Os 10 melhores filmes cult de 2017 (até agora)

De "Peles" até "La La Land", listamos 10 filmes imperdíveis da primeira metade de 2017 que você talvez não tenha visto

É meio assustador se ater ao fato de que metade de 2017 já foi embora, mas sim, já estamos no segundo semestre desse ano que está correndo sem freio e, com isso, já podemos começar nossas listinhas de melhores do ano (até agora). Nesse post que você agora lê temos os 10 melhores filmes cults do ano até o término do primeiro semestre. Sente aqui, vamos entender.

Caso você já conheça nosso estilo de listas para filmes, pode pular para o parágrafo seguinte. Caso não se enquadre nessa categoria, olá, novato. Nós dividimos as listas da Sétima Arte em duas, a "cult" e a "pipoca". Qual o objetivo dessa segregação? Listar de forma mais homogênea filmes que possuem "objetivos" semelhantes. Porque não faz sentido comparar "Mulher Maravilha" com "Eu, Daniel Blake", não é verdade? E com o termo "cult" que temos aqui queremos dizer os filmes que fogem do molde comercial hollywoodiano, aqueles blockbusters quem entopem as salas de cinema. Os filmes aqui são mais restritos comercialmente, muitas vezes interessados em colocar você para pensar. Você pode conferir a lista com os melhores de 2016 aqui.

Com essa restrição de distribuição, o calendário de estreias no nosso país fica bem mais complicado. Os filmes aqui apontados passaram pelo crivo de: 1 estrearem comercialmente no Brasil em 2017; ou 2 lançados em streaming no Brasil em 2017 (Netflix); ou 3 chegarem à internet sem data de lançamento nacional prevista. Tendo isso em mente, podemos ir aos felizardos nomes (sem spoilers)!


10. A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue)

Direção: Luc & Jean-Pierre Dardenne

Os irmãos Dardenne, duas vezes vencedores da "Palma de Ouro" no Festival de Cannes, sempre fizeram um cinema bastante cru, retratando situações corriqueiras levadas ao extremo. Em "A Garota Desconhecida", uma médica se sente culpada depois que uma jovem mulher, que ela se recusou a atender, aparece morta. O longa é um drama do dia a dia que comporta forte crítica social aos refugiados - principalmente negros, onde um evento particular, a morte da mulher, desencadeia outro público, a higienização social. A garota mal é mostrada, mas vira um fantasma pela obstinação da protagonista em reaver um dilema moral.

9. Grave (idem)

Direção: Julia Ducournau

Uma garota vegetariana recém chegada na faculdade é forçada a comer carne no trote do curso, o que desencadeia uma fome por carne humana que, pouco a pouco, vai dominando a menina. Seguindo a tradição do horror francês, "Grave" é uma metafórica viagem que força o espectador a vislumbrar o desabrochar violento de uma garota para os desejos mais primitivos do seu ser, dialogando com a repressão sexual feminina num final para ver de joelho. Há bastante metáforas na tela que visam debater como as mulheres ainda são tratadas como pedaços de carne pela sociedade. Só que, aqui, as mesas viram. Clique aqui para a crítica completa.

8. Jackie (idem)

Direção: Pablo Larrain

O evento que desencadeia o filme nós já conhecemos: o assassinato de JFK. O que faz "Jackie" alcançar um ótimo saldo é o fato de conseguir ir além do óbvio em cinebiografias, tanto pela condução em flashbacks como pela belíssima reconstituição de época. Ao invés do esperado vislumbre através dos olhos de JFK, vemos a construção dos fatos pelos olhos de Jackie Kennedy, interpretada com perfeição por uma contida Natalie Portman. "Jackie" é uma obra que trata de amor, memória, vaidade e luto sem esquecer do quão icônico foi o mito fashion de sua protagonista.

7. Manchester À Beira Mar (Manchester By The Sea)

Direção: Kenneth Lonergan

Vencedor do Oscar de "Melhor Roteiro Original" (e do controverso "Melhor Ator" para Casey Affleck) na edição de 2017, "Manchester À Beira Mar" retrata dores e lutos que poderiam render lágrimas e desesperos na tela, porém, contrariando o esperado, aqui não temos personagens tentando se reerguer, e sim aprendendo a viver com suas próprias mortes. Navegando num mar de ironia, humor negro e muito cinismo, a obra cria personagens e momentos inesquecíveis sob o tom certeiro para retratar assuntos tão complicados. "Manchester À Beira Mar" é um filme triste, melancólico, sensível e, por que não?, estranho. Clique aqui para a crítica completa.

6. Mulheres do Século 20 (20th Century Women)

Direção: Mike Mills

Baseado na vida do próprio diretor/roteirista, "Mulheres do Século 20" nos joga nos Estados Unidos da década de 80, onde a revolução sexual está borbulhando e o pensamento feminino sofrendo mudanças drásticas com a chegada da pílula anticoncepcional. Seguindo o ponto de vista de três mulheres de três gerações diferentes, vemos como cada uma se enxerga dentro da nossa sociedade machista e patriarcal, e como elas expressam suas liberdades, suas felicidades e suas dores. Resgatando não só um local geográfico mas uma faixa de tempo, o longa é um belíssimo estudo sobre o feminismo debaixo de um roteiro complexo que demonstra domínio cinematográfico e rende cenas memoráveis - a da menstruação é perfeita.

5. 24 Semanas (24 Wochen)

Direção: Anne Zohra Berrached

O cinema europeu, mostrando seus lados mais crus, aborda temas tabus de forma bastante consciente, e é isso que o alemão "24 Semanas" realiza. É certo que filmes sobre aborto, ou que tratam do assunto de forma secundária, já existem, como o romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" (2007) e o ucraniano "A Gangue" (2015), todavia, "24 Semanas" consegue trazer o tema de forma mais pungente ao nos colocar dentro da relação de um casal que vê uma gravidez se tornar um problema. Divido tematicamente em três partes, o longa começa como um drama sobre Síndrome de Down, passa para fetos com problemas cardiovasculares até o aborto de fato. Extremamente desconfortável, necessário enquanto discussão, sem maquiagem e puramente feminino, a película traz os prós e contras do aborto e colocam o espectador na beira da cadeira. Se isso não for a maior função do Cinema, não sei o que é.

4. Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)

Direção: Ken Loach

Também duas vezes vencedor da "Palma de Ouro", assim como os irmãos Dardenne, Ken Loach recebeu o segundo prêmio em 2016 com a obra-prima "Eu, Daniel Blake". Indo na onda do seu cinema, que critica fortemente o estilo de vida social capitalista, "Daniel" tenta buscar uma saída para a burocracia nossa de cada dia enquanto vê seu protagonista definhar por não conseguir um emprego graças à idade avançada. A força desse drama urbano, simples, mas corretíssimo, reside no confronto de Daniel contra o sistema, sendo ferramenta de instauração de reflexões. Blake e sua pichação viram porta-vozes dos desmandos de Estados que, com seus punhos de ferro, força as pessoas a perdem o respeito próprio. A cena do depósito de comida é para estraçalhar qualquer coração.

3. Peles (Pieles)

Direção: Eduardo Casanova

Um dos melhores macetes narrativos da Sétima Arte é a expansão dialética: quando a obra se apropria de determinado conceito ou ideia e exagera ao máximo para que possamos entender nossas simples vidas no meio desse conceito. É isso que o espanhol "Peles" faz. Nos colocando diante de um mundo onde deformidades físicas são desde nanismo até uma garota com um ânus no lugar da boca (sim), o filme é Cinema em sua plena função: hipérboles visuais compostas de forma histrionicamente perfeitas constroem uma obra reflexiva sobre a importância social dos nossos corpos, em contos brilhantes em forma e conteúdo. Nem os 50 tons de rosa conseguem esconder o lado obscuro do ser humano, que, muito antes de possuir o anseio de ser aceito, deve aceitar a si próprio. Clique aqui para a crítica completa.

2. La La Land: Cantando Estações (La La Land)

Direção: Damien Chazelle

Caso você tenha vivido no planeta Terra nos últimos meses, é praticamente impossível você não ter ouvido falar de "La La Land". O musical de maior sucesso do século (até o momento) pode ter visto o Oscar de "Melhor Filme" escorrer pelas suas mãos, porém nada chega próximo de apagar o brilhantismo que é sua realização. Seguindo um casal de artistas que se apaixonam enquanto vislumbram suas próprias artes desabrocharem, aqui temos uma obra puramente cinematográfica. Não só pelas sequências musicais filmadas sem cortes com explosões de cores, mas também por ser um manifesto de amor à Sétima Arte e às várias que ela abrange. “La La Land” é belíssimo, mesmo que ao término da sessão arranque seu coração e pise em cima. Clique aqui para a crítica completa.

1. Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

Direção: Barry Jenkins

O maior vencedor do Oscar de "Melhor Filme" em muito tempo, "Moonlight" traça a vida de Chiron em três fases: infância, adolescência e maturidade. Sem querer, pegamos carona nessa jornada e relembramos a nossa própria viagem pela vida, ainda em curso. É inegável que "Moonlight" seja um filme triste, todavia, ao mesmo tempo, é uma obra genialmente bela, tocante e verdadeira. Aqui temos um olhar brilhante de Barry Jenkins sobre temas muitas vezes esquecidos no cinema, mas urgentes, necessários e representativos como o ser gay, o ser negro, o ser periférico, o que solidifica sua inestimável importância social. Porém, você não precisa se enquadrar em algum desses três “seres” para sentir a delicadeza devastadora que “Moonlight” provoca – mas caso se encaixe, essa é uma história para toda uma vida. A de Chiron e a sua. Clique aqui para a crítica completa.


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2017 está na metade mas já temos nomes incríveis na Sétima Arte para chamarmos de "esse é meu filme!". E com o segundo semestre começamos a corrida dourada, então muitos grandes nomes e ótimas surpresas deverão chegar até nós, moldando nossa lista final de melhores filmes do ano. E para você, qual seu filme cult favorito de 2017 até agora?