Os 50 melhores discos internacionais de 2018

Será que seu disco favorito entrou pra nossa lista?

Cê já segue o @instadoit? Também temos conteúdo te esperando por lá! ;)

Todo ser humano recebe o som de uma maneira extremamente singular. O som, que através do ar chega aos nossos tímpanos e é decodificado pelo cérebro, em nossa mente é convertido para um formato visual, aqui gerado após uma sequência de eventos mentais baseados em nossos sentimentos, lembranças e associações. Que, enfim, define a maneira como reagiremos a ele.

Pensar nisso é essencial para compreendermos a subjetividade do que é tratado como bom ou ruim e, consequentemente, considerarmos que, apesar dos críticos, números de paradas e qualquer outro indicativo, toda música, disco ou artista poderá soar bem para alguém, ainda que ele realmente não seja nenhum merecedor de um Grammy ou qualquer coisa assim.

Da maneira mais subjetivamente processada, ouvida e discutida possível, esses são os nossos 50 discos internacionais de 2018:

50. Shawn Mendes, “Shawn Mendes”




Esse romantismo acústico e piegas propositalmente brega, mas, ainda assim, legal para os jovens, é tipo o que o Timberlake amaria ter feito no seu “Man of the Woods”. Felizmente, Shawn Mendes fez primeiro e melhor. - GT

49. Bebe Rexha, “Expectations”




Em seu disco de estreia, Bebe Rexha propõe uma grande sessão de terapia. Ela fala da dificuldade da fama, de se estar a cada hora em um lugar e, assim, não conseguir criar raízes, dos relacionamentos que vem e vão nesse meio tempo e de sua saúde mental em todo esse contexto. Com letras poderosas - seu ponto forte - o "Expectations" lida com as expectativas pós-fama, e mostra que a vida de um artista não é só glamour, mas é como a própria Bebe diz: o que for pra ser, vai ser. Então, vamos lá, pra ver por onde essa estrada vai nos levar. - NA


48. James Bay, “Electric Light”




Na contramão do hit “Let It Go” e o disco que o lançou para o mundo, James Bay adotou novas camadas para o seu som e, no disco “Electric Light”, acertou num pop-roqueiro-moderninho que, da estética a sonoridade, utiliza da mescla de macetes e experimentações pra mostrá-lo enquanto um artista muito mais interessante do que seu primeiro sucesso demonstrava ser. - GT


47. Bea Miller, “aurora”




Bea Miller aderiu ao lançamento compartimentado, liberando primeiro 3 EPs, chamados de "Blue", "Red" e "Yellow" para, então, com a adição de mais algumas músicas, lançar oficialmente seu novo disco. O "aurora" conta uma história sensorial de como a garota superou uma depressão lidando com relacionamentos amorosos e consigo mesma: o azul representa a tristeza, o vermelho a raiva e o amarelo é a forma como ela se levantou a partir disso tudo. Para a artista que surgiu bem nova no The X Factor USA, foi uma forma certeira de mostrar seu amadurecimento, principalmente em termos de composição. - NA

46. Camila Cabello, “Camila”




Lançar um disco de estreia já não é fácil, mas a missão de Camila era ainda mais complexa: se apresentar como uma artista à parte do Fifth Harmony, mostrando identidade que desse sentido à sua saída do grupo. Com alguns singles descartados aqui e um problema com a gravadora acolá, ela mostrou sua força em "Havana" e nos entregou um primeiro álbum solo redondinho, no qual explora suas raízes latinas e influências musicais de uma forma bem particular e madura, para muito além do raggaeton que todos querem tirar uma casquinha. - NA

45. Clean Bandit, “What Is Love?”




Soa como um greatest hits que veio antes mesmo das canções se consagrarem sucessos britânicos que chegarão aos EUA uns seis meses depois de terem sido #1 no Reino Unido. - GT

44. Chloe x Halle, “The Kids Are Alright”




Amadrinhadas por ninguém menos que Beyoncé, as irmãs Chloe e Halle tem muito mais do que apenas isso para se orgulhar. Em seu primeiro disco, as meninas mostram que podem ser novas, mas cantam como se já tivessem anos de experiência, explorando dos tons mais altos de seus vocais aos sussurros em meio à harmonias perfeitas. Em músicas como "Grown" e "Warrior", elas fazem parecer fácil o ato de imprimir uma identidade tão forte já é um álbum de estreia. - NA

43. The Aces, “When My Heart Felt Volcanic”




Tem discos bons que se tornam ainda melhores em dias onde tudo parece meio cinza. É o caso do "When My Heart Felt Volcanic", da girlband estreante The Aces. Numa vibe meio The 1975 e HAIM, as meninas se apoiam em letras bem millenialls e na voz suave da vocalista Cristal Ramirez para te levar à um passeio por histórias que com certeza você vai se identificar. - NA

42. Rita Ora, “Phoenix”




Depois de 6 anos complicados, uma troca da gravadora e um Calvin Harris no caminho, Rita contrariou todas as expectativas e não só conseguiu resgatar sua carreira como se tornou uma grande hitmaker no Reino Unido. Como? Apostando em um som que é seu, que é bem britânico e que também é bem eletrônico. É farofa, mas é de qualidade. - NA

41. 5 Seconds Of Summer, “Youngblood”




O ano de 2018 foi esquisito e uma das coisas mais estranhas foi ver o 5 Seconds Of Summer abandonar seu som adolescente para investir em algo mais maduro e, por que não?, autêntico. Os garotos ainda tem um longo caminho a percorrer, mas parecem ter entendido que, para durar nessa indústria, é preciso sair de sua zona de conforto, e em faixas como "Youngbloog", "Talk Fast" e "Walls Could Talk" dá pra ver que eles sabem como fazer isso, só precisam exercitar. - NA

40. MØ, “Forever Neverland”




É difícil amarrar a carreira de MØ do seu disco de estreia aos hits com Diplo, mas em seu novo álbum, “Forever Neverland”, a dinamarquesa dá um necessário passo para trás pra preencher essa história e, consequentemente, acenar aos fãs que não queriam ou esperavam por alguma outra “Lean On”. É bom tê-la de volta. - GT

39. Little Mix, “LM5”




Falar de cultura pop é falar também do que está acontecendo no mundo, porque ela reflete as principais questões que vivemos no nosso dia a dia. A carreira do Little Mix é um exemplo disso. Quanto mais liberdade ganham, mais as garotas são capazes falar da sua geração de uma forma própria e interessante. O "LM5" é um passeio pelo mundo da mulher milleniall, que se reconhece e se respeita como um mulherão da p*rra em seus relacionamentos, que vive o conceito de sororidade em suas amizades e que sabe que se olhar no espelho e gostar do que vê é um trabalho diário, mas não foge de um desafio. You on that feminist tip? HELL YEAH, I AM! - NA


38. Anne-Marie, “Speak Your Mind”




Pop sem defeitos. - GT

37. Post Malone, “beerbongs & bentleys”




De primeira, você torce o nariz por ser mais um branco em destaque fazendo rap. Na sequência, você tem a impressão de estar perdido por algum disco emo que simplesmente invadiu a sua playlist e soa realmente muito bom nesta proposta. Faixas como “Stay”, “Rich & Sad” e o mais recente hit “Better Now” são muito mais interessantes do que o sucesso que o alçou para o topo das paradas e te convencem a descobrir o que mais ele tem a cantar e dizer. - GT

36. Charlie Puth, “Voicenotes”



Apague da sua mente o desastroso "Nine Track Mind" e trate o "Voicenotes" como a estreia oficial do Charlie Puth. Com muitos synths e letras atrevidinhas, e uma sonoridade que vai do mais pop dos anos 80, como em "Done For Me" e "BOY", ao som meloso dos anos 90 (tem até parceria com o Boyz II Men!), o disco não dá a sensação de um início de carreira promissor? - NA

35. Lady Gaga & Bradley Cooper, “A Star Is Born Soundtrack”




O fato de termos nomes incríveis como Mark Ronson, Andrew Wyatt e Julia Michaels liderados por Lady Gaga e Bradley Cooper (quem diria?) em uma trilha-sonora já seria motivo suficiente pra fazer de "A Star Is Born" um grande acontecimento. Mas é sua capacidade de nos prender em um turbilhão de emoções, cantadas de forma extremamente visceral por seus protagonistas, que faz com que a soundtrack seja do tipo que fica em nossa mente mesmo com tantos lançamentos e oferta de conteúdo por aí. - NA

34. Rae Morris, “Someone Out There”




Um dos discos mais diferenciados de 2018, "Someone Out There" faz um pop eletrônico que não tem nada a ver com o que está fazendo sucesso por aí, em termos de música no geral e em termos de EDM também. Por isso, o álbum é também um dos mais refrescantes, estranhos e maravilhosos do ano, com músicas como "Reborn", "Atletico" e "Dip My Toe" deixando aquela sensação inconfundível que só sentimos quando terminamos de ouvir uma boa música pop. - NA

33. Pusha T, “Daytona”




Seguindo a cartilha de produções do Kanye West no último ano, o segundo disco de Pusha T em carreira solo pode ser curto, mas não menos grandioso. “Daytona” é o álbum que o consolida entre os grandes do rap atual e, de quebra, ainda resgata a megalomania musical de West de uma forma que nem o próprio tem alcançado em seus próprios trabalhos. - GT

32. twenty one pilots, “Trench”




Ninguém pode negar que o "Blurryface" é o disco de maior sucesso do twenty one pilots. Por isso, pairava no ar a questão: como a banda vai se superar em seu sucessor? O "Trench" pode não ter tido tanto sucesso comercial quanto seu antecessor, mas com certeza mostra uma grande evolução de Tyler e Josh. Mais coeso e imersivo, o álbum pega tudo de bom que foi apresentado no anterior e leva a um outro nível, com uma produção mais refinada e letras tão reflexivas quanto, mas ainda mais cativantes. Sim, eles se superaram. - NA

31. Let's Eat Grandma, “All My Ears”




É assim que queremos que o pop soe no futuro. - GT

30. Mariah Carey, “Caution”




Com 28 anos de carreira e inúmeras marcas na indústria musical, Mariah Carey não precisa mais provar nada pra ninguém. Mas não é que ela se superou com o "Caution"? A artista conseguiu atualizar seu som para 2018 dando espaço ao novo, trazendo consigo produtores como Skrillez e DJ Mustard para lhe ajudarem nessa missão, mas sem deixar pra trás as marcas registradas que a fazem ser uma voz inconfundível no R&B e uma grande compositora.  - NA

29. Alessia Cara, “The Pains Of Growing”




Falar das tristezas e alegrias do limbo pós-adolescência não é algo novo na música, mas poucos conseguem sair do comum ao abordar o tema. Alessia Cara faz isso com maestria. Seu segundo disco não escapa de clichês como músicas sobre a vida depois da fama ou términos difíceis de relacionamentos, mas, diferente do que vemos por aí, é extremamente honesto. Isso porque a artista é capaz de se assumir como alguém que nada sabe e que não tem a pretensão de saber, fazendo do "The Pains Of Growing" um diário para compartilhar seus achismos e descobertas diárias sobre o que é amadurecer, ser independente e seguir em frente com as marcas positivas e negativas do seu passado. - NA

28. Bad Bunny, “X 100PRE”




2018 rendeu para Bad Bunny que, entre outras coisas, colecionou hits e uma indicação ao Grammy (por sua participação em “I Like It”, da Cardi B), mas foi nos últimos dias do ano que o rapper deu sua cartada final, quando presenteou seus fãs com o disco “X 100PRE”, que traz colaborações de Diplo, Ricky Martin e do Drake no hit que antecipou o registro, “MIA”. Mais uma amostra do quão plural é a música latina além do reggaeton, o disco vai do trap ao pop, com muitos versos que, no que depender do que ele conquistou no último ano, provavelmente o manterá como um nome frequente nos streamings e paradas. - GT

27. NAS, “Nasir”




Seja na calmaria de “everything”, cantada por Kanye West, ou no preciso toque na ferida de “Cops Shot The Kids”, “Nasir” é um disco que relembra a razão de NAS ser um dos nomes mais importantes do hip-hop americano, em tempo que, distante das paradas, se aproxima de Kendrick, J Cole e outros que muitos beberam de sua fonte numa inflamada conversa com a América Negra. - GT

26. Christine and The Queens, “Chris”




Já chegou aclamada. Bebendo de fontes que vão da sueca Robyn aos clássicos pop de Michael Jackson e Madonna, além de uma improvável admiração por Kanye, foi com o disco “Chris” que a artista francesa Christine and The Queens reafirmou o hype que já vinha conquistando desde seu primeiro CD, “Chaleur Humaine” (2014), relançado numa versão em inglês em 2015. Essencialmente pop, “Chris” utiliza de arranjos dançantes e groovados pelo funk enquanto canta sobre experiências e desilusões amorosas da forma mais melancolicamente esperançosa que já ouvimos desde o “Melodrama” de Lorde. - GT

25. Empress Of, “Us”




Filha de imigrantes hondurenhos, nascida e crescida no EUA, Empress Of se considera parte da primeira geração hondurenha-americana, e isso fica claro em seu segundo disco. No “Us”, co-composto e co-produzido por ela, Lorely Rodriguez navega por história de amor intensas e bem milleniall, enquanto exalta sua latinidade, não por meio de sons latinos, como o reggaeton, mas sim por composições bilingues, já que faz parte da realidade de filhos de imigrantes falar tanto em inglês quanto em espanhol numa mesma conversa. E se a letra traz a raiz hondurenha, seu lado americano fica visível na sonoridade, um pop dançante e experimental de quem cresceu e viveu as transformações do cenário dos EUA. - NA

24. J Balvin, “Vibras”




Quem conhece o cantor colombiano J Balvin apenas pelos hits, provavelmente não imagina o quão bom – e diverso, musicalmente falando – é o disco lançado pelo músico em meio ao sucesso de faixas como “Mi Gente”, “Ahora” e “Machika”. Em “Vibras”, o maior representante latino das paradas atuais universaliza o reggaeton abrindo diálogos com o pop, trap e R&B. - GT

23. Hayley Kiyoko, “Expectations”




Da curiosidade aos sentimentos pós-descobertas, Hayley Kyioko e sua bíblia do pop lésbico, “Expectations”, são duas das mais positivas surpresas do pop para essa nova geração, que já não encontra nos discursos de apoio dos artistas héteros representatividade o suficiente para, de fato, se verem conquistando o spotlight. É um nome que, felizmente, ainda ouviremos muitos falarem. - GT

22. Jake Shears, “Jake Shears”




Em carreira solo, Shears traz de volta toda a vibe e sonoridade que nos convenceram a não tirar os olhos dos Scissor Sisters láaa em sua estreia, mas ainda soando como uma novidade. O álbum autointitulado passeia entre o pop e um rock setentista escrito em grandes letreiros de neon que facilmente poderiam pertencer ao Sir Elton John e, apesar de ter passado praticamente batido em 2018, é um dos discos mais grandiosos do ano. Em todos os sentidos. - GT


21. Panic! At The Disco, “Pray For The Wicked”




Brendon Urie pode não ter feito a América emo outra vez, mas fez de “Pray For The Wicked” um dos maiores momentos da banda Panic! At The Disco, justamente na fase em que a banda é, basicamente, formada apenas pelo vocalista. Uma boa novidade aos que descobriram que eles ainda existem pelo hit “High Hopes”; uma evolução linear aos que seguiram acompanhando após o auge no final dos anos 2000. - GT

20. Ariana Grande, “Sweetener”




Depois do "My Everything" e do "Dangerous Woman", Ariana Grande se firmou como um dos maiores expoentes do pop nessa geração e entendeu que esse rótulo finalmente lhe daria o que ela buscava desde o lançamento do "Years Truly": a liberdade para criar. Com seus altos e baixos, o "Sweetener" é um trabalho onde a artista se permite experimentar, aprofundar suas composições e mixar diferentes tipos de sons (com muitos "yuhs", é claro). Não é que ela não goste daquele pop chiclete de "Break Free" e "Into You", mas chega um momento em que um artista precisa se (re)encontrar com aquilo que o fez querer seguir essa carreira no início de tudo. - NA

19. Years & Years, “Palo Santo”




Falar de amor, relacionamentos, términos e sexo pode ser algo trivial, mas não para o Years & Years. O trio sabe não só dar sua devida importância a esses assuntos, como também abordá-los de forma quase sagrada, destacando a pureza, a nobreza e a santificação em todas essas questões que permeiam nosso dia a dia. É isso que faz o "Palo Santo" ser uma verdadeira bíblia do pop. - NA

18. Drake, “Scorpion”




Pode parecer difícil ouvir um disco de 25 músicas numa era em que conseguir a atenção do público para um mero single já é quase uma missão impossível, mas Drake conseguiu. “Scorpion” tem suas fillers e, no que dependesse de nós, teria umas 15 músicas a menos, mas simplesmente não podemos olhar para uma tracklist com canções como “Summer Games”, “Don’t Matter to Me”, “Nice for What” e “Emotionless” e dizer que ela é ruim. - GT

17. Kendrick Lamar, “Black Panther”




Não é fácil ver uma trilha existir a partir de um filme. A soundtrack de "Pantera Negra", liderada e imaginada por Kendrick Lamar, consegue isso. Não que ela não carregue o melhor do longa em suas músicas - pelo contrário. Ela traz o storytelling do filme e todo o empoderamento, a dualidade de pensamento entre os personagens e a atmosfera presente nesse que é um dos maiores sucessos do ano. Mas, com o auxílio de outras grandes estrelas como SZA, The Weeknd, Jay Rock, Khalid e Travis Scott, a trilha ganha vida própria ao fazer um passeio por gêneros de raízes negras como rap, trap, R&B e até música eletrônica, misturando tudo que há de mais atual com sons e levadas da música africana. Uma obra-prima. - NA

16. Kacey Musgraves, “Golden Hour”




Kacey não é uma tradicional estrela da música country, e é isso que faz dela o nome perfeito para o momento que os Estados Unidos e o mundo estão vivendo. Na contramão do conservadorismo, que encontra refúgio no gênero, a artista assumiu com o disco "Golden Hour" o papel de líder na busca pela inovação do country. E ela faz isso não só experimentando com outras sonoridades, como é o caso de "High Horse", mas também trazendo mensagens sobre drogas, empoderamento feminino e direitos LGBTQs. É por isso que o álbum se tornou um dos mais importantes do ano: transgredindo o gênero por dentro, Kacey não tem a intenção de se tornar uma artista pop, mas sim de ficar por lá e iniciar uma mudança em uma comunidade tradicionalmente machista e homofóbica, tudo isso sem deixar pra trás a sensação de aconchego de seus materiais. - NA 

15. Christina Aguilera, “Liberation”




Se numericamente “Liberation” não significou uma página virada pra Christina que, desde o álbum “Lotus”, vê seu nome associado ao baixo desempenho nas paradas, qualitativamente falando, o disco foi mais um dos seus acertos que os fãs de música pop preferiram subestimar. - GT

14. Sofi Tukker, “Treehouse”




Se nos palcos a música eletrônica é representada por propostas engessadas, que mais repetem o arroz-e-feijão do gênero do que qualquer outra coisa, é na internet que ela segue se redescobrindo entre novos nomes e propostas. E é aqui que encaixamos o duo Sofi Tukker e a porralouquice daçante e convidativa do disco “Treehouse”. - GT

13. Troye Sivan, “Bloom”




Antes de lançar o "Bloom", Troye falou como esse era o disco que ele sempre quis lançar, quase como se o "Blue Neighborhood" fosse uma etapa pela qual ele precisasse passar para, então, ser o artista que sempre teve em mente. Quando escutamos seu novo álbum, isso fica nítido. O cantor deixa pra trás os momentos de descoberta de sua sexualidade na adolescência e passa para uma nova fase onde se sente confortável em sua própria pele, capaz de ser e viver plenamente todas as experiências, do amar às decepções. Ao contar suas histórias em meio ao pop delicioso e dançante que por muitos anos os LGBTs viram pessoas de fora da comunidade fazer, Troye se reafirma como um ícone em progresso para uma geração que finalmente pode ser ver completamente representada nos artistas que ama. - NA

12. Jorja Smith, “Lost & Found”




Uma das grandes apostas e revelações do último ano, a estreia de Jorja Smith é também um passe pra que a britânica já embarque nesta indústria sentando na janela. “Lost & Found” a acompanha nesta jornada sobre si mesma, em meio a canções que vão do soul ao trip-hop e arranjos só não tão grandiosos quanto seu próprio vocal. - GT

11. Teyana Taylor, “K.S.T.E.”




Sigla para o imperativo “keep the same energy” (ou “mantenha a mesma energia”, em português), o disco de retorno de Teyana Taylor entrega um dos melhores momentos musicais de Kanye West, que assina a sua produção executiva, em 2018, e eleva a cantora direto ao patamar de outros nomes responsáveis por trazer frescor ao R&B nos últimos anos, como SZA, Khalid e Rihanna. - GT

10. SOPHIE, “Oil Of Every Pearl's Un-Insides”




No que depender da londrina SOPHIE, a música pop nunca mais será a mesma. Depois de parcerias com Charli XCX, Madonna, Diplo e sessões de gravações ainda não reveladas com Rihanna, Lady Gaga e vários outros artistas, a cantora e produtora utiliza seu primeiro disco, “Oil of Every Pearl’s Un-Insides”, como uma justa introdução ao seu som intencionalmente fora dos trilhos: é dançante e desritmado, barulhento e relaxante. E novo, como pede a velha música pop. - GT

09. The 1975, “A Brief Inquire Into Online Relationships”




Quase um episódio de Black Mirror, o novo disco do The 1975 mistura sons caóticos que vão de guitarras elétricas à synths tropicais com letras que parecem inofensivas à princípio, mas basta uma olhada com mais atenção para entendermos o quão sombrias elas são ao retratar os relacionamentos e a solidão da era digital. É isso que faz o "A Brief" ser o melhor disco da banda até então: eles não tem medo de finalmente assumir a esquisitice do 1975 ao aprofundar reflexões de forma completamente estranha ou inusitada. No papel pode parecer desconexo, mas a gente promete que no ouvido faz todo o sentido. - NA

08. Young Fathers, “Cocoa Sugar”




Definir a sonoridade do Young Fathers não é uma tarefa fácil, mas uma coisa é certa: não há absolutamente nenhum outro artista fazendo o que eles fazem e como eles fazem em qualquer plataforma de streaming, rádio ou parada musical. Em seu terceiro disco, “Cocoa Sugar”, a banda vai do hip-hop ao indie rock, com pé no pop, R&B, afrobeats e mais o que surgir pela frente, e acerta em todos eles. - GT

07. Kali Uchis, “Isolation”




Nascida na Colômbia, Kali Uchis foi criada como toda imigrante latina: com valores de ambos os lados da América. Assim, o "Isolation" é, como o nome já indica, reflexões surgidas a partir do isolamento dela, que reflete sobre a chegada de sua família aos Estados Unidos, a atmosfera capitalista e meritocrática em que cresceu e o impacto dessas questões na mulher, parceira e artista que ela é hoje, em sua saúde mental e em sua vontade e ambição de ser cada vez mais. Da temática aos arranjos intimistas e viciantes, é um disco como poucos que já vimos. - NA

06. Kanye West, “ye”




O ano de Kanye West foi caótico, mas foi na música que o rapper teve a oportunidade de canalizar boa parte desta confusão. “ye” é, antes de qualquer coisa, um memorando ao próprio Kanye sobre quem ele é e onde está. Em meio à críticas e acusações por posicionamentos e declarações questionáveis, além do relacionamento com uma das famílias mais brancas dos EUA, o disco humaniza a figura do artista que se autodeclara um deus, pautando a saúde mental do homem negro e a montanha russa pela qual passeiam suas emoções. - GT

05. The Carters, “EVERYTHING IS LOVE”




Eles são dois dos maiores e mais poderosos artistas da América, se viram no olho do furacão após terem sua vida pessoal exposta por conta de uma traição, mas transformaram esse limão na melhor limonada possível. “Everything is Love” é daqueles discos que você já acha genial antes mesmo da primeira audição, mas depois escuta apenas para garantir que estava certo, e mais do que provar o quanto Beyoncé e Jay-Z ainda têm química de sobra, o disco nos força a lembrar que antes de celebridades ou pessoas públicas, eles devem ser celebrados por o que fazem de melhor, e isso sempre será sua arte. - GT

04. Robyn, “Honey”




Nem tão familiar aos fãs mais novos de música pop, que provavelmente conheceram seu hit “Dancing On My Own” na voz de Calum Scott (sofro), Robyn foi um nome essencial para a música pop como conhecemos hoje, tendo ditado direta e indiretamente boa parte do que pavimentou o que entendemos do gênero na entrada dos anos ‘10 e, com isso, conquistou o título de rainha do pop sueco. Hoje, quase dez anos desde o icônico “Body Talk”, ela retorna numa missão semelhante ao que fez Daft Punk quando surgiu com seu “Random Access Memories”, vindo na contramão da urgência da indústria atual e todas suas faixas de dois minutos e pouco, sem pontes e quase compostas apenas por refrãos, trazendo “vida de volta à música”. Parece saudosista demais, mas ainda assim soa à frente do seu tempo. Uma experiência pop que só ela seria capaz de fazer. - GT

03. Rosalía, “EL MAL QUERER”




Nem só de reggaeton viverás o homem. Rosalía despontou como uma das revelações do ano e, em meio ao hype da sua “Malamente”, aproveitou o embalo pra estreia do disco “El Mal Querer”, onde entrega várias doses da música latina em sua pluralidade, de um “neoflamenco” ao R&B, com pé no pop, trap e mais um pouco. Em tempos de streaming e uma maior “democratização” sobre de onde e para onde vão as músicas, seu trabalho acompanha artistas como Cardi B e BTS, numa resposta concreta aos que ainda se fecham aos EUA quando buscam por apostas em potencial para “girarem a roda” da indústria. - GT

02. Cardi B, “Invasion Of Privacy”




Com "Bodak Yellow" em mãos e um carisma sem igual, Cardi B viu sua carreira despontar ao encontrar uma audiência disposta a ouvir tudo o que ela tinha pra dizer, sem filtros. Era hora de se apresentar propriamente. Nascida e crescida no Bronx, filha de imigrantes latinos e ex-stripper, a rapper faz do "Invasion Of Privacy" um livro sobre seu "conto de fadas de verdade", no qual fala de forma despretensiosa, orgulhosa e, sim, empoderadora, sobre o que aprendeu nas ruas do bairro e no clube, como a importância de amar seu dinheiro mais do que a qualquer homem, cair 9 vezes e levantar 10 e sobre como mandar numa relação. E assim, sem querer, ela conseguiu unir à cultura negra a latina, entranhadas em seu sangue, em um dos discos mais divertidos da década. É impossível resistir. - NA

01. Janelle Monáe, “Dirty Computer”




Num momento em que todos querem cantar sobre assuntos políticos, poucos conseguiram entregar sua mensagem de uma forma tão vendável e, ainda assim, sincera, como fez Janelle Monáe. A artista que sempre teve uma discografia e videografia impecáveis, cruzou apenas em 2018 a fronteira do mainstream de maneira concreta e, ao som e visual do seu “Dirty Computer”, o fez da forma mais majestosa possível.

“Dirty Computer” é daqueles discos que nasceram para serem lembrados, pautando orientação sexual, liberdade feminina negra e racismo, enquanto te faz dançar e enche seus olhos com visuais que vão do Prince ao universo ‘Netflixano’ de Black Mirror. Pop e subversivo, popular e conceitual, objetivo e complexo. Um trabalho que a coloca num posto de iconicidade que há tempos já deveria ser seu. - GT

***

Textos por Gui Tintel e Nathalia Accioly.

Os 50 melhores discos internacionais de 2018 Os 50 melhores discos internacionais de 2018 Reviewed by Guilherme Tintel on 1/03/2019 04:16:00 AM Rating: 5