It Pop Apresenta: a dupla Capital Cities e seu fantástico disco de estreia, "In A Tidal Wave Of Mystery"!

Por mais que tenhamos como nosso maior público os fãs do pop de rádio, não pensamos duas vezes quando a ideia é apresentar algum novo n...

Por mais que tenhamos como nosso maior público os fãs do pop de rádio, não pensamos duas vezes quando a ideia é apresentar algum novo nome, mesmo que não seja do nosso gênero predominante, e já se tornou quase que tradicional todo ano a gente ter uma paixão indie pra defender com unhas e dentes nas listas de fim-de-ano. 

Em 2011, essa paixão foi a banda Foster The People com seu disco de estreia, “Torches”, no ano seguinte quem caiu no nosso gosto foram os brasileiros da Tereza com o CD “Vem Ser Artista Aqui Fora” e os gringos da Imagine Dragons com o magnifico “Night Visions”, e neste ano, ao menos até esse exato momento, quem deu a sorte de passar pelo júri It Pop de Qualidade foi a dupla indie de Los Angeles, Capital Cities (formada por Ryan Merchant e Sebu Simonian), que em 2011 lançou o seu primeiro EP homônimo, mas só em junho deste ano nos presenteou com seu primeiro disco e gente, é pra aplaudir de pé!



Chamado “In A Tidal Wave Of Mystery”, o primeiro CD da Capital Cities foi lançado com o selo Capitol Records (mesmo da cantora Katy Perry) e vem composto com por doze faixas, incluindo os singles que antecederam seu lançamento, “Safe and Sound” (esse vem fazendo um barulho nas paradas americanas, repetindo o feito de nomes como fun., Gotye e The Lumineers) e “Kangaroo”. Mas antes que pensem que eles são mais um quero-ser-Strokes, pedimos para que tirem essa má ideia da palavra “indie” de suas cabeças, pois o som deles tá mais perto de nomes como MGMT, Calvin Harris e Daft Punk (com exceção do “Random AccesZzZzzzzzz Memories”). Tá?

Dado o momento Wikipédia da coisa, o que esse disco tem de tão bom?

Iniciado pela radiofriendly “Safe and Sound”, o “In A Tidal...” é um album que se sustenta, sem soar exagerado em nenhuma de suas vertentes e passeia do que é funcional para as rádios ao hipster-conceitual-extremista com a mesma facilidade com que vamos a padaria comprar pães de manhã. Entre os destaques do disco, é válido citar “I Sold My Bed, But Not My Stereo” — em que cantam sobre vender a cama, mas nunca o rádio estéreo — e a gloriosa “Farrah Fawcett Hair”, com participação do Andre 3000, que mais parece uma dessas recentes produções do Pharrell Williams.



Pegando no lado Daft Punk da coisa, temos ainda uma boa mistura de sintetizadores com guitarras em “Tell Me How To Live”, com um refrão explosivo que daria uma boa trilha-sonora para aqueles comerciais motivadores da Adidas e a clara afirmação em seu refrão, “ninguém vai dizer como eu devo viver”. Entretanto, não pensem que é tudo festa! Saindo de sua zona de comodidade, a banda também investe em canções mais calmas e uma delas nesse CD é a “Lazy Line”, onde somos quase que acompanhados apenas por sinos e uma flauta — alguns dos instrumentos que encontramos ao decorrer do álbum, que também conta com saxofone, percussão e até piano — além da amável “Love Away”, que fecha o disco com mais uma radiofônica que não se rende por completo a indústria, soando como uma versão indie do Bruno Mars.



Em suma, “In A Tidal Wave Of Mystery” é um daqueles discos de estreia que dificilmente são superados, mas vamos torcer pra que os rapazes da Capital Cities não sofram muito quanto a isso, afinal, com esse CD eles já deixam mais que claro o fato de serem versáteis e talentosos o suficiente para produzir algumas outras músicas incríveis, sem contar que ainda deverão conquistar uma boa mistura de público por conta da variedade de referências no disco (muito bem retratada em sua capa, produzida pelo artista brasileiro João Lauro Fonte).