Eurovision 2014: entenda a polêmica que cerca Conchita Wurst, candidata austríaca da competição!

A edição de número 59 da competição musical Eurovision acontecerá em maio do ano que vem (2014), mas como é uma competição e cada candi...

A edição de número 59 da competição musical Eurovision acontecerá em maio do ano que vem (2014), mas como é uma competição e cada candidato representa um país, ou seja, coisa séria, os participantes são previamente escolhidos e um dos artistas já tá dando o que falar!

Primeiro conheça Thomas Neuwirth, que em 2007 participou de um programa caça-talentos austríaco, o Starmania, e ficou em segundo lugar, mas mesmo não sendo o maior vencedor, conseguiu formar sua própria boyband, a Jetzt Anders!. 

Thomas Neuwirth

A boyband Jetzt Anders!, que teve fim no mesmo ano em que foi fundada, por motivos óbvios.

Agora conheça outro lado de Tom Neuwirth, sob o nome de Conchita Wurst. Conchita é a identidade adotada por Tom para seguir sua vida artística e, olha, que voz! Tom criou uma personagem para provocar, de forma muito inteligente e ousada, discussões sobre identidade de gênero e ganhou popularidade no programa Die große Chance, onde fez seu debut como cantora, com um cover de "My Heart Will Go On". Conchita, em espanhol, significa vagina e seu sobrenome, Wurst, é salsicha em alemão. 

Conchita Wurst no tapete vermellho do Life Ball, maior evento europeu para apoio a portadores do vírus HIV

Em 2012, Conchita ficou em segundo lugar no concurso para escolha de quem representaria a Áustria no Eurovision. Eis que para a 59ª edição do concurso o público não escolheu um participante conterrâneo por votação, a eleição foi feita por um painel de técnicos e Conchita foi a eleita. Mas parte da população austríaca não está nada contente com isso e não querem que a cantora represente o país em um dos, senão "o", eventos mais importantes da Europa em termos de música. Tudo porque a cantora é um travesti? Também. O problema deles com a imagem da Conchita é algo que você, leitor, já deve ter notado e também estranhado (muito!), a barba da moça. 

Conchita é uma persona que flutua entre as definições de gênero comuns por essa, mais que peculiar, característica. Ninguém aqui quer que a tenham como modelo de beleza, é bom deixar claro. Mas tratando-se de uma competição musical, Conchita está pra lá de apta a participar do evento e a barba dela é da conta de ninguém mais ninguém do que ela mesma. Ter sido escolhida para um acontecimento desse porte é importante para qualquer artista, mas Wurst estará lá representando toda uma legião de pessoas que sofrem com a repressão referente a identidade de gênero. O mais estranho é que, apesar das já 40 mil curtidas na página do Facebook "Não à Conchita Wurst no concurso de música", a Áustria é um dos países europeus com menor índice de homofobia.

O mapa foi retirado do jornal O Globo, por falta de fontes mais confiáveis.

A cantora que, segundo as imagens do Google, é constantemente comparada a super conhecida Kim Kardashian, ostenta uma barba num corpo mais feminino do que o de muitas mulheres de nascença, e francamente? Eu acho feio, muito feio, vocês provavelmente também acharão, mas o que faremos sobre isso? Simples: não seremos mulheres barbadas, já que achamos feio. Isso não anula o direito de Conchita Wurst participar do Eurovision (tendo apenas dois singles lançados, viu?) e muitos menos seu direito de esfregar sua barba na cara da sociedade, fardo que sem a menor dúvida deve ser muito difícil e demanda extrema coragem! Desde já estamos na torcida pela moça, que, caso não ganhe, merece destaque na competição e no meio musical como um todo. 

Conchita Wurst cantando seu 1º single, "Unbreakable"