Album Review: a reinvenção do The Fray e seu brilhante retorno com o CD "Helios"

Faz muito tempo que não ouvimos falar na The Fray ou qualquer vestígio de um hit da banda que, em outrora, emplacou sucessos como &quo...

Faz muito tempo que não ouvimos falar na The Fray ou qualquer vestígio de um hit da banda que, em outrora, emplacou sucessos como "Over My Head", "How To Safe A Life" e "Never Say Never", mas para a nossa surpresa, os caras retornaram nesse ano com o disco "Helios" e prontos para nos lembrar que continuam tão bons quanto antes ou ainda melhores.



Inicialmente promovido pelo single "Love Don't Die", uma produção que marca a revitalização do som dos caras com a produção do hitmaker e vocalista do OneRepublic, Ryan Tedder, "Helios" foi oficialmente lançado no dia 25 de fevereiro desse mês, mais uma vez pelo selo Epic Records, e sucede o disco que passou praticamente despercebido em 2012, mesmo que com uma boa colocação nas paradas da Billboard, "Scars and Stories". Mas e então, até aonde poderão as novidades deste novo disco atiçar a curiosidade do público que, aparentemente, não está lá tão interessado neste retorno da banda? É isso o que você vai descobrir agora, com a nossa crítica ao disco que, já adiantamos, vale não só o play, como também a espera dos que ao menos sabiam que um novo álbum viria nesse ano.

"Hold My Hand" abre o disco "Helios" ao melhor estilo The Fray. A forma com que a bateria e guitarra se casam soa perfeitamente atual, enquanto os vocais de Isaac não nos deixam esquecer: são eles mesmo que estão de volta. Na sequência, somos apresentados ao primeiro single do álbum, "Love Don't Die", com a grata surpresa de ter Ryan Tedder envolvido na produção. Os primeiros acordes logo sugerem algo mais energético, o início de um longo vôo, enquanto a percussão gradual denuncia os traços de Ryan, que faz dessa a música mais OneRepublic já lançada pelo The Fray — isso é uma ótima coisa, caso se questionem. Desafiado pela nova fórmula, é Isaac quem também precisa sair da sua zona de conforto e aqui flexiona muito bem seus vocais roucos, numa divertida variação entre notas mais graves e até alguns falsetes. Que música!



"Give It Away" continua com o sopro de ar fresco que a carreira da banda implorava há um tempo, com um funky dançante e guitarras, que poderiam, facilmente, ter saído de algo do Maroon 5. Neste ponto, também é notável o fato das letras estarem bem acessíveis, com refrões que fariam um trabalho e tanto nas rádios. É em "Closer To Me" que voltamos ao bom e velho The Fray, outra vez rendidos aos acordes que não se deixam ofuscar pelos vocais de Isaac. Mais contida, as batidas também dão o ar de sua graça, numa variação que ora explode, ora abre espaço pra que a guitarra faça seu trabalho, aqui nos remetendo ao que Kings of Leon tem feito em seus últimos lançamentos.

De volta ao clima mais animado, em "Hurricane" eles testam algo eletrônico, em meio a uma letra sobre a mulher que é um "furacão". Ele sabe que ela é um perigo e pode te fazer mal, mas não resiste em correr atrás dela. Tudo soa tão radiofônico que cogitamos ser outra participação de Ryan, que trabalhou apenas no primeiro single "Love Don't Die", mas só devemos agradecimentos a própria banda desta vez, que parece ter feito muito bem a lição de casa. Nossa parte favorita é na entrada dos primeiros três minutos, naquela ascensão com palmas, sintetizadores e um tímido coro, até que tudo explode no glorioso refrão.



Mantendo esta ideia mais eletrônica, "Keep On Wanting", "Our Last Days" e "Break Your Plans" soam como uma sequência de hinos em potencial, numa inimaginável mistura do que a banda The Killers faria com o repertório do Coldplay. Respeitando a ordem, os synths ainda são mais marcantes em "Keep On Wanting", caminhando para algo menos notável até que quase inaudível em "Break Your Plans", a baladinha mais orgânica do material e que melhor revive os tempos dourados de "Over My Head"/"Never Say Never".



"Aonde quer que isso vá, não importa o quão longe, saiba que você é a música escrita no meu coração". Pode soar bem piegas e é, mas "Wherever This Goes", já no fim do disco, consegue reerguer o clima do disco, em outra fórmula que pode soar como tudo, menos The Fray, ainda que a banda não se perca em meio a algo tão distante da sua realidade. A percussão, aqui retirada de algo do último álbum do Arctic Monkeys, não nos permite imaginá-la funcionando nas rádios, mas ao menos renderia um momento incrível ao vivo. Outra que também deve soar muito bem em palco é a introspectiva "Shadow and a Dancer", onde eles passeiam, mais uma vez, por algo mais próximo do que imaginaríamos nas mãos do Coldplay, E ACERTAM. 



Encerrando o disco, "Same As You" é introduzida por meio de uma percussão ainda contida, que parece anunciar algo grande, épico, e um instigante coro pra lá de distante. Pouco a pouco, a canção cresce, contando com a aparição dos primeiros acordes e mais sintetizadores, enquanto Isaac também se mostra disposto a arriscar outra vez, testando outras flexões com seus vocais. Após a segunda passagem de seu refrão, tão calmo que mal parece integrar o mesmo disco que ouvimos anteriormente, o coro, antes distante, passa a se aproximar, e as batidas crescendo cada vez mais, os sintetizadores cada vez mais notáveis e a percussão cada vez mais sensível. Dando ao disco um fim talvez não impactante, mas assombrosamente cativamente. "Você pode dançar se quiser".



Por fim, segundo a mitologia grega, Hélio (em inglês, Helios) é a personificação do Sol e quando encarnado em um novo disco da banda alternativa hoje não tão relevante quanto em anos anteriores, tem a missão de fazê-los brilhar, ser a novidade que ansiamos após uma longa noite chuvosa, e cumpre com o que lhe é proposto. Ultimamente, o que mais temos visto são bandas buscando por algo mais alternativo, mirando vender no tão famigerado nicho indie, e aqui vemos justamente o contrário, com os caras fazendo valer a sua persistência em meio a um experimentalismo pop, que passeia de OneRepublic à Coldplay, o que já nos rende uma leva de ótimos refrões. A gente não sabe se "Helios" vai mesmo reerguê-los como uma Fênix, com suas asas que flamejam o calor de Hélio, mas garantimos estar bem satisfeitos apenas por tê-lo lançado e disponível para a nossa audição, pois é um álbum e tanto!