Video Review: Lady Gaga e a fórmula do homem perfeito no clipe de "G.U.Y."!

Devido aos pedidos dos leitores mais lindos do Brasil, nós do It Pop decidimos tirar do papel uma ideia há tempos requentada: review de...

Devido aos pedidos dos leitores mais lindos do Brasil, nós do It Pop decidimos tirar do papel uma ideia há tempos requentada: review de videoclipes. Fazemos reviews de álbuns, singles e filmes, então por que não de clipes? Aproveitando o buzz absurdo que Lady Gaga conseguiu com seu mais novo clipe, para a faixa "G.U.Y." (dentro do "ARTPOP Film"), além dos já comentados pedidos, estamos aqui orgulhosamente estreando o primeiro, de muitos, "Video Review"!

As notas serão dispostas da seguinte maneira: "Conceito", "Roteiro" e "Cenografia". "Conceito" é a ideia do clipe; a nota é dada a partir do uso desse conceito, como ele se encaixa na tela e na música, como ele foi explorado e etc. "Roteiro" é o andar da carruagem, os acontecimentos do clipe e seu desenvolvimento. "Cenografia" é a parte visual com figurino, direção de arte, fotografia, maquiagem e efeitos especiais. Anotadinho? Vamos à review do clipe.

É para causar arrepio quando lembramos que sete longuíssimos meses separam os clipes da era "ARTPOP". Mas não é lindo quando um tempo longo assim é completamente esquecido em apenas sete minutos? Lady Gaga tinha uma missão quase impossível nas costas: dar ao pop um clipe digno para seus fãs, para o público em geral e para sua própria videografia, principalmente quando o último clipe ("Do What U Want") foi cancelado, deixando um vazio enorme, e quando o último oficialmente lançado, "Applause", foi tão incrível.

Muita pressão em cima de uma só pessoa. Chega a ser cruel como estávamos cobrando um clipe (e não só um clipe, O CLIPE). E Gaga fez a tarefa de casa direitinho. O clipe é dividido em três partes; vamos separá-las para melhor entendimento. Mas antes o contexto: Gaga é um anjo que foi expulso do céu. Não, não temos nada de "Lúcifer", esse é o pai dela. Caída com uma flecha atravessando o peito, a cantora é completamente ignorada pelos homens de terno que brigam entre si por causa das notas de dinheiro espalhadas pela cena.


A primeira música do clipe é a faixa-título do último álbum da cantora. Por dois motivos: o primeiro é a representação da "queda" apontada por muitos com o álbum. Gaga está ali quase morta no meio de homens que só se preocupam com dinheiro (indireta para a gravadora e para a mídia?). A ganância e a soberba controlam os seres humanos, chegando a ignorar um ser não-humano estatelado ali do lado. O segundo motivo é a própria letra da música. O primeiro verso da versão editada para o clipe é "Um híbrido pode resistir à essas coisas", a definição perfeita para o momento. Gaga, mesmo machucada, continua caminhando até chegar à uma igreja, onde é resgatada por dois guardas que a levam ao Olimpo, a casa dos deuses gregos.


A segunda parte do clipe inicia-se no Hearst Castle representando o Olimpo. À título de curiosidade, a última pessoa a conseguir permissão para filmar no local foi ninguém menos que Stanley Kubrick, um dos maiores diretores da história. Lá, Gaga passa por uma purificação depois de suplicar pela cura ("Eu não posso evitar o que estou sentido. Deusa do Amor, por favor, leve-me ao seu líder"), onde finalmente ganhará forças para colocar seu plano de vingança em prática. Aqui há a participação das integrantes do reality "The Real Housewives of Beverly Hills", que foram convidadas depois que Gaga admitiu ser viciada no programa, uma parte que poderia deixar de existir no clipe sem prejuízo algum. O apresentador Andy Cohen também faz uma pontinha aqui, como a cabeça de Zeus.


Gaga começa seu plano: ela ressuscita Jesus, Ghandi, Michael Jackson e John Lennon, os seus "maiores homens que já existiram". Ela então retira o sangue deles para, ao combiná-los, criar o "g.u.y." perfeito, que, em larga escala numa espécie de laboratório (foco na gazing ball), são clonados. A cantora parte vestida para matar e extermina todos os empresários de uma empresa, substituindo-os pelos "g.u.y.s" (outra indireta para a gravadora, com ela tomando o poder?). O clipe acaba com um grande travelling mostrando uma multidão de clones saindo do castelo para tomar o mundo.

O clipe pode parecer complexo em sua realização, mas é bem simples - o que dá o ar de grande produção são as locações. O Hearst Castle é belíssimo e rende takes soberbos, mesmo usando técnica básica (quase nenhum jogo de câmera das cenas externas não elaborados, o local por si só já garante o brilho). As locações em estúdio são básicas: fundo branco com muita luz, algo já explorado em "Bad Romance", com a coreografia insana tomando conta do ambiente (a parte do refrão é pra se jogar no chão performando na balada).

Uma das cenas que mais geraram dúvidas foi a da cantora com corpo de Lego (ela agora adora colocar sua cabeça em outras coisas, começou com o cisne em "Applause"). Aqui é só uma referência artística, à obra "Yellow" da "The Art of the Brick" de Nathan Sawaya, artista plástico famoso por criar suas obras com as pecinhas.


É válido notar a claríssima referência à "Do What U Want" no clipe, com a cantora dançando sensualmente com um modelo negro magya (perdeu R. Kelly). OLÁ NEGÕES.


Lady Gaga então nos presenteia com um curta fenomenal, digno de sua videografia quase imaculada. O uso das outras canções além do atual single (tem "MANiCURE" nos créditos finais para nos matar do coração) é quase como um pedido de desculpas pela longa demora de um novo clipe (fazer três de uma vez, pra que melhor?). "G.U.Y." pode não ser o melhor clipe da cantora, e não é (apesar de já se encontrar na lista de melhores), mas é um aviso de que ela ainda dará muito trabalho para quem deseja vê-la longe dos holofotes. VMA que aguarde por ela. E há tempos não víamos Gaga tão absurdamente linda como nesse clipe, hein?