Madonna e Klein lançam o "secretprojectrevolution", mas o que há de tão relevante no projeto?

Depois de muito esperar, muito se especular e, obviamente, diversas expectativas criadas, o secretprojectrevolution , projeto da Madonn...

Depois de muito esperar, muito se especular e, obviamente, diversas expectativas criadas, o secretprojectrevolution, projeto da Madonna com o Steven Klein escondido a sete chaves do mundo todo, chegou.

Na noite de ontem/madrugada de hoje o projeto veio a público, mas devido ao horário e o discurso apresentado, muitos ainda não viram e as opiniões não estão completamente formadas. Nem todas foram positivas e as que foram não estão totalmente desenvolvidas, bem argumentadas e afins. Na nossa redação a opinião não foi única também, mas aqui defenderei o "secretoprojetorevolução".


Conhecemos Steven Klein por suas fotografias no mundo da moda, artístico e das celebridades, e direção de vídeos como "Alejandro" e o comercial da fragrância FAME, ambos da Gaga, além de diversos vídeos backdrop para turnês da própria Madonna. A estética no secretprojectrevolution não foge nada do que já vimos, sendo esse o aspecto menos secreto e menos revolucionário do vídeo, sem sombra de dúvidas. Claro, a fotografia é linda, no entanto, já vista antes. Mas o que seria de qualquer discurso sem o apelo visual, certo? Sendo assim, as imagens exibidas se fazem dispensáveis, ao mesmo tempo que fundamentais, já que a mensagem está clara e acessível nas palavras ditas pela Madonna no decorrer do vídeo, mas muitos não ouviriam esse forte e apelativo discurso sem algo para entreter o olhar.

A mensagem verbal do projeto é forte e Madonna, sem medo, critica ferramentas que ela mesma usa incessantemente, assim como o resto do mundo. Sempre ouvi (e falei) sobre as incoerências e contradições das quais Madge se faz elemento central, ou seja, o discurso que ela transmitiu durante toda sua carreira sobre a normalidade da sexualidade universal e principalmente feminina, mas ao mesmo tempo vender uma imagem, muitas vezes, de uma mulher como objeto sexual. Não se enganem, a rainha do pop sabe dessas "contradições" e sutilmente aborda isso no decorrer do vídeo, mostrando que não são hipocrisias e sim as ferramentas pelas quais optou usar. Vamos esclarecer; em uma certa altura do trabalho em questão, uma voz ordena "Mostre-nos sua bunda!". A resposta que se ouve da  rainha é esclarecedora:
Ok, mas eu continuo querendo começar uma revolução
Caso ainda não tenha entendido, seremos diretos; Madonna sabe que o valor de uma pessoa não se define pelo seu corpo, mesmo que ela constantemente exiba o próprio. Isso apenas a mantém em destaque, a ajudou a conquistar um espaço, para agora poder, finalmente, começar uma revolução.

Madonna canta "Between the Bars" de Elliot Smith no lançamento do projeto, em protesto pelo sistema penitenciário dos Estados Unidos

A mensagem é universal? Sim. De qualquer forma, não podemos desconsiderar o contexto social da cantora, o que implica em lembrar o constante envolvimento dos Estados Unidos em guerras e/ou pequenos conflitos armados, sejam externos ou internos. Na última turnê da Madge, vimos muito o uso de uma arma e no vídeo isso se repete com uma série de assassinatos seguidos de aplausos, cenas que podem facilmente serem relacionadas ao discurso sobre "as pessoas estarem se tornando cada vez mais medrosas". A indústria armamentista americana somada a cultura do medo muito cultuada por lá (vejam o número de acontecimentos chamados de tragédias na terra do Tio Sam) gera muitas guerras veladas, causando isolamento, agressividade e preconceito, três palavras muito importantes para o entendimento da mensagem passada no vídeo. Esse medo geral ainda serve como ferramenta para que Madonna reclame do fato de ninguém levá-la a sério quando diz querer iniciar uma revolução, já que citando diversos estereótipos étnicos extremamente marginalizados, ela pergunta "se eu fosse *insira um estereótipo* você me levaria a sério?". Mas ela lamenta "Em vez disso [dos estereótipos] eu sou uma mulher, uma loira. Eu tenho tetas [sic] e bunda e um desejo insaciável de ser notada", dando vazão para nos perguntarmos como as mulheres são tratadas na sociedade contemporânea e mostrando, mais uma vez, que ela sabe que sua aparência é muito mais próxima de opressores do que de oprimidos.

O número de informações que podem ser constatadas, refletidas e absorvidas nesse trabalho, é incrivelmente grande, já que ela e Klein abordaram desde o uso da religião para atos explícitos de opressão, até uma sutil crítica à obsessão por tecnologia que vemos/temos atualmente (ela diz que "a revolução não será televisionada, não será na internet, nem um app para o seu iPhone, você não poderá baixá-la", nos lembrando que a tecnologia não é o mundo, apenas parte dele), eles nos lembram que o inimigo não está lá fora, tá aqui, dentro de todos nós.

Dedicando o vídeo a todos que foram/estão sendo/talvez sejam perseguidos pela cor de sua pele, crenças religiosas, expressão artística, gênero ou preferência sexual, somos convidados pelo vídeo a nos juntarmos à revolução, que, apesar de tantas referência, se trata de liberdade e democracia. Esse é o primeiro trabalho do projeto "Art for Freedom", da Madonna em parceria com a revista Vice e o site BitTorrent. Numa coletiva de imprensa a revista apresentou uma descrição do projeto e uma entrevista com Madonna sobre a iniciativa. Ambos você pode conferir abaixo.

Uma iniciativa global, liderada pela Madonna, desenhada para incentivar o discurso livre - para responder, discursar e protestar pela perseguição no mundo. É um projeto online de arte pública encorajando todo mundo a expressar seu significado pessoal de liberdade e revolução, em formato de vídeo, música, poesia e fotografia. Submissões [de material] públicas se tornarão parte da plataforma do Art For Freedom: contribuidores podem se juntar ao projeto upando trabalhos artísticos originais ou colocando a tag #artforfreedom em posts de trabalhos originais
Vice