Reprodução/Divulgação

Review: o que mais a Banda Uó poderia fazer em um "Motel"?

Quando começaram a fazer sucesso na internet, os brasileiros da Banda Uó e suas versões bregas para hits gringos pareciam ser apenas mais um...
Quando começaram a fazer sucesso na internet, os brasileiros da Banda Uó e suas versões bregas para hits gringos pareciam ser apenas mais uma moda passageira, daqueles virais que todos amam e em alguns dias já estão odiando de tanto escutar/assistir/ler sobre (mas o melhor é quando vamos pra baleia...), mas bastou a banda trabalhar nos lançamentos que sucederam "Shake de Amor" e "Não Quero Saber", para notarmos que esse teria um prazo de validade maior do que esperávamos. Na última semana, a banda de Goiânia lançou o seu primeiro álbum de inéditas, intitulado "Motel", e mostrou que veio pra ficar, estreando no topo do iTunes Brasil em sua pré-venda e desbancando nomes como One Direction e Marisa Monte.
Com produções de integrantes do Bonde do Rolê e até mesmo do Diplo, que já trabalhou com nomes como Beyoncé e Usher, o álbum de estreia da Banda Uó está longe de ser apenas mais um álbum de eletrobrega e vem recheado do deboche característico da banda e diversos dúbios, faz uma mistura muito legal de toda a farofa que tá rolando na gringa com ritmos bem brasileiros, tipo o sertanejo. Vamos fazer a felicidade da Vânia e analisar este Motel de uma forma mais profunda? Pode ficar tranquilo, que aqui você nem precisa mostrar o RG para entrar!

1) "Faz Uó"
A primeira faixa do álbum é a já conhecida "Faz Uó", que serviu como primeiro single do CD. Na canção, a banda já te convida para fazer o uó junto com eles e em parte, essa faixa contribuiu para que nossas expectativas quanto ao álbum não fossem das maiores. É uma típica faixa do gênero eletrobrega, mas com todo o lirismo característico da banda - combinação que não deixa ninguém ficar parado.

2) "Búzios do Coração"
Após a animada introdução, a banda resolve nos dar um pré-descanso em "Búzios do Coração". Nesta faixa, a banda inicia a temática amorosa (que segue por todo o álbum, indo de cornos à prostituição) e vem com uma letrinha toda bonitinha, em que a mulher viu nas cartas que o rapaz é o amor de sua vida e afirma que não dá pra negar o que os búzios mostram. Num clima veranesco, "Búzios do Coração" flerta com o axé e é das poucas do álbum que conseguimos imaginar tocando em trilhas sonoras e etc.

3) "Castelo de Areias"
Prosseguindo com a temática amorosa, a banda traz agora um amor que está chegando ao fim. A canção devolve a Uó para o eletrobrega, mas ainda assim, brincando com outros instrumentos bem brasileiros, tipo o saxofone. Essa é mais uma daquelas que podemos imaginar sendo tocada para um grande público sem grande choque e vem com uma batidinha deliciosa.

4) "Vânia"
Polêmica! Enquanto as duas últimas faixas podem, facilmente, integrar trilhas sonoras ou serem tocadas em rádios, "Vânia" é uma daquelas que você até abaixa o volume para escutar. Recheada de samples (tem até um trecho do instrumental de "Birthday Cake" da RiRi), a faixa narra a história de Vânia, uma prostituta pobre, que faz a louca no bairro e ainda passa pela mão de todos. A música começa com a própria Vânia se apresentando e depois parte para os vocais do Mateus e do Davi, que falam sobre as ~qualidades~ da mulher da vida. "O tamanho da pistola faz a Vânia enlouquecer".

5) "Gringo"
Após toda a safadeza de "Vãnia", a banda vem com um clima mais divertido em "Gringo", que foi produzida pelo produtor gringo Diplo. Pra ser sincero, esperava um pouco mais da canção por ser algo do Diplo, mas ela acaba sendo mais uma boa faixa do CD, não trazendo nenhum grande atrativo se comparada as outras canções. Com samples de "Stupid Hoe" da Nicki Minaj, a faixa fala sobre um possível entre affair entre Candy Mel e um gringo dos morros cariocas. A letra é uma das mais legais do álbum.

6) "Cowboy"
Falando em letras mais legais do álbum, agora partimos para a sexta faixa do CD. "Cowboy" é uma clara referência da banda aos recentes sucessos do sertanejo e vem falando sobre cornos conformados, que merecem os chifres que tem e se sentem bem assim. A faixa é a segunda baladinha da tracklist do "Motel" e em minha opinião, é uma das melhores do CD - tanto que foi a que mais me atraiu pelas prévias, com seu "cavalgue em mim, eu acho que mereço ser tratado assim".

7) "Malandro"
E agora partimos para "Malandro", que foi uma das primeiras canções do CD a ser divulgada para o público e causa o efeito que eu esperava da faixa produzida pelo Diplo ["Gringo"]. Com um ritmo frenético, "Malandro" é uma das canções mais non-senses do álbum, mas ainda assim, nos vence pelo "Eu goixxto" e o break, que logo nos remete às farofas de artistas como Nicki Minaj e Rihanna. Dá até pra dançar "Gangnam Style" com essa! <3

8) "Nêga Samurai (feat. Preta Gil)"
Quando fiquei sabendo que a cantora Preta Gil faria uma participação neste álbum, logo pensei que tudo estava perdido. Não posso negar que Preta é uma boa cantora e todo o modo com que trabalha em suas letras chega a ser interessante, mas não sou muito chegado no trabalho da mesma e temia que ela trouxesse muito disso para o CD da Uó, o que não aconteceu. Em "Nêga Samurai", Preta Gil roubou o boy da Candy Mel e ainda faz a naja, ligando para a ~amiga~ e confessando o golpe. A batida dessa é uma das mais cativantes do cd e mais uma vez, tira a banda do eletrobrega, vindo com um pop bem brasileiro.

9) "I <3 Cafuçú"
I love, you love, we love cafuçú. A nona faixa do "Motel" é uma das mais fiéis ao eletrobrega de todo o álbum e sua letra não fica atrás, vindo com a grudenta questão de Mel, que pergunta ao doutor se seu coração poderá ser curado, uma vez que a mesma está amando loucamento os cafuçús da vida. Fechando a faixa com chave de ouro, nos últimos segundos Candy encarna seu lado MC e manda algumas rimas. É muito amor, gente!

10) "Cavalo de Fogo"
Ao contrário de "I <3 Cafuçú", esta canção rouba a Uó para o pop de novo. Em "Cavalo de Fogo", a banda traz a história de um amor não correspondido e o velho pensamento do "mais vale um na mão, do que dois voando". É pura alto ajuóda.

11) "Show da Rita"
Tão polêmica quanto "Vânia", a décima-primeira faixa do "Motel" abandona toda a animação do álbum e vem com um clima mais urbano e até mesmo obscuro, nos levando para dentro de um presídio. Pra quem não sabe, a musa inspiradora desta canção é a cantora e dançarina Rita Cadillac, que há alguns anos atrás fazia apresentações sensuais em cadeias nacionais e na canção, acompanhamos a ansiedade pré-show dos detentos e depois o momento em que "Cadillac" começa o show. Reforçando a referência a brasileira, parte da letra diz "ele não pode negar, que é bom para o moral ver ela dançar", o que nos remete ao sucesso "É Bom Para O Moral", da própria Rita.

12) "Chorei"
Essa é pra chorar mesmo. Por mais que a letra seja bem característica da Uó, o instrumental é um forró à la Falamansa e que me perdoem todos os fãs do gênero, mas nem com a Banda Uó isso funciona direito. Dá pra rir no momento em que um trecho da letra diz que o personagem foi trocado por um dançarino do cantor Leonardo.

13) "Shake de Amor"
Essa todos conhecem, né? Antes de revelarem a tracklist do "Motel", muitos se perguntavam se as faixas do EP "Me Emoldurei de Presente Pra Te Ter" integrariam o CD e uma das faixas que pre-ci-sa-va integrar o material era "Shake de Amor", até porque ela foi a responsável pelo grande sucesso da banda. A faixa é uma versão da banda para o hit "Whip My Hair", da Willow Smith, e para nossa felicidade, a banda não encontrou problemas com a Roc Nation para o lançamento da canção no álbum - o que não aconteceu com "O Gosto Amargo do Perfume", que gerou problemas com a Warner e teve seu clipe retirado do canal da banda no Youtube.

Resumindo: agora todos faz uó.