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Atenção: a crítica contém spoilers.

Desde o anúncio oficial de "Suspiria" em 2015, Luca Guadagnino tratou de deixar claro que a nova versão não seria um remake do clássico de Dario Argento, lançado em 1977. Sem dúvidas, "Suspiria" é o filme definitivo da carreira de Argento, um marco histórico para a Sétima Arte que virou referência para inúmeros outros nomes dentro e fora do terror. O próprio Guadagnino afirmou que escolheu criar sua releitura pela experiência assustadora que teve ao assistir o original.

Para resumir sem rodeios, a única semelhança entre as duas versões é a premissa: Susie (agora interpretada por Dakota Johnson, estrela da malfadada franquia "Cinquenta Tons de Cinza") sai da América para Berlim, a fim de ingressar na escola de dança Tanz, mundialmente famosa por suas obras. A diretora do local, Madame Blan (Tilda Swinton, maior atriz em atuação), imediatamente se mostra interessada em Susie, que mal sabe onde está pisando: a companhia é controlada por bruxas.

"Suspiria", ao contrário do filme de 77, já começa impondo a verdade para a plateia: desde sempre sabemos que as professoras da Tanz são bruxas. Não há a descoberta do mistério como no primeiro - o roteiro de David Kajganich (que assumidamente não gosta do longa de Argento, risos) já assume que todos conhecem a história e não perde tempo com dubiedades. É só o primeiro caminho que a releitura toma na contra-mão, aberto quando Patricia (Chloë Grace Moretz) desesperadamente conta sobre o clã para seu terapeuta, Josef Klemperer (Tilda Swinton debaixo de quilos de maquiagem, o que comprova que todo o elenco principal é formado por mulheres).

Com uma revelação importante entregue logo de cara, uma das artimanhas da produção é encher o filme com superfícies refletoras. Muitas cenas passam a óptica através de vidros ou por meio de espelhos, como se a verdade estivesse do lado de lá, e o palpável, aquilo que vemos sem interferência, é uma ilusão. Em um momento, Josef fala que é preciso olhar mais perto para ver o que está escondido, o que é tanto uma afirmação literal quanto metafórica. Por trás das professoras e das paredes, os segredos estão esperando para serem desvendados.


Outra ruptura entre as obras é a paleta de cores: enquanto o original é coloridíssimo, a cinematografia de Sayombhu Mukdeeprom (que também fotografou a película anterior de Guadagnino, "Me Chame Pelo Seu Nome"), aliada com o design de produção e figurinos, abre mão das cores primárias para explorar tons escuros. O trato visual de "Suspiria" lembra o de "No Coração da Escuridão"; é um reflexo simétrico do clima da fita: frio, desolador e lúgubre.

E falando na fotografia, ela é costurada como um híbrido visual: há uma coleção de jogos imagéticos que nos atira à técnica dos anos 70, como a câmera rapidamente se aproximando dos personagens (o conhecido snap zoom); mas há, também, enquadramentos garbosos e contemporâneos, principalmente quando adentram os aposentos da escola - potencializada por uma direção de arte preciosa. Com enquadramentos em cima das atrizes ou planos abertos com a câmera arremessada até um ponto, "Suspiria" tem domínio de como tirar as melhores imagens de cada cena.

A cereja do bolo visual de "Suspiria" é sua montagem, feita em pedaços, como um gigante quebra-cabeças: enquadramentos fechados, focando em detalhes, são cortados com rapidez, fazendo com que o espectador assimile a mise-en-scène de dentro para fora - antes de mostrar o todo, a montagem mostra as partes. Em momentos que dois acontecimentos distintos ocorrem simultaneamente, a edição grita expertise: é impossível não falar da sequência em que Olga é morta.


Uma das minhas maiores frustrações com a película de 77 é que ela é sobre uma dançarina que chega em uma escola de dança e basicamente não há sequências de dança. A falha é prontamente corrigida e a dança é elemento primordial na narrativa da releitura, ferramenta cuja atmosfera seria perdida caso não existisse. Quando Susie dança a "Volk", apresentação criada por Blanc, ela - sem saber - atinge Olga fisicamente, matando-a aos poucos com seus movimentos. Sem trilha-sonora, a sequência já é uma das melhores cenas do ano quando duas ações diferentes se conectam com tanta maestria. A mixagem sonora - que evidencia o som dos ossos de Olga se partindo - é assustadora, assim como todo o momento.

Susie tem uma trajetória similar a de Jesse em "Demônio de Neon": virgem, tímida e recatada, transborda poder quando entra em sua arte, e todos os olhos não conseguem desgrudar daquela criatura que nasceu para a dança. Blanc, antes mesmo de vê-la, sentiu a força emanada pelos passos da protagonista, transmitida pelo edifício em si: a escola é uma personagem própria, que reage e compartilha energia para as bruxas pelas paredes.

O plano ali é simples: as bruxas estão correndo contra o tempo já que Helena Markos (também interpretada por Swinton, que possui três papéis - e em uma cena interpreta todos ao mesmo tempo) está morrendo. Markos é a líder do clã, e todas as outras bruxas gravitam ao redor de suas ordens. Uma eleição é feita para eleger quem será a "luz" a que todas servirão, e Blanc perde para Markos, que escolhe Susie para ser seu novo corpo. Mas o ritual de transposição de corpos demanda de vários detalhes, e o principal deles é: a hospedeira deve aceitar ser possuída pela bruxa. Blanc sabe que isso nunca acontecerá com Susie.


A apresentação que todas as garotas ensaiam nada mais é que parte do ritual bruxo para Markos possuir o corpo de Susie, colocada estrategicamente no centro da insana coreografia. Nela, a protagonista destrava o poder que habita dentro de si desde sempre: já na infância, era fissurada por Berlim, e sempre ansiou ir até a Tanz. Por meio da coreografia, inspirada em rituais de bruxaria, as bruxas achavam que estavam moldando Susie para as garras de Markos, mas, na verdade, liberam os poderes da garota, que se revela como a Mother Suspiriorum. Ela, como Nina em "Cisne Negro", oblitera sua personalidade para abraçar o lado animalesco e libidinoso, a fúria feminina que existe dentro do seu ser - simbolizada genialmente pela cena em que Susie rasga o próprio peito, sugestivamente em formato de vagina.

Essa é a maior diferença entre o filme de 77 e o novo: no original, Susie mata Markos e foge enquanto a escola padece em chamas. Para não seguir o mesmo passo, o roteiro aqui joga uma reviravolta quando Susie é uma das três bruxas ancestrais a reinarem pelo mundo - a mitologia, criada por Argento e explorada em três filmes, é bem explicada pelo texto. O sangrento clímax, durante o Sabá das Bruxas, mostra Susie eliminando Markos e todas as seguidoras que votaram por ela, um prisma da base histórica do roteiro.

A história em "Suspiria" não se passa na atualidade, e sim em 1977 - curiosamente, o ano de lançamento do original -, abocanhando o contexto histórico da Alemanha pós-guerra, mais precisamente os eventos do Outono Alemão. Caso você tenha esquecido das aulas de história e não se recorde o que foi esse momento, não se preocupe: apesar do roteiro passear por eles, não é preciso sabê-los de cor, o que pode gerar o tom de irrelevância - as várias pontuações por meio de jornais, televisões e rádios sobre os atentados e rebeliões da época não agregam de forma sólida à trama.


Contudo, é importante saber o contexto geral em que a Alemanha se encontrava na década de 70. Falida após a Segunda Guerra e debaixo do Muro de Berlim, as sequelas deixadas pelo nazismo ainda estão à flor da pele. A obra de 77 ignora por completo onde os acontecimentos residem, fomentando o cuidado extra do novo roteiro em conectar as tensões políticas e sociais com o que se desenrola dentro da Tanz.

A chegada de Susie representa a revolução, o fim da crise de liderança que o país sofreu. Assim como na Alemanha, a Tanz, e sua realidade única, está afogada em desordem e abuso de poder. Ao invés de fortalecer o clã e ensinar a bruxaria para as alunas, Markos, uma líder corrupta, usa as garotas para benefício próprio, sugando suas vitalidades para se manter imortal. Susie, quase um messias, chega para impor a ordem. Apesar de soar cruel, Mother Suspiriorum não é uma entidade maligna, ela é apenas justa - poupando todas as que foram contra Markos.

Depois de todos os sucessos listados, o ápice de "Suspiria" é sua atmosfera. Há imagens de beleza irretocável ao lado de cenas perturbadoras, emolduradas por uma narrativa onírica que, a partir de sua técnica, tem a capacidade de transformar o mundo físico em algo etéreo e narcotizante. Um dos mais perfeitos exemplos de pesadelos filmados, a obra usa o ecrã como palco de um manifesto puramente feminino, ser que secularmente aprendeu a manter a cabeça fechada e o útero aberto. Dotado de pretensão para dar e vender, "Suspiria" consegue ser traduzido por um diálogo proferido aos berros: "Isso não é vaidade, é arte".

Lançado em fevereiro de 1977, o filme italiano "Suspiria" se tornaria um verdadeiro clássico do terror e aclamado pelos cultzera. Quarenta e um anos depois de seu lançamento, o filme ganhará uma nova versão (não é um remake!), sendo dirigido por Luca Guadalagnino de "Me Chame Pelo Seu Nome", e seu primeiro trailer está entre nós. Prepare-se para ficar bem perturbado.



Perturbador, né?

Se não ficou muito clara a trama da produção, o tio explica de uma forma bem simples pra gente ter que bagunçar a cabeça só com o lançamento do longa-metragem. Em "Suspiria", acompanharemos uma bailarina que acaba descobrindo algo bem tenebroso em sua própria companhia de dança.

O filme tem Dakota Johnson, aquela mesma da trilogia "Cinquenta Tons", que está absurdamente bem no trailer, Tilda Swinton, quem a gente nunca se decepciona, e Chloë Grace Moretz, que há um bom tempo não ganha um grandioso papel. Como dedo da Amazon Studios, o filme estreia em novembro nos Estados Unidos; ainda não há previsão para o Brasil.
O mercado hollywoodiano sempre gostou de explorar os zumbis. É um leque bem variado de gêneros já explorados, mas especificamente pouco se viu dos monstros em comédias. "Zumbilândia" é a obra base que se usa de referência quando se trata desta mistura, e o filme mais recente do gênero é "Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi" como fofíssmo Tye Sheridan.

Jim Jarmusch, o diretor de "Amantes Eternos", é quem dará forma para um novo filme do gênero, cuidando da direção. Selena Gomez, Tilda Swinton, Adam Driver (franquia "Star Wars") e Bill Murray ("Zumbilândia") serão as grandes estrelas de "The Dead Don't Die"; Steve Buscemi e Chloe Sevigny também se reúnem ao elenco. As informações são do The Hollywood Reporter.

As gravações do filme já começaram, mas detalhes quanto a sua trama ainda não foram revelados. Com distribuição da Universal Pictures, "The Dead Don't Die" chega aos cinemas em 2019.
Atenção: a crítica contém spoilers.

"Okja" pode parecer um filme bastante inocente quando temos a história de uma garotinha tentando salvar a vida de sua amiga porca, mas desde a estreia no Festival de Cannes, em maio, a produção encontra polêmicas – conservadoras, mas ainda assim polêmicas. O festival, bastante tradicional, abriu as portas pela primeira vez para filmes que não são exibidos nos cinemas na competição da Palma de Ouro, o que enfureceu a muitos.

Quando o logo da Netflix, produtora da obra, apareceu durante a exibição, vaias ecoaram pela sala. Se de um lado temos essa resistência pela era dos streamings, por outro parece um final óbvio para a nova era do Cinema: o império construído pela Netflix já chegou até ao Oscar. Mesmo com as vaias, para contrabalancear, o longa recebeu palmas no término da sessão.

"Okja" é o sétimo filme do sul-coreano Bong Joon-ho, diretor dos ótimos "O Hospedeiro" (2006) e "Mother: Em Busca da Verdade" (2009), e o segundo filmado (parcialmente) em inglês - o primeiro foi "Expresso do Amanhã" (2013). Destrinchando ainda mais a premissa, temos um mundo onde a fome impera e a Corporação Mirando, liderada pela CEO Lucy Mirando (Tilda Swinton) desenvolveu um "superporco": uma raça de porcos modificada que aumentam seu tamanho e podem ser a solução da fome. 26 desses bichinhos (nada pequenos) são enviados para 26 fazendeiros ao redor do mundo para que, com as condições climáticas diferentes, a empresa descubra qual será, em 10 anos, o melhor dos superporcos. É aí que entra Mija (Ahn Seo-hyun), uma garotinha dona de Okja, a malfadada superporca que será eleita a melhor da raça (feita com competentes efeitos especiais).


A menina é enganada pelo avô (Byun Hee-bong) quando Dr. Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal), zoólogo e porta-voz da Mirando, anuncia que Okja é a vencedora. O avô, que mentiu dizendo que tinha comprado a porca, revela que a empresa não quis vendê-la e que agora ela vai até Nova Iorque, o que enfurece Mija. A garota então parte numa caçada global para resgatar sua melhor amiga.

A obra então se divide em duas vertentes: de um lado temos a aventura de Mija para se reencontrar com Okja e do outro temos uma viagem ao submundo da indústria alimentícia. A corrida da protagonista se difere em nada de qualquer filme da Sessão da Tarde onde o dono perde o cachorro e sai à procura para, no final, voltarem juntos felizes para casa, por exemplo, então o peso da mensagem cai em cima da segunda vertente.


Sabe aquele ditado “Quando você descobre como se faz salsicha, não vai mais querer comer”? Pois é, é mais ou menos assim que “Okja” deseja discutir o uso animal na indústria. Joon-ho, no entanto, não é um cineasta que se leva tão a sério. Em “Mother” o diretor aborda assuntos bastante complexos, porém, não abre mão de uma veia cômica que dificilmente funciona na maior parte dos filmes. Mas em “Mother” funciona pelas doses modestas, o que não acontece em “Okja”.

Talvez pela visibilidade, sendo um filme com grande elenco hollywoodiano e distribuído pela Netflix, Joon-ho cai de cabeça no pastelão, no mais comercial possível. Praticamente todos seus personagens são extremamente caricatos, parecendo bem mais personagens de desenho animado. O pobre Jake Gyllenhaal, coitado, é uma mistura bizarra de Ace Ventura (Jim Carrey) com Borat (Sacha Baron Cohen), cheio de trejeitos insuportáveis e uma voz desastrosa. Bêbado então, uma vergonha. O personagem, literalmente, poderia não existir que a história mudaria em pouquíssima coisa, sendo facilmente substituído.


E esse é o principal problema da película: levar na brincadeira algo que deveria ser mais sério. Não, o tema não precisaria de um estilo documental, seco, corretíssimo, no entanto, há tanta baboseira envolvida que é impossível apreciar as discussões mais relevantes do roteiro: ao invés de transformar o riso em algo inteligente, a linguagem não nos faz levar a sério o que está exposto. É quando o lúdico deixa de agregar para ser pateta.

Há, aqui, um cerne claro: consumo irresponsável de carne é ruim. Diferente do que muitos dizem, “Okja” não é um filme pró-veganismo; a própria protagonista come carne. O que o filme tenta debater é como a indústria lida com a vida de animais para o consumo humano e como ignoramos todos os maus tratos enfrentados pelos bichos em prol do nosso churrasco de domingo.

Tal discussão é absolutamente válida e urgente, entretanto, “Okja” não abre mão dos macetes mais forçados possíveis para julgar toda a trama: de um lado temos Mija, a inocente e determinada protagonista, que encontra forças com uma associação de libertação animal (uma versão mais radical e ficcional do PETA); do outro, a Corporação Mirando, com seus malvados e cruéis proprietários, que só visam o lucro a qualquer custo. O binarismo “bem” versus “mal” de segunda série aqui não dá o peso das enormes camadas que a situação pede, com toda a trajetória obrigando o espectador a cair de um dos lados do ringue ao invés de expor seus lados de forma natural. Você é obrigado a engolir o que o filme diz, o que torna a discussão sem propósito, já que, no fim das contas, não é bem uma discussão.


Com a discussão posta goela abaixo, sobra ao longa a viagem de Mija até Okja. Uma das melhores coisas da obra é o uso de atores orientais e falas coreanas, o que não torna toda a coisa em uma novela da Glória Perez onde todas as pessoas do mundo falam a mesma língua (sem sotaque). Nos primeiros encontros dos americanos com Mija, há um tradutor, que inclusive gera um dos melhores momentos da fita, porém, em determinado momento, o filme se cansa dessa barreira linguística e faz com que a protagonista aprenda inglês dentro de um voo. Sim, a garotinha sai do avião entendendo e falando inglês básico, uma língua absurdamente diferente do coreano. Superdotada, QI avançado.

Outro ponto interessante é a inteligência dos superporcos: eles são capazes de realizar cadeias de pensamentos complexas. Numa cena, onde Mija cai num precipício, Okja, com uma corda, consegue desenvolver grandes cálculos matemáticos para poder salvar a dona. Perto do final, ao sair de um matadouro na sede da Mirando, um casal de porcos entrega seu bebê porco para que Mija o leve a salvo, numa hiper humanização dos bichos, mais humanos que nós mesmos. A cena, o ápice constrangedor do filme (e olha essa disputa que é páreo duro), joga gás lacrimogêneo tela adentro com todos os porcos se compadecendo da própria situação e chorando em coro. Melodrama mexicano.


Para finalizar o show de erros que encontramos aqui, a solução é completamente sem propósito: Okja vai até Nova Iorque porque o avô de Mija não consegue comprá-la. Com o dinheiro, ele compra uma porca de ouro e dá para a neta. Faltando segundos para a morte de Okja (claro), Mija oferece a porca de ouro em troca de sua amiga. Nancy Mirando, a irmã (ainda mais) malvada de Lucy (também interpretada por Swinton, dessa vez reforçando a afetação), decide aceitar a oferta. Ora, pra quê então todas as duas horas de projeção se a solução já estava ali desde o começo do filme? E se a irmã "menos malvada" não aceitou a venda, quais as chances da pior aceitar?

E é cômico, para não dizer trágico, a forma como o filme termina: tudo continua do jeito que começou. A Mirando continua abatendo porcos enquanto Mija volta para casa tranquila com Okja (e o bebê porco). Ela só queria resgatar a amiga, e quando o fez, seguiu com sua vida enquanto o próximo porco entrou na linha de produção para ser morto. "Okja" é um círculo vicioso: toda a sua duração começa e termina praticamente no mesmo lugar, Mija com Okja, Mirando matando seus animais. A obra faz a mesma coisa que critica: todos nós sabemos dos problemas e crueldades da indústria animal, mas continuamos a viver sem grandes preocupações, assim como a "heroína".

“Okja” tem boas intenções, isso não há como negar, num longa que minimamente nos bota para pensar sobre capitalismo e o que colocamos em nossos pratos, e há um belo design de produção e momentos agradáveis  o início, mostrando a vida de Mija com sua porca de estimação, é fofo , contudo, a propaganda panfletária e didática contra o uso indiscriminado de animais para o consumo predatório se torna chacota com todos os elementos paupérrimos utilizados para construí-la, o que desvia também o público-alvo da película. Não é um clássico infantil, pelas discussões avançadas e sua linguagem, mas definitivamente não é um filme adulto, por todo o pastelão "Zorra Total". Pela aventura clichê e previsível, o emocionalismo barato, as soluções preguiçosas e os personagens vergonhosos, “Okja” é um ótimo filme para vender pelúcia, mesmo seu animal mais parecendo um hipopótamo do que um porco.

De todas as entidades fantásticas que o ser humano já criou, o vampiro talvez seja a mais poderosa. Quando falamos de arte, focando no Cinema, o número de filmes que possua o tema vampiresco de forma geral ou coadjuvante é extenso, e todos devem a um vampiro em específico: Conde Drácula. A figura do vampiro existe em diversas culturas sob diversos nomes há séculos, mas foi Bram Stoker e seu livro “Drácula” (1897) que transformaram a entidade num ícone cultural.

Para termos uma ideia, apenas com o Conde Drácula já foram feitos mais de 200 filmes. O impacto é tão grande que, ao ouvirmos sobre a Transilvânia, terra natal do dentuço, é impossível não associarmos imediatamente a vampiros. O primeiro grande filme sobre ele é, curiosamente, um plágio. “Nosferatu: Uma Sinfonia do Horror”, de F.W. Murnau, foi lançado em 1922 e usava todos os elementos de “Drácula”, apenas mudando alguns detalhes, como a língua (“Nosferatu” se passa na Alemanha), e o Conde Drácula virou Conde Orlok.

Stoker então recorreu à justiça e ganhou a causa, com todas as cópias de “Nosferatu” condenadas à destruição, mas felizmente cópias piratas sobreviveram, resgatando o filme para a presente era – e com domínio público. O filme é um marco do cinema de horror e criou uma entidade que viria a ser presença confirmada na Sétima Arte.

Imagem: Divulgação/Internet
Depois disso tivemos, em 1931, “Drácula”, o mais famoso filme sobre o vampiro, com Bela Lugosi criando a mais clássica interpretação do personagem. De lá pra cá então tivemos “Drácula de Bram Stroke” em 1992, “Entrevista Com o Vampiro” em 1994, “Blade” em 1998 – e os exemplos não acabam. Mas foi em 2008 que o cinema vampiresco ressurgiu com toda força.

Fugindo da áurea soturna e sensual do vampiro clássico, a saga “Crepúsculo” foi a romantização da criatura, agora misturados na sociedade como adolescentes. E mais: eles brilham sob a luz do sol. Baseados nos livros de Stephenie Meyer, os cinco filmes foram – e continuam sendo – um fenômeno mundial: $ 3.3 bilhões em bilheteria, uma das maiores séries cinematográficas da história. Era a fixação definitiva do vampiro no cinema desse novo século. 

Porém estava longe de cifras bilionárias o melhor filme sobre vampiros do século XXI (até presente data, claro). O posto, conseguido com grande batalha, é de “Amantes Eternos” (“Only Lovers Left Alive” no original, “apenas amantes permanecem vivos”), lançado em 2013. O filme, dirigido por Jim Jarmusch, conta a história de Adão e Eva, dois vampiros vivendo no mundo moderno.

Imagem: Divulgação/Internet
Adão, interpretado pelo espetacular Tom Hiddleston, mora em Detroid, Estados Unidos, enquanto Eva, interpretada pela musa Tilda Swinton, vive em Tânger, Marrocos. Numa ligação, ela nota a voz abatida do amado e decide voltar para a América. É aí que a paz do casal se encontra em perigo com a vinda de Ava (Mia Wasikowska), instável irmã de Eva.

Uma das maiores belezas do filme é a composição visual dos vampiros. Já na segunda década deste novo século, a imagem clássica do vampiro com capas e caixões é ultrapassada. Adão e Eva nem sempre usam roupas modernas, é verdade, mas nada tão óbvio. Enquanto ele usa preto dos pés à cabeça – como seus negros cabelos, ela usa branco – como suas platinadas madeixas. Ele é melancólico, pessimista e obscuro, enquanto ela é vívida, luminosa e otimista. Ele ama música, ela, literatura. Ele cansou de tentar, ela procura sempre algo novo – é dela a brilhante ideia do picolé de sangue. E dois seres tão diferentes se unem de forma espetacular na tela.

Imagem: Divulgação/Internet
O casal é um yin-yang perfeito, que só funciona com suas partes unidas – e essa é só uma das várias simbologias de “Amantes Eternos”. O filme começa com um plano circular, que gira em torno dos protagonistas, como se entrássemos naqueles cosmos a partir de agora e pudéssemos compartilhar de um pedaço da vida daqueles seres eternos.

E é aqui que mora um dos fascínios dos vampiros: a imortalidade. Quem nunca desejou por algum momento ter tamanho dom? O quão incrível seria não se preocupar com o ponteiro do relógio que segundo a segundo vai esvaindo nossas vidas? Em quase todo filme sobre seres superiores ao tempo isso é incrível, mágico e sensacional, mas em “Amantes Eternos” o peso do tempo é mais crível e palpável.

Enquanto Eva procura aproveitar sua existência com todos os percalços, Adão é negativo quanto ao mundo e os seres que neles habitam, principalmente em relação aos “zumbis”, forma pejorativa que ele chama os humanos. Ele lamenta a forma que nós destruímos nosso mundo e a nós mesmos, cada vez mais desejando por um fim na sua existência.

Imagem: Divulgação/Internet
Pensemos: você vive por séculos, já experimentou das mais diversas culturas, já presenciou os mais diferentes fatos históricos, já viu milhões de pessoas morrendo e já fez praticamente tudo o que poderia ser feito. E agora? A vida vampira é regada por muita cultura e muito tédio. Eva é vista envolta de montanha de livros, enquanto Adão é soterrado por vinis e instrumentos musicais. O nível intelectual dos dois é tão absurdo que nada mais os satisfaz – além do desejo de um pelo outro. E é aí que mora a chave dessa sustentação milenar: o amor dos dois – que reflete o título original do filme.

Outro aspecto importante da vida das criaturas é a alimentação. Como bem lembra Eva, não estamos mais na Idade Média, onde eles tinham a liberdade de consumir o sangue que quisessem sem serem perturbados – o nível de mortalidade era altíssimo. Mas estamos na era do big brother, onde há uma câmera em cada esquina. Caçar humanos é impensável.

Enquanto Eva era fornecida pelo amigo Christopher Marlowe (interpretado pelo incrível e eterno John Hurt) – sim, o poeta; aqui ele é um vampiro que fingiu sua morte em 1593 (!) –, Adão se veste de médico, sai na calada da noite até um banco de sangue e suborna um médico para conseguir seu sangue O Negativo. A cena é mortalmente cômica, desde a forma fria que ele tenta fingir ser um médico de verdade – usando utensílios ultrapassados – até a maneira que o médico do local morre de medo dele, mas aceita a barganha pelo dinheiro.

Imagem: Divulgação/Internet
Há ainda um ponto que, de tão óbvio, pode passar batido na resolução do longa: a forma que Jarmusch trabalha com a noite. Como todos sabemos, vampiros são seres noturnos, então todas as cenas do filme se passam à noite. Diferente da abordagem tradicional em filmes vampirescos, as noites aqui são sensuais, misteriosas e insinuantes, como se compartilhassem da natureza das criaturas. Não há temor, há atração. A cena final, com os dois vampiros observando um casal que delicadamente se beija, é a concepção máxima dessa noite emotiva do diretor.

O próprio nome dos vampiros também revela muito: eles conheceram tempos remotos e estão juntos até hoje, como se fossem os primeiros, e mais duradouros, amantes do planeta. Sem toda a ideia bíblica de pecado original, já que os dois são tratados quase como divindades, seres dotados de moral única e comportamentos dignos dos longos séculos nas costas, Adão e Eva são as peças definitivas que se encaixam como nenhum par. A víbora desse Jardim do Éden é Ava, a irmã que assombra os dois.

Imagem: Divulgação/Internet
“Amantes Eternos” é um longa primoroso pela versão atual e fiel do que viria a ser um mundo habitado por vampiros, uma das abordagens contemporâneas que conseguem casar com nossa realidade – a série "True Blood" é outro bom exemplo disso. Trazer figuras milenares que residem em nosso imaginário em cenários arcaicos como castelos para a era da internet é, no mínimo, curioso, e Jarmusch disseca essa premissa de forma genial, o que nos desafia e coloca em cheque nossas próprias concepções de realidade e modernidade, além de nos fincar ao chão sobre nossa tão sonhada imortalidade – ela pode não ser tão agradável assim.

Depois de ver incontáveis gerações, o que há mais para fazer? Como lidar com a futilidade da vida eletrônica e como preservar o tempo que eles vieram? Essas são algumas das várias questões levantadas no desenvolvimento de "Amantes Eternos". Tudo isso cria uma áurea magnética e narcotizante que nos faz adentrar naquela realidade vampira de forma ímpar, harmônica e sempre bela. Não importa que criatura você seja, o quanto tempo você exista e nem de onde você veio. No fim das contas o que nos une – e deve nos unir – é o amor, seja ele pelo o que for. Sejamos sinceros, não dá para não amar um filme sobre vampiros hipsters. Eles amam Jack White.


Após "Homem-Formiga", filme que pode ser o grande escorregão da Marvel, e "Capitão América: Guerra Civil", teremos "Doutor Estranho", e, diferente do primeiro, as apostas são grandes, já que temos um nome bem relevante no papel principal: Benedict Cumberbatch, aquele que é o Sherlock Holmes em uma série de tevê, e que já emprestou sua voz a um dragão. E, aparentemente, o elenco pode ganhar mais um nome de peso. Nós já até providenciamos o papel e os lápis para perguntar ao Charlie se isso realmente acontecerá.

Tilda Swinton, nossa eterna Feiticeira Branca de "As Crônicas de Nárnia" - muitos da geração atual conheceram a atriz por tal longa -, está de olho no papel do Ancião -  mestre de Stephen Strange nas artes místicas -, segundo o Hollywood Reporter. Pera, o personagem não é masculino? Calma lá, o site ainda afirma que a ideia original era manter o gênero do personagem, sendo destinado ao Morgan Freeman ou Chiwetel Ejiofor, mas, depois de uma reformulação de roteiro, o Ancião tornou-se Anciã. 


Doutor Estranho é um personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1963. Antes, Stephen Vincent Strange, era um cirurgião, que ao perder suas mãos em um acidente de carro, parte em busca de um cura. Encontrando sua cura lá no Himalaia, acaba tornando-se, por consequência, o maior mago do Universo Marvel! "Doutor Estranho" tem estreia prevista para 4 de novembro de 2016.

Misture um pouco de vampirismo, nada de vampiros brilhando, e um romance. Calma, não fiquem receosos. Algo bom esta por vir! Estou falando de "Only Lovers Left Alive", um filme que promete tirar aquela imagem que, por ser a mesma temática, a Saga Crepúsculo (aceitem fãs) deixou.

O filme conta com nada mais, nada menos que Tilda Swinton (precisa dizer que ela é uma ótima atriz?) e Tom Hiddleston, nosso eterno Loki, que interpretarão um casal vampiresco que são eternos amantes, séculos, e em um momento da vida se separam e mais tarde se reencontram, a partir dai digamos que o filme começa. O clímax do filme se dará com a chegada da irmã de Tilda, Mia Wasikowska. Já vimos algo do tipo não? Mas desta vez parece que vai ser algo BEM melhor.

O longa, que está sendo exibido em vários festivais no mundo, já tem trailers e posters. Confira!


Tudo parece tão bom não? Ainda não temos uma data de estreia oficial nem para o cinema americano, nem para nós, brasileiros. Esperamos que seja o mais perto possível!