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Tom Cruise é famoso por dispensar dublês em suas cenas de ação - sejam perigosas ou não. O cientólogo já se machucou várias vezes, mas nunca pensou em parar e em breve deve elevar o nível: ele vai gravar o primeiro filme no espaço da história. A informação foi confirmada nesta terça-feira (5), pela própria NASA. O filme ainda contará com a ajuda de Elon Musk, marido da Grimes e CTO da SpaceX.

Até o momento da publicação desta matéria, o filme sequer está vinculado a um estúdio e sua trama também não foi revelada, mas já é possível dizer que não deve fazer parte da franquia "Missão: Impossível". Sabemos apenas da locação do filme: Estação Espacial Internacional (ISS), mas não vamos ficar surpresos se Cruise gravar algumas cenas externas.

O longa-metragem também não tem qualquer previsão de lançamento visto que está em seus estágios iniciais, mas se organizar certinho dá para levar a Lady Gaga, né? A gente sonha com a performance no espaço até hoje. Esperamos que o filme, assim como a prometida apresentação, não morra na praia.
Parece que agora vai, gente. "Novos Mutantes", aquele filme de terror dos X-Men adiado quatro vezes, entrou em pré-venda digital nesta segunda-feira (04) no site da Amazon dos Estados Unidos. O longa-metragem estava previsto para abril deste ano, mas foi adiado devido ao novo coronavírus, assim como boa parte das produções previstas para até julho.


O filme está sendo vendido por US$ 25, mas não possui qualquer data de lançamento. Até o momento da publicação deste texto, Disney e Fox não se pronunciaram sobre a pré-venda, mas o lançamento deve ser oficializado em breve visto que os estúdios retomaram sua divulgação promocional com novas imagens do filme.

"Novos Mutantes" está atrasado em dois anos. O filme estava previsto para abril de 2018, mas foi adiado três vezes. O primeiro adiamento empurrou a produção para fevereiro de 2019 com a desculpa de que a Fox não queria chocar o lançamento com "Deadpool 2" em alguns mercados. A decisão era correta, mas não sabíamos o que estava por vir daí em diante.

Leia também:
O segundo adiamento não teve muita justificativa. Na época, o ComicBook afirmou que o longa-metragem seria refilmado em quase 50% para a adição de uma nova personagem - que mais tarde descobrimos que poderia ser X-23. Já o próximo adiamento levou o filme para sua última data: abril de 2020, dois anos depois da data original.

Na tarde do último domingo (3), coincidentemente Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma série de vídeos começou a circular na internet. Nas imagens que tomaram as redes sociais, jornalistas do Estadão são agredidos com chutes, murros e empurrões por apoiadores de Jair Bolsonaro enquanto cobriam mais uma das manifestações a favor do presidente na Esplanada dos Ministérios.

Em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus que toma o mundo inteiro, não só jornalistas, mas até mesmo profissionais da saúde estão sendo atacados verbal e fisicamente por apoiarem uma medida mais qualificada de isolamento social.

Nesse momento, é importante relembrar que ambos os trabalhos são fundamentais à população e merecem o respeito de todos. Para ressaltar a importância do jornalismo e seu papel para a sociedade, separamos quatro filmes que falam diretamente sobre o tema. Veja:

Spotlight (2015)


Baseado em uma história real e vencedor das categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro Original no Oscar, o longa dirigido por Tom McCarthy conta sobre a editoria “Spotlight”, do jornal Boston, direcionada para trabalhos investigativos. Em 2001, a redação reuniu uma série de documentos para denunciar casos de pedofilia por parte de padres em Massachusetts. O material foi publicado em 2002, e no ano seguinte recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público.

Cidadão Kane (1941)


Escrito, dirigido e produzido por Orson Welles, o filme considerado uma obra-prima do mercado cinematográfico é, possivelmente, baseado na vida de William Randolph Hearst, um magnata do jornalismo. A suposição, no entanto, sempre foi negada publicamente por Welles.

Na produção, é contada a história de Charles Foster Kane, que teve uma infância difícil, mas se tornou um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos. Após sua morte, um jornalista recebe a tarefa de investigar a vida de Kane, com a intenção de descobrir o propósito de uma das últimas palavras ditas por ele.


Todos os Homens do Presidente (1976)


Outra produção que é muito importante para conhecer mais sobre o jornalismo é “Todos os Homens do Presidente”. O longa aborda o escândalo Watergate, que causou a renúncia do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon, em agosto de 1974.

O “Caso Watergate”, noticiado em 1972 pelo jornal Washington Post, foi uma investigação criada após a invasão de cinco homens na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate. Com ajuda de fontes, dois repórteres conseguiram fazer uma conexão entre os invasores e funcionários da Casa Branca.

The Post - A Guerra Secreta (2018)


O longa protagonizado por Meryl Streep, no papel de Kat Graham, e Tom Hanks, interpretando Ben Bradlee, também aborda o caso Watergate, aqui narrado por dentro do The Washington Post e do mercado jornalístico. Quando o New York Times é punido pela Lei de Espionagem, o jornal comandado por Graham precisa decidir se publica ou não o material que incrimina o presidente norte-americano. Uma escolha entre possivelmente acabar com a empresa ou proteger a liberdade de imprensa.

Bônus: Holocausto Brasileiro (2013)


O livro de Daniela Arbex relata uma história que por muito tempo foi jogada pra debaixo do tapete. Na reportagem, a jornalista brasileira denuncia um dos grandes genocídios do Brasil, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena do Brasil, em Minas Gerais.

Mais de 60 mil internos morreram no local, entre eles pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, mães solteiras, alcoólatras, etc.

Além de “Holocausto Brasileiro”, Arbex também é autora de outros dois livros-reportagem: “Cova 312: A Longa Jornada…” e “Todo Dia a Mesma Noite”.


A relação mais universalmente humana é a de uma mãe com suas crias. De histórias de amor incondicional até as dificuldades desse elo (supostamente) natural e a ruptura de um amor absoluto, a maternidade foi tema de inúmeros filmes que ousam desafiar os meandros do relacionamento. Essa lista é sobre isso.

Selecionei 10 filmes do cinema contemporâneo que abordam a maternidade nos mais diversos contextos. De dramas russos até terrores norte-americanos, são filme que, ou possuem o relacionamento como palco principal, ou que são elementos fundamentais da trama. Bom deixar claro que não se tratam de fitas para se ver no almoço de domingo, e sim películas que estão interessadas em discutir as complexidades da maternidade e o que significa a relação - acho bem mais interessante trazer obras que discorram de maneiras não óbvias uma das bases da nossa sociedade. Todos os textos são, como sempre, livres de spoilers.


Tully (idem), 2018

Direção de: Jason Reitman, EUA.
Marlo, mãe de dois, está esperando o terceiro e não planejado filho. Uma das crianças possui um problema de desenvolvimento que médico nenhum consegue diagnosticar, e a mulher se vê afogada em ansiedade sobre os desafios que já possui e os que ainda estão pela frente, até que surge Tully, a babá. A maternidade é um evento dito como o maior na vida de uma mulher, um período fabuloso que não pode ser definido por nada além de “uma dádiva”, então é muito subversivo ver como “Tully” se preocupa em quebrar essa imagem de glamourização: é claro que a gravidez é um marco, todavia, ninguém tem coragem de contar todos os lados não-tão-agradáveis. 

Mommy (idem), 2014

Direção de: Xavier Dolan, Canadá.
"Mommy", quinto filme de Xavier Dolan, retoma o tema central de seu cinema, retratando o relacionamento conturbado de Steve, o filho, e Die, a mãe. O garoto, cheio de transtornos mentais, toca o terror onde passa, dificultando a vida da mãe. A situação muda quando eles conhecem Kyla, sua vizinha, que passa a integrar a família. O filme usa de uma sacada visual sensacional: a maior parte dele se passa dentro de um quadrado. Não temos a tela cheia, apenas um quadrado, refletindo a situação claustrofóbica e tensa dos personagens. Quando eles conseguem algum momento de paz, a tela literalmente se abre, num efeito belíssimo que consegue deixar uma marca visual sem precedentes.

Hereditário (Hereditary), 2017

Direção de: Ari Aster, EUA.
Um dos mais refinados terrores já feitos, “Hereditário” já é aberto com a morte da matriarca de uma família. Quem assume as rédeas é Annie, que não espera que a ida da avó iria impactar permanentemente a vida dos dois filhos. Um dos maiores sucessos do filme de estreia de Ari Aster é em desenvolver caprichosamente o drama familiar, principalmente o quão tenso se torna o laço entre Annie e o filho mais velho. Annie é a força-motriz de todo o enredo e é muito interessante ver o limiar entre amor e ódio que tragédias podem traçar no seio de uma família.

Projeto Flórida (The Florida Project), 2017

Direção de: Sean Baker, EUA.
Contado através da ótica das crianças, a produção é o retrato agridoce de uma fatia esmagada à margem e varrida para debaixo do tapete: a nova geração de sem tetos. Carregado por uma das melhores performances da década – de Brooklynn Prince, que tinha SEIS anos durante as filmagens –, seguimos os pequenos criando seus contos de fada para burlarem aquela precária condição, culminando num dos finais mais puros e desoladores já colocados na tela do Cinema. Quem liga o público e as crianças é Halley, mãe adolescente que claramente não tem noção da responsabilidade que possui.

Ondas (Waves), 2019

Direção de: Trey Edward Shults, EUA.
Um jovem lutador tem um empecilho na carreira quando sobre uma lesão. Ainda por cima, sua namorada está grávida e sem intenção de abortar, o que o faz entrar em uma espiral de ódio. "Ondas" é um drama muito realístico que se senta no meio de uma família e como os atos do protagonista impactam a todos. Quem tenta sustentar tudo é a mãe adotiva do garoto, que, mesmo sendo atacada por não ser a mãe biológica, permanece de pé para o que é mais importante, sua família, provando que laços vão muito além do sangue.

A Hora de Voar (Lady Bird), 2017

Direção de: Greta Gerwig, EUA.
Christine Lady Bird McPherson está saindo da escola e vê seu universo como um utóptico conto de fadas. Porém a princesa aqui não possui um castelo, nem príncipe encantado, nem sapato de cristal. Fazendo o contraponto perfeito da solar personalidade de Lady Bird temos sua fada madrinha, sua mãe Marion. Sua personagem é deveras complexa: devendo cuidar da casa, ela se vê com a responsabilidade de cuidar do marido desempregado e depressivo, dos filhos nada fáceis e da sua própria vida, dividida entre o papel de dona de casa e enfermeira com jornada dupla. Mesmo totalmente diferentes, as duas devem aprender a colocar o incontestável amor acima de tudo.

Nessa atual e urgente onda feminina de denúncias contra abusos, acompanhar a luta de uma mãe em busca de justiça pela morte da filha é a história que precisávamos ver. Um dos mais originais e bem escritos roteiros da década “Três Anúncios” deixa chover sarcasmo para apontar o dedo na cara da hipocrisia, do ódio e de como caminhamos sob uma estrutura aparentemente sem conserto. Com seus personagens escancaradamente conturbados e situações ácidas, temos em mãos uma produção atemporal - ou você acha que Frances McDormand, vencedora do Oscar pelo papel, querendo honrar a memória da filha e colocando todos os homens ao redor em seus devidos lugares não será um clássico?

Que Horas Ela Volta? (idem), 2015

Direção de: Anna Muylaert, Brasil.
A maior obra-prima do nosso cinema nessa década e pilar central dos novos rumos que viriam a seguir, "Que Horas Ela Volta?" transcende a barreira regional para entrar no panteão internacional ao unir uma história que tanto reflete as rachaduras da nossa sociedade quanto universaliza seus dramas. Carregado por uma louvável atuação de Regina Casé, que não assustaria caso fosse indicada ao Oscar, o próprio título surge a partir da indagação de um filho sobre sua mãe. O longa de Anna Muylarte – que teve o título traduzido para “A Segunda Mãe” no mercado estrangeiro – mostra um lado cultural bem brasileiro, a de empregadas cuidando dos filhos de outras mulheres. Mas e os filhos dessas empregadas?

As Filhas de Abril (Las Hijas de Abril), 2017

Direção de: Michel Franco, México.
As Filhas de Abril" tem uma menina de 17 anos que faz de tudo para que a mãe não descubra sua gravidez. Quando Abril tem a revelação, ela se mostra compreensiva e apta a ajudar no que puder, retrato de uma sororidade lindíssima entre aquelas mulheres. Pobre coitada da plateia que não tem ideia do abismo logo ali do lado. Falar mais que isso é entregar a história, todavia, essa é uma película que demonstra o próprio slogan: "o amor de uma mãe não conhece limites". Prepare-se para ver seu queixo cair.

Sem Amor (Loveless), 2017

Direção de: Andrey Zvyagintsev, Rússia.
Um casal à beira do divórcio nutre ódio mútuo que torna a mera aproximação insustentável. Sobra para o filho deles, esquecido e renegado, já que os pais estão ocupados demais se odiando. Quando o menino foge e desaparece (após uma das cenas mais devastadoras do ano – a da porta), a mãe deverá deixar de lados as diferenças para achar a criança. A situação extrema costura seus personagens de maneira homeopática, construindo uma trama universalmente afiada que consegue tirar a fé do espectador pelos momentos frios e egoístas do homem. “Sem Amor” é nome absoluto do que há de melhor da misantropia na Sétima Arte. Nem todo mundo nasceu para ter filhos.

***

Os irmãos Russo, diretores dos dois últimos "Vingadores", cuidarão da produção da versão em live-action de "Hércules". A Disney vem cogitando uma nova versão da história do herói do Olimpo há algum tempinho, mas parece que agora vai, gente. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (30) pelo The Hollywood Reporter.

Além dos Russo, o filme terá o roteiro de Dave Callaham, que cuida também de "Shang-Chi", a próxima aposta da Disney e Marvel para o mercado chinês. Apesar dos primeiros nomes envolvidos divulgados, não há qualquer indício de que o longa-metragem esteja próximo de escalar os atores. "A Pequena Sereia" ainda deve ser o próximo live-action da Casa do Mickey, previsto para algum momento de 2021.

"Hércules" foi lançado originalmente em 1997 no formato de animação 2D e conta a história do semi-deus por meio de um musical que rendeu o maior ato do milênio "Hero to Zero". A animação também fez sucesso pelo carismático Hades, dublado James Woods.
O novo coronavírus fez com que a conservadora Academia de Artes e Ciências Cinematográficas mudasse uma regra polêmica. Os filmes exibidos apenas em streaming também poderão concorrer na edição de 2021. Antes, era necessário que o longa-metragem ficasse em cartaz pelo menos durante uma semana. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (28).

A nova regra deve se aplicar apenas para a próxima edição do Oscar e é válida apenas para filmes que tiveram suas estreias em cinemas canceladas devido do COVID-19. Logo, longas que já seriam originalmente lançados apenas via streaming seguem de fora da corrida ao prêmio mais cobiçado da sétima arte.

Outra mudança é que a Academia transformou duas categorias em uma. As categorias Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som se tornam apenas Melhor Som. Deste modo, o Oscar passa a ter 26 categorias.
Atenção: a crítica contém spoilers.

Uma das críticas mais acessadas aqui no Cinematofagia é a de "Boa Noite Mamãe" (2014), que todo mês surge entre as mais lidas, mesmo há anos publicada. O filme é bem divisível: alguns o acham chatíssimo, outros uma obra-prima (me incluo aqui, sendo meu 43º melhor filme da década), e o hype para o novo e segundo filme da dupla austríaca Veronika Franz e Severin Fiala estava bem alto por aqui. "The Lodge" finalmente está entre nós.

"The Lodge" (traduzido como "O Chalé") começa com uma mãe (Alicia Silverstone) levando seus dois filhos, Aidan (Jaeden Martell, da saga "It: A Coisa", 2017-19) e Mia (Lia McHugh) até a casa do pai, um jornalista investigativo. O casal está passando por um processo de divórcio, e é claro desde a largada que ninguém além do pai gosta da nova namorada, Grace (Riley Keough). Ao anunciar que o casamento já está marcado, a mãe calmamente volta para sua casa, saca um revólver e se suicida.

A produção foi muito perspicaz em escalar Alicia Silverstone para o papel. Os primeiros minutos gravitam ao redor de sua personagem e, por ser a atriz mais conhecida do elenco, soa como a protagonista da fita. Matá-la antes mesmo da história de fato começar é uma ruptura efetiva no clima, e o acontecimento dita o destino de todos os personagens no ecrã - e, também, segue a artimanha de alguns dos maiores nomes da história do terror, como "Psicose" (1960) e "Hereditário" (2018), que não poupam suas supostas protagonistas no primeiro ato.

O suicídio da mulher é a ruína emocional da já fragilizada família, porém, quem mais sofre é Mia. Não apenas a morte da mãe, o que também a assombra é a certeza de que ela não entrará no Céu - suicídio é um pecado mortal nas escrituras cristãs, e condena a alma direto para o Inferno. É muito emblemática a cena do velório. Os presentes estão com balões pretos com hélio; Mia amarra sua boneca (vestida como a mãe) no balão, porém, ele é o único a não subir aos céus. A boneca, ao contrário dos outros, vai direto ao chão, uma imagética comprovação de que o lugar da mulher no pós vida não é ao lado do Criador.

Seis meses se passam e o pai diz que quer passar o natal com os filhos e Grace em seu afastado chalé. Aidan imediatamente se recusa, dizendo que a namorada é a culpada pela morte da mãe. Invadindo o computador do pai, os filhos descobrem que Grace é a única sobrevivente de um culto fundamentalista, liderado pelo seu finado pai, que cometeu um suicídio em massa. Para Aidan, ela é uma "psicopata", e o macabro vídeo mostrando os corpos com uma fita na boca escrita "Pecado" reforçam a ideia.


O pai consegue convencer as crianças sobre o feriado no chalé e finalmente Grace entra em cena. A obra faz tudo ao seu alcance para não emoldurar o rosto da mulher na tela, colocando-a por trás de vidros, janelas ou em takes de costas - assim como a mãe de "Boa Noite Mamãe" é apresentada ao público em doses homeopáticas. Isso dita onde reside a força motora de suas tramas e qual personagem deverá ser desvendada. O mistério está ali.

No chalé, Grace parece totalmente deslocada por esbarrar em um muro de indiferença criado pelos enteados. Para piorar, há diversos ícones e símbolos religiosos espalhados pela casa, o que, de alguma forma, a machucam. Não parece um ambiente saudável para ela, no entanto, mesmo com o pai dizendo que os planos podem ser mudados, ela afirma que pode passar alguns dias com as crianças enquanto ele volta ao trabalho. A coisa vai por água abaixo assim que ele vai embora.

Personagens em uma cabana longínqua vendo tudo dando errado? Clichê, para dizer o mínimo, todavia, "The Lodge" burla expectativas simbióticas da premissa. A dinâmica do filme vira a mesma de "Boa Noite Mamãe": uma mulher contra duas crianças. Grace tenta se aproximar dos dois; Aidan a ignora por completo e Mia a tortura emocionalmente quando mostra o presente que fez para o pai: um vídeo celebrando a mãe. Ela decide parar com o teatro e manda a real para Aidan, perguntando qual o motivo para aquele tratamento, pedindo para que o garoto se esforce para manter um ambiente menos tenso. Ele faz isso durante a noite, quando faz chocolate quente para ela enquanto todos assistem a filmes.

Só que quando todos acordam, toda a comida e pertences dos três sumiram. A energia também se foi, o que desliga o aquecedor, congelando os canos. Grace acusa os garotos, enquanto os dois acusam Grace, mas ninguém parece ter a menor ideia do que aconteceu - note o filme que está passando na cena anterior, "O Enigma de Outro Mundo" (1982), que exatamente se trata de uma história com personagens trancados em um lugar e acusando uns aos outros sobre o que está acontecendo. Estranhos sonhos se iniciam, com Grace sendo assombrada pela figura do pai enquanto Aidan tem um pesadelo em que todos morriam sufocados quando um aquecedor portátil a gás dá defeito. Algo claramente errado está se passando ali.

"The Lodge", a partir de então, segue o mesmo caminho traçado por "O Homem Invisível" (2020): construir seu mistério ao redor de um tom sobrenatural. No caso de "O Homem Invisível", é evidente que esse tom é uma ilusão (é só ler o título), mas "The Lodge" tem elementos o suficiente para sustentar a hipótese, como Grace e sua aversão a qualquer imagem religiosa e o sumiço de tudo, incluindo um remédio da mulher. A fita, assim como "Mãe!" (2017), não explana o que seria o medicamento tomado pela protagonista, deixando a plateia supor o que poderia ser, e, graças ao passado de Grace, provavelmente se trata de algum psicotrópico. Com a abstinência, Grace cada vez mais entra em um estado que cambaleia entre a realidade e a alucinação.

Mesmo há poucos dias ali, os relógios informam que semanas haviam se passado, e nada do pai voltar. Em uma desesperada tentativa de solução, Grace tenta encontrar outra casa a fim de pedir ajuda, mas inevitavelmente volta para o chalé. Lá, os filhos mostram um jornal com o obituário dos três: eles haviam morrido na noite dos filmes, e estariam no Purgatório, o limiar entre o Céu e o Inferno. Cabia a eles se arrependerem de seus pecados para salvarem suas almas, o que acorda todos os demônios enterrados em Grace.

Vamos sentar aqui e assimilar o que acontece. "The Lodge" tem uma reviravolta. É deliciosamente curioso como, mesmo sabendo que o filme sucede "Boa Noite Mamãe", nós esquecemos dos traços seguidos pelos diretores, que são bem similares em "The Lodge": as crianças são os maestros do caos. A película sadicamente introduz elementos, cenas e passagens que distraem o espectador do verdadeiro mal ali presente, e é maravilhoso ser "enganado". Aidan e Mia arquitetaram um plano muito detalhado a partir de uma maquete que replica o chalé, e são eles que escondem toda a comida e objetos, além de psicológica e emocionalmente manipularem Grace, levando a mulher à literal loucura. Tudo é feito para vingar a morte da mãe, como se a existência de Grace fosse a culpada. Aidan fala exatamente isso para o pai no começo da fita, mas é desconcertante perceber que ele fala com convicção, condenando a protagonista.


O cinema de Franz e Fiala subverte uma lógica do terror, quando as crianças são sempre vítimas. Sim, já existiram filmes em que crianças são as vilãs, mas os dois são especialistas ao criar um estilo dramático que percorra por aí; tanto em "Boa Noite Mamãe" como em "The Lodge", os adultos são peões impotentes da tática maquiavélica dos pequenos, e sempre fomentados por traumas - em "Boa Noite", os filhos culpam a mãe por um acidente que matou membros da família. Só que no caso de "The Lodge", as crianças foram longe demais e mexeram com a pessoa errada.

A carga religiosa que Grace por anos suprimia vem à superfície com toda a força. Ela está convencida de que todos do chalé devem passar por penitências físicas a fim da salvação, assim como Jesus deu seu corpo para a tortura. Quando o pai chega no local, depois de encontrar a maquete dos filhos com o plano, é morto por Grace em um torpor sacro, o primeiro a ser sacrificado pelo altíssimo.

Uma discussão fundamental que surge no subir dos créditos é: quem é o vilão da história? São as crianças, que propositalmente destroem a base de realidade de Grace? É Grace, que termina matando a todos? Ou é o pai, que troca a mãe por uma mulher mais jovem e não parece levar em conta os sentimentos dos filhos, apenas seu desejo? Porque, se pararmos para pensar, o estopim que leva ao sepultamento de todos os personagens é a decisão do pai em deixar a mulher.

Particularmente, as crianças são as maiores vilãs. O que o pai fez é inegavelmente egoísta e Grace sucumbe à loucura, enquanto todos os atos dos filhos são conscientemente calculados. Grace, inclusive, parece ser uma pessoa tentando encontrar uma redenção. No jornal que informa sobre o suicídio em massa do culto (bom dar uma pausa no momento), há uma passagem que revela que Grace é a única sobrevivente pois seu pai (o líder) queria que ela espalhasse a ideologia da seita, algo que claramente é repudiado por ela. Qualquer iconografia religiosa é um gatilho, e ela luta para se afastar do que representa o passado maculado pelo seu pai - e usado malignamente pelas crianças, sem noção do quão profundo e obscuro aquilo vai na mente da protagonista. Sinceramente, os dois mereceram o destino que tiveram.

"The Lodge" nada contra a maré do modelo atual de cinema de terror, acomodado em berrar sustos, e edifica sua atmosfera com muito cuidado, trabalhando com sugestões e temáticas geralmente tratadas com pobreza. Até a própria fotografia - do mesmo responsável por "O Lagosta" (2015) e "O Sacrifício do Cervo Sagrado" (2017) - é fundamental na imersão da história quando captura luzes naturais de maneira não convencional, no limiar entre claridade e escuridão. A religião católica já perdeu as contas de quantos filmes a tomam como ethos de maneira preguiçosa, sem agarrar o quão assustador pode ser quando roteirizada da maneira certa, e "The Lodge" é um desses exemplos de sucesso, ainda mais louvável quando não possui uma trama sobrenatural, bengala batida e saturada dentro do gênero.

Bom lembrar também sobre o como é um prazer ver diretores saindo dos seus países para o eixo EUA/Reino Unido sem abrir mão de suas personalidades e estilos a fim de degradar seus cinemas por uma bilheteria mais larga. "The Lodge" sucede "Boa Noite Mamãe" brilhantemente e ajuda a consolidar os nomes de Veronika Franz e Severin Fiala no alto escalão do horror contemporâneo.


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Prometido para ser exibido durante a final do Big Brother Brasil - o nosso Super Bowl - o novo comercial de "Mulher-Maravilha: 1984" foi liberado nas redes nesta segunda-feira (27), um pouco antes da exibição na TV. O teaser traz pouquíssima coisa nova, mas já dá para ficar ansioso, né?


A divulgação do comercial não é a primeira ação da Warner e DC Comics que deu mais atenção ao mercado brasileiro, um dos seus mais lucrativos do mundo. Em dezembro, o primeiro trailer do longa-metragem foi divulgado durante a CCXP 2019. Gal Gadot e Patty Jenkins, a diretora, inclusive vieram ao Brasil para divulgar o filme.

Conforme anunciado desde as primeiras gravações, "Mulher-Maravilha 1984" irá trazer de volta Steve Trevor, interpretado por Chris Pine. A volta do personagem traz mistério para a trama, visto que ele morreu no primeiro longa-metragem da heroína, estreado em 2016. De qualquer modo, esta é somente uma das diversas subtramas que o filme irá trazer, né? A gente tá louco para saber como será a relação de Diana com Cheetah (Kristen Wiig) e Max Lord (Pedro Pascal).

O longa estava previsto para junho de 2020, porém devido ao novo coronavírus foi empurrado para agosto. A gente torce para que o filme não seja adiado novamente.
Minha categoria favorita do Oscar é a de "Melhor Filme Internacional", a antiga "Filme Estrangeiro". Ela é, de longe, a seleção mais variada que a Academia consegue escolher, e isso se baseia na fundamentação da categoria: vislumbrar a cultura dos mais diferentes países por meio do Cinema. Com uma arte dominada pela língua inglesa, é enriquecedor ter contato com uma linguagem que, caso não fosse um filme, talvez jamais conheçamos.

O oligopólio é tão verdadeiro que, nos 92 anos do Oscar, apenas um filme não-inglês venceu a estatueta de "Melhor Filme", o coreano "Parasita", aqui em 2020. Eu, que vasculho as seleções anuais de "Filme Internacional" a fim de ter uma bagagem bem diversificada, busco me aprofundar em línguas que nem sabia que existiam. Então, a lista em questão visa compartilhar essas buscas.

Aqui estão 10 filmes falados (em parte ou inteiramente) em 10 línguas que o grande público provavelmente nunca ouviu na vida. Obviamente, os longas não foram escolhidos somente pela língua, possuindo todos qualidade o suficiente para serem muito mais que um portfólio cultural - você também notará que separei especificamente alguns nomes LGBTs porque sempre bom. Como sempre, todos os textos são livres de spoilers, captando apenas o que cada um tem de melhor para fazer você correr e assistir.


O Confeiteiro (האופה מברלין/The Cakemaker), 2017

Língua: Hebreu
Direção de: Ofir Raul Grazier
Thomas, um confeiteiro alemão, tem um romance secreto com Oren. O sigilo não se deve à sua sexualidade, e sim porque Oren é casado com uma mulher. Quando o namorado morre ao voltar para Israel, Thomas decide ir até a casa do falecido a fim de descobrir o que aconteceu. Só que, ao conhecer a esposa, ele não revela a verdade, e vai se tornando cada vez mais íntimo da viúva. Drama LGBT fincando no meio de Israel é interessante por si só, e o hebreu é uma das línguas mais antigas do mundo, ressurgindo no séc. XIX. "O Confeiteiro" venceu "Melhor Filme" no Ophir, o Oscar de Isreal, um belo feito para um longa gay.

Flores (Loreak), 2014

Língua: Basco
Direção de: Jon Garaño & Jose Mari Goenaga
Um buquê de flores é deixado na porta de uma mulher. Sem cartão ou identificação do remetente, ela acha curioso, mas deixa para lá. Só que outro buquê surge, e outro, e outro, e outro, e aquelas simples flores mudarão a vida dela. A língua basca é proveniente da região de Basco, que fica ao norte da Espanha, e diferente claramente das línguas da região por preceder o latim. "Flores" foi o primeiro filme em basco escolhido para o Oscar de "Melhor Filme Internacional", um feito e tanto, seja como ineditismo, seja como reconhecimento cultural, já que o espanhol é uma das línguas mais faladas em todo o mundo.

Os Iniciados (Inxeba), 2017

Língua: Xhosa
Direção de: John Trengove
"Os Iniciados", escolhido da África do Sul na corrida do Oscar - e sendo semifinalista -, é um filme LGBT que segue rituais de passagem da masculinidade na cultura africana e como a toxidade da figura do macho é difundida nas mais impensáveis sociedades. Recebido com extrema repressão em solo africano pelo conteúdo gay, é um triunfo a produção da fita pela temática dentro da língua Xhosa, falada por 18% da população africana em países como África do Sul, Zimbábue e Lesoto, ainda opressores e com perseguições severas contra minorias.

A Ilha dos Assobios (La Gomera), 2019

Língua: Silbo
Direção: Corneliu Porumboiu
Um policial deve libertar um empresário corrupto da cadeia, mas, para isso, deve entrar em um plano que o força a ir até a ilha La Gomera a fim de aprender o Silbo, língua secreta dos envolvidos no plano. "A Ilha dos Assobios" é majoritariamente falado em romeno, uma língua bem distante da nossa por si só, todavia, vai mais longe ao apresentar o Silbo, que é "falado" por meio de assobios. É fascinante ver os diálogos, quase cantados como pássaros, e a obra faz questão de ensinar na tela como ela funciona - e parece dificílima por ser nada similar com qualquer dialeto popular.

E Então Nós Dançamos (და ჩვენ ვიცეკვეთ’/And Then We Danced), 2019

Língua: Georgiano
Direção de: Levan Akin
Você deve até ter ouvido falar da Geórgia, mas sabe onde fica? O pequeno país fica na divisa entre Europa e Ásia e não possui um cinema tão difundido, mas há películas fantásticas por lá, como o escolhido do país para o Oscar 2020: "E Então Nós Dançamos" foi mais uma obra gay que sofreu retaliação pela população conservadora, e o filme expõe muito bem o quão homofóbica é a sociedade de lá. Conhecida pela sua dança, a história - que inegavelmente segue uma cartilha de filmes do molde - fica mais fascinante pela língua e pelo estudo cultural do país.

Atlantique (idem), 2019

Língua: Wolof
Direção de: Mati Diop
Um romance sobrenatural, "Atlantique" tem o Senegal como núcleo de sua trágica história: um casal tem a relação permanentemente abalada, mas há amores que perduram a eternidade. "Atlantique" foi um marco no seu lançamento: é o segundo filme senegalês consecutivo a ser selecionado pelo Oscar e foi o primeiro em wolof (língua da região do Senegal e Mauritania) e dirigido por uma mulher negra a vencer um prêmio no Festival de Cannes. O maior solidificador da desconhecida língua no Cinema moderno, sem dúvidas.

A Gangue (Плем'я/Plemya), 2015

Língua: Língua de Sinais Ucraniana
Direção de: Myroslav Slaboshpytskiy
Se você acompanha o Cinematofagia, sabe que não perco uma oportunidade de aclamar um dos melhores filmes já feitos. A experiência de assistir "A Gangue" é totalmente única: ele é "falado" em língua de sinais ucraniana, ou seja, você não ouvirá um só diálogo através da voz a sessão inteira. E melhor: não existe legenda para coisa alguma (propositalmente). O diretor - que também não era fluente na língua, precisando de um tradutor para ensaiar com os atores - quis produzir uma sensação jamais vista ao restringir ao máximo os diálogos, testando se o amor e o ódio precisam ou não de tradução. E não precisam. Pena para quem é fluente na língua, que não pode vivenciar o que quase todo mundo vivenciou.

Eu Não Sou Uma Bruxa (I Am Not A Witch), 2017

Língua: Bemba
Direção de: Rungano Nyoni
"Eu Não Sou Uma Bruxa" está bem próximo de "Os Iniciados": ambos vão no interior da África explanar um aspecto cultural acerca do gênero. O filme de Rungano Nyoni vai até a Zâmbia retratar como a tradição da opressão de bruxas ainda é algo recorrente na região, e usa a língua local, a bemba. Mesmo sendo bem desconhecida na cultura popular, é falada por mais de 4 milhões de pessoas na região da Zâmbia, Congo, Tanzânia e Botsuana. "Eu Não Sou" venceu o BAFTA (o Oscar britânico) de "Melhor Estreia", o primeiro falado em bemba a levar um BAFTA em toda a história.

Um Homem Íntegro (لِرد‎/Lerd), 2017

Língua: Persa
Direção de: Mohammad Rasoulof
Farto da política suja de sua cidade, Reza leva toda sua família para o campo, preferindo migrar léguas até a cidade do que conviver com o sistema. Só que a corrupção vai afetar sua vida de qualquer forma. "Um Homem Íntegro" traz um dos personagens mais perseverantes do Cinema quando Reza enfrenta tudo e todos para manter sua integridade, destinada ao fracasso. O Cinema iraniano é um dos mais espetaculares da atualidade e a língua persa uma das mais sonoramente envolventes.

Rafiki (idem), 2018

Língua: Suaíli
Direção de: Wanuri Kahiu
"Rafiki" é uma fita orgulhosa de suas origens. O título em suaíli foi vendido internacionalmente sem tradução, e carrega todo o peso de uma trama: significa "amigo", o termo que as pessoas homossexuais no Quênia chamam seus parceiros. A língua preenche a tela e a diretora Wanuri Kahiu pinta seu país da forma mais colorida que pode para celebrar a resistência de suas personagens em um país que condiciona a mulher ao papel de esposa. Sem surpresas, foi banido no país natal por ser uma "propaganda ao lesbianismo", o que é contra-lei - e, após brigas judiciais para a liberação do filme, o governo queniano de pirraça ignorou o longa na seleção para o Oscar.

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Vai acontecer! A franquia "Jogos Vorazes" retornará aos cinemas em breve com um novo filme baseado no livro de prelúdio "A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes", previsto para ser lançado em maio deste ano. A informação foi divulgada nesta terça-feira (21), pelo The Hollywood Reporter.

Fãs clamam pela volta da saga aos cinemas desde seu fim, com "A Esperança - O Final", lançado em 2015. Com o anúncio do prelúdio, que acompanha um jovem presidente Snow, muitos passaram a cogitar uma adaptação e a Lionsgate, responsável pela franquia, já está trabalhando no tão aguardado filme.

Francis Lawrence, responsável por três dos quatro filmes, irá assumir a direção e os produtores Nina Jacobson e Brad Simpson também voltam. Todavia, ainda não há qualquer nome cogitado para o elenco e o filme ainda não tem uma data prevista. Porém, já dá para ficar animado, né?

"A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes" se passa 64 anos antes do primeiro livro e irá acompanhar Coriolanus Snow aos 18 anos. De família pobre, ele vê uma nova oportunidade quando é designado para se tornar mentor da décima edição dos Jogos Vorazes. 

Janelle Monáe é uma baita de uma cantora e o seu último disco, "Dirty Computer", é uma prova disso. Nos últimos anos, entretanto, a artista tem se mostrado também uma excelente atriz. O primeiro teaser nacional de "Escolha", divulgado nesta sexta-feira (17), prova que ela, aparentemente, escolheu mais um projeto excelente para mostrar o seu talento na sétima arte.



Parece ser bem bacana, né? O filme acompanha a autora de sucesso Veronica Henley (Janelle Monáe), que "se vê presa em dois mundos e precisa descobrir um mistério alucinante antes que seja tarde demais". 

Além de Janelle Monáe no elenco, o longa-metragem traz também Jena Malone (franquia "Jogos Vorazes") e marca a estreia dupla de Gerard Bush e Christopher Renz como roteiristas e diretores. Ah!, "Escolha" possui os mesmos produtores de "Corra!" e "Nós", de Jordan Peele

Um dos primeiros trabalhos de destaque de Monáe no cinema foi no papel de Teresa, em "Moonlight", o ganhador do Oscar de Melhor Filme que rendeu uma das melhores cenas da cerimônia durante a entrega do prêmio. Ela também dividiu tela com Taraji P. Henson e Octavia Spencer em "Estrelas Além do Tempo", no papel da matemática e engenheira Mary Jackson.
A Netflix está preparando mais uma comédia romântica original para sua plataforma e desta vez será inspirado na vida amorosa de Antoni Porowski, de "Queer Eye". O Fabuloso, aliás, está envolvido na produção, junto de Kenya Barris, e Andrew Rhymer e Jeff Chan, responsáveis pelo roteiro. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (15) pelo The Hollywood Reporter.

O longa-metragem se chama "Girls & Boys" e acompanha as experiências sexuais e de namoro de Antoni com homens e mulheres. O filme é apenas inspirado na vida do cozinheiro e não deve se assemelhar a uma biografia.

Antoni faz parte do elenco de "Queer Eye", reboot da série "Queer Eye For The Straight Guy", junto de Jonathan Van Ness, Tan France, Karamo Brown e Bobby Berk. O reality show mostra a intervenção destes cinco homens na vida de uma pessoa. A intervenção vai muito além de roupas melhores e atinge a autoestima e insegurança destas pessoas.

Karamo também já se envolveu em um projeto da sétima arte, porém como ator no filme "The Thing About Harry". Ele interpreta Paul, o namorado do protagonista Sam, em uma única cena.
Com mais de 23 mil casos confirmados no Brasil e beirando aos dois milhões de infectados no mundo (dados 14 de abril de 2020), o avanço do novo coronavírus assusta e provoca diariamente diversas mudanças na cultura pop. Lady Gaga adiou o lançamento de "Chromatica" e o jogo "The Last of Us Part II", aguardado por fãs há anos, foi adiado por tempo indeterminado.

Os impactos na sétima arte não andam tão diferentes. A industria já suspendeu gravações, adiou estreias e realiza lançamentos direto via streaming ou on demand, em uma tentativa de não causar maiores prejuízos.

"Trolls 2", estrelado por Justin Timberlake e Anna Kendrick, é um dos principais exemplos que deve ser seguido pelos estúdios nos próximos meses. A animação da Universal Pictures foi lançada diretamente de forma digital e se tornou o maior lançamento do estúdio neste setor. Segundo a Forbes, o título era de "Jurassic World: Reino Ameaçado", mas a animação bateu o filme em 10 vezes nas vendas. 

O lançamento digital, entretanto, vale apenas para alguns mercados. O Brasil ficou de fora e a produção foi empurrada para outubro por aqui. A Forbes acredita que o lançamento direto on demand deve acontecer apenas para animações, como "Scooby!" e o novo filme do Bob Esponja. Filmes maiores, todavia, devem ser adiados o máximo possível para evitar o prejuízo.

Apesar dos adiamentos já oficializados, a Warner discutiu em meados de março deste ano sobre a possibilidade de "Mulher-Maravilha: 1984" sair diretamente de forma digital. De acordo com o The Wrap, a preocupação do estúdio, na época, era não encontrar uma boa data para o longa. Todavia, o receio já foi superado e, por enquanto, o filme está com estreia marcada para agosto deste ano.

Enquanto a Warner ainda estudava o que fazer, a Disney foi uma das primeiras a anunciar o adiamento de suas próximas estreias. "Mulan", por enquanto, está marcado para julho deste ano; "Viúva Negra" para outubro; "Soul" para novembro e "West Side Story" para dezembro. "Os Eternos", previsto inicialmente para 2020, ficou apenas para fevereiro de 2021.

O estúdio da Casa do Mickey também foi o primeiro a ter uma decisão um pouco mais radical que o on demand digital: o streaming. "Artemis Fowl" será lançado diretamente no Disney+ em 29 de maio. A data não representa qualquer adiamento, na verdade, visto que o filme já estava previsto para este dia.


E o que aconteceu com os longa-metragens que ainda estavam sendo rodados? Todos tiveram suas gravações ou pré-produções interrompidas. A lista vai longe: "A Pequena Sereia", "Avatar", "Esqueceram de Mim" (reboot), "Missão Impossível 7", "Jurassic World: Dominação", "Matrix 4" e "The Batman" são alguns dos principais filmes paralisados por tempo indeterminado.

A San Diego Comic-Con (SDCC), um dos maiores eventos voltados a quadrinhos e cinema, também corre o risco de não acontecer em 2020. Segundo a autoridade de turismo de San Diego, Joe Terzi, ainda está sendo feita uma avaliação quanto aos prejuízos devido a um cancelamento. David Glanzer, porta-voz da Comic-Con International, informou que também há a possibilidade da convenção de feita de modo online. Tudo está sendo estudado.

O que nos resta é esperar que o caos termine o quanto antes. Por isso, é preciso seguir as recomendações do Ministério da Saúde: fiquem em casa se possível, lavem bem as mãos com água e sabão ou álcool em gel, e evitem aglomerações.
O elenco de "High School Musical" vai se reunir pela primeira vez em anos para uma apresentação de "We Are All in this together" no especial "Disney's Family Singalong", que será transmitido pela ABC na próxima quinta-feira (16). Todavia, Zac Efron, que deu vida a Troy Bolton, irá participar apenas com uma mensagem gravada em vídeo. Parece que we are NOT in this together, não é mesmo?


A confirmação do especial e participação em vídeo de Efron foi feita por Kenny Ortega, diretor da trilogia, ao site Deadline nesta segunda-feira (13). Vanessa Hudgens (Gabriela), Ashley Tisdale (Sharpay), Corbin Bleu (Chad), Monique Coleman (Taylor) e Lucas Grabeel (Ryan) aceitaram sem qualquer problema, porém Zac foi adicionado de última hora, por meio de uma mensagem em vídeo. Nas palavras de Ortega, não conseguiram entrar em contado com o ator de "O Rei do Show" a tempo.

"Não conseguimos entrar em contato com Zac a tempo, mas quando conseguimos, ele imediatamente quis participar, é claro. (...) Todo mundo que procuramos [toparam] bem rápido — e vocês poderão ver em seu espírito e como eles se reúnem em suas casas. Eles perceberam que é uma oportunidade de fortalecer o espírito daqueles que se juntarem a nós na transmissão", relatou.

Além do elenco do filme, Joshua Bassett e Olivia Rodrigo de "High School Musical: The Musical - The Series" se unem e devem participar da mesma apresentação que será feita pela vanguarda da Disney. Ariana Grande, Auliʻi Cravalho (de "Moana"), Christina AguileraDarren Criss e Demi Lovato são alguns dos outros nomes que irão participar do especial da ABC. O elenco da versão teatral de "Aladin" também irá se reunir para uma apresentação de "Friend Like Me".

Pandemia e deixando mais de mil mortos no Brasil, o novo coronavírus afeta também diversos setores como a sétima arte. Teatros e cinemas foram uns dos primeiros a fecharem as portas no Brasil e em outros países nas primeiras semanas do COVID-19, e não demorou muito para que os grandes estúdios adiassem por tempo indeterminado diversas produções.

Entretanto, nas últimas semanas, estúdios como a Walt Disney, Warner e Universal divulgaram as novas datas e o It Pop reuniu os principais filmes de 2020 nesta lista. A primeira grande estreia acontece em julho, com "Mulan", que originalmente era para ter estreado em março, e nós esperamos de coração que até lá o número casos do COVID-19 tenha diminuído e as coisas comecem a caminhar nos trilhos.

Mulan

23 de julho de 2020 (nova data)


Mulher-Maravilha: 1984

13 agosto de 2020 (nova data)


Invasão Zumbi 2 - Península

27 de agosto de 2020


Um Lugar Silencioso - Parte II

03 de setembro de 2020 (nova data)


King's Man: A Origem

17 de setembro de 2020 (nova data)


Viúva Negra

20 de outubro de 2020 (nova data)



007 - Sem Tempo Para Morrer

19 de novembro de 2020


Top Gun: Maverick

23 de dezembro de 2020 (nova data)

Atenção: a crítica contém spoilers.

Gostaria de começar esse texto com um apelo que, ao mesmo tempo, é uma confissão. Eu julgo filmes pelos seus pôsteres. É claro que não é apenas ele que me fará assistir à produção, mas definitivamente possui quase uma ciência por trás das artes feitas e como elas podem gerar sensações que serão (ou deveriam ser) refletivas no filme. Por exemplo, um filme de terror com um cartaz "alegre" vai vender uma imagem discrepante, não é verdade? Enfim, o que quero dizer é: distribuidoras, caprichem em seus pôsteres, eles podem ser essenciais na captura a atenção do público.

Foi isso que aconteceu com "Vivarium", o segundo filme do ainda desconhecido Lorcan Finnegan - e o primeiro co-roteirizado por ele. A arte de divulgação da obra é belíssima e intrigante ao mesmo tempo, o encapsulamento ideal para a história que estava ali: um casal - Gemma (Imogen Poots, assustadoramente fantástica no papel), uma professora; e Tom (Jesse Eisenberg), um jardineiro - está em busca da casa dos sonhos. Eles encontram uma imobiliária que promete o conjunto habitacional perfeito, o Yonder, onde "famílias com qualidade de vida vivem para sempre". Eles são conduzidos por um estranhíssimo corretor - Martin (Jonathan Aris) -, que, durante a visita a uma das casas, desaparece. O casal tenta ir embora, mas simplesmente não consegue encontrar a saída naquele labirinto de casas iguais e desertas.

À princípio, tudo parece ter alguma resposta lógica para o casal, contudo, quando eles decidem seguir o sol e voltam exatamente para a casa #9, onde começaram, descobrem que há algo de muito errado ali. No meio do desespero, Tom incendeia a casa, só para ela estar intocada no dia seguinte; e ainda há uma surpresa: uma caixa é depositada na frente da casa. Dentro, há um bebê e a instrução: "Cuide da criança e sejam liberados".


Há diversos pulos temporais dentro da narrativa, fincando âncoras lineares a partir do crescimento do garoto. Ele cresce em uma velocidade anormal, e em três meses já parece uma criança de sete anos. Não satisfeito, ainda possui um comportamento totalmente desconcertante, com uma voz que claramente não poderia ser dele e imitando todos os passos, gestos, falas e tons de voz que Gemma e Tom fazem. Sua forma principal de comunicar algo que precisa é por meio de um grito ensurdecedor, só interrompido quando consegue o que quer.

O garoto - interpretado na forma infantil por Senan Jennings - é in-su-por-tá-vel, e peça seminal na construção da atmosfera do local. O ambiente, assim como o menino, é esteticamente correto: as casas miraculosamente pintadas, os móveis projetados com zelo, o céu sempre com nuvens perfeitas, todavia, absolutamente tudo ali, com exceção de Gemma e Tom, soam artificiais. Já na primeira refeição na casa, o casal afirma que a comida tem gosto de nada, e é exatamente assim que exala todo o resto. É como viver dentro de uma casa de bonecas gigante: tudo parece muito real, mas é só tocar para saber que é plástico.

É curioso ver como a dinâmica do casal é severamente mudada conforme eles vão acumulando dias presos no Yonder: se no começo discutiam sobre todos os significados que estariam ali, eles perdem essa urgência de sentar e conversar sobre o que diabos está se passando. Há tentativas de quebra do sistema - eles escrevem uma mensagem de socorro enorme no telhado e ficam na porta esperando que a caixa com comida do dia surja -, mas o único objeto de discussão restante é o menino.

Tom prefere deixar que ele morra , um ato de revolta contra o que quer que seja que controle o local - e, também, porque o menino é intolerável -; já Gemma decide manter, e até proteger, o garoto. Isso faz com que um distanciamento da relação os separe de tal forma que, mesmo estando fisicamente próximos, seus objetivos ali são diferentes. Tom está cavando um buraco no jardim da frente após descobrir quem o solo é feito com uma estranha substância; e Gemma vive para cuidar do garoto, mesmo lembrando-o constantemente que não é a mãe dele.

Uma das cenas chaves para entender o filme é a da brincadeira de imitação. Gemma diz para o menino imitar as pessoas que ele conhece, incluindo quem quer que seja que deu um estranho livro para ele. Ao imitá-lo, o menino começa a se transformar em uma criatura, para o desespero de Gemma. O desenho da criatura, uma mistura de humano com pescoço anfíbio, está no livro, junto com um idioma claramente alienígena.


O último ato segue o garoto já adulto, e a comprovação do tema por trás da película surge quando ele levanta o chão (!), como um tapete, e foge por diversas outras dimensões iguais a de Gemma - várias outras casas iguais, mas com famílias diferentes. "Vivarium" é um filme de E.T.s. Recentemente lançado, já podemos encontrar várias debates sobre o que o longa quis passar nos insanos 97 minutos. Vamos entender.

A primeiríssima cena é um ninho de pássaros. Lá, vemos o que um cuco faz: eles, ao invés de construírem os próprios ninhos, roubam os já prontos, depositam seus ovos e deixam o pássaro que o fez cuidar dos filhotes como se fossem seus. Eles são parasitas naturais, roubando a identidade dos reais filhotes e gritando quando precisam ser alimentados. O menino é como o cuco. O título também descreve bem: "Vivarium" significa "viveiro", uma espécie de aquário que imita um habitat real, e é exatamente assim que Gemma e Tom vivem. Eles são cobaias de uma raça alienígena, que estuda como os humanos agem em uma das configurações mais primitivas da sociedade: a família.


Desde o advento do "american dream" na década de 30, vivemos em um ethos circular que é repetido incansavelmente: o meio nos diz que devemos casar, ter nossa moradia, nossos filhos, criá-los e então morrer. É um passo a passo doméstico muito bem traçado que dita o que será uma vida de sucesso e fracasso. Dentro dos gêneros, o homem é o responsável pelo sustento dessa valsa, enquanto a mulher é quem cuida dos filhos, até que eles possam executar sozinhos o mesmo trajeto. Os aliens estão observando as cobaias desempenharem exatamente esse papel: Gemma cuida do garoto enquanto o trabalho de Tom é cavar o buraco aparentemente sem fim.

Bem no início, na cena da escola, há um diálogo importantíssimo entre Gemma e uma garotinha que encontra dois passarinhos mortos no chão.

- Quem fez isso com esses filhotinhos?
- Eu não sei. Talvez tenha sido um cuco.
- Por quê?
- Porque ele precisa de um ninho.
- Por que ele não faz o próprio ninho?
- Porque a natureza é assim, é como as coisas são.
- Eu não gosto como as coisas são. Elas são horríveis.

A conversa é um exemplo bem lúdico do que o Determinismo tenta explicar. O princípio diz que tudo o que existe na natureza está ligado entre si por rígidas leis universais que excluem o acaso, e que não existe nada que possa frear o que está feito para acontecer. O Determinismo também prega que até mesmo a vontade humana é totalmente predeterminada pela natureza, ou seja, a liberdade é uma ilusão coletiva. E todos esses conceitos caem como uma luva na trama de "Vivarium": Gemma e Tom são apenas experiências incapazes de escapar da força superior das criaturas que projetaram aquele viveiro. Elas só devem seguir o fluxo até que a tarefa ali - criar o menino - seja completada.

O diretor diz, em uma entrevista sobre o trabalho, que o consumismo está consumindo a humanidade. Estamos tão mecanicamente condicionados a uma mesma estrutura de vida que acabamos presos em uma sequência que parece ser a liberdade, o sonho comum, mas só parece. O Transcendentalismo, que provavelmente foi fonte para as postulações do roteiro, critica exatamente esse ponto: eles vão a fundo no ataque ao modelo americano de vida - que é reproduzido ao redor do mundo. Henry David Thoreau, autor do livro "A Vida nos Bosques" - uma das inspirações do filme "Na Natureza Selvagem" (2007) - defende que o homem moderno deve diminuir suas necessidades materiais, que o afasta da conexão com a essência. Dentro de um simulacro da vida ideal, o casal protagonista enxerga as amarras que sempre estiveram ali.

Estamos vivenciando uma fase interessante na mistura de horror e ficção científica - "Sob a Pele" (2013), "Coerência" (2013), "Aniquilação" (2018) -, casando criatividade com as colunas dos dois gêneros: atmosfera e reflexão. "Vivarium" sem dúvidas não é um longa para qualquer paladar: é uma fita lenta, estranha, sufocante e que não vai entregar seus segredos de mão beijada. Sua beleza imagética esconde toda sua bizarrice com uma estética que passeia por "Edward Mãos de Tesoura" (1990) e "O Show de Truman" (1998), e transforma a casa própria, uma das mais desejadas paisagens, em um verdadeiro labirinto em que cada esquina é um pesadelo.


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