Recap | "AHS: Cult": primeiro episódio aposta em thriller psicológico

Primeiro episódio da temporada abusa da política como argumento para o pânico.

A espera acabou. Finalmente estamos com “American Horror Story: Cult” entre nós e a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos é o mote da temporada, numa alusão sátira e dramática da noite da eleição no primeiro episódio “Election Night”, que foi ao ar na última semana.

Como já havíamos alertado, a série não é sobre a eleição em si, mas sim sobre o terror que tomou conta do país, que mergulhou numa polarização cujos precedentes datam somente do século XIX, quando os EUA nem eram o que são hoje, muito parecido com o que vivemos aqui em 2014. 

Ally (Sarah Paulson) é um arquétipo perfeito da eleitora democrata; lésbica, de classe média, envolvida com política e tão crítica que não votou em Hillary, e sim no candidato oposicionista a Clinton e Trump, o que a torna “culpada” pela vitória de Trump. Logo nos primeiros momentos do episódio, Ally entra em desespero ao lado de sua mulher Ivy (Alison Pill) com a vitória do milionário. Em paralelo, Kai (Evan Peters), um eleitor de Trump, comemora sua “liberdade” e a “revolução” com o resultado das eleições. Kai é outro estereótipo do eleitor republicano, enclausurado no porão, sem amigos e esquisitão. A cena em que bate cheetos no liquidificador e passa no rosto para se parecer com Trump é uma das melhores do episódio.


A partir dessa fatídica noite, a série pretende se desenvolver explorando as fobias de Ally que voltam com força em meio ao caos que se instaurou em sua vida, como medo de palhaços, de buracos e sangue, ícones estes usados em toda a divulgação pré-lançamento. E também a força que Kai, representante dos supremacistas brancos, agora obtém. Para ele, os seres humanos anseiam por medo, e, em um momento como este, as pessoas abrem mão de seus direitos em troca de segurança. Kai só quer aumentar o pânico para que seus privilégios continuem. 

“Election Night” dá pistas de que o sétimo ano da antologia de Ryan Murphy e Brad Falchuk ficará no campo do thriller psicológico, mas deixa pontas como a aparição de Twisty de “Freak Show”, que vão contra essa ideia. Tratando-se de Murphy, ainda é cedo para concluirmos qualquer coisa. 

A direção de Bradley Buecker é boa, nos primeiros momentos a série tenta passar a que veio, com uma sonoplastia inquietante (quando Trump sob ao palanque é como se o personagem de “Pânico” fosse aparecer), e um paralelo íntimo da sociedade americana, sempre às voltas com serial killers, palhaços estranhos e violência. Com certeza há mais graça em conferir o episódio se você for um americano. Talvez a série, de maneira nada sutil como sempre, esteja querendo dizer para seu povo “nós todos estamos ficando loucos” e isso deve soar honesto, ou maluco, para os ouvidos americanos. Para os nossos, no máximo uma boa história de terror sobre um tema que ainda está acontecendo, felizmente, longe de nós. 

Por enquanto, vamos aguardar os próximos episódios, que podem dar um 360º em nossas primeiras impressões. “AHS: Cult” fica longe de decepcionar, mas também bota menos pressão do que a incrível “Roanoke”, por exemplo. Mas quantas temporadas não ficaram incríveis depois de um ou dois episódios né? Em Murphy podemos confiar.