Miley Cyrus e a onda machista após sua polêmica performance no VMA 2013.

Se você respira e tem acesso à um computador com internet ou somente à televisão, certamente ouviu ou leu algo sobre a apresentação de M...

Se você respira e tem acesso à um computador com internet ou somente à televisão, certamente ouviu ou leu algo sobre a apresentação de Miley Cyrus durante o Video Music Awards 2013 com seu smash hit "We Can't Stop", seguida de uma colaboração surpresa com Robin Thicke e sua grandiosa "Blurred Lines". A dança, o figurino, a atitude no palco e seu visual fizeram parte de um conjunto de fatores que chocaram a audiência do show da MTV - para exemplificar esta afirmação, a polêmica foi tanta que Miley teve sua aparição no VMA entre os assuntos mais comentados no twitter e bateu o recorde de mensagens por minuto, que antes pertencia à Beyoncé com seu show no Super Bowl.



Ontem, 3, um importante jornal brasileiro publicou uma nota em sua página do facebook sobre as declarações de Miley Cyus acerca desta tão comentada performance. O blogueiro que vos fala acompanhou a discussão e, em determinado momento, chegou a participar do debate. A maioria dos comentários eram pejorativos, alguns até ofensivos demais, chamando a ex-estrela da Disney de "vagabunda" e outros nomes que acompanham o nível de vocabulário do citado anteriormente.

Antes de tudo, esclareço que simpatizo com o trabalho da cantora, mas não sou fã, e muito menos admirei sua apresentação no VMA - pelo contrário, achei que Miley pecou pelos excessos e criou uma estratégia desesperada para enterrar seu passado. Seu grito acabou ecoando além do necessário e acabou desvalorizando o próprio brilhantismo de seu lead single. Mas isso não justifica a interpretação pré-fabricada de uma grande parcela da sociedade que enaltece homens (rappers e cantores, na indústria musical) cercados de mulheres seminuas, videoclipes masculinos cheios de orgias com diversas mulheres e composições que chegam a ridicularizar a figura feminina e, em alguns casos, ainda pregam a soberania masculina, principalmente quando consideram positiva a poligamia do homem.


Por que a crítica tão feroz à Miley quando existem tantos outros artistas que fazem o mesmo? Por que ela começou sua carreira como uma estrela do público adolescente? Independente da resposta, não é responsabilidade da cantora a educação dos jovens do mundo todo e ela não pode focar sua vida e sua carreira em tal finalidade. E mais, alguém critica a postura de algum homem com a mesma conduta em suas performances ou videoclipes? Raro. Mas a mulher não pode usar a sexualidade como aliada e não é de hoje que isso acontece - Christina Aguilera , Madonna e Janet Jackson estão aí para provar isso.


No final das contas, um aspecto positivo que resultou da performance de Miley foi trazer à tona um debate ainda necessário na sociedade contemporânea, que, muitas vezes, apropria-se de um discurso que molda um gênero, desde sua postura e sua autonomia, e vai além dos padrões de comportamento, limitando a liberdade feminina. Ela conseguiu algo sólido com essa transformação? Não sabemos, isso depende do objetivo da cantora. Mas com toda essa polêmica, Cyrus conquistou um lugar de destaque na mídia internacional, mantém posições louváveis nas paradas do mundo todo, além de ter ofuscado as outras apresentações do VMA. Talvez Miley não queira ser levada à serio, e é mais provável ainda que sua atual fase seja um reflexo de uma artista que ficou presa criativamente durante muito tempo. E ela ainda busca sua identidade, é só notar a diferença entre sua imagem no começo da divulgação de "We Can't Stop", com um visual elegante, e a Miley que vimos na premiação americana. A loira, na realidade, precisa parar de lutar contra o passado, pois com esta briga ela acaba cada vez mais presa à ele.

Em uma discussão que permite tantas diretrizes, a atual fase de Miley Cyrus não é marcada pela música em si, e sim pela publicidade da coisa, pela polêmica e pelo marketing, o que é uma pena. Se os fãs da cultura pop tentassem ao menos apreciar a qualidade sonora do novo trabalho da cantora, talvez a verdadeira música falasse por si só. E se essa rebeldia toda, em algum nível, incomoda, é porque a sociedade tem feridas abertas e ainda preferem apontar o dedo para o que é diferente, aquilo que não está dentro do círculo de bons costumes traçados pelo falso moralismo. 

Afinal, quantos homens frequentam baladas em busca de uma mulher sem problemas com seus desejos e com a própria sexualidade? Muitos, mas na hora de criticá-las são os primeiros a jogar a pedra. Machões, heim? Mas provavelmente o problema é da ex-Hannah Montana e de sua música, e não de uma herença cultural que pouco é questionada.


Sem mais, vamos conferir uma versão diferente do hit "Blurred Lines", na qual três estudantes da Nova Zelândia decidiram fazer algumas alterações interessantes: