Nós precisamos ter uma conversa séria sobre a Manu Gavassi

Você, brasileiro e fã de música pop, tem uma única missão.

Semanalmente, o Spotify brasileiro tem demonstrado uma importante mudança no comportamento de seus usuários, que vêm consumindo cada vez mais a música pop nacional.

Na última atualização de sua parada, por exemplo, apenas dois artistas internacionais aparecem entre as dez músicas mais ouvidas, Taylor Swift e J Balvin, sendo que as outras oito posições contam com mais de uma aparição de Anitta e Pabllo Vittar, além de hits de artistas que difundem o pop brasileiro por meio de outros gêneros, como Kevinho e Livinho.

Ouça a playlist “Novo Pop Brasil” no Spotify

Essa compreensão de que a música pop nacional não é e não deve soar exatamente como o que ouvimos de artistas internacionais é essencial para que possamos aproveitar o crescimento da nossa indústria como um todo, mas, apesar de aprovarmos por completo a virada que tem ocorrido neste cenário, ainda lamentamos algo quando olhamos para listas como essas: o país ainda não se uniu para ouvir e reconhecer o talento de Manu Gavassi.

E nós estamos falando realmente sério.


Tudo começou em 2015. A cantora, famosa por hits como “Planos Impossíveis” e “Garoto Errado”, lançou um EP chamado “Vício”, que quebrou seu jejum musical desde o disco “Clichê Adolescente”, de 2013, e ele deveria ter sido um puta hit.



O álbum, produzido por Junior Lima (sim, o irmão da Sandy!), era composto por uma dose de synthpop perfeitamente cantada em português, quase como se Carly Rae Jepsen, a rainha do pop subestimado, tivesse deixado alguma irmã perdida no Brasil. E o mais perto que tivemos de vê-lo fazer seu merecido sucesso foi com sua faixa-título, que acumula gloriosas 3 milhões de execuções no Spotify (algumas 1,5M só nossas, precisamos assumir).


Em seus visuais, a Era “Vício” também não nos decepcionou. Manu Gavassi foi da identidade retrô a “it girl”, ora aparecendo entre suas amigas e manequins, ora sozinha sob takes editados para simular o efeito VHS. Verdadeiras obras de arte contemporâneas.



Corta pra 2017, a brasileira anuncia seu contrato com a gravadora Universal Music e nós pensamos: “esse é seu momento, menina mulher!”. Ela lança o disco “Manu”, em abril do mesmo ano, e repetimos: “AGORA VAI!”. E eis que, meses desde a sua estreia, continuamos sem ver todas as suas faixas entre as mais ouvidas do Spotify. Nenhum de seus videoclipes bateram o recorde de exibições nas primeiras 24 horas pela Vevo e Youtube e, mais do que isso, ainda tem quem ouse criticar suas canções, que em nada perdem para o que consumimos em inglês de Selena Gomez, Tove Lo, Dua Lipa, Fifth Harmony e afins.



Com um time de produção ainda maior, composto por nomes como Pedro Dash (Anitta, Projota), Mãozinha (Anitta), Umberto Tavares (Anitta, Ludmilla) e Tropkillaz (Karol Conka), o disco “Manu” foi inicialmente promovido pela faixa “Hipnose”, que soa como algo sexy e dançante entre “Worth It”, do Fifth Harmony, e “This Girl”, do Kungs, mas teve sua divulgação conturbada por conta de comparações do seu videoclipe com “Hypnotic”, da cantora de pop alternativo Zella Day.

Manu Gavassi e sua equipe não hesitaram em ressaltar que se inspiraram no clipe da moça, até mesmo incluindo essa informação na descrição de seu vídeo, mas o efeito dessa hipnose não funcionou. Que país horrível.

Como ainda tem todo um disco pela frente, é claro que Gavassi percebeu que nem tudo estava perdido e, em seu passo seguinte, não deixou espaço para erros. O segundo single do disco foi definido com a ajuda de seus fãs: “Muito Muito” foi uma das faixas mais ouvidas, incluídas em playlists e espontaneamente enaltecidas do disco. E aposta numa pegada ainda mais comercial que “Hipnose”, investindo numa sonoridade dançante e tropical, facilmente comparável a faixas como “Cool Girl”, da Tove Lo, e “Kill ‘Em With Kindness”, de Selena Gomez. E estamos dizendo isso de uma forma completamente positiva.



Se é para ser a diva pop que o Brasil precisa, não basta um bom hit (ele vai acontecer, nós acreditamos) se não tiver um ótimo videoclipe, e assim ela o fez. “Muito Muito” trouxe um videoclipe perfeito para a canção, com muita dança, sensualidade e, claro, carões. Onde já se viu uma diva pop que não saiba acabar com a gente apenas com seu olhar?

Mesmo que tenha sido lançada antes, a música de Manu Gavassi também se aproxima bastante do atual hit de Dua Lipa no Reino Unido, “New Rules”, no sentido de ambas serem faixas dançantes e trabalhadas no empoderamento feminino. Uma sobre superar o término com o boy lixo, outra sobre reconhecer as suas qualidades e esfregar na cara dele sobre o quanto você é “muito muito” superior. Pode entrar, VMA de ‘Melhor clipe com mensagem’!



Até o momento da publicação deste post, o videoclipe de “Muito Muito” conta com exatas 996.462 exibições na Vevo e Youtube, o que é obviamente pouco para o que deveria ser o próximo smash-hit-pop-não-cantado-pela-Anitta no Brasil. Mas nós confiamos no poder da união do povo brasileiro, que se unirá em prol de algo maior.

Na melhor das hipóteses, os brasileiros reconhecerão a qualidade do trabalho de Manu Gavassi antes que seja tarde demais e sua aceitação será tão grande, que sua gravadora se empolgará ao ponto de não deixar passar nenhum grande single em potencial, o que inclui “Perigo”, “Heart Song” e “Mentiras Bonitas”. (Também amaríamos que ela trabalhasse “Aqui Estamos Nós”, de longe a melhor música do disco, mas essa é a típica faixa ótima demais para virar single.)



Você, brasileiro e fã de música pop, tem uma única missão. Junte-se a nós por essa causa. #TodosComManu.