“Game of Thrones” (4x04): Promessas, gelo e fogo... quando uma adaptação ultrapassa(?) os livros!

[ESTE POST CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO 4x04] “Às vezes é melhor responder à injustiça, com misericórdia.” De um tempo pra cá, G...

[ESTE POST CONTÉM SPOILERS DO EPISÓDIO 4x04]

“Às vezes é melhor responder à injustiça, com misericórdia.”

De um tempo pra cá, Game of Thrones vem ganhando uma proporção global que não se vê desde que o voo 815 da Oceanic Airlines caiu em uma ilha do Pacífico. Quer você goste ou não, somos bombardeados de publicações sobre a série da HBO e, como todos sabemos que a internet é dark and full of spoilers, se não assistimos ao episódio no momento em que está sendo exibido (simultaneamente e com legendas) e estamos frente a alguma tela (computador, tablet, smartphones…), é bem provável que nos deparemos com alguma informação reveladora. Tá, mas aonde eu quero chegar? Nos eventos acontecidos há alguns dias, um dos momentos mais chocantes da TV se tornou, quase que de imediato, o assunto (uma captura, exatamente) mais comentado nas rede sociais. Sim, os cinco primeiro livros estão aí e todos já “deviam saber” o que está por vir. Não mesmo. A compreensão das duas mídias deve ser feita de maneira isolada. Em outro ponto (negativo), é o que nem todos possuem TV por assinatura ou não podem assistir no momento da transmissão. Esse comportamento “selvagem” só tende a piorar caso não adotemos esse modelo “right here, right now”, utilizado inclusive pelas próprias emissoras (como aconteceu  recentemente em The Good Wife) em resposta ao crescimento de serviços on demand.

Uma adaptação audiovisual deve ser apresentada independentemente da obra na qual é baseada (não estamos diante de uma transmídia). Alterações serão necessárias no decorrer da história, coisa que os mais radicais adoram chorar por aí. Se tratando de uma obra como As Crônicas de Gelo e Fogo (infilmável, como o próprio autor reconhecia), algumas fatos podem ser ocultos, adicionados ou até apressados, digamos assim. O que em uma longa leitura sobre caminhada na neve pode representar o mundo de solidão de um personagem, passado para as telas… pode acabar em marasmo. Preocupados com isso, os criadores, sob o auxílio do próprio autor, acabam soltando informações importantíssimas que nos livros ainda não foi confirmado ~ olha a justiça dos fãs mais radicais recebendo “spoilers” ~ da adaptação. 


Falo aqui daquela criatura de gelo bastante superior às demais que já nos fora apresentados. Mas onde está a polêmica que tanto repercutiu pelos sites especializados e redes sociais? Na sinopse oficial da HBO, a criatura se chama Night’s King. Não o descreverei aqui para não soltar algum spoiler, mas quem quiser saber mais sobre o “Darth Maul" do gelo, nos extras do dvd/blu-ray da segunda temporada existe uma animação sobre a história da patrulha da noite. Veja aqui http://youtu.be/_Gv7f27KQRU


Enquanto “Oathkeeper” teve como desfecho a imagem de um dos filhos do Craster sendo transformado em white walker apenas com um toque, em contraponto, começa literalmente com chamas e Daenerys a poucas horas de conquistar Meereen. Sutilezas que a extremamente habilidosa diretora do episódio, Michelle MacLaren,  já carrega de Breaking Bad. Diferente dos yunkaítas, os mestres de Meereen não se deram por vencer pelas ameaças da mãe dos dragões, mesmo depois de Daario Naharis ter vencido o campeão da cidade com apenas dois movimentos. Mas Dany é mulher esperta e possui uma das ideologias mais fortes entre todos os reinos. Prefere colocar na cabeça daqueles que a seguirão que farão isso porque querem. Estão livres. Mais vale um exército que lhe ame e respeite, do que um que lhe tema.

Sim, Daenerys é uma mulher fantástica, com uma enorme sede/promessa de vingança. O que pode cegá-la em algum momento. Até ignora Sor Barristan Selmy com a infame “injustiça por justiça”, não importando como essa última venha. O que prova que até o mais virtuoso dos personagens está fadado ao seu lado oposto, no caso de Dany, esse lado frio. Reparem que até a fotografia muda drasticamente durante a rebelião dos escravos. 


Por falar em dualidade, não há exemplo maior que Jaime Lannister. Aquele que no primeiro episódio de toda a série arremessou uma criança pela janela, agora se arrepende (?) de toda a infâmia que conseguiu desde quando assassinou o rei Aerys II Targaryen, o louco, recebendo o apelido de Regicida… até vira motivo de piada para o irmão, visto que está sendo acusado por matar outro rei. Isso somado a Cersei cada vez mais louca e bêbada e um pai achando que tudo está ganho. Os Lannister vão mal. Quem sabe algum tempo atrás ele aceitaria o pedido de Cersei para matar o irmão e Sansa sem pensar duas vezes… mas não mais. Envia Brienne para lutar por Sansa, com sua espada forjada do aço valiriano de Ned, para cumprir sua promessa a Catelyn Tully.


Sansa ainda navega rumo ao Ninho da Águia, onde Petyr Baelish desposará sua tia Lysa. Se nas primeiras temporadas ele era mais discreto, conseguindo inclusive trair Eddard Stark, talvez agora não demonstre mais tanta despretensão como afirma (“Um homem sem motivos é um homem que ninguém suspeita. Sempre mantenha seus inimigos confusos. Se eles não sabem que você é ou o que você quer, ele não saberão o que planejou.”). Sansa também não fica por baixo quando afirma não confiar nele, afinal por que fazer uma jogada tão arriscada por ela, apenas para resgatá-la dos Lannister? 

- Eu arriscaria tudo para conseguir o que eu quero.
- E o que você quer?

- Tudo.

Praticamente extrai dele toda verdade, quando sutilmente pergunta quem seriam seus novos amigos (“Quem confiaria em você?”) e recebe um “Nada como um belo presente para deixar uma amizade crescer forte.”. Lembram o lema da Casa Tyrell, certo? 


O objetivo de Lady Olenna já sabemos. Antes de partir para Jardins de Cima, uma última conversa sobre os últimos passos que sua neta deverá traçar antes de se tornar a rainha de Tommen. A rainha dos espinhos sabe do caos que reina na Casa Lannister e, se Margaery conseguiu controlar Joffrey sob as garras de Cersei, Tommen seria mais fácil ainda agora que todos estão distraídos. 


Fechando a parábola do gelo e fogo: Verão (Bran Stark) encontra Fantasma (Jon Snow). Jon agora sabe que Bran não está morto, marcha ao norte da Muralha e provavelmente irá procurar por abrigo na antiga casa de Craster… onde está como refém dos traidores da patrulha da noite e responsáveis pela morte de Jeor Mormont. Quem sabe esse será o primeiro encontro de dois filhos de Eddard Stark desde a sua queda.