Muita coisa mudou nos últimos quatro anos, por que Miley Cyrus não mudaria?

Como a mulher independente que se mostrou em “Bangerz”, Miley agora usa sua liberdade para buscar por novos ares.

Daqui um mês, fará quatro anos desde que Miley Cyrus lançou a canção “We Can’t Stop”, que abriu seus trabalhos com o disco “Bangerz”. A sonoridade urbana, bem como a mudança de seu visual, foi motivo de bastante discussão tanto por seus fãs quanto público geral, mas era unânime: todos estavam de olho no que a nova Cyrus estava fazendo.

Foi assim que “Bangerz” se tornou um dos momentos mais memoráveis da carreira da ex-estrela da Disney, contando ainda com a icônica estreia de “Wrecking Ball”, que não só foi muito bem sucedida nas paradas americanas, como também quebrou recordes pelo lançamento do seu videoclipe no Youtube.



E, hoje em dia, consideramos quase impossível pensar nas últimas edições do MTV Video Music Awards sem nos lembrarmos desse momento aqui:

mgid:ao:image:mtv.com:52844 (500×265)

Quando veio ao Brasil com a Bangerz Tour, o saldo também foi positivo. De fora, o show parecia uma grande baderna com brinquedos gigantes, dançarinos anões e a cantora indo de um lado pro outro mostrando a língua e fazendo twerk, mas, vista de dentro, a turnê oferecia uma experiência verdadeiramente única, na qual toda essa porralouquice se transformava num universo muito singular, em que a liberdade era quem ditava o que fazíamos ou sentíamos.

Corta pra 2017. Miley Cyrus aparece com cabelos maiores e uma estética bem diferente, mais limpa do que a explorada nos materiais visuais de “Bangerz” – e também no projeto paralelo lançado gratuitamente após o disco, a parceria com The Flaming Lips em “Miley and Her Dead Petz”.


Na capa da Billboard, a atriz e cantora estampa uma matéria na qual falam sobre sua nova fase e a grande transformação pela qual passou nos últimos anos, incluindo o distanciamento daquilo que curtiu adoidado enquanto promoveu “Bangerz”, como sua aproximação com rappers, nudez e excessivo uso de drogas.

Apesar de estarem familiarizados com mudanças, os fãs de música pop ainda custam a aceitá-las quando não condizem com as suas expectativas e, assim como aconteceu quando Miley surgiu com “We Can’t Stop”, uma grande maioria passou a questionar o que a cantora está dizendo e fazendo agora.



Quem não se contentou com a nova era da cantora, apesar dela sequer ter lançado qualquer amostra do que promoverá musicalmente, acredita que suas falas atuais soam conservadoras demais para a Miley Cyrus de 2013 e critica o fato dela agora admitir se enojar ao ver os trabalhos nus que realizou durante a divulgação do disco anterior – trabalhos esses que contaram com a colaboração do produtor musical Dr. Luke e do fotógrafo Terry Richardson, ambos acusados por abuso sexual nos últimos anos, ressaltamos. Mas a surpresa é mais óbvia do que parece: as pessoas mudam, gente, e deveríamos ficar completamente bem sobre isso.

Quatro anos separam a Miley Cyrus de “Bangerz” da que estamos prestes a conhecer e, definitivamente, quatro anos é tempo pra caralho. Em 2013, a cantora estava no auge dos seus vinte, descobrindo a liberdade artística e oportunidade de usar e abusar da sua criatividade desde que soltou as amarras da Disney e, dado seu apreço pelo hip-hop, descobrindo todo um universo que, infelizmente, era e ainda é bastante machista e misógino.



Nesse tempo, a cantora também passou pelo fim e recomeço do relacionamento com o ator Liam Hemsworth, bem como voltou a buscar por sua identidade musical, uma vez que descobriu todo um leque de novas influências ao colaborar com Wayne Coyne e sua banda The Flaming Lips no que foi um dos seus projetos mais ousados, musicalmente falando, e é óbvio que isso refletiria na forma como veria sua carreira agora.

Tê-la revendo suas ações de anos atrás não significa que esteja negando o que fez, mas, sim, considerando que não é o que está disposta a fazer agora e que talvez não fosse o que faria se tivesse a oportunidade de voltar atrás. O nome disso, para quem ainda não conhece, é amadurecimento. É reconhecer as coisas que já fez e entender sobre o quanto aquilo te fez bem ou não.



Na entrevista para a Billboard, Miley Cyrus afirmou gostar da canção “Humble”, de Kendrick Lamar, pelo verso em que ele enaltece a beleza feminina, na contrapartida dos muitos versos machistas do gênero, e recebeu inúmeras críticas por conta disso também, como se estivesse dando as costas para um estilo que a acolheu e inspirou durante a fase anterior. Mas a cantora usou seu Instagram para complementar a fala, justificando:
Eu sempre amarei e celebrarei o hip-hop e trabalhei com alguns dos melhores [nisso]! Mas, nesse momento da minha vida, estou me expandindo, musical e pessoalmente, e gravitando pelo rap edificante, consciente. Conforme fui envelhecendo, eu percebi o efeito que a música tem no mundo e, vendo onde estamos hoje, eu sinto que a geração mais jovem precisa ouvir letras positivas e poderosas. (...) Eu espero que minhas palavras, sejam elas cantadas ou faladas, sempre encorajam os outros a amarem, rirem, viverem intensamente, que estejam aqui por outras pessoas, para unificar e lutar por o que for seu direito (seja humano, animal ou ambiental).
rmRrLcr.gif (500×281)

No final das contas, não há o que questionar. Miley, como a mulher independente que se mostrou em “Bangerz”, usa agora sua liberdade para buscar por outros ares, pessoal e musicalmente falando, e, até aqui, tem passado uma imagem bem mais amadurecida do que a menina que se divertia com sua porralouquice pop em 2013.

Em quatro anos, muita coisa mudou. E Miley Cyrus foi uma delas. Na melhor das hipóteses, você ainda pode relembrar seus trabalhos anteriores no Spotify e Youtube quando quiser.