmente pode falar que é o rei do mundo!


Por fim, após todo aquele misto de emoções, você se lembra disso:



Fazendo com que a entrega do prêmio fizesse mais sentido ainda.

De qualquer maneira, DiCaprio ganhou seu primeiro de muitos prêmios Oscar, né?



ENFIM, o Oscar ainda está rolando, e a gente está lá no Twitter fazendo uma cobertura bem cremosa, e depois tem resumo da premiação aqui no blog!


Levamos um tempo para falar sobre este trailer, sabemos. Vocês já devem ter o visto e, é claro, terem deparado com diversas introduções falando sobre Leonardo DiCaprio e sua grande chance de levar o Oscar com menos de 3 minutos de atuação e nem totalmente dedicados ao ator, né? Mas nós não poderíamos perder a oportunidade de falar pelo menos um pouquinho desta prévia do novo filme do Alejandro González Iñárritu (adoramos pronunciar esse sobrenome, sério), "O Regresso".

O hype nosso já estava altíssimo quando saíram as primeiras imagens do longa-metragem, maravilhosas esteticamente, prometendo uma fotografia belíssima em tons de cinza, representando o clima gelado no inverno dos EUA. E, galera, "O Regresso" está contando com o diretor de "Birdman". Poxa, o cara teve seu filme levando o maior prêmio do Oscar deste ano, logo, devemos dar atenção, querendo ou não, com ou sem Leozinho. Enfim, assista ao trailer antes de continuarmos.



Não exageramos ao chamar o trailer de "do caralho" no título, né? Começamos num ritmo absurdamente frenético, com cortes e batuques rápidos — o que ajudou a causar tal sensação delirante —, e só depois somos apresentados à trama (de maneira calma, até), e que trama, hein, meus amigos?

Escrito por Iñárritu e Mark L. Smith e baseado no romance "The Revenant: A Novel of Revenge", de Michael Punke, na história acompanharemos o guarda de fronteira Hugh Glass (Leonardo DiCaprio). Hugh liderava uma missão no rio Missouri quando foi atacado por um urso e por estar extremamente ferido, foi abandonado (enterrado vivo, na verdade) pelo grupo que o acompanhava na floresta, por acreditar que o mesmo morreria. Entretanto, o guarda sobrevive e parte em busca de vingança. Queremos muito sangue, gente.

Além de nosso amigo íntimo Leo, o filme conta com Tom Hardy ("Mad Max 4"), Will Poulter ("Maze Runner: Correr ou Morrer") e Domhnall Gleeson ("Never Let Me Go"). "O Regresso" chega às salas brasileiras em 4 de fevereiro.

FILME: O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
DIREÇÃO: Martin Scorsese
ROTEIRO: Terence Winter
PAÍS: Estados Unidos
ELENCO: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Jon Favreau, Kyle Chandler, Jean Dujardin, Jon Bernthal
CATEGORIAS NO OSCAR: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Jonah Hill), Melhor Roteiro Adaptado.

Depois de arrebatar o mundo com o belíssimo "A Invenção de Hugo Cabret", uma homenagem rica ao Cinema, Martin Scorsese volta às origens em "O Lobo de Wall Street", filme que traz vários pontos que fizeram a fama do diretor. Em "O Lobo...", conhecemos Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio numa atuação antológica), um corretor da bolsa de valores de Nova Iorque riquíssimo que tem como prazeres bebidas, drogas e mulheres. Essa é a forma carinhosa de dizer, porque palavrões e a forma vulgar de se dizer isso estão em todo minuto do filme. Todo. São exatos 569 "fuck" e derivados, fazendo deste o filme ficcional com o maior uso da palavra na história - são 3,18 "fuck" por minuto.

E são muitos minutos. 180, para ser mais exato. De cara as três horas de duração podem espantar muita gente, mas é impressionante como Scorsese consegue manter o ritmo durante todo o filme. As atuações inspiradíssimas de todo o elenco, principalmente de DiCaprio, Jonah Hill e Margot Robbie, criam cenas antológicas, como a primeira vez que eles se drogam (im-pa-gá-vel), ou o castigo de Robbie, interpretando a esposa de DiCaprio.

O filme vai relatando como Jordan conseguiu erguer aquele império (tudo à base de muita heroína, pra resumir) e como ele pretende manter, sempre burlando a lei quando necessário. Com doses cavalares de humor-negro, Scorsese e seu roteirista, Terence Winter, orquestram passagens elétricas, energéticas, hiper-ativas, que facilitam o andar da carruagem, aliados com uma montagem eficiente.

O maior feito de DiCaprio nessa quinta parceria com o diretor e que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar é ser gente como a gente. O personagem é lunático, doido de pedra, mas quer como qualquer um vencer na vida, ainda que os meios por ele adotados sejam errados. Mesmo não sendo o favorito da categoria (Matthew McConaughey por "Clube de Compras Dallas" é o grande nome da vez), DiCaprio merece grandes elogios por dar vida a um personagem complexo e estranhamente cativante.

Com muito sexo, drogas e "fucks" (há momentos com uma só frase e quatro "fuck" dentro dela), "O Lobo de Wall Street" é um grande recital divertidíssimo sobre como podemos perder nossas bússolas morais por causa de vícios. Não é um filme para todos, tanto no momento de fazê-lo quanto de assisti-lo. David O. Russell com seu "Trapaça" está aí para provar.


ÚLTIMAS OSCAR REVIEW:

PRÓXIMA OSCAR REVIEW: "Clube de Compras Dallas", de Jean-Marc Vallée, sábado, 22 de fevereiro.

Aconteceu na noite de ontem (12) o 71º Globo de Ouro, uma das maiores premiações de TV e Cinema do mundo, no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. Termômetro para o Oscar, que acontece em 02 de março, a premiação consagrou na parte de Cinema o filme “Trapaça” (“American Hustle”) de David O. Russell, que levou para casa três prêmios: “Melhor Filme – Musical ou Comédia”, “Melhor Atriz – Musical e Comédia” para Amy Adams e “Melhor Atriz Coadjuvante” para Jennifer Lawrence, ganhadora ano passado na categoria “Melhor Atriz – Musical ou Comédia” pelo filme “O Lado Bom da Vida”, também de O. Russell.


Outro filme felizardo foi “Clube de Compras Dallas” (“Dallas Buyers Club”) de Jean-Marc Vallée, que premiou Matthew McConaughey e Jared Leto (“Melhor Ator – Drama” e “Melhor Ator Coadjuvante”, respectivamente) pelas suas performances como portadores de AIDS nos anos 80 nos EUA.

Completando o time de atuações, temos Leonardo DiCaprio vencendo um Globo de Ouro depois de nove anos, dessa vez na categoria “Melhor Ator – Musical ou Comédia” por “O Lobo de Wall Street” (“The Wolf of Wall Street”), de Martin Scorsese, e a aposta já certeira Cate Blanchett em “Melhor Atriz – Drama” por “Blue Jasmine” (idem), de Woody Allen.

Os grandes favoritos e comentados da noite, “12 Anos de Escravidão” (“12 Years a Slave”) de Steve McQueen com sete indicações e “Gravidade” (“Gravity”) de Alfonso Cuarón com quatro, acabaram ficando com apenas um prêmio cada, mas em categorias importantes. “12 Anos” levou “Melhor Filme – Drama” e “Gravidade” “Melhor Direção”, algo que deve ser repetido no Oscar. Para completar a divisão, “Melhor Roteiro” ficou com o filme “Ela” (“Her”) de Spike Jonze, um fato bastante incomum em premiações (“Melhor Filme” para um, “Diretor” para um segundo e “Roteiro” para um terceiro).

Na parte de TV tivemos a consagração de “Breaking Bad” que faturou “Melhor Série – Drama” e “Melhor Ator em Série – Drama” para Bryan Cranston. Na categoria “Comédia”, “Brooklyn Nine-Nine” foi a vencedora, levando “Melhor Série – Comédia” e “Melhor Ator em Série – Comédia” com Andy Samberg.

E claro, sempre temos aquelas pérolas que nasceram para virar meme na internet, como o vestido (ou seja já o que aquilo seja) de Jennifer Lawrence.


Também temos Julia Louis-Dreyfus tratando fã (Reese Witherspoon) com carinho.


E mais Julia Louis-Dreyfus, agora sendo gente como a gente.


E não sabemos se amamos mais Tina Fey ou Amy Poehler.

***SCANDAL***

Confira a lista completa de premiados do 71º Globo de Ouro:

CINEMA

Melhor Filme – Drama
"12 Anos de Escravidão"

Melhor Filme – Musical ou Comédia
"Trapaça"

Melhor Ator - Drama
Matthew McConaughey, de "Clube de Compras Dallas"

Melhor Atriz - Drama
Cate Blanchett, de "Blue Jasmine"

Melhor Ator - Musical ou Comédia
Leonardo DiCaprio, de "O Lobo de Wall Street"

Melhor Atriz - Musical ou Comédia
Amy Adams, de "Trapaça"

Melhor Ator Coadjuvante
Jared Leto, de "Clube de Compras Dallas"

Melhor Atriz Coadjuvante
Jennifer Lawrence, de "Trapaça"

Melhor Diretor
Alfonso Cuarón, de "Gravidade"

Melhor Roteiro
Spike Jonze, de "Ela"

Melhor Filme Estrangeiro
“A Grande Beleza” (Itália)

Melhor Canção Original
"Ordinary Love", do U2, para o filme "Mandela"

Melhor Trilha Sonora Original
"All is Lost"

Melhor Animação
“Frozen: Uma Aventura Congelante”


TV

Melhor Série de TV – Drama
"Breaking Bad"

Melhor Série de TV – Musical ou Comédia
"Brooklyn Nine-Nine"

Melhor Ator em Série de TV – Drama
Bryan Cranston, de "Breaking Bad"

Melhor Atriz em Série de TV – Drama
Robin Wright, de "House of Cards"

Melhor Ator em Série TV – Musical ou Comédia
Andy Samberg, de "Brooklyn Nine-Nine"

Melhor Atriz em Série de TV - Musical ou Comédia
Amy Poehler, de "Parks and Recreation"

Melhor Minissérie ou Filme para TV
"Minha Vida com Liberace"

Melhor Ator em Minissérie ou Filme para a TV
Michael Douglas, de "Minha Vida com Liberace"

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV
Elisabeth Moss, de "Top of the Lake"

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV
Jacqueline Bisset, de "Dancing on the Edge"

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV
Jon Voight, de "Ray Donovan"