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Lá vem aquele amigo que não para de te mandar o gemidão!

Todo mundo já caiu pelo menos uma vez no “gemidão do zap”, que consiste em vídeos e áudios que, ao contrário do que as mensagens sugerem, trazem a voz de uma mulher gemendo. Mas depois de tanto temer cair de novo na brincadeira e passar AQUELA VERGONHA™ em público, você finalmente terá a oportunidade de ouvi-lo por livre e espontânea vontade.

Inspirados por toda essa safadeza, nós preparamos a playlist “Gemidão” no Spotify, com várias músicas cheias de gemidos, sussurros e a atmosfera perfeita pra apertar o play e, se o universo estiver ao seu favor, dar os seus próprios gemidões.

Como não dá pra falar em gemido e música pop sem pensar na Britney, é claro que a cantora aparece mais de uma vez na lista, ao lado de Madonna, Selena Gomez, Ariana Grande, Rihanna, Beyoncé, Lady Gaga e mais um monte de gente, do MC Livinho a FKA Twigs.

Agora em alto e bom som, sem medo de ser feliz, aperta o play abaixo e não deixa de seguir a gente no Spotify pra conferir nossas outras seleções:


ÃAAAAAAAA
“Você já fez alguma loucura por amor?”. Essa clássica frase parece medir os limites que as pessoas chegam para provar esse bizarro sentimento. Se houvesse uma olimpíada de loucuras amorosas, talvez a vencedora da medalha de ouro fosse a loucura do curta “Ele Tirou Sua Pele Por Mim” (He Took His Skin Off For Me).

O filme conta, à partir do ponto de vista da mulher (Anna Maguire), a história de um casal de namorados. “É isso que você quer?”, indagava o namorado (Sebastian Armesto). “Sim”, responde a amada. É aí que ele decide retirar toda a sua pele por ela. Literalmente. O pequeno conto mostra então o desenrolar do romance a partir desse ato.


Já nos primeiros minutos, quando ele está retirando a pele, o filme introduz uma elipse magistral: enquanto ela prepara o jantar e mostra-se ansiosa para ver o resultado do namorado, um pedaço de carne vermelha é posta numa chapa. Ela observa de forma tensa o bife, enquanto ele surge para exibir a realização. É só o começo de um show de metáforas que preenchem os 10 minutos de filme.

Inteiramente narrado pela namorada, esta começa falando que as coisas permaneceram iguais depois que ele retirou sua pele. Ou quase iguais. Mesmo com o amor intacto, pequenas situações cotidianas vão se revelando alteradas. As colchas de cama têm que ser lavadas todos os dias. O piso – e tudo que ele encosta – deve ser limpo frequentemente. Sem a proteção térmica da pele, ele sente frio enquanto ela morre de calor. E no trabalho as coisas não vão muito bem, afinal quem vai querer fechar negócios com alguém como ele?


Mas a áurea de positividade continua imperando. Ela lava os lençóis e limpa a casa com um sorriso no rosto. Liga o aquecedor e brinca: “Pelo menos ainda não é inverno”. E fala “Não se preocupe, os clientes certos não vão se importar e vão entender”. Tudo vale a pena em nome do amor, não é mesmo?

Só que tais alterações começam a implicar de formas mais profundas na relação. Ela (e a casa) acorda todos os dias banhada em sangue. Ele fica cada vez mais depressivo pelas frustrações no trabalho e o distanciamento dos amigos, que não entendem, e até temem, seu novo corpo. Os jantares, antes festivos e calorosos, vão se tornando frios e quietos.


“Ele Tirou Sua Pele Por Mim” é uma gigante metáfora da complexidade que é o relacionamento. A pele, o maior órgão do corpo humano, é uma alusão às máscaras sociais que nos escondemos. Mesmo ela dizendo que quer aquilo, em momento algum ela o obriga a tirar a pele. Ele faz isso conscientemente porque a ama. E amar não é despir-se de todas as nossas máscaras? Quando nos permitimos nos apaixonar, nos tornamos vulneráveis, emocionalmente falando. Ben Aston, diretor do curta, transforma essa vulnerabilidade numa composição visual genial. Tem como ser mais fisicamente vulnerável que arrancando a própria pele, o maior órgão de proteção?

Numa cena, tomado pela frustração no trabalho, ele vai até o guarda roupa e pega sua pele pendurada, cogitando vesti-la para trabalhar, porém se recusa a colocar aquela máscara novamente. Ele prefere ser fiel a quem realmente é por dentro. É então que percebemos o diálogo da namorada, quando fala que "os clientes certos entenderão", é uma alusão às peculiaridades da vida terrena. É manter-se fora do padrão e se aceitar como realmente é.


Se ele decide retirar a pele para a amada, então ela não o ama igualmente por não retirar sua? É uma pergunta válida e com fundo de verdade, mas ela se mostra em pura devoção ao namorado, seja pelos olhares derretidos, seja pelas horas que passa limpando tudo pela casa, só para ser suja novamente quando ele voltar. Na cena do banho, ela decide retirar sua pele também, porém desiste. Pela dor física? Talvez, mas provavelmente pelo medo da exposição, o que deixa o namorado ainda mais triste. Quando ela o vê pela primeira vez sem pele, fala “Eu consigo ver tudo. Ele é lindo”. Por que ela não derruba todas as suas muralhas e o deixa ver quem ela é de verdade por dentro?

“Ele Tirou Sua Pele Por Mim” é o primeiro filme de Ben Aston, feito como trabalho de conclusão de curso, o que deixa o efeito ainda mais absurdamente incrível. Trata-se de um cineasta fresco que acaba de sair da Academia com uma obra tão arrebatadora. Feito através de financiamento coletivo, o curta não possui efeitos especiais: toda a composição do namorado sem pele foi feita com maquiagem, colando músculo por músculo no corpo do ator num processo que durava oito horas.


E é a maquiagem que dá o tom certo do filme, afinal, se ela se mostrasse inverossímil, a obra perderia todo o impacto. As fibras do tecido muscular são tão fidedignas que causam agonia, tensão, angústia e aflição, principalmente em cenas onde a namorada passa a mão pelos músculos. É colocar o espectador em posição desconfortável para imaginar-se diante daquela situação – que com toda certeza demandou muito estudo sobre a anatomia humana.

Numa orquestra de elementos perfeitos (a fotografia e edição também são um deleite para os olhos), “Ele Tirou Sua Pele Por Mim” possui apenas 10 minutos, mas consegue em tão pouco tempo gritar discussões e reflexões realizadas de maneira estupenda ao tirar o público da zona de conforto que é a própria pele. Prepare-se para passar os próximos dias pensando em tudo o que você viu e assista ao curta (em inglês) no player acima.

Indicado ao Oscar de:
- Melhor Filme
- Melhor Direção
- Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) *favorito*
- Melhor Atriz Coadjuvante (Naomie Harris)
- Melhor Roteiro Adaptado *favorito*
- Melhor Trilha Sonora
- Melhor Fotografia
- Melhor Montagem

Atenção: a crítica contém spoilers.

Certa vez li que é rara a certeza de estar diante de uma obra-prima. De saber, desde o começo do filme, que sua vida não será mais a mesma depois de ver o que está passando diante dos seus olhos – e digo isso em um sentido maior, já que você (quase) nunca sai de um filme na mesma forma que entrou, mesmo que seja uma diferença mínima. E não dá para discordar dessa lógica. É rara, raríssima essa ciência.

Eu sei, é bastante arriscado apontar isso inserido nessa crítica – spoiler alert: “Moonlight: Sob a Luz do Luar” é uma obra-prima –, já que expectativas podem não ser supridas quando lemos algo tão grande sobre qualquer coisa, mas seria leviano não (tentar) pôr em palavras a magnitude que é o melhor filme do ano em diversas listas de críticos mundo afora: com nota 99 (de 100) no Metacritic, o longa foi eleito o melhor de 2016 por 65 críticos, mais do que qualquer outro (o segundo lugar, “La La Land: Cantando Estações”, ficou em #1 na lista de 37 deles).

Olhando pelo prisma do Oscar, o (desnecessário) cerco formado para o prêmio máximo da noite é entre “Moonlight” e “La La Land”, como se tivéssemos que tomar partido entre um deles e torcer contra o outro ao invés de aceitar a possibilidade de gostar de ambos. Mesmo com o favoritismo de “La La Land”, “Moonlight” ainda é o filme mais premiado da temporada: foram, até agora, 141 prêmios contra 134 do musical de Damien Chazelle.

Excluindo todo esse cenário que, mesmo sendo divertido de acompanhar, é irrelevante no sentido puro da arte que é o cinema, “Moonlight” é dirigido e roteirizado por Barry Jenkins, baseado no projeto “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney (Oscar de “Melhor Roteiro Adaptado” é obrigação). O filme traça a vida de Chiron durante três fases: infância, adolescência e maturidade. Semelhanças com a premissa de “Boyhood: da Infância à Juventude” são naturais, ambos focam, cada um numa maneira, no amadurecimento de seus protagonistas, porém, em “Moonlight”, a liberdade de não ter que filmar durante doze anos (o que “Boyhood” tem de melhor) deu ao roteiro uma coesão primordial para o sucesso da fita.

Imagem: Divulgação/Internet
Chiron, chamado então de “Little” (e interpretado por Alex Hibbert), é uma criança negra perseguida por colegas de escola aos gritos de “Pega esse viadinho”. Acuado e escondido num prédio abandonado para não apanhar, Juan (Mahershala Ali), um traficante local, ajuda o garotinho, muito assustado, e o leva para lanchar, mesmo sendo sumariamente ignorado pelo pequeno, que não abre a boca. Depois, na casa do homem, Little conhece Teresa (Janelle Monáe), namorada de Juan, e juntos começam a construir um laço quase familiar. O motivo? A criança não possui seio familiar que o acolha e o entenda, já que sua mãe, Paula (Naomie Harris), é abusiva e viciada em drogas que está mais preocupada em suprir sua dependência do que com a criança.

O único amigo na escola de Little é Kevin (Jaden Piner), uma das poucas pessoas que consegue se conectar com o retraído garoto. Mesmo achando-o “estranho”, ele tenta ajudar Little a enfrentar a situação com os outros meninos da escola, mandando “mostrar firmeza pros caras”. “Mas eu não sou firme”, responde Little. “Eu sei, mas eles não precisam saber”. A diferença de atitude das duas crianças é evidente, com Little não sabendo o que fazer e como agir diante da masculinidade dos outros meninos, aflorando mesmo numa idade tão precoce.

Imagem: Divulgação/Internet
Num paradoxo bastante interessante, Little consegue ser natural junto com Juan, um homem adulto. Este não trata Little como um ser diferente, e sim um ser à procura de sua verdade e sua identidade. O homem consegue entender o garoto. Numa das cenas mais belas do longa, Juan leva o menino até o mar e o ensina a nadar – nota: Ali estava realmente ensinando Hibbert a nadar no momento. “Eu estou te segurando. Eu prometo, não vou te soltar”. Juan se torna uma figura quase paterna, estando mais presente na vida de Little que a própria mãe, alguém que irradia sentimentos negativos – até para o espectador.

E um dos detalhes mais importante nessa relação é o fato de que a masculinidade do menino não é questionada na presença de Juan, ao contrário dos outros machos em sua volta. Durante essa época de descobertas, Little vê os garotos explorarem seus corpos (em conjunto, inclusive) enquanto ele não se atreve a participar, já que sua sexualidade é um confronto de identidade. Há um misto de curiosidade e confusão em querer conhecer outros corpos masculinos, ainda mais dentro de um sistema onde isso, vindo de um homem, é algo condenável.

E o próprio meio molda o indivíduo. A marginalização social daquelas pessoas negras torna suas vidas algo duro, então os mesmos se encontram numa posição de endurecimento de si para poder lidar com a situação. Nem mesmo os mais novos fogem desse ciclo vicioso, repetindo os arquétipos sociais dos mais velhos em prol da sua sobrevivência e inclusão de suas identidades naquele meio. A periferia, as escolas exclusivas de alunos negros, os locais onde essa população se reúne, tudo é filmado com grande requinte para a construção do espaço físico e social onde Chiron, e todos os outros, habitam.

Imagem: Divulgação/Internet
No momento final dessa primeira parte há um dos diálogos mais sinceros de todo o filme, onde Little questiona a Juan e Teresa o que é ser “bicha”. “’Bicha’ é uma palavra que as pessoas usam para fazer os gays se sentirem mal”, diz Juan. “Eu sou uma bicha?”, pergunta o menino. “Não. Você pode ser gay, mas não pode deixar ninguém te chamar de bicha”. Há um grande poder na cena pelo fato de ser uma criança fazendo tais perguntas, respondidas com grande maturidade pelos dois adultos. Conseguimos parar por um momento e nos colocar na cabeça daquele menino, perturbado por ter que lidar não só com a dúvida interna, mas o julgamento externo. É um momento cruel e reflexo perfeito de tantas realidades.

Na segunda parte, Chiron, agora adolescente (interpretado por Ashton Sanders), sofre ainda mais em todos os departamentos de sua vida. Juan está morto; sua mãe afunda cada vez mais em drogas; seu melhor amigo, Kevin (interpretado agora por Jharrel Jerome) exala uma desconcertante heterossexualidade; e outros rapazes da escola tornam sua vida um inferno. É notável ver a forma como o filme retrata a falta de atitude e responsabilidade por parte da escola em resolver a situação de agressões que Chiron sofre dentro das próprias paredes da instituição. O local é uma selva, cada um por si.

Imagem: Divulgação/Internet
A cena chave desse “meio” da história é o diálogo que Chiron e Kevin tem numa praia, onde os jovens conversam sobre suas vidas e anseios. Há muita crueza na cena, onde as máscaras sociais de ambos vão caindo pouco a pouco. “Você chora?”, questiona Chiron, e Kevin responde: “Não, só me dá vontade”, numa clara recompostura da fachada heterossexual de jamais demonstrar emoção. “Às vezes choro tanto que acho que vou secar por dentro”, responde Chiron, de forma honesta. A conversa consegue abrir Kevin, que beija Chiron, partindo para uma masturbação no garoto, tudo fotografado de forma estupenda.

Nos dias seguintes, Kevin é coagido por Terrel (Patrick Decile) a, junto com um grupo de rapazes, espancar Chiron, que sai bastante machucado. A reação do protagonista, dias depois, é o expurgo máximo: ele quebra uma cadeira nas costas de Terrel. O acontecimento causa consequências e Chiron é preso, saindo algemado da escola. De uma forma demasiadamente sutil, o filme faz um estudo de situação: pense você vendo o noticiário e ouvindo a notícia que um jovem negro quebrou uma cadeira nas costas de um colega de classe dentro da escola. “Vândalo” e “bandido” seriam facilmente os adjetivos que viriam à sua mente. Sabemos os meandros que levaram Chiron a cometer tal (errado) ato, desencadeado por outros atos errôneos, porém é Chiron que leva o rótulo de culpado, de bandido, sendo que, nos altos da situação, ele é a vítima – mesmo extrapolando os limites pela reação radical. Somos convidados a conhecer os pormenores de uma situação que já chega pronta, e nos colocamos no lugar do protagonista. Seríamos então tão passíveis de condenação? Todo ato não é o produto de uma série de acontecimentos?

Imagem: Divulgação/Internet
Pulamos vários anos e chegamos na parte final de “Moonlight”, com Chiron adulto e conhecido pelo codinome “Black” (interpretado por Trevante Rhodes). Sua vida agora se assemelha com a de Juan: Black é um traficante de drogas (outro estudo de situação). Super musculoso, Chiron assumiu uma identidade física completamente diferente, vivendo uma vida de mentira em prol de algo que ele nunca teve: respeito. Um personagem pergunta se ele está “pegando” uma mulher, e ele responde “Estou tentando”, com um breve lapso de mentira que só o expectador pode reconhecer.

Certo dia Black recebe uma ligação de Kevin (interpretado em sua forma adulta por André Holland), convidando-o para jantar no restaurante em que trabalha e se desculpando pelo o ocorrido na juventude, fato que os fizeram acabar com a amizade. No jantar, há grande desconforto entre os dois pelos anos de distância, as mudanças de ambos e o fantasma do acontecimento que os separaram. Enquanto Chiron permanece um pé atrás, Kevin demonstra bastante alegria por vê-lo ali (mesmo dando de carra com os silêncios de Chiron), até que os dois vão até a casa de Kevin depois de uma investida deste: “Você dirigiu até aqui só porque estava com saudade de casa? Onde você vai passar a noite?”.

Imagem: Divulgação/Internet
Na casa, a tensão sexual se torna palpável durante a conversa, com Kevin questionando quem era aquele novo e diferente Chiron e assumindo que nunca fez o que ele realmente queria fazer na vida, e sim o que as outras pessoas achavam que ele deveria fazer, algo que Chiron consegue se identificar. A áurea sexy exala da tela, com ambos gritando por dentro o desejo de um pelo outro. Toda a sequência é bastante sexual, mesmo não havendo um segundo de sexo, prova do domínio cinematográfico estupendo de Barry Jenkins e seus dois atores, além de ótima montagem. É perceptível a batalha acontecendo por trás dos olhos do protagonista, que assume: “Você [Kevin] foi o único homem que me tocou na vida. O único. Eu nunca fiquei com alguém desde então”. Não há mais necessidade de palavras.

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” é um filme triste, não há como negar, todavia, ao mesmo tempo, é uma obra genialmente bela, tocante e verdadeira. Acompanhamos a jornada de descoberta de Chiron durante suas três fases e conseguimos pegar carona ao relembrar das nossas próprias jornadas, ainda em curso. Atuado com maestria por Trevante Rhodes, Mahershala Ali e Naomie Harris, temos um olhar brilhante de Barry Jenkins sobre temas muitas vezes esquecidos no cinema, mas urgentes, necessários e representativos como o ser gay, o ser negro, o ser periférico, o que solidifica sua inestimável importância social. Porém, você não precisa se enquadrar em algum desses três “seres” para sentir a delicadeza devastadora que “Moonlight” provoca – mas caso se encaixe, essa é uma história para toda uma vida. A de Chiron e a sua.

Depois de morar por sete semanas no #1 da principal parada britânica com "Rockabye", o Clean Bandit já está planejando os próximos passos. A banda arrasa nos números: são 16 milhões de singles e 1,6 milhões de álbuns vendidos, além do Grammy de Best Dance Recording (Melhor Música Dance/Eletrônica) com "Rather Be", parceria com Jess Glynne. Misturando música clássica com eletrônica, o grupo, integrado por Grace Chatto e os irmãos Jack e Luke Patterson, vem conquistando cada vez mais reconhecimento e espaço no cenário musical, além de fãs no mundo todo.

Conseguimos um tempinho na agenda de Grace para conversar sobre os planos da banda, o novo álbum, novas parcerias e como é se apresentar em festivais com um público tão grande. A entrevista completa vocês conferem abaixo!



It Pop: Vamos começar com "Rockabye". A música é um hit no mundo todo! Vocês estão orgulhosos dela? Como foi trabalhar com Anne-Marie e Sean Paul?
Grace: SIM, SIM! Nós estamos muito orgulhosos da música. É uma música muito especial para mim e é o tipo de música que eu amo, como o que Anne canta também é muito interessante... E a gente sempre quis trabalhar com o Sean Paul, eu amo o senso de humor dele. Foi um sonho que se realizou!


It Pop: Anne-Marie é uma artista que estourou há pouco tempo. Por que vocês convidaram ela para uma colaboração e como vocês escolhem os artistas para trabalhar?
Grace:  Um dia, estávamos em um festival e Anne estava cantando com o Rudimental. Ficamos obcecados pela voz dela e percebemos na hora que ela seria perfeita para "Rockabye". A gente escolhe o tipo certo de palavras para cada música e é assim que selecionamos o artista. Depende muito da letra.

It Pop: Vocês já trabalharam com vários artistas diferentes. Existe alguém que você queira muito colaborar?
Grace: Hum, bem, meus artistas preferidos no momento são Lana Del Rey, James Bay... Mas nós estivemos trabalhando com Zara Larsson, Elton John, e eles são músicos excelentes.

It Pop: Sim, eu vi que vocês postaram uma foto no estúdio com a Zara. O que você pode nos dizer sobre isso?
Grace: Ela é incrível! Ela é tão jovem, mas é muito madura como artista e como pessoa. Ela tem uma voz poderosa. Talvez seja o próximo single que vai sair, ainda não temos certeza.

It Pop: E vocês mantêm contato com essas pessoas? Por exemplo, a Jess Glynne...
Grace: Sim, sim. Nós sempre nos encontramos em festivais e estamos trabalhando com ela no seu próximo álbum.


It Pop: Clean Bandit é uma banda que mistura eletrônica e música clássica. Como é isso para você?
Grace: Nós gostamos dessa mistura. Eu sempre toquei música clássica e Jack sempre gravava áudios, ele estava sempre nos meus ensaios. Um dia, decidimos brincar com isso, adicionando graves e algumas batidas. Foi assim que isso começou pra gente.

It Pop: É verdade que o segundo álbum sai este ano? E ele vai seguir os caminhos do "New Eyes" ou vai ter um estilo diferente?
Grace: Sim, ele vai sair este ano mesmo. Estamos trabalhando nele já faz um tempo, Eu acho que não será como "New Eyes". Existem muitos estilos musicais nele.

It Pop: E vocês já têm um nome pra ele?
Grace: Não, ainda não escolhemos...

It Pop: Já que estamos falando sobre isso, você tem um álbum preferido do ano passado?
Grace: Hmmm, um álbum favorito... Acho que o da Rihanna, "Anti".

It Pop: Vocês já tocaram em vários palcos ao redor do mundo. Como foi a primeira vez que você se apresentou para um público grande?
Grace: Eu toquei música clássica a minha vida toda e a plateia é muito diferente, é quieta. Então, na primeira vez que nos apresentamos como um banda, as pessoas estavam animadas, pulando, dançando, e eu amei ter essa conexão com o público.

It Pop: E qual é a lembrança mais legal de um show que você tem?
Grace: Eu acho que foi quando nos apresentamos com a Orquestra Filarmônica da BBC e nós recriamos o nosso álbum "New Eyes". Foi um momento muito especial.


It Pop: Vocês ficam nervosos no palco? Por exemplo, num evento como o Mobo Awards...
Grace: Não, eu não fico muito nervosa. Eu acho que nesse dia a Anne-Marie ficou nervosa, mas nós apenas aproveitamos o momento.


It Pop: Ainda falando sobre shows, vocês planejam uma visita ao Brasil?
Grace: Ah, eu adoraria! Possivelmente, um dia. Nós só estamos planejando o nosso ano agora com nossos agentes e empresários, mas já faz muito tempo que eu quero ir ao Brasil ver os fãs.

It Pop: Eu imagino que vocês já estejam cansados dessa pergunta, mas é algo que os fãs querem muito saber. A música "Disconnect", com a Marina and the Diamonds, vai estar no novo álbum?
Grace: Sim! Vai estar sim. Nós ainda estamos trabalhando nela e fazendo mudanças, mas vai sim estar no nosso próximo álbum. Os fãs podem ficar tranquilos!
Indicado ao Oscar de:
- Melhor Filme
- Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
- Melhor Roteiro Adaptado

O ano de 2016, mesmo com todas as loucuras, conseguiu um ótimo saldo: foi um momento incrível para o cinema negro. Vários exemplares conseguiram chegar ao grande público por meio de festivais e grandes premiações, como “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, “Loving”, “O Nascimento de Uma Nação”, “Cercas” e outros, todos fortes nomes na edição de 2017 do Oscar. Se são filmes bons ou não, isso é outra história. O fato importante aqui é a representatividade.

Um dos maiores nomes desse movimento representativo é “Estrelas Além do Tempo”, novo longa de Theodore Melfi. O filme resgata a história de três importantes cientistas da NASA na corrida espacial dos EUA contra a Rússia: Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). O que elas têm em comum? São todas mulheres negras. Esse fato acabou colocando suas histórias e suas enormes contribuições de lado, algo que o filme se propõe a consertar.

Imagem: Divulgação/Internet
Logo quando o contexto em que a obra se insere fica claro, já sabemos o que sairá dali. Guerra Fria, corrida espacial, quem coloca o primeiro homem no espaço, então terá fortes exaltações norte-americanas em detrimento da então Rússia soviética. O filão de grande filme estadunidense com grandes nomes estadunidenses evocando a glória estadunidense é receita certa para o Oscar (a maior premiação estadunidense), e o filme não se mostra tímido ao deixar essa vertente bastante clara, introduzindo a bandeira do país em diversos frames e colocando discursos reais de J.F. Kennedy. E os exemplos de filmes que já pegaram carona dessa receita são inúmeros: na história recente da premiação, “Ponte de Espiões”, “Sniper Americano”, “Capitão Phillips”, “Lincoln”... Todos indicados a “Melhor Filme” em seus respectivos anos. 

Então, sim, “Estrelas Além do Tempo” é um típico “enlatado do Oscar”, que sempre aparecem ano após ano na ânsia de conseguir algumas indicações. Isso é algo ruim? Bem, não. Porém, para entrar nessa forma de bolo, o filme acaba se limitando, o que é algo ruim. Quer exemplos? “A Teoria de Tudo”, “O Jogo da Imitação”, “O Discurso do Rei”, “A Garota Dinamarquesa”... Alguns bons, outros presos em suas fronteiras, mas todos tendo o Oscar como “objetivo final”. Onde “Estrelas Além do Tempo” se encaixa aqui? No grupo de longas que consegue atingir alguma relevância.

Imagem: Divulgação/Internet
Ao resgatar um evento histórico tão conhecido, a ida do homem ao espaço, a própria reconstituição de época é uma importante peça para o bom funcionamento do filme, e aqui tudo está em ordem: direção de arte e figurinos conseguem nos transpor com facilidade à década de 60 e seus arcaicos aparelhos eletrônicos. Usando bastante cores, o filme é fotografado de forma simples e correta, porém conseguindo encher os olhos – algo que “O Jogo da Imitação” fez de forma bem similar. 

Mas, muito mais que o visual, o filme se preocupa em introduzir a vida de suas três protagonistas, quais foram suas contribuições à NASA, e, claro, ao movimento negro, além de explorar as formas de segregação existentes na época à fim de gerar a reflexão no espectador atual. Pessoas brancas e negras possuíam polos de trabalho separados, onde a mera presença de uma pessoa negra no “polo branco” causava estranheza. Quando Katherine, genial matemática, é chamada para trabalhar no centro do Projeto Mercury, ou seja, no polo branco, os olhos não conseguiam esconder o espanto e a curiosidade de vê-la ali – e nem só por ser uma pessoa negra, mas por ser também uma mulher. Na enorme sala, todos ali são homens brancos; a única mulher presente é a secretária. Uma mulher negra assumindo um posto importante e fora do esperado era um absurdo, todavia, nem assim ela conseguia o respeito de seus colegas, que não aceitavam dividir o café com ela – outro bule com o rótulo “Negra” foi colocado na sala.

Imagem: Divulgação/Internet
E o filme desenvolve de forma aguçada uma grande tirada para demonstrar essa segregação: como Katherine poderia ir ao banheiro se no polo só havia “banheiros brancos”? Ela tinha que ir até o polo negro, quase 1km de distância, para essa finalidade. Vemos suas – literalmente – corridas até o seu centro para não atrapalhar o trabalho, já que só em chegar perto do banheiro branco ela já era bombardeada com olhares reprovativos. Tudo soa bastante cômico pela montagem do longa, que só mascara uma realidade absurda – realidade esta escancarada pela personagem num surto de raiva, momento importantíssimo para a obra, realizado com grande poder por Taraji P. Henson, totalmente desglamourizada. Até o vestuário era ferramenta desse apartheid para ela: saia abaixo dos joelhos, saltos e colar de pérolas. “Deus sabe que vocês [brancos] não pagam negros o suficiente para comprarmos pérolas”.

As dificuldades das outras duas co-protagonistas eram diferentes, mas tão revoltantes quanto. Dorothy, interpretada por uma sóbria Octavia Spencer, vencedora do Oscar por "Histórias Cruzadas", deseja o cargo de Supervisora do seu setor, algo que ela já faz, mas sem receber o salário da categoria. Suas súplicas são sempre negadas por Vivian Mitchell (uma apática Kirsten Dunst), afinal, ela não poderia ter uma mulher negra no mesmo patamar. Já Mary, engenheira, deseja subir de cargo, no entanto é impedida quando um dos requisitos para isso é ter cursado aulas de engenharia numa escola branca, ou seja, impossível para ela. "Se você fosse um homem branco, ainda sonharia em ser engenheiro"?, peguntam a ela. "Eu não precisaria sonhar. Já seria um". A burocracia é feita exclusivamente para impedir o avanço de pessoas negras.

Imagem: Divulgação/Internet
Talvez o ponto mais curioso de “Estrelas Além do Tempo” é na “adaptação” para as telas de Katherine Johnson. Na vida real, a cientista tem a pele branca, porém, por ter descendência africana, era considerada negra – assim como, hoje, latinos são considerados pessoas “de cor” nos EUA, fazendo um paralelo. Para simplificar essa questão, presumimos, a produção decidiu escolher uma atriz com a pele negra, Taraji P. Henson, para interpretá-la. Esse fato só mostra como a concepção de raça é questão bastante complexa no país e passíveis de grandes preconceitos.

Se esse ponto foi usado em prol do fácil entendimento do público de forma bem positiva, afinal, um longa de duas horas é incapaz de abordar tudo de forma perfeita, vários outros macetes são forçados e elementares demais. Todo o preconceito na tela fica longe do sutil, é aberto demais para que o espectador saiba imediatamente o que está se passando sem jamais ter a menor dúvida em segundo algum. O personagem de Jim Parsons existe basicamente para ser o preconceituoso modelo, aquele que passa o filme olhando com assombro para Katherine, tratando-a mal, sendo arrogante, mostrando-se incrédulo diante do sucesso da parceira negra e tudo mais. Não há sutilezas, não há sub-textos, é tudo gritante na tela. Funciona? Obviamente, todavia é como os sustos com barulhos altíssimos nos filmes de terror: você pula da cadeira, mas soam preguiçosos.

Imagem: Divulgação/Internet
Colocando estrelinhas na cartela do filme, um dos seus maiores acertos é fazer com que a parte física e matemática seja completamente irrelevante. As três mulheres são inteligentíssimas, e passam o filme falando jargões técnicos e uma infinidade de números, mas o espectador não tem necessidade de entender tudo isso, porque a parte teórica é algo acessório – o filme preocupa-se com a representação histórica de suas personagens, não dos meandros matemáticos que as mesmas fizeram. É claro que encher quadros com fórmulas é parte essencial para a composição do filme, porém quem está diante da tela não precisa nem acompanhar as lógicas que seguem as partidas de foguetes e as órbitas na gravidade zero, só suas implicações.

Ao contrário de muitos “enlatados do Oscar”, inclusive alguns citados no início do texto, “Estrelas Além do Tempo” supera suas limitações e clichês aos ser um filme relevante, destrinchando a importância do reconhecimento negro de forma bastante comercial, o que soa cinematograficamente frouxo, mas sem ter seu valor diminuído enquanto ferramenta de empoderamento negro feminino – principalmente quando voltado para as massas. Não conseguimos esquecer que, acima de tudo, estamos falando de dignidade humana, algo dado em doses menores àquela parcela oprimida da sociedade, o que a obra trabalha de forma satisfatória. Para ser bem sincero, é uma delícia ver mulheres negras usando suas inteligências para se auto-empoderar e colocar homens brancos no chinelo.

Eles deixam mulheres trabalharem na NASA não porque usamos saia, mas porque usamos óculos”.

* Crítica editada após os indicados ao Oscar 2017


A gente adora um mistério e, há algumas semanas, prometemos por nossa página no Facebook uma revolução que, tcharãn!, começou a acontecer. Ao contrário do que muitos pensaram, aqui a revolução não tem como alvo principal o layout (até porque continuamos laranja e quadrados, rs), mas sim o nosso conteúdo, que pelos próximos meses sofrerá uma expansão pra lá de linda, além de uma reorganização da nossa relação ~para com~ o público, até porque tava rolando muita tremedeira pra pouca Rosana, mas SIM, o layout também mudou. Vamos saber o que tem de novo?

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Pra quem pensa que as mudanças foram poucas, já adiantamos que está beeem enganado. Mesmo mantendo as cores e um pouquinho do formato, nosso novo layout traz uma estrutura TOTALMENTE nova e mais dinâmica que do anterior. Nossa grande atração aqui são os botões de compartilhamento, lindos de morrer destaques na página inicial, agora separados por temas (#com #hashtags #gente) e com uma atualização mais frequente. Além deles, agora temos de volta a lightbox para imagens, o que significa que, quando vocês clicarem em fotos como essa abaixo, coisas mágicas acontecerão. Tirem a prova real:


Mais leve que nosso amiguinho wannabe Windows 8, o novo It Pop também é (ainda mais) clean e, assim como a tal da revolução, tem como foco o conteúdo. Ou seja, vai ter posts pra tudo quanto é lado, nunca faltará o que ler. Só que esperem, e o tal do 7 na #revolu7ion? Bom, essa é a segunda parte das nossas novidades, que ficará pra mais tarde, mas podemos adiantar uma coisa: é coisa boa e grande (não, não isso, Miley Cyrus). Eeeeeee esperem que tem mais uma coisinha, a fim de acabar com os rumores sobre o Gui Tintel ser o único membro do blog (o Justin Timberlake desse N'Sync, Beyoncé das Destiny's Child, Nicole do PCD, se é que me entende), o novo It Pop traz também nossa TÃO prometida página Sobre o Blog, com um pouquinho sobre cada um dos nossos blogueiros. Podem usar e abusar.


Mazenfim, novo layout aprovado? Estão prontos pra segunda parte da revolução? Como ainda tá tudo recém-saído do forno, qualquer eventual erro pode ser informado por nossas redes-sociais, tá bom? Valeeu, mas agora nos deixem trabalhar! \O/