Listamos nossos 10 clipes favoritos dos 35 anos de carreira da Madonna

A maior artista feminina de todos os tempos, lenda viva e Rainha do Pop completa 35 anos de uma carreira que mudou o mundo

Era 6 de outubro de 1982. Deus do mundo gay começa seu trabalho na terra. Foi com o single "Everybody" que Madonna, santo é teu nome, lançou a sua carreira, há exatamente 35 anos atrás. De "Everybody" até "Bitch I'm Madonna", seu último lançamento, fomos abençoados com muitos cânticos, turnês milagrosas e videoclipes para aplaudirmos de pé.

Então decidimos começar uma missão quase impossível: listar os 10 melhores clipes da Rainha do Pop. Dentre os mais de 70 vídeos produzidos e lançados pela maior artista feminina de todos os tempos, escolher apenas 10 foi uma tarefa árdua - acredite, escolher a ordem dos três primeiros era como escolher qual filho é o seu favorito -, porém chegamos numa lista final.

Os critérios definidos para tal foram os básicos, e ainda acrescentamos vídeos que não foram lançados de fato, como o número #10, explicado abaixo. Qualquer coisa audiovisual desse ser iluminado com divulgação de uma de suas músicas era elegível.

Agora sente-se numa cadeira confortável, ponha um bom par de fones de ouvidos e desfrute da obra da maior que já existiu, e saiba: o universo existe há bilhões de anos, e nós vivemos nele ao mesmo tempo em que Madonna. Graça maior não existe.

#10 Nobody Knows Me

Apesar de não ter sido lançado como divulgação do single promocional, Madonna criou um vídeo para a faixa na "MDNA Tour". Usado como interlude, o clipe, dirigido por Johan Söderberg, traz um tributo a Tyler Clementi, jovem americano que se suicidou em 2010 graças ao bullying. Enquanto a cantora canta a faixa, diversas colagens sobrepõem seu rosto, usando anônimos e líderes políticos mundiais. Dialogando sobre a intolerância e como julgamos as pessoas, o vídeo é um brilhante, provocador e reflexivo estudo sobre diferenças culturais, religiosas e regionais, e como, apesar de tudo, deveríamos nos unir.


#9 Girl Gone Wild

Madonna retornou em 2012 com o clipe de "Give Me All Your Luvin'" e fez todo mundo estranhar pela vibe colorida, chiclete e pop-para-as-rádios (o que não foi algo ruim). No clipe seguinte, entretanto, ela decidiu voltar às origens e fez tudo o que a cartilha-madge nos apresentou nesses 35 anos de carreira: clipe em preto e branco, com modelos semi-nus suados, muita pegação e muito salto alto. Com coreografia matadora do Kazaky, "Girl Gone Wild" é Madonna dando tudo o que os gays queriam, numa farofa quebra pista que recebeu tratamento videográfico à altura.


#8 Justify My Love

Talvez o clipe mais polêmico da cantora, "Justify My Love" foi o carro-chefe do maior greatest hits da história, "The Immaculate Collection". Banido ao redor do mundo, inclusive da MTV americana, o clipe mostra Madonna andando num corredor, onde cada porta tem uma manifestação sexual diferente. Héteros? Tem. Gays? Muito. Lésbicas? Com certeza. Voyeurismo? Demais. Sadomasoquismo? Para todo lado. "Justify My Love" é o manifesto do sexo livre, do amor sem fronteiras, da exploração dos desejos, medos e ânsias de cada um, terminando com uma frase afiada: "Pobre do homem, cujo prazer depende da permissão de outra pessoa".


#7 Frozen

Lotado de efeitos especiais, "Frozen" abriu a era mais premiada da cantora, "Ray of Light", e trouxe uma contemplação não usual em sua videografia, com ela sendo uma bruxa no meio do deserto, usando seus poderes transcendentais para derreter nosso coração. Enquanto se metamorfoma em bichos e diferentes versões de si mesma, Madonna poucas vezes foi tão lindamente fotografada como aqui, num clipe místico, misterioso e narcotizante, casando perfeitamente com o poder da faixa. Só nos resta nos entregar.


#6 Die Another Day

Indo na contra-mão da preguiça de clipes derivados de filmes (que só pegam cenas do filme e voilà), "Die Another Day", música-tema de "007: Um Novo Dia Para Morrer", se inspira na veia jamesbondiana, com Madonna sendo uma prisioneira indo para a cadeira elétrica. Enquanto é arrastada, espancada e torturada pelos guardas, uma luta mais importante acontece em sua cabeça: duas Madonnas, representando o bem e o mal, caem na porrada enquanto a real Madonna tenta achar uma saída da prisão. Metafórico, tenso e violentamente lindo, "Die Another Day" é um dos clipes mais caros da história e um dos melhores acertos da carreira da cantora.


#5 Human Nature

Influência gritante para os clipes de "S&M" da Rihanna e "Not Myself Tonight" da Xtina, "Human Nature" é uma versão mais pop e comercial de "Justify My Love", trazendo os mesmos elementos de sexualidade e BDSM, mas numa pegada diferente. Coreografadíssimo, o clipe se utiliza de conceitos geométricos para criar sua narrativa, usando imagens refletidas e ângulos aéreos a fim de compor um espetáculo visual quando vemos Madonna e os dançarinos lutando para saírem das caixas onde foram colocados, terminando todos dentro do mesmo quadrado. "Absolutamente sem remorso algum".


#4 Material Girl

Madonna sempre teve Marilyn Monroe como uma de suas principais referências, e foi com "Material Girl" que ela aceitou as comparações de vez. Inspirado num segmento do filme "Os Homens Preferem as Loiras", onde Monroe canta o clássico "Diamonds Are a Girl's Best Friend", a Rainha usa o mesmo vestido no mesmo cenário, pegando o maior ícone do cinema como pontapé de uma música que é completamente a cara dela. Catapultando a imagem da cantora ao estrelato e criando o rótulo de "material girl", o vídeo é um dos mais icônicos da história e revela, de um jeito bastante sarcástico, a forma como a cantora era vista: alguém fútil a ser desejada pela sua sexualidade. Monroe entenderia.


#3 Like A Prayer

A apoteose de tudo o que Madonna é enquanto artista, "Like A Prayer" foi o vídeo que iniciou o mito graças ao seu teor polêmico. Falando diretamente sobre racismo, o clipe mostra um homem negro que, ao ajudar uma mulher, é confundido pela polícia e preso. Madonna então santifica sua imagem ao colocá-lo como Martinho de Porres, padroeiro dos pardos - mas popularmente chamado de "Jesus negro". Claro, o choque foi formado e até o Papa João Paulo II entrou na história, pedindo o boicote da cantora. Nada adiantou: Madonna tinha em mãos uma obra-prima da música pop que falava de assuntos relevantes e criava uma das mais icônicas cenas já feitas: ela dançando em frente às cruzes em chamas.


#2 Express Yourself

Um dos clipes mais influentes desse planeta, "Express Yourself" foi dirigido pelo rei do cinema David Fincher (diretor de "Garota Exemplar" e "Se7en: Os Sete Crimes Capitais"). Inspirado no clássico "Metrópolis", Madonna é a esposa do líder de uma gigante fábrica, mantida por escravos. Um deles ouve a voz da cantora e se apaixona perdidamente, enquanto ela é deixada no topo da torre em sua vida apática, até que ambos inevitavelmente se unam. Imagineticamente poderosíssimo, o vídeo é uma aula de estética e demonstra a habilidade de Madonna em realizar um verdadeiro evento ao redor de seus vídeos. O número de clipes modernos com pelo menos uma cena em homenagem a "Express Yourself" é a prova de seu legado: "Not Myself Tonight" da Xtina, "Alejandro" da Lady Gaga", "Slumber Party" da Britney, e por aí vai.


#1 Vogue

O vídeo definitivo da carreira de Madonna, "Vogue" é uma epopeia da performance. Com o visual art deco, entramos num museu particular onde as obras de arte não são apenas os quadros e as esculturas, mas também as pessoas, suas roupas, seus movimentos. Talvez o vídeo mais cinematográfico já feito depois de "Thriller" do Michael Jackson, "Vogue" não só ajudou a popularizar a dança de mesmo nome como também é um acerto genial em todos os departamentos possíveis, desde a edição brilhante até a coreografia imortal, com Madonna entrando de vez na célebre lista que ela mesmo narra antes do último verso. Um crime ter perdido "Vídeo do Ano" e "Melhor Coreografia" no VMA de 1990.




***

Está sentindo a salvação dentro de você? Amém, Madonna! Como seria a sua lista com as 10 maiores obras da Rainha da P*rra Toda? Conta pra gente nos comentários.