Reprodução/Divulgação É a primeira vez que a franquia se arrisca trazendo uma sequência direta.

"Missão Impossível 6" quebra tradições da franquia, mas mantém ação frenética

É a primeira vez que a franquia se arrisca trazendo uma sequência direta.
Deve ter um spoiler aqui e ali. Depois não diga que não avisamos.

Lançado na década de 90, "Missão Impossível" chegou para dar um novo gás ao gênero de espionagem nos cinemas, priorizando o suspense e trazendo uma ação até um tanto quanto moderada. Sendo baseada na série dos anos 70, a franquia ganhou sua primeira trilogia construída em torno de filmes em que o espectador pudesse conferir qualquer uma das produções sem a preocupação de ter visto os filmes anteriores.

Depois de um hiato de 5 anos, a franquia retornou com "Protocolo Fantasma" em 2011 com uma nova proposta: apostar ainda mais na ação, resultando na fórmula perfeitinha para um blockbuster, mantendo ainda a ideia de um filme único, mesmo com algumas referências ao passado.

Apesar do gênero se misturar ao suspense na primeira trilogia, é a partir de "Protocolo Fantasma" que ele começa a tomar conta da coisa toda, ainda mais com Tom Cruise se arriscando cada vez mais. A proposta se mantém também em "Nação Secreta".

Três anos após o lançamento do último filme, "Missão Impossível: Efeito Fallout" refina a nova fórmula. Na trama, a Impossible Missions Force (IMF) está restabelecida e Ethan Hunt precisa impedir que três bombas nucleares explodam, mas é claro que não são somente elas as "protagonistas" que ameaçam a humanidade.



De "Missão Impossível" à "Nação Secreta", a franquia nunca se propôs em repetir diretores, muito menos protagonistas femininas - algo que "007" também procura fazer - e vilões. Porém, "Fallout" quebra justamente estes três pontos, trazendo todos de "Nação Secreta" de volta. Christopher McQuarrie retorna para a direção, Rebecca Ferguson de volta para o papel de Ilsa e Sean Harris revive o terrível vilão Solomon Lane.

É a primeira vez que a franquia se arrisca trazendo uma sequência totalmente direta.


A volta dos personagens resulta em uma trama dependente dos eventos do filme anterior. A quebra traz uma renovação inesperada que somente agrega a "Efeito Fallout". Até mesmo uma sensação de planejamento ecoa durante o play por conta da várias ligações ao antecessor. É a primeira vez que a franquia se arrisca trazendo uma sequência totalmente direta.

Outra tradição quebrada é a própria missão impossível, no sentido próprio da franquia. É estabelecido desde 1996 que em algum momento Ethan Hunt terá que invadir algum lugar extremamente vigiado com muitos acontecimentos imprevistos que causam tensão e suspense do começo ao fim da missão, mas em "Fallout" isto é deixado de lado. Graças ao roteiro, a missão que traz identidade a franquia não faz falta.

Porém, a fórmula Tom-Cruise-se-pendurando-em-algum-lugar-improvável-correndo-pra-caramba-à-pé segue firme. Inclusive, o diretor Christopher McQuarrie consegue trazer uma certa leveza nas correrias de ação, fazendo com que o espectador não se perca em meio a toda a confusão em tela, e transpõe bem o CGI em meio à realidade.


O elenco da franquia nunca esteve tão ao ponto, provavelmente por trazer de volta personagens antigos, facilitando a química entre os atores. Até mesmo Henry Cavill, o desfalcado e completamente novo no elenco, funciona ao lado dos demais. E se fica de curiosidade, o polêmico bigode é essencial para o visual do personagem.

"Efeito Fallout" quase reformula a franquia matando suas tradições, mas prioriza aquilo que sempre funcionou.


"Missão Impossível: Efeito Fallout" é o que melhor mistura ação e suspense de forma extremamente homogênea na franquia, onde cada um dos gêneros funciona a sua maneira, sem a invasão dos espaços, e quebra tradições da franquia para a construção de um longa-metragem sólido. "Efeito Fallout" quase reformula a franquia matando suas tradições, mas prioriza aquilo que sempre funcionou.