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Review: O que “O Lado Bom da Vida” de David O. Russell está fazendo entre os indicados da 85ª edição do Oscar?


Olá querido leitor. Tudo bom com você? Eu espero que sim. Bem, você que acompanha o nosso especial do Oscar (você está acompanhando, né? Né?) sabe que já passaram por aqui filmes magníficos, isso acontece todos os anos. E também acontece de aparecer aquele filme que só Santa Gaga ungida no salto 30 de carne de boi sabe o que ele faz entre os indicados. O dessa edição é O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012), de David O. Russell. Venha entender o porquê.

O Lado Bom da Vida conta a história de Pat Solitano (Bradley Cooper), um interno numa instituição para tratamento de deficientes mentais que saiu com a ajuda da mãe. Pat está lá por um erro do passado que desmoronou toda a sua vida, e agora ele tenta consertar esse erro e voltar para sua ex-mulher, Nikki (Brea Bee). Nesse meio tempo, ela conhece Tiffany (Jennifer Lawrence – a nova queridinha de Hollywood que tem futuro), uma compulsiva sexual/viúva/também louca que é amiga de Nikki e ajudará Pat a se conciliar com a ex, já que ele é proibido pela justiça de se aproximar de Nikki.

A primeira metade do filme é o drama, só que não funciona. Os motivos: Cooper em nenhum momento consegue encarnar o problema que tem (isso não é spoiler, se ele tava numa clínica para deficientes mentais é porque tem algum problema), e ainda se acha engraçado, só que não é. Ele tenta a todo o momento ser frenético e inquieto para dar ênfase à sua instabilidade, mas acaba irritante. Aí vamos conhecer sua família, a mãe (Jacki Weaver) funciona, e é um bombom na tela, super fofa. O pai, o veterano Robert De Niro parece não saber o que faz ali, com seu personagem patético cheio de supertições mais patéticas ainda e muito, mas muito mimimi. Ter um pai desses tinha que terminar sendo doido mesmo.

Na segunda parte entra Jennifer Lawrence, e o drama passa para uma comédia romântica com gosto de soro caseiro. Lawrence em nem um segundinho passa a tarada que seu papel é. Depois, ela é artificial e besta, mas tem carisma e timing, por isso a onda de fãs que a amam (Guilherme Tintel, cof cof cof) e os prêmios pela atuação (como o Globo de Ouro de “Melhor Atriz – Musical Comédia” ???). Entre as cinco atrizes que concorrem ao Oscar da categoria (Emmanuelle Riva – Amor, Quvenzhané Wallis – Indomável Sonhadora, Naomi Watts – O Impossível, Jessica Chastain – A Hora Mais Escura) Lawrence é, de longe, a mais fraca, e caso venha a ganhar esse Oscar, perderemos a fé na raça humana. Nessa parte também somos bombardeados com aspas “piadas” aspas a todo o momento, porém nem um risinho consegue causar. Aqui a relevância de Cooper sucumbe a “zero” e Lawrence carrega o filme (e, já que ela não consegue encarnar o papel, para que serve conduzir o filme mesmo?).

Aí surge do nada um concurso de dança que Pat é obrigado pela Tiffany a participar, [SPOILER] e a partir daí já fica óbvio, evidente, gritante que os dois terminarão juntos [/SPOILER], então se você quiser parar de assistir ao filme aqui, já pode. Depois entra muuuuito blá blá blá sobre futebol americano que eu não me recordo de uma linha e parece que O. Russell está testando nossos limites e nossa paciência. O filme concorre ao todo em absurdas oito categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator – Bradley Cooper (???), Melhor Atriz – Jennifer Lawrence (??? – again), Melhor Ator Coadjuvante – Robert De Niro, Melhor Atriz Coadjuvante – Jacki Weaver, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.

O Lado Bom da Vida é nada além do que um desrespeito à inteligência do expectador (expliquem-me o quão ridícula foi a cena de Pat acordando os pais de madrugada porque ficou revoltadinho com o final de um livro, EXPLIQUEM-ME), que pouca coisa funciona e que, se não estivesse na lista do Oscar, poderia passar despercebido sem maiores dores. Um filme amarradinho como milhões de outros por aí, que não acrescenta nada de novo, não diverte, só irrita. E podem ter certeza: seu lugar na Sessão da Tarde já deve estar garantido, e esse é o lado ruim da vida.


Últimas reviews:
A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow.
As Aventuras de Pi, de Ang Lee.
Amor, de Michael Haneke.
Argo, de Ben Affleck.
Django Livre, de Quentin Tarantino
Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin.
- Lincoln, de Steven Spielberg.
  • Última Oscar Review: Os Miseráveis, de Tom Hooper, sexta, 22/02.
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