Review: P9 e a falta de identidade em seu álbum homônimo, que (pra nossa surpresa) é musicalmente aceitável!

As décadas de 90 e 2000, especialmente, foram dominadas por boybands, não somente nos EUA e europa, como Backstreet Boys, *NSYNC e We...

As décadas de 90 e 2000, especialmente, foram dominadas por boybands, não somente nos EUA e europa, como Backstreet Boys, *NSYNC e Westlife, por exemplo. Aqui no Brasil, o começo/metade dos anos 2000 foi dominado por Br'Oz, Twister e afins. E essa onda, que após ficar no limbo por muito tempo, voltou com tudo em 2011 com as chegadas de One Direction e The Wanted, que são hoje em dia, expoentes e inspirações para várias outras ~bandas de garotos~ mundo afora, caso da P9.

Quando estiveram por aqui em 2010, os produtores, Venus Brown (Justin Timberlake, will.i.am, Black Eyed Peas, Fergie, entre outros) e Jason Herbert (idealizador do evento Fashion Rocks), ficaram bastante surpresos quando souberam da não-existência de uma boyband em solo brasileiro. Mediante a isso, começaram a desenvolver de forma sigilosa, um projeto para que essa lacuna fosse preenchida. O resultado só foi conhecido em 2013, quando Igor, Gui, Jonathan e Michael, viraram os queridinhos da Sony Music Brasil e sob o nome de P9 (em alusão ao famoso point da praia de Ipanema), foram lançados do nada ao topo, com uma música direto numa novela de horário nobre e na maior rede televisiva do país, no caso, Salve Jorge, da Rede Globo.


No início de julho, cercados de expectativas e numa estratégia um tanto quanto burra, já que não possuíam mais a novela como meio de divulgação, os meninos lançaram seu álbum homônimo de estreia, onde numa primeira impressão, é um apanhado de várias nuances mundo afora. Flutuando desde o pop teen, passando por baladinhas em inglês e português, até chegar em coisas com quês totais de brasilidade. Se é ruim? Tinha tudo pra ser, mas para nossa total surpresa, não, não é. Porém, há alguns pontos que pegam. Querem saber mais? Então fiquem com a gente nessa review faixa a faixa e descubram.

***Pfvr, close na capa maravilhosa feita pelo meu irmão de 5 anos no Paint***
1) "My Favorite Girl"

Abrindo os trabalhos da estreia da P9, temos a ~tão comentada~ faixa da novela Salve Jorge. "My Favorite Girl" é uma faixa pop com quês de pop teen e com vocais bem repetitivos, o que acaba tornando-a chata e bastante previsível. Ela é interminável, repetindo refrão em cima de refrão, sabe? Acaba soando como "eles não tinham mais nada pra acrescentar e fizeram isso só pra completar a música" hahahaha. Isso porque nem incluiremos aqui a análise do videoclipe total "What Makes You Beautiful" wannabe que fizeram pra canção rs. Uma das coisas que mais incomoda no álbum e que aqui fica super em evidência, é esse fato de somente um deles cantar a faixa, no caso, Michael. Se eles são uma boyband, mesmo que "fabricada", é mais que natural que tenha um lead singer, porém, os demais deveriam ao menos ter seu espaço aqui, principalmente por se tratar de algo novo no mercado nacional. Enquanto buscaram lançá-los em horário nobre, os produtores/manager e afins, esqueceram do principal: treinar as harmonias e o conjunto, coisas em falta nessa faixa.

2) "Just Two of Us"

Um início em português com "Só nós dois, dois, dois". É assim que começa a segunda faixa em inglês do álbum, só pra sentirem a noção da coisa. Não que tenhamos a intenção de massacrá-los aqui, mas sabe, tudo soa bem superficial, previsível e chato, algo muito 1D/The Wanted wannabe, e isso porque estamos na segunda canção. Mas se serve de consolação, "Just Two of Us" é bem comercial e funcionaria melhor como single que "My Favorite Girl", por exemplo.

3)  "Love You in Those Jeans"



O segundo e atual single deles, é uma mistura só, que daria inveja a qualquer um desses mashups da vida. A impressão que fica, é que pegaram alguma demo descartadíssima do The Wanted, um pedaço de alguma música/vibe do Nelly e as batidas e os vocais iniciais do Flo Rida, jogaram no liquidificador e surgiu isso. Apesar de repetitiva, foi uma decisão mais que acertada de transformá-la em single, porque diferente da primeira, aqui temos uma ótima música. Melhor do álbum?

4) "L.O.L (Live Out Loud)"

É uma faixa que tenta ser animada, mas no final das contas, só é chata, repetitiva e que nada acrescenta. Poderia muito bem ter entrado como faixa-bônus, caso uma versão deluxe (sonhando demais, né?) fosse lançada.

5) "Olhos Nus"


Só fui eu que, pelo instrumental do início (pelo menos os acordes), imaginei que começariam a cantar "More Than Words" do Extreme? Hahahahaha. Primeira canção em português do álbum e composta/cantada apenas por Igor, "Olhos Nus" é uma baladinha sobre o final de uma relação, com dores, arrependimentos, incertezas. A letra, bem pessoal, é legal e, apesar do clichê "dois é par", ao menos pra mim, ela funcionou bem.

6) "Hurricane"



Depois de um sopro de língua materna na faixa anterior, voltamos com tudo às composições em inglês com "Hurricane". É um midtempo, onde dá pra ouvir as vozes dos quatro, mesmo que pouco de Gui e Jonathan, mas já é algo. Soando um meio-termo EDM/pop teen, a faixa tem elementos de percussão incorporados, além de sintetizadores, que nos deixa a impressão de já termos ouvido-a por aí. No fim, é bem repetitiva, os vocais de Igor se encarregam bem disso nos ganchos e na parte dos "Oh no ooh no ooh no". Mesmo assim, é uma das mais aceitáveis no álbum.

7) "Broken Angel"

Contando com um arranjo com vários sintetizadores, "Broken Angel" é uma faixa que tem um começo mais calmo, passando pra um refrão em escala, que somado à forte bateria dele, dá um tom interessante até pra canção. E de novo, lidando com um tema recorrente para quem quer fazer sucesso com o público teenage: o fim de uma relação, mostrando de todas as formas possíveis, como é possível resgatá-la e que o esforço para recompor o que foi quebrado vale a pena.

8) "All Torn Up" (feat. María Gabriela De Faría)



Outra baladinha sobre as consequências de um fim de relacionamento, só que agora em inglês, iniciando com um piano, que ao longo da canção ganha o apoio de vários outros elementos progressivos, e contando ainda com os vocais adicionais de María Gabriela De Faría (aka Isa TKM). É uma faixa bonitinha, onde temos algo que poderia ser outro single até, desde que ganhasse um clipe bem clichê, com direito à dramatização, cara de choro e tudo.

9) "New York Minute"

Na nona faixa, temos uma homenagem ao período em que eles passaram gravando o álbum nos EUA, em especial, na cidade de Nova York. É outra que eu colocaria como bônus ou até mesmo descartaria. Além de não acrescentar (tirando o fato da homenagem), a faixa apoiada quase toda num violão e bateria em sua primeira parte, é muito linear ao longo de seus 3:31, mesmo acrescida de novos elementos no arranjo, que dão outro rumo pra ela da segunda metade para o final. Num geral, soa bem enfadonha em vários pontos. Next.

10) "Always with You"

Com um arranjo inicial no piano, temos Gui e sua voz forte começando (conseguimos diferenciá-la aqui hahaha), temos uma daquelas típicas faixas de ensaio para encerramento do álbum. É bem calma, com os elementos encarregando-se de apoiá-la bem, dando suporte para a história que querem contar, de uma relação incondicional, onde não importa o que acontece ou o outro faça, ambos continuarão juntos.

11) "I'll Wait for You"

É uma continuação da anterior? Porque parece a mesma faixa hahaha. Brincadeira, mas bebe da mesma fonte. É bem final de álbum mesmo, fazendo a linha que agrada e bem as fãs. Aqui, temos mais uma baladinha pra ficar grudado (a) no seu par toda vez em que ela for tocada, só não esqueçam de fazer esse gesto com inúmeras juras de amor e, de novo, não importa o que aconteça, você esperará por ele (a), porque ozamigo da P9 ensina isso nesta faixa.

12) "Sinta a Vibe"

Pra encerramento do álbum, a escolha foi a faixa em português composta pelos próprios meninos. Iniciando com uma voz ao fundo bem repetitiva ao som de um "Put put put put put your hands", a faixa nos dá a impressão que começará um pancadão na sequência, mas seus ares de funk logo são consumidos pela vibe pop, contando com vários quês de brasilidade, principalmente pela percussão de Carlinhos Brown. A faixa é um convite para aproveitar os prazeres e a alma do cotidiano carioca, referenciado pela rotina que os meninos vivem no Rio de Janeiro. Não é uma das que mais agrada, e até acho que poderia ter vindo no começo do álbum. Faria mais sentido como abertura. Mazenfim, "sinta a vibe e deixe o ritmo tocar". É isso.

CONCLUINDO:
Mesmo reticente em ouvi-lo (ficamos uns 5 dias só pensando), é mais que óbvio admitir que o álbum não é tão ruim (exceto por sua capa bizarra) quanto o primeiro single, mas vale ressaltar que, o que pesa contra, ao menos pra mim, que fui responsável pela review, é que, individualmente, nenhum dos quatro tem identidade musical ainda e, obviamente, nadinha como banda (porque isso de lançar algo meio português, meio inglês não me desce totalmente), o que a gravadora poderia ter evoluído bastante com eles. À primeira vista, o "P9" acaba padecendo do mesmo mal que atingiu uma outra celebridade instantânea brasileira, a Anitta: "bombaram" um primeiro single (muito em função da massiva divulgação da novela), o que acabou antecipando e muito um trabalho de estreia, caindo na onda do velho dito popular: "o apressado come cru". Desta forma, tentaram abraçar todas as referências possíveis e impossíveis do mundo com esse prematuro álbum, que tem momentos bem chatos e, porque não, ruins, decorrentes dessa pressa em lançar e ainda estar na boca do povo. Por outro lado, ainda há boas canções que salvam-se ali. Mas num geral, a impressão que fica, é que se tivessem esperado mais um pouco, consertado e trabalhado mais alguns pontos, o resultado poderia ser bem melhor e com uma identidade musical mais condizente. Por fim, acreditamos ser até válido dizer que, se ouvirem o álbum outras vezes, é possível que gostem bem mais. Mas por hora e pra essa review, a primeira impressão é a que de fato fica. E se vale um conselho: tentem com mais calma da próxima vez (se tiver), P9.