O show da Charli XCX no Cultura Inglesa Festival foi do caralho

Não esperávamos menos do ícone, que contagiou o show lotado com seu “pop para poucos”.

Fotos: Rafael Strabelli/Nação da Música

Já fazia tempo que eu não saía de um show com tanta vontade de escrever sobre o quanto ele foi incrível. Charli XCX foi a atração principal do 21º Cultura Inglesa Festival, que rolou no Memorial da América Latina, em São Paulo, e contará com outras atividades até o dia 18 (confira os locais e programação no site) e com um repertório marcado pelos hits do disco “Sucker”, algumas das suas principais colaborações e faixas da mixtape “Number 1 Angel”, entregou um show explosivo do início ao fim.

O show durou cerca de uma hora e, entre explosões de confetes, bonecos “de posto” gigantes dançantes e muitas danças descoordenadas, o foco ficou para a sua última mixtape que, assim como a sua banda, só contou com parcerias femininas.



“Lipgloss”, que em sua versão de estúdio traz a participação da rapper Cupcakke, foi uma das que mais levantaram o público, ao lado da colaboração com a em “3AM” e com Raye em “Dreamer”. Outro ponto alto ficou para “Vroom Vroom”, do seu EP anterior, com a qual o público não só dançou, como improvisou inúmeras danças em potencial para a faixa tão fora do convencional.


Não saber todas as letras não foi problema para o público, que não hesitou em dançar, mas caso alguém ali não tivesse muita certeza se já havia curtido algo da britânica, ela fez questão de lembrar algumas de suas composições mais famosas: “I Love It”, lançada pela dupla sueca Icona Pop, e “Fancy”, com a cantora australiana Iggy Azalea. Essa última foi apresentada numa versão remixada pelo GTA, que deixou a música bem mais dançante e interessante do que conhecemos, também casando com a vibe do show.



Do seu novo disco, XCX trouxe o single “After The Afterparty”, desta vez com o apoio unânime do público, além da ainda inédita “Bounce”, produção do londrino Sophie toda levada pela PC Music, com um break eletrônico que fez seu show parecer uma grande rave, apesar do volume baixo para a pista geral.


Como não podia faltar, os hits “Boom Clap” e “Break The Rules” foram as poucas vezes em que ela se lembrou do disco “Sucker” que, por pouco, não fez companhia para o álbum de estreia “True Romance”, esquecido num churrasco, e sendo os sucessos que foram, é óbvio que todos gritaram, aplaudiram e vibraram juntos.



Muita gente comentou sobre seus vocais, questionando se houve ou não o uso de playback, mas o que ficou perceptível foi a utilização de bases de fundo, bem como intervenções realizadas ao vivo, que são totalmente compreensíveis dentro do seu repertório atual, cada vez mais eletrônico. E, longe de tentar disfarçar os efeitos, a cantora até mandou algumas frases com os tais filtros ligados. Não foi nada que destoasse do show como um todo.



A experiência de estar num Memorial lotado, com mais de 15 mil pessoas curtindo e pirando ao som da britânica foi indescritível. Isso porque ela vem de uma fase em que foi pressionada a emplacar novos hits, trabalhando até mesmo com músicos como o produtor e acusado de abuso sexual Dr. Luke, e o que nos trouxe após isso foi uma antítese pop, na qual mescla seus refrãos grudentos com batidas que fogem completamente do óbvio, soando como um sopro de ar fresco para essa indústria em que tudo é tão parecido com o hit da temporada passada. Além do comportamento cada vez mais “foda-se” para qualquer padrão que tenham tentado impor para ela, seja enquanto mulher, artista ou figura pública.


Num rápido encontro com a cantora nos bastidores do show, ainda vimos um pouquinho do seu lado porralouca também fora dos palcos e da melhor forma possível, enquanto ela dividia todo o seu carinho com os fãs que tiveram a oportunidade de participar do seu meet and greet e prometia voltar ao Brasil para mais alguns shows.

Pelo sorriso do blogueiro que vos escreve, acho que deu pra notar o quanto esse dia ficará marcado por aqui: 

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Nesse espaço, quero aproveitar para agradecer aos esforços da Warner Music Brasil, que nos proporcionou esse encontro com a cantora, bem como a Cultura Inglesa, pela chance de poder prestigia-la no Brasil dentro de um evento tão bacana.

E, claro, a Charli pelo show e trabalho tão fodas. Mal posso esperar pra te ver de novo, na próxima com o disco novo já lançado, por favor.

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