Se dependesse da Epic Records, o disco de estreia de Camila Cabello nem seria lançado

Para lançar seu disco de estreia, Camila precisou descartar todo o material feito com apoio da Epic Records, que desistiu de pagar pelo lançamento do álbum.

Ser um novo artista é muito difícil, mesmo que esse novo artista tenha saído de uma grande girlband, como Camila Cabello. Para lançar seu disco de estreia, ela precisou contratar uma empresa de administração indie e descartar todas as músicas feitas sob o selo Epic Records, porque sua gravadora oficial não quis pagar pelo lançamento do álbum. 

Com o rendimento abaixo do esperado de "Crying In The Club", produzida por Benny Blanco, o selo entendeu que a melhor solução era colocar a cantora na "geladeira", adiando o disco por tempo indeterminado e descartando as faixas então já gravadas.



Ao perceber a situação em que se encontrava, Camila fechou um acordo com a Electric Feel, empresa de gerenciamento indie que pagou por toda a produção do disco. A primeira música feita a partir dessa parceria foi "Havana", com produção de Frank Dukes, produtor ligado a essa empresa e sem nenhuma conexão com a Epic. Enquanto lançava outras faixas pagas por sua gravadora e anteriormente produzidas, como "I Have Questions", feita pelo Shatkin, e "OMG", com produção do Stargate, a cubana liberava também "Havana", que se tornou justamente seu primeiro hit. 

A primeira versão do disco de Camila, que a Epic gostaria de lançar, não tinha restrição de produtores, e ela podia trabalhar com uma grande gama de profissionais. Agora, com o acordo com a Electric Feel, ela só pode liberar músicas feitas em parceria com pessoas assinadas pela companhia. Por isso,  "Never Be The Same" e "Real Friends", além de toda a nova versão de seu disco, foram produzidas por Frank, o mesmo cara de "Havana".

Em recente entrevista a Billboard, Austin Rosen, CEO da Electric Feel, falou sobre o processo de produção do álbum dela.

Nós fizemos todo o álbum de Camila Cabello. É insano. Estamos muito próximos de Roger Gold, o manager dela. Nós dois estávamos envolvidos com a 300 Entertainment e ele sabia de todos os compositores e produtores que temos aqui. Nós fizemos "Work From Home", que foi o grande hit do Fifth Harmony. Ele estava com medo de trabalhar com a gente porque não queria ficar tão próximo ao som do Fifth Harmony. Mas então, nós tivemos uma sessão onde fizemos "Havana" e, a partir daí, ele deixou que a gente trabalhasse com ela por três meses. Nós somos produtores executivos do disco, e nosso produtor, Frank Dukes, produziu todo [o disco]. Todos os nossos caras [compositores e produtores] estão nisso. É incrível. 



Com isso, a cubana precisou descartar "Crying In The Club", "I Have Questions" e "OMG" que, como já sabemos, não entraram no CD, além de potencialmente jogar fora canções que, ao que tudo indica, estavam na primeira versão do material, como "Scar Tissue" e "The Boy", compostas em parceria com Charli XCX e Ed Sheeran, respectivamente. 



O sucesso de "Havana" não fez com que Camila mudasse o rumo de seu disco de estreia apenas por entender o que o público queria ver e ouvir dela. A mudança aconteceu por necessidade. Para aproveitar o momento, e também continuar a ter a liberdade criativa que conseguiu com "Havana", a cantora precisou descartar todo o material pago pela Epic.

Com o descarte, ela também precisou mudar o conceito de seu primeiro CD, já que não faria sentido lançar um disco com um título que não condizia mais com as canções que nele apareceriam. O nome "The Hurting, The Healing. The Loving" deu espaço ao "Camila", numa busca por soar mais autoral que, agora, após entendermos toda essa história, faz muito mais sentido.

Depois de sair do Fifth Harmony, Camila Cabello deixou registrado em diversas entrevistas que estava buscando fazer um trabalho que a representasse como artista, ao mesmo tempo em que a fizesse descobrir novas partes de si mesma e explorar diferentes sonoridades. Ao buscar apoio da Electric Feel, Camila reafirma sua posição de buscar por um trabalho mais autoral e que mostre para o público quem ela realmente é como artista.

Se dependesse da Epic Records, o disco de estreia de Camila Cabello nem seria lançado Se dependesse da Epic Records, o disco de estreia de Camila Cabello nem seria lançado Reviewed by Nathalia Accioly on 12/09/2017 06:10:00 PM Rating: 5