#AmarNãoÉDoença | O que cada vencedora de "RuPaul's Drag Race" nos ensinou sobre ser LGBT

Cada uma das 11 vencedoras do programa trouxe uma palavra-chave para a arte drag e o mundo LGBT

A arte drag existe há muito tempo, com o termo surgindo de "Dressed as a girl" ("vestido como uma garota"). Não se limitando a ser apenas a expressão artística do indivíduo, o ato de fazer drag também é uma ruptura das imposições de gênero. Parte bastante celebrada da cultura LGBT, o reality show "RuPaul's Drag Race" é o principal nome moderno para a popularização da arte ao redor do mundo.

Com 11 temporadas (9 normais e 2 "All Stars"), "RuPaul's Drag Race" é a igreja queer da tevê. Comandado por RuPaul, a maior drag queen do mundo, o reality está cada vez mais popular, o que demonstra a conquista do nosso espaço no mainstream. A prova é o número de prêmios do programa, aumentando ano após ano: em 2017 foram três Emmys, o Oscar da televisão, incluindo o segundo prêmio de "Melhor Apresentador" à Mama Ru.

Com uma longividente considerável (já são quase 10 anos no ar), mais de 100 episódios e 100 participantes, "RPDR" nos ensinou bastante sobre a comunidade drag, e, por extensão, todo o mundo LGBT, trazendo positividade e união. Com participantes gays, trans e 11 vencedoras, cada uma agregou uma característica primordial ao o que é ser drag e um indivíduo LGBT na nossa sociedade ainda tão opressora.

Inspirado numa postagem do Reddit, trouxemos o que é ser drag pela ótica de cada uma das coroadas da corrida das loucas da RuPaul.


Bebe: drag é dignidade

A vencedora da primeira temporada trouxe uma característica fundamental: dignidade. Bebe Zahara Benet veio diretamente da África para provar, desde o primeiro episódio, que o ato de ser drag não faz o homem ser menor, e como é uma arte digna que merece todo o respeito e admiração. Madame Cameroon foi a escolha perfeita para encabeçar o time de vitorias e começar um legado ao mundo LGBT.


Tyra: drag é luta

A vencedora mais controversa do show é amada por uns, odiada por outros, porém é incontestável: a gata é um exemplo de luta. Indo ao show com poucas roupas, não tendo lugar para morar e um filho para criar, Tyra Sanchez mostrou, aos 21 anos, como vale a pena brigar pelos seus sonhos e venceu aos trancos e barrancos, sempre impressionando na passarela.


Raja: drag é fashion

Desde o início tivemos participantes que trouxeram peças de moda impressionantes (Nina Flowers não nos deixa mentir), mas foi com Raja que o patamar foi elevado ao máximo. Uma verdadeira fashion model, Raja ainda é icônica pelos seus looks de cair o queixo, demonstrando como ser drag é ser fashion, moderna, desafiadora, vanguardista, artística e imortal. Supermodel of the World: The Sequel.


Sharon: drag é transgressão

Enquanto ser drag estava (e ainda está, na verdade) bastante aliado a ser "feminina", Sharon Needles chegou para bagunçar o jogo. Jamais querendo se enquadrar no molde convencional, a queen chocou pela sua persona assustadora e dia-das-bruxas-é-todo-dia, abrindo novas portas para a visibilidade drag e retirando violentamente a arte de dentro da caixa. O programa nunca mais foi o mesmo.


Chad: drag é profissionalismo

Caso Sharon estivesse fora do jogo, Chad Michaels teria vencido a quarta temporada do programa, tanto que Mama Ru fez o primeiro "All Stars" todinho para Chad vencer. E também pudera: ninguém foi tão profissional, classuda e sabendo como jogar o jogo como Chad. Unindo a seriedade dos anos de carreira com a jovialidade que a arte pede, Chad é o melhor dos dois mundos, envelhecendo como vinho e nos ensinando como é preciso ser profissional para alcançar a linha de chegada.


Jinkx: drag é performance

Depois de vencedoras com visuais fortíssimos, Jinkx Monsoon chegou tímida, com roupas questionáveis e visual que a colocava atrás das concorrentes, todavia, ninguém mostrou um nível de performance maior que o dela. A nossa drag Meryl Streep, Jinkx atua e canta como nenhuma outra, vencendo a temporada mais concorrida quando passou oito semanas seguidas no top dos desafios por destruir em suas performances.


Bianca: drag é intrepidez

No discurso de vitória de Bianca Del Rio, ela falou que nunca foi uma queen de dublagens, característica básica da arte drag, mas ela nem precisou: ela é, até hoje, a única participante a nunca ficar entre as piores do desafio durante toda a temporada. Comediante de insultos, Bianca trouxe um nível de intrepidez absurdo, sendo afiada e venenosa, e, ao mesmo tempo, adorável, ensinando que devemos ter coragem de sermos nós vemos acima de tudo.


Violet: drag é confiança

Com apenas 22 anos durante o programa, Violet Chachki se assemelhava à Raja em termos fashions, porém, o que a drag trouxe de mais forte foi sua confiança. Impressionando até mesmo Mama Ru, Violet jamais deixou que a vissem suar, sendo absolutamente segura de si, sobre sua capacidade e quem ela era enquanto pessoa e drag - repetindo, com 22 anos de idade. É preciso confiar em si mesmo acima de tudo para que outras pessoas também confiem.


Bob: drag é política

Altamente engraçada e preparadíssima para o programa, Bob The Drag Queen sempre falou ser uma "queen para o povo", porque o ato de ser drag é puramente político. Em tempos de conservadorismo contra pessoas negras e gays, Bob é uma verdadeira ativista, colocando discursos políticos na sua arte para nos lembrar que, muito mais que entretenimento, a existência drag vai ao campo da militância enquanto ainda somos segregados.


Alaska: drag é perseverança

De se candidatar quatro vezes antes de entrar no programa, conseguir uma vaga na quinta temporada, ver seu namorado vencer enquanto ela mesma perdia, até voltar para brilhar no "All Stars 2", a caminhada de Alaska foi longa dentro do programa. A maior fã do show, como ela mesmo afirma, Alaska é exemplo de perseverança, de como todos os "nãos" recebidos não podem nos fazer fraquejar. Mesmo sendo controversa na temporada em que venceu, a coroa de Alaska é mais que junta pela sua força de vontade.


Sasha: drag é inteligência

Enquanto umas se gabam por serem bonitas, magras e polidas, Sasha Velour sempre se gabou por ser inteligente, virando um meme ambulante sobre história queer e intelectualismo, mas se engana quem a acha arrogante: inteligência é alma do negócio. Foi com ela que a participante entregou performances geniais e passarelas brilhantes, sempre aliando seu intelecto filosofal com a paixão pela arte.


Não ache, você, leitor, que as queens aqui são exemplos absolutos para o meio LGBT. Elas, humanas, também cometem erros, dão aquele close errado e pisam na bola, no entanto, puseram na mesa valores construtivos que nós, LGBTs, precisamos nesses momentos escuros de ignorância e intolerância.

E só para deixar claro, ser drag é ser fabulosa.


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Essa matéria integra a campanha #AmarNãoÉDoença, que visa celebrar a diversidade sexual e de gênero. Somos apoiados pelos veículos abaixo assinado.