Album Review: em sua estreia, 5 Seconds of Summer escreve um diário adolescente repleto de hits pra cantar junto

Três anos atrás, eles eram apenas uma bandinha de pop punk da escola, formada em pleno verão, no meio da Austrália, que tocava para meno...

Três anos atrás, eles eram apenas uma bandinha de pop punk da escola, formada em pleno verão, no meio da Austrália, que tocava para menos de 20 pessoas, e mais preocupados em concluir o ensino médio e viver os dilemas comuns de qualquer adolescente, do que com a banda em si. Hoje, são estrelas mundiais em ascensão e lotam estádios por onde quer que passem. Parece bizarro analisar essa volta gigantesca que a vida de Calum (18), Luke (18), Michael (18) e Ashton (20) deu, mas atualmente, é a realidade da 5 Seconds of Summer.

Como jovens antenados, eles sabiam que a internet podia ser um forte aliado. Então, passaram a gravar covers e mais covers e, vez ou outra, apresentavam uma música original em sua conta no Youtube. Não demorou muito para chamarem a atenção de celebridades e, consequentemente, gravadoras interessadas.


De contrato assinado, migraram no começo de 2013 para Londres, para ficarem mais perto dos grandes centros e, assim, começarem a produzir seu material de estreia. O álbum deles, autointitulado e praticamente autoral (das 16 faixas apenas "Amnesia" não contou com o dedo deles na composição), chegou na metade de junho, e o resultado, você podem conferir a partir de agora na nossa review.

1) "She Look So Perfect"



Abrindo o álbum não poderia ser outra, senão o smash hit "She Looks So Perfect". A faixa que colocou todos os holofotes comerciais desde o início do ano na 5 Seconds of Summer, traz uma deliciosa e viciante combinação de música do verão, descompromissada e divertida, juntamente com guitarras, bateria, vocais e atitude no ponto, tendo ainda uma letra de fácil digestão, te fazendo cantar junto ao longo de seus pouco mais de 3 minutos o indefectível refrão "She looks so perfect standing there, in my American Apparel underwear. And I know now, that I'm so down" ("Ela fica tão perfeita ali parada, com a minha cueca da American Apparel. E agora eu sei que estou caidinho"), para contar (cheio de duplo sentido), como seria uma primeira vez ideal e o quanto esse fato fez com que se apaixonassem ainda mais, com direito a juras e mais juras de amor.

2) "Don't Stop"



Pegando carona, "Don't Stop" foi a escolha como segundo single e não fez nadinha feio, provando facilmente o talento dos jovens meninos para serem muito mais que um simples one-hit wonder. A grudenta faixa, que tem ganchos pop rock e guitarras distorcidas, trabalha com 3 dos 4 nos vocais (outro grande mérito deles) e nos conta sobre o quanto uma garota, cobiçadíssima pelo bairro inteiro, mexe com os sentimentos do protagonista, porém, ela não quer saber de ninguém: "Não pare de fazer o que você está fazendo. Todas as vezes que você se mexe no ritmo da música fica mais difícil para mim, e você sabe, sabe, sabe".

3) "Good Girls"


Na sequência, temos uma das faixas mais carismáticas e irônicas do álbum. Atual single, "Good Girls" tem a força necessária para ser cantada a plenos pulmões nos shows. Falando sobre o fato de conhecerem uma "boa garota" na vizinhança, que leva uma vida perfeita aos olhos de sua família, porém se transforma quando a madrugada chega: "Todas as noites ela estuda muito em seu quarto. Pelo menos, é o que seus pais acham. Mas sai escondida pela janela para ficar com o namorado. Aí vai o que ela me disse quando eu peguei os dois. Ela disse pra mim, esqueça o que pensava, pois meninas boas são meninas más que não foram pegas. Então vire as costas e esqueça o que viu". Hahahahaha, ingênua, porém ótima tirada.

4) "Kiss Me Kiss Me"

Avisando logo no primeiro verso que "Essa vai para as memórias da adolescência", na quarta faixa, eles nos remetem à rotina dos inesquecíveis encontros com o primeiro amor, quando não queremos desgrudar, mesmo que já seja tarde da noite: "Então me beije, me beije, me beije. Já estou ansioso para te ver de novo. Vamos fazer desta noite a melhor de nossas vidas. Essa vai para as memórias da adolescência". Mais uma faixa que funcionaria bem como single.

5) "18"

Como é um álbum estritamente fiel às suas adolescências, temos em "18" as dúvidas e incertezas acerca das escolhas da vida quando se chega na idade de transição pra vida adulta, mesmo que você ainda tenha o pensamento adolescente. De forma irônica e muito boa, eles acertam em cheio ao brincar com uma relação nos versos "Ela tem uma tatuagem imprópria em um lugar onde quero chegar. Mas minha mãe ainda me leva para a escola. Então me diga o que mais eu posso fazer? Eu comprei a minha identidade falsa para você".

6) "Everything I Didn't Say"

Sendo um pouco mais sérios, porém ainda conservando o fator descompromissado, na sexta faixa, temos os meninos brilhando, de novo, num conto de ressentimento amoroso, onde, depois de um tempo, um ex-casal se encontra pra uma DR reveladora: "[...] Eu queria poder ter feito você ficar. E eu sou o único culpado. Eu sei que agora é um pouco tarde demais. Isso é tudo o que eu não disse".

7) "Beside You"



Particularmente, "Beside You" é a minha faixa favorita e adoraria vê-la como single. É outra da fase pré-fama deles e, aqui, temos os melhores vocais do álbum todo e a produção mais pop e crescente, ajuda muito também. Nela, eles seguem falando sobre um fim de relacionamento repentino, que faz com que fiquem tristes querendo estar perto dela, mesmo que do outro lado do mundo agora: "Ela dorme sozinha. Meu coração quer voltar para casa. Eu queria estar, eu queria estar ao seu lado. Ela fica acordada tentando encontrar as palavras para dizer. Eu queria estar, eu queria estar ao seu lado". Fofinhos.

8) "End Up Here"

Cheia de atitude e ingenuamente bem construída liricamente, assim chega a oitava faixa do álbum, contando a história de um garoto que conquista o "partidão" da escola e como as outras pessoas reagem a isso: "No dia seguinte todo mundo pensou que você estava louca. Porque você era tão fora do meu alcance. Meus amigos dizem que eu deveria escondê-la, antes de nos descobrirem, e fugir. Mas você não foge e você não vai fugir enquanto me beija. E você me disse que você está aqui para ficar".

9) "Long Way Home"



Outra faixa que gosto muito, "Long Way Home" é desacelerada, com direito a piano melódico e, de novo, baseada num lado mais pop rock, que soa brilhante. Assim como em "Kiss Me Kiss Me", aqui, eles querem apenas curtir o momento ao lado da pessoa que amam, sem se preocupar com o que está ao redor: "E você sabe que eu nunca te decepcionaria. Até o sol nascer, podemos inventar nossa própria cidade. Algo que nos faça acreditar que vivemos em uma cena de filme".

10) "Heartbreak Girl"

Canção já conhecida para aqueles que acompanham a banda desde seu início independente e ainda no Youtube, "Heartbreak Girl" é bem angustiante e fala sobre um sentimento de amor ter se tornado apenas amizade. Embora pra mim soe descartável perto do ótimo material apresentado, foi bem bacana essa sacada de encaixarem músicas mais conhecidas dos antigos/primeiros fãs.

11) "Lost Boy"

Já nos caminhando para o final da versão padrão, temos "Lost Boy", faixa que nos remete ao fato de como podemos sofrer pelo fim de um relacionamento, e o quanto, mesmo destroçados, ainda tentamos novamente.

12) "Amnesia"



Terceiro single do álbum, a deliciosa baladinha acústica "Amnesia" encerra a versão padrão, e é outro destaque. Única das 16 faixas não composta pelos meninos, a música é um presente dos irmãos Joel e Benji Madden, do Good Charlotte. Excelente letra e ótima produção, mostra a vulnerabilidade e versatilidade vocal/comercial da 5 Seconds of Summer ao se mostrarem introspectivos sobre um romance passageiro, porém marcante, fazendo com que quisessem "[...] acordar com amnésia. Esquecer as pequenas coisas estúpidas, como a sensação de adormecer ao seu lado. E as memórias das quais eu nunca consigo escapar. Porque eu não estou nem um pouco bem". Num futuro, mais amadurecidos, esse é o tipo de som que espero ouvir vindo deles.

13) "English Love Affair"

Começando a versão deluxe, "English Love Affair" tem guitarras pesadas e distorcidas quase que por toda produção. Não seria uma faixa que nos faria pedir para tê-la na versão normal do álbum, mas se encaixa bem no conjunto final, justamente por, de certa forma, manter o padrão animado das demais.

14) "Social Casualty"

Bem pesada no começo de sua produção, a décima quarta canção do material, é um grito de rebeldia contra o quanto a sociedade pode ser ingrata e manipuladora com quem não segue seus padrões: "Não quero ser uma vítima da autoridade. Eu sempre serei uma parte da minoria, então salve-me de quem eu deveria ser. Então, me diga o que quer de mim. Eu não quero ser outra vítima da sociedade". A faixa, encorajadora, quer que, apesar de às vezes tudo conspirar contra o nosso favor, não devemos desistir dos nossos sonhos, correndo atrás para alcançá-los.

15) "Never Be"

A principal preocupação da décima quinta faixa é aproveitar o momento, sem se preocupar com o futuro, porque ele não nos pertence. Então, "Nós nunca seremos tão jovens quanto somos agora. É hora de deixar esta velha cidade em preto e branco. Vamos aproveitar o dia, vamos fugir".

16) "Voodoo Doll"




Comparando um amor que só faz sofrer a um boneco de vodu, a 5 Seconds of Summer encerra seu excelente debut com mais uma dose de ironia e inteligência na escrita, afirmando que o único motivo de se manter nessa relação, mesmo detestando estar com a pessoa, é o fato de estar amarrado a um trabalho feito por uma bruxa hahahaha.

CONCLUSÃO

Por incrível que pareça, o que mais nos surpreendeu no álbum de estreia dos meninos, é o fato dele se parecer muito com um apanhado de grandes hits de uma banda com mais de 10 anos de estrada, do que uma estreia. É um material fantástico e cheio de possíveis hits, tanto para as rádios, quanto para os shows. Independente de gostar deles ou não, uma coisa deve ser muito reconhecida: em seu material de estreia, os jovens australianos da 5 Seconds of Summer, provam que não importa se você define o som deles como boyband, banda pop, emo ou pop punk (como eles querem ser chamados), eles são muito talentosos e isso deve ser reconhecido. Afinal, ninguém venderia tanto quanto eles têm vendido, muito menos iniciaria um novo fenômeno de popularidade à toa. Também, vale ressaltar que, em nenhum momento o material soa pretensioso em ser "X" ou "Y". É apenas um relato sincero, por vezes bobo e até inocente da realidade adolescente que eles e nós vivem/vivemos. E, no fim, somos nós quem agradecemos, por podermos ler essas saborosas confissões de um diário adolescente com gostinho de "quero mais".