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Se o isolamento não nos permite frequentar shows e baladas, impulsionou e popularizou os formatos virtuais que, nas mais variadas redes sociais, têm tentado adaptar eventos que aconteceriam ao longo desse ano para transmissões e videoconferências.

Foi o caso da festa Trophy, que contamos por aqui há algumas semanas e terá mais uma edição no dia 6 de junho, e é agora do Hyperpop Festival, evento completamente online, que contará com atrações nacionais e internacionais e acontecerá durante os dias 22, 23 e 24 de maio pela plataforma Twitch.

Com curadoria do duo Cyberkills, famosos por produções e remixes para artistas como Pabllo Vittar, Mia Badgyal e Jup do Bairro, o festival contará com dois formatos, sendo eles de performance e DJ Set; no primeiro, os artistas se apresentarão, cantando ou dançando suas músicas, já o segundo, é focado na apresentação de “sets” por cada um dos DJs convidados.


A iniciativa, além do objetivo de explorar e popularizar a cena do hyperpop e pc music no Brasil e mundo, pretende também levantar fundos para o coletivo Mães de Favela, programa criado pela CUFA para auxiliar mães e chefes de família que vivam em comunidades por todo o país.

O line-up é um prato cheio para os órfãos de festivais neste ano, incluindo headliners como a cantora canadense Allie X, a rapper americana Kilo Kish e o brasileiro Davi Sabbag, já entre os DJs, se destacam nomes como Aquaria, de ‘RuPaul’s Drag Race’, Nina Las Vegas e a produtora brasileira Badsista, que assina o mais recente lançamento de Jup do Bairro, “All You Need Is Love”, também presente nas atrações.


Com transmissão pelo Twitch, o Hyperpop Festival deverá divulgar os horários de todas as atrações pelo Instagram do Cyberkills, que já anunciou os detalhes desta sexta-feira (22), data em que abrirão seus trabalhos:

Nem deu tempo de sentir saudades, né gente?

Na manhã desta segunda-feira (16) chegou a vez do músico Davi Sabbag, ex-integrante da Banda Uó, anunciar a chegada da sua carreira solo, que acontecerá ao som da faixa “Tenho Você”.

Cantor, produtor e compositor, Sabbag fez o anúncio por suas redes sociais, onde também adiantou sua capa e quando a música será lançada: dia 24 de julho, na próxima terça-feira.


O último single da Banda Uó, “Tô na Rua”, foi produzido por Davi, ao lado do também produtor e amigo de longa data da banda, Pedrowl.


Já estamos aqui torcendo pelo moço, né? A gente, você já tem! 
“Tô Na Rua” foi, sem dúvidas, um dos melhores e mais tristes lançamentos da música pop brasileira no último ano. Melhores porque entregou um dos trabalhos mais interessantes da Banda Uó que, sob a produção de Pedrowl e um de seus integrantes, Davi Sabbag, demonstrou não só muito mais maturidade musical, como também estarem pronta para alçar voos maiores; tristes porque esses voos não acontecerão como um trio, mas, sim, com os três em suas respectivas carreiras solos.


A despedida da banda, que surgiu na internet há seis anos, com uma versão eletrobrega para o hit “Whip My Hair”, de Willow Smith, dá fim a todo um ciclo que abriu as portas para muito do que a música pop brasileira se tornou hoje, incluindo a ascensão de nomes como Pabllo Vittar, Lia Clark e, por que não?, de certa forma, até mesmo Anitta.


Apadrinhados pelo Bonde do Rolê, que na época já tinha a frente de suas produções Rodrigo Gorky, hoje também produtor de Pabllo Vittar, Alice Caymmi, entre outros, a Banda Uó começou a fazer seu nome pela zoeira, todo o sentimento do trash que era legal, mas bastava se aprofundar em seus trabalhos para ver que, apesar das brincadeiras e versões escrachadas para hits gringos, o que tínhamos era a boa música pop sendo produzida e em português e com muitos refrãos chicletes e arranjos que transformavam essas melodias nas propostas mais brasileiras possíveis. E dava certo.


O primeiro disco veio pela Deckdisc. “Motel” (nossa resenha), de 2013, era o primeiro passo ousado da banda, que agora se desvencilhava das versões e covers para abraçar suas próprias canções, e o resultado não poderia ter sido melhor: o álbum rendeu canções como a caricata “Faz Uó”, a maravilhosa “Búzios do Coração”, a homenagem inesperada a Rita Cadillac, “Show da Rita”, e até a participação do produtor Diplo, naquela época ainda no início do hype que se estende até os dias atuais, na faixa “Gringo”.


Dois anos mais tarde, chegou a hora deles descobrirem se podiam ir além e, com seu segundo disco, “Veneno” (nossa resenha), miraram ainda mais alto. O álbum investiu pesado em fórmulas mais comerciais e letras menos explícitas que o anterior, mas sem deixar de lado toda a zoeira que sempre acompanhou a banda, assim como as referências, aqui revividas diretamente dos anos 80 brasileiros.


O grande hit dessa era foi a parceria com Karol Conka, “Dá1Like”, mas o trabalho ainda rendeu releituras para sucessos como “Pretty Fly (For a White Guy)”, do The Offspring, na faixa “É Da Rádio?”, e “U Can’t Touch This”, do MC Hammer, em “Arregaçada”, além de clipes para as canções “Sauna” e “Cremosa”.


Assim como a música pop brasileira se viu entretida, em outrora, por nomes como Mamonas Assassinas e Blitz, a Banda Uó surgia como uma alternativa moderna - e muito bem vinda - de toda essa pegada trash para os dias atuais, dentro de uma era em que as rádios e os programas dominicais de TV eram gradualmente substituídos pelo Youtube, Spotify e tantas outras formas de se oferecer e consumir música, e nessa breve trajetória, não só descobriram e conquistaram seu espaço, como se fizeram ser vistos, curtidos e compartilhados, com um trampo independente e muito bem feito em português. Abrindo as portas para todos os outros que vieram depois.



Mais do que isso, a banda também se tornava um diferencial para os diálogos em torno da sexualidade e diversidade, anos antes do Brasil se ver entre a maior drag queen da música atual e toda essa onda de ódio, desinformação de LGBTQfobia que, enfim, vem sendo amplamente debatida. E se hoje, com tanto acesso à informação e possibilidade de discussões, isso ainda é um problema, quem dirá há anos atrás, para um grupo formado por dois gays e uma mulher trans e negra.


Com “Tô Na Rua”, entretanto, essa despedida tem mais um tom de “até a próxima” do que um adeus propriamente dito, e como os próprios cantam, eles continuarão por aí, sempre saberemos onde os encontrar. Nesta sexta (02) acontece o último show da Banda Uó em São Paulo, no Tropical Butantã, e se fossemos vocês, não perderíamos o fim desse capítulo por nada.