Single Review: Lady Gaga não precisa estar no topo com "G.U.Y." para saber que é desejada

Lady Gaga passa por um momento estranho de sua curta carreira. Tudo pra ela aconteceu MUITO rápido: ela conseguiu chegar no topo do m...

Lady Gaga passa por um momento estranho de sua curta carreira. Tudo pra ela aconteceu MUITO rápido: ela conseguiu chegar no topo do mundo logo no primeiro single, "Just Dance", e com o segundo, "Poker Face", gravar seu nome na história da música. Depois disso, o sucesso era instantâneo em tudo que ela fazia. Agora, em 2014, as coisas se tornaram meio mornas, principalmente quando olhamos para trás e vemos a que altura ela chegou. Não que ela não faça sucesso, longe disso, mas os números - argumento preferido de quem quer ditar "sucesso" - não são mais os mesmos.

O "ARTPOP", seu terceiro e platinado álbum, veio envolto de muita expectativa (nossa review). Seu lead-single, "Applause", foi hit instantâneo, mesmo "perdendo" na quebra-de-braço com "Roar", lead-single de Katy Perry com o "PRISM". Com mais um sucesso para sua vida, Gaga parte para o segundo single, "Do What U Want", featuring com R. Kelly. A faixa foi super bem aceita, chegou em #1 em váaaarios iTunes e, mesmo sem um clipe lançado, conseguiu um estável e saudável #13 na Hot 100 e #9 no UK, todavia, foi um balde de água fria na maratona de divulgação do álbum. Foram meses sem sabermos como a "Era ARTPOP" iria caminhar, as vendas do álbum caíram (falta de divulgação dá nisso, "Britney Jean", o último álbum da Princesa do Pop, sofreu do mesmo mal) e ela deu uma sumida dos holofotes.

Aí então aparece "G.U.Y." na roda da capoeira. A faixa, uma das melhores do álbum e escolha certa de vários fãs, teve o trabalho de mostrar o óbvio: que Gaga ainda era Gaga, já que alguns haviam se esquecido (?). Só que o single não veio para ser mais um hit da cantora, que está longe de acreditar no potencial da faixa nos charts mundiais. É clara a função do single: um "me perdoem" pela bagunça com "Do What U Want". A prova disso é seu videoclipe, magnífico (nossa Video Review), que conta além do single as faixas "ARTPOP" e "Venus" - mais materiais sendo trabalhados para compensar a falta pelo longo tempo pós-"Do What U Want".



"G.U.Y." é a terceira faixa do "ARTPOP". Produzida por Gaga e pelo prodigioso DJ Zedd, a canção é um sensacional exemplar EDM que te pega desde a insinuante introdução "Saudações Himeros, deus do desejo sexual, filho de Afrodite. Deite-se e festeje como se esse áudio te guiasse à novas e excitantes posições", e é exatamente isso que a música faz: te carrega numa viagem sensual e sexual.

A faixa é um pequeno hino feminista. O título, acrônimo de "girl under you", "garota por baixo de você", discute a submissão. Mulheres são culturalmente submissas ao homem, e Gaga mostra que isso não é problema algum quando você, mulher, está perfeitamente confortável assim. Você tem que ser "forte o suficiente para saber a verdade", e assim, não precisar estar no topo, ou por cima, sempre.

Assim como "Aura", não é o refrão de "G.U.Y." que carrega a parte forte da melodia. Os versos e principalmente as pontes da música fazem o trabalho de grudar, facilitando a entrada do refrão, com só uma frase hipnótica, "Eu quero ser essa G.U.Y.". Pode não ser tão chiclete como "MANiCURE", mas é radiofriendly como só Gaga sabe fazer. O conceito dúbio (o "por cima" é tanto figurativamente quanto literal e sexualmente), frases abertamente sexuais ("Nossos sexos não contam mentiras") e, óbvio, o clipe magistral, fazem de "G.U.Y." uma daqueles singles que nos lembram o quão irrelevantes são números, vendas, charts e afins. O que importa mesmo é ele ser alucinante como "G.U.Y.".

P.S.: Daqui a um mês começa a "artRAVE: The ARTPOP Ball", e "G.U.Y." daria uma perfeita abertura para a turnê.