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Um filme de terror com a atual pandemia do COVID-19 não seria algo que demoraria a aparecer, tinha certeza – tragédias e dramas reais são terrenos férteis para a ficção do gênero –, mas jamais imaginei que teríamos um pronto durante a pandemia. “Host” foi lançado no último dia 30 na plataforma Shudder e aproveita o momento não apenas para gerar um filme, mas também para entreter quem está na mesma situação que seus personagens - trancafiados dentro de casa como uma pessoa de caráter que respeita o isolamento social.

“Host” conta a história de um grupo de amigos que, assim como eu e você, tentam estreitar a distância por meio de videoconferências em tempos de distanciamento físico. O ecrã da película é a tela de um computador, mais especificamente através do aplicativo Zoom – que viu sua popularidade atingir níveis jamais imaginados desde o início da quarentena –, então sim, “Host” é um autêntico “browser horror”. Esse “sub-subgênero” se trata de obras que têm o computador como local dos acontecimentos; alguns exemplos: “V/H/S: Viral” (2014), “Cam” (2018); "Buscando" (2018); “The Den” (2013, o melhor disparado de todos do formato); e, é claro, “Amizade Desfeita” (2014).


O browser horror é o que há de mais moderno no impacto da tecnologia no ato de contar uma história. Porque não se trata de elementos técnicos – a tecnologia atual é capaz de construir universos inimagináveis por meio de efeitos especiais –, e sim de transformar a própria tecnologia. Ela é a própria história. E chamo de “sub-subgênero” porque ele é uma ramificação de um subgênero bem famoso (e saturado) do terror: o found-footage, aquelas fitas que simulam uma gravação real – os “A Bruxa de Blair” (1990) da vida. O que faz do browser horror uma novidade interessante é o ineditismo de seu formato – ainda temos poucos nomes lançados –, porém, com certeza, será mais uma artimanha que cairá no desgaste. Mas isso é uma conversa para outra hora.

A comparação de “Host” com “Amizade Desfeita” é inevitável. Realmente me questionava durante a exibição como fica a questão de direitos autorais, porque “Host” é basicamente uma cópia de “Amizade Desfeita”, só mudando o aplicativo usado (em “Amizade” era o Skype) e o pontapé do horror. De resto, tudo igual. E nem aponto isso como um defeito, é apenas uma contestação. Ou não, talvez seja um defeito, afinal, “Host” em momento algum consegue soar como algo inédito ou fresco – já vimos tudo aquilo antes e da mesma forma.


Todavia, temos que levar em consideração vários elementos. Ao contrário de “Amizade Desfeita”, distribuído pela gigante Universal, “Host” é um filme independente. Tudo o que se passa na frente das “webcams” (entre aspas porque obviamente não eram câmeras de notebooks) foram montados e gerenciados pelos próprios atores, incluindo os efeitos visuais como cadeiras sendo arrastadas pelo vento ou objetos voando de prateleiras. O trabalho é bem aquela parceria com amigos em que cada um faz sua parte para sair o todo, e o todo funciona.

Mas focando no roteiro – co-escrito pelo diretor, Rob Savage. Cinco amigas (há um sexto amigo, mas ele sai da chamada antes do rolê começar de fato) decidem fazer uma sessão espírita com uma médium. Ah, gente, vamos fazer o que hoje? Que tal jogar Gartic? Ou melhor, que tal uma sessão espírita? Vamos! Uma das regras dadas pela médium é que os espíritos não podiam ser desrespeitados, caso contrário, algo de ruim poderia acontecer. Uma das meninas finge que ouviu a presença de um suicida, e é claro que a brincadeira vai ser o chamariz da ruína de todos. Quem nunca em um filme de terror fez o oposto do que era dito?

Uma das coisas que mais gostei em todo o roteiro é que ele não apela para qualquer tipo de drama prévio, ou trauma, ou carga emocional, ou mistério do passado. A história começa e termina bem ali, sem precisar se apoiar em qualquer outra coisa, e isso é bastante difícil de ser realizado. É verdade que o filme é um média-metragem – possui apenas 55 minutos –, o que obviamente diminui espaço para erros, no entanto, ainda é um bom sucesso um arco absolutamente construído em 1h. As relações das personagens não possuem qualquer relevância além do fato de que elas são amigas, e ponto final. Todo o resto necessário para o entendimento é construído na tela.

E, sendo curto, o caos não demora a acontecer; e por ser um filme tão familiar, sentamos exatamente para ver espíritos sem pena dos pobres personagens. Então, sim, temos jump scares. Eu, este assíduo amante do terror, já comentei inúmeras vezes como os sustos são uma bengala que enfraquece o gênero ao ser usada de maneira gratuita – tanto que o público em geral baseia a qualidade de um filme de terror na quantidade de sustos que ele possui, e os estúdios têm total ciência disso, por isso somos maltratados com bombas como “Annabelle” (2014) e similares. Contudo, no caso de “Host”, os sustos são (na maior parte) bem pensados. Tirando o último deles, que fica gritante quando acontecerá, os sustos funcionam por aliar imprevisibilidade (na medida do possível, claro) com a qualidade do que nos assusta. Há uma cena na escada que me fez pular da cadeira, e, depois de tantos e tantos filmes de terror, me assustar é difícil.


Mas não só de “Amizade Desfeita” vive “Host”. O filme é uma pequena colcha de retalhos de vários nomes do terror, usando referências charmosas. Por exemplo, há uma cena em que uma das meninas joga um pano no ar e ele fica no formato do espírito, clara referência ao fantasma clássico de lençol – inclusive há essa cena em “O Homem Invisível” (2020). Em outro momento, uma das personagens joga farinha no chão para ver os passos do espírito, igual em “Atividade Paranormal” (2007). O espírito, inclusive, andou assistindo à franquia e adorava abrir todas as prateleiras das cozinhas com a mesma violência de Toby. E pessoas sendo arrastadas de um lado para o outro? Temos sim.

Foi muito bom ver, também, o cuidado da produção em não usar a pandemia como um cenário sem peso para o roteiro. As personagens comentam como está sendo o distanciamento e o que fazem nesse “nOVo NoRMaL”, além de cumprimentarem as pessoas fora do isolamento com uma batidinha de cotovelos – fiquei pensando como, daqui a 50 anos, poderemos relembrar com apuro como foram esses meses tão marcantes nas nossas vidas ao assistir ao filme. Mas o melhor é na sequência em que uma das garotas, ao sair de casa visando fugir do espírito, coloca sua máscara e corre para a rua. A menina estava sendo seguida por uma entidade sobrenatural assassina e MESMO ASSIM lembrou de colocar a máscara, pois já bastava uma ameaça para matá-la. Hoje não, corona vírus. Você, que diz que saiu de casa e esqueceu a máscara, não tem desculpa, dê meia volta e vá buscá-la.

“Host”, o primeiro terror da quarentena, tem tudo o que a ela precisa: é um filme de terror curto, divertido, bem realizado e com sustos para entreter a plateia. Além disso, se passa na tela de um computador, e com os cinemas fechados, temos a imersão completa quando deixamos de lado nossos desktops para darmos lugar à tela de trabalho amaldiçoada das personagens. Se não é inédito e beira o plágio, aproveita o momento para ser um filme certo na hora certa, porque, há quase meio ano trancados dentro de casa, tudo o que queremos são alguns minutos de espairecimento, e nada melhor do que espairecer com demônios sanguinários no Zoom. Não vale mais reclamar daquela aula vista pelo aplicativo, as pobres meninas tiveram uma sessão bem pior.


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Há exatos quatro anos, os fãs de quadrinhos quebravam a cara com "Esquadrão Suicida". O terceiro longa-metragem do Universo Estendido DC mostrava potencial, mas acabou se tornando um verdadeiro Frankenstein, com dois tons distintos no mesmo filme que mais pareceu um compilado de videoclipes. Pelo menos, Margot Robbie roubou a cena como Arlequina.

Margot parece ter nascido para viver a personagem e, assim como Gal Gadot em "Batman VS Superman: A Origem da Justiça", se tornou unanimidade quando o questionamento era se que tinha algo verdadeiramente bom no longa-metragem. No caso de "Esquadrão", entretanto, não é difícil separar o que realmente funcionou do restante. Sim, elogiamos o filme na época de seu lançamento, mas ele é um desastre cinematográfico.

Uma pena que a personagem de Margot sofreu com a mão de homens na produção. Sua Arlequina neste filme é bem sexualizada. Além do figurino, há enquadramentos e cenas que não fazem sentido algum para a narrativa. A cena em que Arlequina rouba uma joia exemplifica bem tudo que acabamos de dizer.

Ainda bem que a própria Margot teve mais controle em "Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" - ela é produtora - e deu o tratamento que a personagem realmente merecia. O novo tratamento parte desde a personalidade de Arlequina - menos independente - aos figurinos usados. Durante a promoção de seu filme solo, aliás, a atriz comentou sobre a escolha das roupas e deixou claro: "definitivamente, tem menos foco em satisfazer os homens".


Uma pena que "Aves de Rapina" não fez o sucesso que merecia. Enquanto a critica amou e boa parte do público também, o filme não teve a força que merecia e arrecadou apenas US$ 209 milhões. Pelo menos, a Warner ainda não desistiu da personagem. Além de aparecer em "Esquadrão Suicida 2", Arlequina pode ganhar um novo filme solo.

Enquanto "Aves" não foi muito bem na bilheteria, "Esquadrão Suicida" foi surpreendentemente um tremendo sucesso. Com orçamento de US$ 175 milhões, a produção arrecadou US$ 746 milhões. O número cresce mais se levarmos em consideração que grande parte dos personagens são desconhecidos pelo público, o que prova que a campanha de marketing foi certeira - ainda que tenha enganado muita gente.

Na época de seu lançamento, a arrecadação de "Esquadrão" só perdeu para "Batman VS Superman". Até mesmo "Homem de Aço" teve uma arrecadação mais baixa. O longa-metragem de David Ayer, aliás, ainda é mais lucrativo que "Liga da Justiça", que tinha a responsabilidade de ser o maior trunfo da DC Comics no cinema.

Assim como "Batman VS Superman" e "Liga da Justiça", "Esquadrão" sofreu muito nas mãos dos chefões da Warner. Rumores apontavam para um filme completamente diferente do que foi entregue e a campanha de marketing dá mais reforço as teorias. O sucesso abaixo do esperado de "BVS" infelizmente influenciou muito nesse filme. A produção foi de sombria para coloridona bem Marvel em questão de meses.

Com o lançamento da versão de Zack Snyder para "Liga da Justiça", muitos fãs especulam a possibilidade de uma versão de David Ayer. A AT&T, dona do time Warner, até afirmou que há a possibilidade dessa versão ver a luz do dia, mas sabe se lá quando. Acreditamos que a Warner está esperando a recepção da versão de Snyder para ver se vale a pena desembolsar milhões para recuperar uma versão que eles mesmos caparam.

Patty Jenkins deu o tom que Mulher-Maravilha precisava para o seu primeiro filme solo nos cinemas e deve mostrar novamente um bom trabalho em "1984". Um terceiro longa-metragem deve acontecer em um futuro não muito distante, mas Jenkins já mandou avisar que esse deve ser seu último dedo na franquia da Princesa de Temiscera.

Em entrevista a revista Geek (via IGN), a diretora disse que "o próximo provavelmente será meu último filme de Mulher-Maravilha, então eu preciso colocar tudo que quero mostrar. Precisamos ter cuidado". Antes do terceiro longa, ela ainda deve comandar um filme focado nas Amazonas. Se combinar certinho, pode rolar uma trilogia focada apenas nessas personagens.

"[1984] deu a chance de fazer várias coisas que não pude no primeiro filme. Fiquei muito feliz em contar a história de origem de Mulher-Maravilha. Foi quase como seu nascimento, mas nós realmente não conseguimos ver o que ela é capaz de fazer. É animador para mim poder mostrar ela em seu ápice de poder, mas também é importante suas lutas internas: ela é uma deusa e tenta ajudar os humanos. Ela não é alguém que tenta lutar contra o mal, ela tenta mostrar as pessoas más como melhorar. É um dilema interessante", contou.

"Mulher-Maravilha 1984" irá trazer de volta Steve Trevor, interpretado por Chris Pine. A volta do personagem traz mistério para a trama, visto que ele morreu no primeiro longa-metragem da heroína, estreado em 2016. De qualquer modo, esta é somente uma das diversas subtramas que o filme irá trazer, né? A gente tá louco para saber como será a relação de Diana com Cheetah (Kristen Wiig) e Max Lord (Pedro Pascal).

Uma das várias produções que foram adiadas devido ao novo coronavírus, "A Mulher na Janela" pode acabar sendo lançado pela Netflix. O filme foi produzido pela Fox 2000, da Disney, mas segundo o The Hollywood Reporter o serviço de streaming de "La Casa de Papel" está próximo a chegar em um acordo e adquirir os direitos de distribuição mundial.

"A Mulher na Janela" estava previsto para ser lançado em maio deste ano e foi adiado por tempo indeterminado. A estratégia de trazer filmes menores para serviços como a Netflix ou por VOD vem sendo adotada pelos estúdios há um tempo. "Trolls 2" foi o maior exemplo neste seguimento e até mesmo lucrou mais que seu antecessor.

Com Amy Adams no papel principal, acompanhamos Anna Fox, uma mulher com agorafobia. Devido ao distúrbio, ela nunca sai de casa e tem pavor da rua. Tudo muda quando ela deixa sua vizinha Jane, interpretada pela Julianne Moore, entrar em sua casa.

"A Mulher na Janela" é uma adaptação do livro de mesmo nome do autor A.J. Finn. No elenco, se integram também Gary OldmanAnthony Mackie. Joe Wright, responsável por "Orgulho e Preconceito" e "A Hora Mais Escura", fica a cargo da direção.

Atenção: a crítica contém spoilers.

Eu, este entusiasta do audiovisual brasileiro, possuo alguns nomes que guardo em meu coração - então, qualquer produção feita por eles, terá minha atenção. Um dos maiores nomes para mim é o de Juliana Rojas. Rojas é diretora de curtas e longas pesadamente inspirados no terror, e é dela dois dos meus filmes tupiniquins favoritos da década passada: “Trabalhar Cansa” (2011) e “As Boas Maneiras” (2017), ambos co-dirigidos pelo também maravilhoso Marco Dutra. Resumindo: se Rojas sai de casa para fazer alguma coisa, eu assisto. Tudo para mim.

Foi exatamente por conta dela que encarei “Boca a Boca”, a nova série brasileira a estrear na Netflix. “Encarar” pode ser um verbo usado com certa.... força, mas até agora não consegui encontrar um seriado feito no país e com o selo da plataforma que seja algo realmente bom – “3%” (2016-) e “Reality Z” (2020), cof. Realmente, não assisti a todos os disponíveis (dizem que “Coisa Mais Linda”, 2019-20, vale a pena), no entanto, os que se encaixam mais no meu apetite foram decepções. Mas Rojas estava ali em “Boca a Boca” – que foi criada pelo também cineasta Esmir Filho –, e era irrelevante (até certo ponto) se a produção seria boa ou não, meu stream estava garantido.

Pois bem. “Boca a Boca” se passa em algum futuro não tão distante da nossa realidade – não fica explícito o quando, apenas o onde, em uma cidade do interior de Goiás chamada Progresso. A trama gira ao redor de três alunos da mesma escola: Alex (Caio Horowicz), filho do maior produtor de gado da região; Fran (Iza Moreira), filha da emprega da casa de Alex; e Chico (Michel Joelsas, o Fabinho do maior ato nacional da década, “Que Horas Ela Volta?”, 2015), um garoto vindo da capital para morar com o pai e reiniciar a vida.

A trama já é aberta com o mistério principal: a ficante/namorada de Fran, após uma festa, acorda com uma mancha preta nos lábios, o que desencadeia pânico na cidade sobre que doença seria aquela. O trio, quando a menina é internada, percebe que a coisa é mais séria do que poderia supor, e começa a buscar respostas sobre a epidemia, chegando à conclusão que ela era transmitida pelo beijo. Como todo mundo beijou todo mundo na tal festa, uma corrida contra o tempo se inicia para encontrar a cura.

Já fica bem evidente qual o primeiro pilar de sustentação de “Boca a Boca”: discutir as ânsias da juventude. O primeiro contato sexual, o descobrimento do próprio corpo, o acesso às drogas, tudo é embalado ali mesmo na sequência da festa – ou melhor, da rave, para ficar mais nos parâmetros modernecos. Um dos maiores alívios do roteiro é como o texto se preocupou não apenas em abrir uma gama de diversidade sexual, mas também explorá-la de maneira natural – Fran e sua bissexualidade existem na tela como qualquer relacionamento hétero. É claro que temos a ainda necessária discussão da homofobia quando a sexualidade de Chico cai na boca do povo.


Então dá para notar que os roteiristas sabiam da importância de transmitir sua mensagem da melhor maneira para a plateia. Todavia, também temos a certeza de que não foi um jovem que escreveu tudo aquilo, mais parecendo um compilado de tendências do momento (ou nem tanto) para fazer com que adolescentes se vejam no seriado. São jovens fazendo stories no Instagram com filtros de cachorro enquanto filmam um pai arrastando a filha para fora da escola ou até mesmo o grupo do “Zap-Zap” chamado “Progresso da Depressão”. Se no futuro ainda tivermos “Qualquer-Coisa da Depressão”, falharemos enquanto sociedade. Em diversos momentos me questionei se os jovens de hoje são daquela forma mesmo e eu, quase nos 30, já fui deixado para trás, mas quando os protagonistas tentam alertar uma menina sobre os riscos da doença e pedem para ela parar de beijar, ela grita “VoCÊs NãO pOdEM mE RePRimIR!”. É, talvez o problema não seja eu.

Uma das subtramas mais sem nexo é a da diretora da escola, Guiomar (Denise Fraga, anjo imaculado em “O Auto da Compadecida”, 2000). Além de ela ter sido composta com uma atuação muuuuito artificial, sua filha foi mandada para os EUA e a plateia só a vê através de suas fotos em redes sociais. SÓ QUE é gritante que todas as fotos são falsas – dá para catar imediatamente, logo na primeira vez que um dos personagens desliza pela timeline da garota –, no entanto, ninguém ali parece perceber. Demora alguns episódios para Chico desvendar um dos mais óbvios mistérios da cultura contemporânea, e isso ilustra bem como havia uma ideia que não foi executada de forma eficiente, afinal, a Rainha do Photoshop que conseguiu enganar todo mundo é um empurrão para fazer a história andar à força.

A trama de “Boca a Boca” está sentada em cima de uma briga ou desentendimento ou chame como quiser entre a cidade e a aldeia ao lado. Inúmeras vezes fica pontuado para os alunos que a segurança só existe dentro da cidade, e a culpa para a doença logo é jogada para os de “fora”, a clássica dicotomia “nós X eles”. É bem evidente que a solução de todo está exatamente do lado de lá, mas até mesmo a “mitologia” criada para salvar o dia é tão sem inspiração. Tudo vai sendo deixado pelo caminho.

Tenho notado uma feliz atenção de produções brasileiras em tocar nas desigualdades raciais. Mesmo em filmes/séries em que a pauta principal não seja esta, temos discussões acerca, afinal, a desigualdade social em nosso país é gritante. Em “Boca a Boca”, a questão está na casa grande X quarto da empregada. Os pais de Alex moram na “mansão” enquanto Fran e sua mãe vivem nos fundos, o padrão colonial que até presente data ainda habita nosso país. Há algumas tensões entre a mãe de Fran e o pai de Alex, contudo, o debate nunca consegue ser concreto o suficiente para ter relevância dentro do enredo – e não ajuda o personagem do pai ser o “vilão” unidimensional, o homem branco rico, frio e mal-humorado que só pensa em dinheiro.


Quanto mais chegamos perto do desvendar da série, mais absurda ela vai ficando. E nem digo “absurda” no sentido de “fantasiosa”, é “sem noção” mesmo. O que menos faz sentido em tudo – e olha que muita coisa não faz – é a maneira como o trio fica revoltado com os jovens doentes sendo internados no hospital. Quando Fran finalmente demonstra os sintomas, a mãe de Alex rapidamente a leva ao hospital, e o menino fica furioso. “Tá com a consciência pesada por ter lado a Fran ao hospital?”, pergunta ele, e eeeerrrrr, não? Por que ela estaria? Estamos falando de uma doença que ninguém nunca viu, que não se sabe ao certo como é transmitida, nem como age nas pessoas, e existe a certeza de que ela mata. Não seria a única coisa possível levar o doente ao médico e deixar profissionais capacitados resolverem (ou tentarem resolver) a questão? Os meninos agem como se houvesse uma prisão, ou que o hospital estivesse fazendo experiências como os doentes, mas não, eles estão literalmente fazendo de tudo para salvarem a vida dos enfermos. Qual a lógica ficar revoltado com isso?

A peça-chave da trama é que o pai de Alex está usando a pesquisa da filha para gerar mutações em seus bois e criar uma super raça a fim de impulsionar os negócios. Esse fio já começa ruim quando a filha, que trabalha com engenharia genética, é introduzida na história com uma placa em forma de DNA na mesa – porque tem que ficar extremamente óbvio que ela trabalha com DNA, por favor não esqueçam, hein, DNA, ela trabalha com DNA. Os bois, depois de várias mutações, desenvolvem a doença, o que é sim uma ideia boa, todavia, a história jamais explica como foi que a doença saiu dos bois e atingiu exatamente aquele grupo de pessoas da rave. Ou seja, a série termina e não sabemos o que de fato aconteceu. Então tá.

Ao terminar o seriado – que assisti com uma amiga (virtualmente, okay?, mantenham o distanciamento social) também perplexa com o quão forte a série se perde –, fomos ler os comentários das pessoas que gostaram, a fim de entender o ponto de vista oposto, e era quase um clichê falar como a série era boa graças à fotografia e trilha-sonora. E de fato, ambas são incríveis. Temos imagens fantásticas do interior do Brasil e uma trilha que vai de Baco Exú do Blues a Sophie (a saudades que deu de uma festa quando tocou “Faceshopping”), só que tais recursos não são o suficiente para fazer um bom trabalho. Aparatos para encher os olhos e os ouvidos, pelo visto, são o suficiente para muita gente.

É aí que está o cerne da produção. “Boca a Boca” é uma “Malhação” manufaturada para seu público-alvo: adolescentes que amam a Netflix e vivem no Instagram com suas fotos cheias de filtros. Uma pesquisa feita pela NetQuest para a Netflix informou que 80% dos jovens se veem mais na tela do que antes, e o que isso quer dizer? A plataforma está cada vez mais alimentando o público que a sustenta, com mercadorias feitas para agradá-los, o que, do ponto de vista mercadológico, é o correto a ser feito. Mas e o ponto de vista artístico? É claro que uma série como "Boca a Boca" não é algo descartável - e, curiosamente, ainda reflete bem o tempo de pandemia em que vivemos, outro acerto de timing da Netflix após "O Poço" (2020) -, porém, passa muito longe de algo que demonstra cuidado em sua concepção. Sempre que não gosto de uma produção nacional, repito: qualquer um que desbrave o audiovisual no Brasil merece total respeito, mas “Boca a Boca" usa fardas cor-de-rosa e luzes neon para hipnotizar, e não é todo mundo que vai se deixar levar pelo encanto. A mesma fórmula (futuro + pitadas de fantasia + análise social + cores neon) foi efetuada com brilhantismo em “Divino Amor” (2019).

P.S.: Juliana Rojas, continue contando comigo para tudo.

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Courteney Cox é eternizada pelo seu papel de Monica Geller em "Friends", mas a atriz também é conhecida pelo seu papel na franquia "Pânico". Uma nova sequência está nos planos de ser lançada e Cox mandou avisar que ela irá reprisar o papel de Gale Weathers.

A confirmação foi feita pela própria atriz em seu Instagram, nesta sexta-feira (31), por meio da face que marcou a franquia com a frase "mal posso esperar para ver esse rosto novamente". A dúvida que fica é como será o seu retorno: se ela será um elemento fundamental para o longa-metragem ou terá uma participação mais curta. Importante ressaltar que "Pânico 5" está previsto para 2021, quando o primeiro filme completa 25 anos.



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Do elenco original, até o momento apenas Courteney está confirmada. Neve Campbell já disse que o convite foi feito pelos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett ("Ready or Not"), mas sua participação ainda é incerta. Na franquia, Campbell dá vida a protagonista Sidney Prescott.
Quando Beyoncé lança um novo projeto, o mundo para. Não tem como passar despercebido por uma nova empreitada da maior artista viva. E assim, paramos no início dessa sexta-feira (31) pra assistir ao seu novo filme, “Black Is King”.

Criado, roteirizado, dirigido, produzido e atuado por Beyoncé, o longa funciona como um álbum visual para seu último lançamento oficial, o “The Lion King: The Gift”, trilha sonora feita pela artista para o remake de “O Rei Leão”, no qual dublou a personagem Nala. Assim, tal como no clássico da Disney, “Black Is King” reconta a história de um jovem rei que precisa se perder para, então, encontrar seu lugar no ciclo da vida.

Com visuais fantásticos, que vão de mansões à desertos, florestas à cidades, muita coreografia e figurinos que representam toda a tradição da história preta, Beyoncé explora a ancestralidade de seu povo, se conecta com suas origens e mostra toda a importância de entender, valorizar e amar suas raízes.

Em meio à essa imersão na cultura africana, destacamos alguns de nossos momentos favoritos do “Black Is King”: “Mood 4 Eva”, com Beyoncé e Jay-Z curtindo o melhor da vida em um casarão; “Water”, com a presença de Pharrell Williams cantando na frente de uma muralha de galões de água, em meio à um deserto; “Brown Skin Girl”, um dos momentos mais emocionantes do filme, com a presença de Naomi Campbell, Lupita Nyong’o e Kelly Rowland, além de Blue Ivy, filha de Beyoncé que canta na faixa; e, por fim, “My Power”, no qual Queen B mostra todo o seu poder ao apostar em uma das coreografias mais difíceis de sua carreira. 

Vida longa à Rainha (ou a patroa, como preferirem)!

A Pixar se prepara lançar uma nova animação em 2021, após o sucesso de "Toy Story 4" e o ótimo "Dois Irmãos". Com direção de Enrico Casarosa, "Luca" acompanhará o personagem-título e seu melhor amigo, que esconde sua verdadeira identidade por ser um monstro do mar. A produção está prevista para junho de 2021.

Casarosa (via Variety) revelou que o longa-metragem possui uma história profundamente pessoal. "Não porque se passa em Riviera, na Itália, onde eu cresci, mas porque o ponto central deste filme é a celebração da amizade. Amizades de infância traçam o curso de quem queremos ser e essas relações são o coração de nossa história em 'Luca'", revelou.

Até o momento da publicação desta matéria, não há quaisquer outras informações acerca da produção além de sua premissa. "Luca" está marcado para o dia 18 de junho de 2021 e deve ser a primeira grande produção da Pixar pós-pandemia caso "Soul", previsto para novembro deste ano, não ser adiado novamente.
Drew Barrymore começou sua carreira ainda mirim e fez muito sucesso nos anos 2000 graças a "As Panteras", "Como se fosse a Primeira Vez" e também "Letra e Música". Aos 45 anos, ela deixará um pouco de lado a sétima arte para estrelar o seu próprio talk show, o "The Drew Barrymore Show", em 14 de setembro. Sua primeira prévia foi divulgada nesta quinta-feira (30) e traz a atriz entrevistando seu eu mirim.

Na prévia, Drew entrevista uma pequena Drew de sete anos. Os trechos de sua versão mirim foram retirados de uma entrevista concedida por ela para o "The Tonight Show Starring Johnny Carson", durante a promoção de "ET - O Extraterrestre", lá no início da década de 1980. A prévia foi divulgada com exclusividade para a Entertainment Weekly e pode ser conferida aqui.

O novo talk show será transmitido pela CBS e deve ser todo good vibes. Segundo o Entertainment Weekly, o show será "otimismo na TV, trazendo informações e entretenimento para audiências diurnas, celebrando todas as partes da humanidade ao longo do caminho". Parece um "The Ellen DeGeneres Show", né? Então o hit é certo.
Dois dos maiores nomes da cultura pop da atualidade, Issa Rae ("Insecure") e Jordan Peele ("Corra!") vão se juntar para produzir um filme de ficção científica que já merece sua atenção: "Sinkhole". Issa, além de produzir, também irá estrelar o longa-metragem. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Deadline.

"Sinkhole" é baseado em um conto de Leyna Krow (é possível ler na íntegra, em inglês, aqui) e sua adaptação foi disputada por mais de 10 estúdios de cinema. No fim, o longa-metragem vai chegar pelo selo da Universal Pictures, entretanto não há qualquer previsão para o seu lançamento.

O último trabalho de Issa Rae é o excelente "Um Crime Para Dois", estrelado também por Kumail Nanjiani. Na trama, os personagens de Issa e Kumail estão em uma crise e resolvem se separar. Porém, a separação é deixada momentaneamente em segundo plano quando se envolvem em um assassinato e precisam correr atrás de sua inocência.

"Novos Mutantes" está dois anos atrasado. A produção dirigida por Josh Boone estava prevista para abril de 2018 e antes da pandemia do novo coronavírus a gente jurava que ia conseguir assistir em abril deste ano. Uma pena que não conseguimos, mas a Disney jura que iremos conseguir em agosto, data estipulada e reforçada durante a Comic-Con At Home, nesta quinta-feira (23).

O reforço da data aconteceu da forma mais bem humorada possível, logo no começo do painel do filme. Brincam com uma espécie de trailer reiniciando várias vezes, sempre com uma nova data, e ainda mostram comentários do público sobre o atraso. Perfeito.


Já no finalzinho do painel, o diretor presenteou os fãs com uma prévia dos minutos iniciais da produção. O início do filme acompanha a personagem de Blu Hunt (Danielle Moonstar/Miragem) até o momento em que é internada. Logo depois, um novo trailer é mostrado. É possível conferir no player acima a partir de 24:10.

O filme estava previsto para abril de 2018, mas foi adiado três vezes. O primeiro adiamento empurrou a produção para fevereiro de 2019 com a desculpa de que a Fox não queria chocar o lançamento com "Deadpool 2" em alguns mercados. A decisão era correta, mas não sabíamos o que estava por vir daí em diante.


O segundo adiamento não teve muita justificativa. Na época, o ComicBook afirmou que o longa-metragem seria refilmado em quase 50% para a adição de uma nova personagem - que mais tarde descobrimos que poderia ser X-23. Já o próximo adiamento levou o filme para sua última data: abril de 2020, dois anos depois da data original.
Ah, o Cinema, que arte maravilhosa, não é mesmo? Capaz de nos levar para diferentes lugares, épocas e até realidades, a Sétima Arte é uma caixinha inesgotável que não conhece limites. Com histórias enormes que abocanham gerações, costumamos associar um filme com a captura de um longo período de tempo. Mas e aquelas que se passam durante um dia?

Talvez seja ainda mais difícil fazer um arco narrativo com começo, meio e fim quando a duração desse arco é de até 24h. O que pode acontecer de tão definitivo nesse meio tempo? Trouxe 10 filmes que mostram como absolutamente tudo pode mudar em apenas um dia.

O critério para a escolha foi, além da qualidade, claro, o fato do longa em questão ter sua trama desenvolvida em até 24h. São filmes do mundo inteiro, com diferentes abordagens, temáticas e técnicas de filmagem para darem vida ao dia em questão na tela. Nossa vida pode mudar num piscar de olhos, e é tão fascinante quanto assustador aceitar isso. Como sempre, todos os textos são livres de spoilers e prontos para te convencer a embarcar em cada um dos dias.


Direções (Posoki), 2017

Direção de Stephan Komandarev, Bulgária.
"Direções" faz com que o espectador entre no banco do carona de inúmeros taxistas durante um dia quando um motorista comete assassinato e suicídio por não conseguir pagar as taxas altíssimas do banco. O filme de Stephan Komandarev é um road movie búlgaro, porém, poderia estar nas ruas brasileiras: aquela noite é um espetáculo misantropo e entra nas veias urbanas com o intuito de fixar no globo ocular da plateia uma cidade cuja esperança já foi embora. De suásticas nazistas pichadas nas paredes à corrupção impregnada em cada um pelo sistema capitalista, "Direções" é uma irretocável obra-prima que extrai o que há de mais extraordinário no pessimismo artístico.

Tangerina (Tangerine), 2015

Direção de Sean Baker, EUA.
"Tangerina" vai na cola de uma prostituta e sua amiga - ambas interpretadas por atrizes trans -, que, ao descobrirem a traição do cafetão, saem em busca do traidor e sua amante. Qual o cerne do filme? A triste e estreita ligação entre a transsexualidade e a marginalização. É nada confortável encarar de frente os vários tópicos que a obra escancara sem vergonhas, porém, "Tangerina" é um filme sobre como a sororidade é peça indispensável para a sobrevivência de pessoas ainda varridas para debaixo do tapete. Longe de um trato plástico e artificial na tela, "Tangerina" vem como um sopro de ar livre ao dar voz, provocar e abordar uma realidade marginalizadora de forma crível, correta e socialmente relevante. E foi inteiramente filmado com celulares.

Victoria (idem), 2015

Direção de Sebastian Schipper, Alemanha.
"Victoria" é a definição do rolê que você pensa "deveria ter ficado em casa". A protagonista está em uma festa e conhece um cara, rapidamente criando uma forte ligação. Mas os amigos do rapaz devem sair para quitar uma dívida, arrastando Victoria junto. Esse filme alemão não apenas é uma corrida madrugada adentro como leva o título desta lista ao extremo pé da letra: é inteiramente filmado sem cortes, ou seja, o filme começa e termina exatamente como está na tela. E não se trata de falsos planos-sequência - como em "Birdman" ou "1917" -, a câmera é ligada e só desliga 138 minutos depois. Uma experiência pra lá de única.

Bom Comportamento (Good Time), 2015

Direção de Josh Safdie & Benny Safdie, EUA.
O filme que apagou de vez qualquer dúvida vampiresca do talento de Robert Pattinson enquanto ator, "Bom Comportamento" segue o protagonista fazendo um malsucedido assalto a banco e vendo seu irmão sendo preso. Ele corre contra o tempo para salvar a própria pele e tirar o irmão da cadeia antes que a polícia e outra gangue agarre seu pescoço. O “Depois das Horas” desse século, “Bom Comportamento” é um filme de amor bandido bastante sincero, que consegue compor personagens e situações para gerar a simpatia do público, mesmo com personas tão problemáticas. E possui os créditos finais mais bem valorizados dos últimos tempos.

A Última Parada (Fruitvale Station), 2013

Direção de Ryan Coogler, EUA.
O filme de estreia do futuro diretor de "Pantera Negra", "A Última Parada" é sobre o último dia de vida de Oscar Grant, homem negro assassinado pela polícia em 2009. A legitimação do porte de arma por meio dos integrantes das polícias o tornam "seres superiores", quase com permissão para matar. Um filme revoltante que mostra o abuso de poder pela polícia e como essa vã superioridade pode custar com a vida de muitos - e não se surpreenda caso a vida de George Floyd, que teve o mesmo destino de Grant, também vire filme.

4 Meses 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni 3 Săptămâni și 2 Zile), 2007

Direção de Cristian Mungiu, Romênia.
No final da década de 80, no declínio do Comunismo romeno, uma estudante busca por um aborto, ilegal no país. Com a ajuda de uma amiga, ela conhece um médico clandestino apto para o procedimento, mas ele cobra muito mais do que o esperado quando descobre o real avanço da gravidez. "4 Meses 3 Semanas e 2 Dias", vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é genial já pelo título, e, além de trazer um tema difícil e controverso, consegue ser um ato sobre como uma decisão pode impactar a vida de mais pessoas que gostaríamos. A protagonista tem apenas aquele dia para escolher qual será o rumo da sua vida dali para frente.

Clímax (Climax), 2018

Direção de Gaspar Noé, França/Bélgica.
"Clímax" não é uma produção recomendável, mas pelos motivos corretos: quando um grupo de dançarinos descobre que a bebida da festa foi batizada com LSD, o lado mais animalesco de cada um vem à superfície. Excluindo um rápido prólogo com entrevistas dos personagens, embarcamos na noite medonha dentro de um galpão que não garantirá a sobrevivência até a manhã seguinte. Esse é um filme que não só demanda como suga o emocional do público, tão massacrado quanto os personagens, presos em uma bolha ácida que não escolheram e nem podem escapar. E talvez seja a impotência - tanto nossa como deles - que faz "Clímax" tão bizarro.

Gravidade (Gravity), 2013

Direção de Alfonso Cuarón, EUA/Reino Unido.
Um dos filmes definitivos não apenas para o sub-gênero "cinema espacial", mas para toda a arte, "Gravidade" dispensa grandes apresentações. Quando um desastre acontece e deixa uma astronauta à deriva e sozinha na imensidão do cosmo, ela deve reaver toda a força e coragem para conseguir voltar à Terra. A montanha-russa intergalática de Afonso Cuarón (que lhe rendeu a primeira leva de Oscars) é uma experiência tão competente que houve quem jurasse que a fita havia de fato sido filmada no espaço. Não dá para julgar.

Os 8 Odiados (The Hateful Eight), 2015

Direção de Quentin Tarantino, EUA.
Todo lançamento de um filme do Tarantino é um verdadeiro evento, mas o parto de "Os 8 Odiados" foi mais complicado. O roteiro vazou em 2014, a produção foi cancelada até que o diretor mudou de ideia, reescreveu o roteiro e as filmagens começaram. Confinados num pensionato no meio de uma nevasca, Tarantino reconstrói a Guerra Civil americana para escancarar o racismo enraizado na sociedade, com, claro, muitos baldes de sangue, humor negro e performances brilhantes. Poderia, sim, ser um pouco mais curto (são mais de 3h), porém quando a marcha engata, temos uma loucura eufórica com boas doses de tensão e divertidas sacadas, além do usual domínio de cena de Tarantino, capaz de orquestrar grandes cenas num local e tempo restritos. O último bom filme do diretor - fãs de "Era Uma Vez em Hollywood" favor não tumultuar.

O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods), 2012

Direção de Drew Goddard, EUA.
Uma galera jovem vai aproveitar as férias em uma cabana na floresta, local que vai ser o túmulo de muitos. Saindo em um trailer pela manhã, o plano por trás da simples viagem é fazer com que ninguém veja a luz do sol no dia seguinte. Soa familiar? Sim, essa é uma premissa pra lá de conhecida, e é proposital. "O Segredo da Cabana" vai no que há de mais óbvio e clichê no terror norte-americano e, de forma sagaz, reinventa uma roda já há muito tempo gasta. Um terrir legítimo (terror + comédia), o filme enterrou essa história específica de maneira criativa, lúdica e que jamais deixa a bola cair, criando camadas cada vez mais eletrizantes. O clímax, uma enorme homenagem ao gênero, é sensacional.

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Jude Law deve se integrar ao elenco de "Peter Pan & Wendy", o mais novo live-action da Disney, como Capitão Gancho. Segundo a Variety, o ator já está em negociações com a Casa do Mickey para dar vida ao papel. Esta não seria a primeira vez que o ator viveria um vilão em um filme da Disney, visto que estrela "Capitã Marvel" como o vilão Yon-Rogg.

Até o momento, apenas os protagonistas Alexander Molony e Ever Anderson, filha de Milla Jovovich, foram confirmados como Peter e Wendy, respectivamente. O filme tem direção de David Lowery, responsável por "Meu Amigo, o Dragão". 

Lançado em 1953, "Peter Pan" é um dos maiores clássicos do mundo das animações e adapta a peça escrita pelo escocês James Matthew Barrie. Na trama, acompanhamos Peter, um garoto que não quer crescer. Um dia, Peter vai até a casa de Wendy e os irmãos, que embarcam em uma aventura mágica na Terra do Nunca.
Não se sabe como os mutantes irão ser introduzidos no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), mas já temos uma forte candidata a dar vida a Ororo Munroe, a Tempestade dos X-Men. Em entrevista a Empire, nesta terça-feira (7), Janelle Monáe revelou que tem o sonho de interpretar a personagem nas telonas.

"Um dos meus sonhos sempre foi interpretar a Tempestade. Não sei se ela estará no [próximo] 'Pantera Negra', mas seria um sonho te-la. Não sei como eles estão com isso. Muitas mulheres interpretaram a Tempestade e fizeram um trabalho excepcional. Eu quero ser uma dessas artistas e fazer justiça a Tempestade".

Nos quadrinhos, além ser extremamente poderosa, a personagem também fez par romântico com o Pantera Negra. Por este motivo, muitos fãs clamam para que Ororo seja introduzida já nesta próxima sequência do filme estrelado por Chadwick Boseman. Após a fusão entre Fox e Disney, o acontecimento pode se tornar possível.

Interpretada por duas atrizes, a Tempestade nunca atingiu o seu verdadeiro potencial graças a roteiros que a inferiorizaram. Halle Berry foi a primeira a viver a personagem nas telonas na primeira trilogia dos X-Men. Já Alexandra Shipp deu vida a uma versão mais jovem da heroína em "X-Men: Apocalipse" e "X-Men: Fênix Negra".

Além de cantora, Monáe também é atriz. Entre os seus papeis de maior destaque estão Mary Jackson em "Estrelas Além do Tempo" e Teresa em "Moonlight: Sob a Luz do Luar". Ela também estreia ainda neste ano "A Escolhida".

A chegada de Joss Whedon no universo cinematográfico da DC foi recebida inicialmente como um grande trunfo para a quadrinista. Diretor de dois filmes do Vingadores, Whedon entrou como tentativa de direcionar o universo para um tom muito mais leve nas telas e também estava em negociações para encabeçar uma adaptação de "Batgirl". Entretanto, na última semana, rumores apontam que o queridinho do cinema de heróis abusa de seu poder em set de filmagens e possui comportamento machista.

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Tudo começou quando Ray Fisher, interprete do Ciborgue, por meio do Twitter, retirou elogios feitos ao diretor durante a San Diego Comic-Con 2017. Inicialmente, acreditava que sua fala era referente ao cuidado dado ao seu personagem no longa-metragem, mas não demorou muito para que o ator falasse o que realmente aconteceu.


Na última quarta-feira (1), Fisher utilizou novamente sua conta do Twitter para acusar Whedon de abuso de poder. Segundo o ator, o direto foi "nojento, abusivo, sem profissionalidade e completamente inaceitável". A denúncia ainda alegou que a conduta de Whedon no set tinha apoio de ninguém menos que o Presidente da DC Entertainment, Geoff Johns, e do produtor Jon Berg.

O próprio produtor, ainda na quarta, respondeu o comentário de Fisher e alegou que o ator teria ficado irritado ao solicitarem para que ele falasse "booyah" como o Ciborgue dos quadrinhos. Berg ainda disse que tudo dito por Fisher não passa de mentira.


Outro rumor sobre a conduta de Joss Whedon surgiu também na quarta-feira por meio da criadora do canal Beyond The Trailer. Grace Randolph revelou que o diretor teria forçado Gal Gadot a gravar a polêmica cena em que o Flash (Erza Miller) cai sobre Mulher-Maravilha. No fim, a atriz não aceitou gravar, o que resultou no uso de uma dublê de corpo - que explica porquê não vemos o rosto da atriz nessa cena.

Já o fotógrafo Jason Laboy acrescentou que Whedon ainda ameaçou a dublê caso ela não gravasse tal cena. Curiosamente, há uma cena similar em "Vingadores: Era de Ultron" em que Mark Ruffalo cai sobre Scarlet Johansson.

As cenas com Gadot e Johansson são extremamente machistas. Vale lembrar que Whedon possui um roteiro descartado para um filme da Mulher-Maravilha em que a personagem é objetificada. Em 2018, em entrevista a Variety, ele alegou que não achou qualquer problema em seu roteiro após lê-lo novamente.

As denúncias feitas pelo ator e YouTuber talvez ajudem a entender o porquê dos atores de "Liga da Justiça" quererem tanto que a versão de Zack Snyder seja lançada não somente em respeito a visão do diretor de "Homem de Aço", mas pela própria insatisfação por ter trabalhado com Joss Whedon. Até o momento, o diretor não se pronunciou sobre qualquer um dos rumores.

A versão de Zack Snyder vendo sendo pedida desde o lançamento de "Liga da Justiça", em 2017. Snyder, é claro, contribuiu para que os fãs ficassem com mais vontade de assistir sua versão ao publicar nas redes ideias que foram descartas da produção. Membros do elenco também haviam confirmado a existência do "Snyder Cut".

A produção de "Liga da Justiça" foi totalmente conturbada. Em meio as gravações, Joss Whedon foi chamado para reescrever algumas cenas pois o estúdio as achava sombria demais. Tudo piorou quando Snyder se afastou após a morte de sua filha, o que resultou com que Whedon assumisse a direção. O resultado foi um filme com dois tons totalmente diferentes e uma sensação de que muita coisa estava faltando.

A DC e Warner se preparam para um grandioso evento online em agosto e parece que teremos o anúncio de dois filmes secretos. A novidade foi descoberta no próprio site do evento por fãs na última quarta-feira (1). Porém, é importante ressaltar que as produções anunciadas devem ser de filmes já especulados há algum tempo, como "Adão Negro", "Sereias de Gotham" e "Supergirl".

Uma das nossas apostas é "Sereias de Gotham", mesmo que "Aves de Rapina" não tenha sido um tremendo sucesso. Há rumores de que a Warner planeja um novo filme com a Arlequina de Margot Robbie e achamos que seja uma adaptação da HQ que une a vilã com Hera Venenosa e Mulher-Gato. 

Já "Supergirl" vem sendo especulado há algum tempo como forma de resgatar o universo dos kryptonianos. Zack Snyder, aliás, revelou que tinha planos para a heroína e não podemos esquecer de um possível easter egg da personagem em um dos primeiros trailers de "Liga da Justiça".

Outro filme que entre para a lista de especulados é "Adão Negro". Esse, na verdade, é quase certo que seja um dos longa-metragens secretos. Em junho, o próprio The Rock anunciou que a produção terá novidades no evento.

O DC Fandome, previsto para o dia 22 de agosto, será uma espécie de San Diego Comic-Con online, mas totalmente dedicada aos lançamentos da quadrinista do Superman. O evento promete novidades sobre todos os seus produtos audiovisuais, desde "The Flash", da CW, a ao Snyder Cut de "Liga da Justiça". Também deve rolar uma atenção especial para "Mulher-Maravilha 1984".
A melhor época do ano para o escritor que cá se encontra é a época de fazer as listas de melhores do mundinho cinematográfico no ano. Gasto horas catalogando tudo o que assisti até a marca temporal que quero fechar (seja a de metade do ano, ano inteiro ou da década), a fim de trazer a você, leitor, o que considero o suprassumo dos lançamentos (dentro da enorme cerquinha da subjetividade, é claro). Mas 2020 está sendo um ano diferente.

Com a pandemia, a indústria cinematográfica parou. Não há filmes em produção no momento, e os já finalizados foram adiados até que as salas de cinemas possam ser reabertas. O mercado brasileiro - ironicamente - acabou sofrendo menos com isso por receber filmes que já rodaram em outros países meses antes - vários do Oscar 2020, por exemplo, que estrearam internacionalmente em novembro e dezembro, só chegaram aqui após a virada da década. No entanto, mesmo com o fluxo de obras sendo drasticamente reduzido, ainda conseguimos assistir a filmes imperdíveis que salvaram nosso ano (e nossa quarentena). Aqui estão meus 10 longas favoritos de 2020 (até agora).

De indicados e vencedores do Oscar a pérolas de todos os cantos do mundo, os critérios de inclusão da lista são os mesmos de todo ano: filmes com estreias em solo brasileiro em 2020 - seja cinema, Netflix e afins - ou que chegaram na internet sem data de lançamento prevista, caso contrário, seria impossível montar uma lista coerente. E, também de praxe, todos os textos são livres de spoilers para não estragar sua experiência - mas caso você já tenha visto todos os 10, meu amor por você é real. Preparado para uma maratona do que há de melhor no cinema mundial até agora?


10. Queen & Slim (idem)

Direção de Melina Matsoukas, EUA.
"Queen & Slim" é um daqueles filmes corretos lançados no momento correto. Seguindo o casal protagonista, a vida dos dois é permanentemente afetada quando são parados com um policial branco, que - por basicamente nada - quase os mata. Em legítima defesa, Slim atira no policial, desencadeando uma fuga nacional enquanto protestos contra abusos raciais rolam pelo país. Estreia no Cinema de Melina Matsoukas, diretora de vários videoclipes, como "Formation" da Beyoncé, é bastante intrigante - e também triste - que "Queen & Slim" tenha sido lançado poucos meses antes de George Floyd perder a vida. Floyd não foi o primeiro (e, infelizmente, não deve ser o último) a passar pelo o que passou sob o poder de um sistema que não encontrou falhas ao longo do caminho, e sim foi construído para ser assim, o que faz de "Queen & Slim" um quadro e um aviso de uma sociedade claramente doente.

9. Nunca Raramente Às Vezes Sempre (Never Rarely Sometimes Always)

Direção de Eliza Hittman, EUA/Reino Unido.
O aborto é um dos temas mais controversos da nossa sociedade atual, encontrando discussões muito calorosas sobre os dois extremos do debate. "Nunca Raramente Às Vezes Sempre" é a carta-aberta de Eliza Hittman sobre a temática. Uma garota de 17 anos está grávida e, com a ajuda da melhor amiga, vai até Nova Iorque para realizar um aborto. A superfície do longa carrega características que, de maneira previsível, nos dará a ideia de irresponsabilidade por parte da garota, contudo, o roteiro nos empurra para um mergulho muito complexo que explica tudo o que ocasionou a protagonista estar ali. A cena que dá título ao filme já é uma das mais incríveis do ano pela veracidade e dor que o corpo feminino está sujeito nas mãos do patriarcado.

8. O Poço (El Hoyo)

Direção de Galder Gaztelu-Urrutia, Espanha.
"O Poço" talvez seja o filme mais badalado de 2020. Não por ser o mais assistido ou o melhor, mas por ter sido lançado em um terreno absurdamente fértil para fomentar suas discussões - e foram inúmeras ao longo das semanas após a Netflix jogar a obra em seu catálogo. Conhecemos uma prisão vertical que tem uma curiosa (e cruel) forma de alimentar seus detentos: através de um poço, onde o andar de baixo comerá o que sobrou do andar de cima. As discussões de “O Poço” soam óbvias – é só você ler a sinopse que a fundamentação central da fita estará presente. Sim, esse é um filme que quer mostrar como a estruturação do Capitalismo é falha, desumana e cruel – e provavelmente você, proletariado, já sabe disso. “O Poço” é uma alegoria brilhantemente terrível da natureza humana que gera indagações ao mesmo tempo que executa um trabalho de gênero delicioso.

7. E Então Nós Dançamos (And Then We Danced)

Direção de Levan Akin, Geórgia/Suíça.
A melhor fita LGBT do ano até o momento, "E Então Nós Dançamos" vem de um país que você talvez nem saiba onde se encontra: a Geórgia, um pequeno país na divisa entre a Europa e a Ásia. Com um cinema ainda proporcional ao tamanho do país, não se engane, a Geórgia é dona de filmes fantásticos, e "E Então Nós Dançamos" foi o selecionado ao Oscar 2020. Um dançarino vai ter que escolher entre aceitar sua sexualidade em um país sufocantemente homofóbico ou viver uma mentira assim que outro dançarino chega em sua escola. A dança georgiana, presente em todo o filme, é usada como catalizador desse amor proibido que termina, também, como um belíssimo documento cultural - e, sem surpresa, foi recebido com protestos pedindo o cancelamento das sessões. No entanto, o filme foi lançado, uma vitória para a resistência LGBT.

6. Devorar (Swallow)

Direção de Carlo Mirabella-Davis, EUA.
Esse pequeno horror indie causou desde a estreia no Festival de Tribeca ano passado, e, ainda bem, não ficou apenas no shock value: uma jovem e recém-casada mulher tem dificuldade em manter o casamento e a vida doméstica. Afogada em tédio e distanciamento emocional, ela descobre que está grávida, fato que desencadeia um transtorno que a faz engolir os mais diferentes objetos. "Devorar" recebeu uma embalagem colorida, harmônica e deliciosa, um contraste perfeito para toda a carga obscura de sua trama. Carregado pela atuação exemplar de Haley Bennett, o filme é uma mistura de "Grave" (2016) com "O Bebê de Rosemary" (1968), transformando o drama de sua protagonista em potência do horror. Bon appétit, baby.

5. Viveiro (Vivarium)

Direção de Lorcan Finnegan, Irlanda.
Todo ano precisamos de pelo menos um longa que seja a definição de "amei, mas não entendi", e "Viveiro" é o nome perfeito para isso. Quando um casal visita um conjunto habitacional em busca de um imóvel e fica preso nas ruas com casas totalmente iguais, rapidamente percebem que foi sua última decisão na vida. Estamos vivenciando uma fase interessante na mistura de horror e ficção científica, casando criatividade com as colunas dos dois gêneros: atmosfera e reflexão. "Viveiro" sem dúvidas não é um longa para qualquer paladar: é uma fita lenta, estranha, sufocante e que não vai entregar seus segredos de mão beijada. Sua beleza imagética esconde toda sua bizarrice com uma estética que passeia por "Edward Mãos de Tesoura" (1990) e "O Show de Truman" (1998), e transforma a casa própria, uma das mais desejadas paisagens, em um verdadeiro labirinto em que cada esquina é um pesadelo.

4. Joias Brutas (Uncut Gems)

Direção de Josh Safdie & Benny Safdie, EUA.
Adam Sandler é um ícone do cinema norte-americano, mas pelos motivos errados. Ele já possui nada mais nada menos que NOVE Framboesas de Ouro (que premia o que há de pior no Cinema), inclusive sendo o detentor do recorde de maior número de prêmios em uma noite: "Cada Um Tem a Gêmea Que Merece" (2011) foi indicado a sete Framboesas e ganhou todas. Todavia, Hollywood adora ver um nome falido encontrando o Olimpo com alguma fita, e Sandler encontrou com "Joias Brutas". Os diretores, os irmãos Josh e Benny Safdie, adoram pegar atores considerados ruins e transformarem em donos de prêmios - como Robert Pattinson com "Bom Comportamento" (2017) -, e o Olimpo de Sandler foi fabuloso: dono de uma joalheria, ele é viciado em jogos de azar e vai levar a vida de todo mundo ao redor numa montanha-russa eletrizante, marca dos irmãos Safdie. "Joias Brutas" é um estudo de personagem raro e imperdível que entrega muito mais que um ator ruim conseguindo quebrar o estigma.

3. O Chalé (The Lodge)

Direção de Veronika Franz & Severin Fiala, Reino Unido/EUA.
O segundo filme da dupla austríaca que nos presenteou o clássico moderno "Boa Noite Mamãe" (2014), "O Chalé" satisfará o paladar de quem gosta do tipo de terror do primeiro. Duas crianças perdem a mãe quando ela se suicida depois de um ex-marido começar a namorar uma mulher nova. O pai tenta (com insistência) aproximar os filhos da namorada, que possui um passado macabro e, segundo a prole, possui algo de muito errado. Eles ficam presos em uma cabana, e situações inexplicáveis desafiam a sanidade de todos. "O Chalé" nada contra a maré do modelo atual de cinema de terror, acomodado em berrar sustos, e edifica sua atmosfera com muito cuidado, trabalhando com sugestões e temáticas geralmente tratadas com pobreza. A religião católica já perdeu as contas de quantos filmes a tomam como ethos de maneira preguiçosa, sem agarrar o quão assustador pode ser quando roteirizada da maneira certa, e "O Chalé" é um desses exemplos de sucesso, ainda mais louvável quando não possui uma trama sobrenatural, bengala batida e saturada dentro do gênero.

2. Os Miseráveis (Les Misérables)

Direção de Ladj Ly, França.
O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019 ao lado da obra-prima tupiniquim "Bacurau" (2019), "Os Miseráveis" é mais um filme a analisar a brutalidade da polícia (majoritariamente contra pessoas negras), tendo a França depois da vitória na Copa do Mundo 2018 como palco principal. Indicado ao Oscar 2020 de "Melhor Filme Internacional", o filme possui vários polos que se chocarão da mesma forma como os diferentes contextos culturais do caldeirão que é Paris, tendo um policial que atira em uma criança negra como estopim de uma revolta. É um daqueles filmes enormes, que não terminam com o rolar dos créditos, permanecendo com o espectador por muito tempo ao pôr no ecrã tantos debates pertinentes e atuais.

1. 1917 (idem)

Direção de Sam Mendes, Reino Unido.
Filme de guerra chegando em premiações, alguém ainda aguenta isso? "1917" teve o trabalho inicial de conseguir conquistar um público cansado de um molde bélico feito para arrepiar a epiderme de premiações, e o resultado é (quase) irretocável - não por acaso ganhou três Oscars e sete BAFTAs. Com foco na Primeira Guerra Mundial, o trabalho segue dois soldados que são mandados em uma missão a fim de evitar um combate ainda maior e mais trágico. Filmado com a técnica de plano sequência - como se não houvesse cortes -, "1917" possui a consciência de que toda a fotografia, som, direção de arte e qualquer elemento técnico não sustenta uma arte que é, primordialmente, o ato de contar uma história. Os pequenos tropeços são ínfimos em meio à experiência visual e sensorial que imerge o espectador nos horrores e nas glórias desse período, sendo um daqueles filmes que nos recorda o quão impressionante e indispensável é a Sétima Arte. Nenhuma outra mídia seria capaz de causar o mesmo impacto.

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