Single Review: Marina & The Diamonds resgata as joias da família sem abandonar seu coração elétrico em 'Froot'

Se Deus existe ou não a gente não sabe, mas se ele existir mesmo uma das suas maiores obras se chama Marina & The Diamonds. A cantora...
Se Deus existe ou não a gente não sabe, mas se ele existir mesmo uma das suas maiores obras se chama Marina & The Diamonds. A cantora surgiu no mundo da música em 2010 com o fabuloso "The Family Jewels", um álbum beeeem indie com pinta de new wave. Até ali Marina era diva cult mais voltada para o hipster, algo que foi jogado pra cima com o "Electra Heart", seu segundo álbum. Unindo-se a produtores mainstream, como o Dr. Luke, Cirkut e Diplo, a cantora fez toda sua veia pop jorrar, indo de hinos popísticos até farofas. Marina então virou diva pop alternativa.

Em 2012, a galesa encerrou a jornada do alterego criado com o "Electra Heart". Seu último single, "How To Be A Heartbreaker", trazia a vibe mega pop que nos deixou curioso sobre o próximo passo da dona dos diamantes. Foi necessário dois anos para resolvermos esse mistério. Em 10 de outubro, aniversário da cantora, saiu "Froot", o lead single do novo álbum de mesmo título.

Totalmente escrita por Marina (beijos para quem precisa de seis - ou até mais - compositores em uma só faixa) e produzida por ela e David Kosten, "Froot" é o mais próximo que ela chegou do "The Family Jewels" após seu encerramento. Meio disco e synthpop, podemos dizer que o single é uma mistura da sonoridade do debut com o "Electra Heart", numa medida precisa que remete a tudo o que ela já produziu. Tem a vertente pop que vimos em "Primadonna" e tem a guitarra elétrica deeeeliciosa que lembra "Shampain", ou seja, não tem nada de errado na construção melódica de "Froot", que ainda encontra tempo para introduzir sintetizadores oitentistas de videogames - algo que não é novo, de fato, vimos o mesmo em "Applause" de Lady Gaga ano passado, por exemplo.

A canção é robusta: são cinco minutos e meio. Com isso, ou a letra é cuidadosamente costurada ou tudo soa repetitivo e cansativo, porém Marina orquestra uma letra fenomenal, sem soar gratuita ou "encheção de linguiça". "Me pendurando como uma fruta numa árvore esperando ser colhida, venha, corte e me liberte", canta Marinão na ponte, mais suave para aumentar o impacto do maravilhoso refrão: "Vivendo la dolce vita, a vida não poderia ser mais doce. Você não me deu uma razão para que essa não seja a estação certa?".



Essa união da sonoridade de Marina com algo que não é muito próximo do que estamos acostumados nos charts atuais só faz a canção soar ainda mais sincera, ainda mais "Marina". Nós vemos estações ir e vir, mas poucas vezes temos a oportunidade de apreciar um artista com liberdade suficiente para trabalhar com verdade nos seus próprios conceitos e ideias. Com "Froot", Marina & The Diamonds faz um retorno mais que frutífero. Valeu a pena guardamos nossos verões para ela.