Dos quadrinhos ao cinema: a trajetória de Mulher-Maravilha na cultura pop

76 anos para a princesa de Themyscira ganhar um filme próprio.

É unânime: Mulher-Maravilha foi a melhor coisa de "Batman VS Superman". A conturbada produção em meio aos inúmeros problemas, seja de narrativa, edição e até mesmo ação, conseguiu ter alguns pontos altos, e Mulher-Maravilha, interpretada pela estreante ex-Miss de Israel e ex-soldado Gal Gadot, foi um deles.

A personagem chamou atenção com suas poucas cenas, e não seria surpresa ver a personagem em uma produção para chamar de sua. A Mulher-Maravilha chega aos cinemas pela primeira vez com um filme solo amanhã, mas a princesa amazona percorreu um longo caminho para chegar até aqui.

Lançada ao mercado no início da década de 1940, Mulher-Maravilha foi criada pelo psicologo americano William Moulton Marston, inspirado em suas duas esposas, Olivia e Elizabeth. Seu primeiro quadrinho solo surgiu em 1942. A ideia de Marston para a personagem era que ela servisse de exemplo para as crianças, jovens e mulheres, servindo também como um simbolo que quebrasse a ideia de que as mulheres são inferiores aos homens.


Criada com o intuito de promover a igualdade entre gêneros e empoderamento feminino, as primeiras décadas da personagem foram terríveis. Em "Sociedade da Justiça da América", a poderosa amazona foi subjugada como mera secretária da liga dos heróis, e com a morte de seu criador, suas vestes tornaram-se cada vez mais curtas. Os poderes da personagem também foram retirados, na década de 60 em meio ao crescimento do movimento feminista, e só na década seguinte, pela pressão de Gloria Steinem, da revista Ms, que a princesa de Themyscira ganhou seus poderes de volta, resultando assim em um aumento nas vendas dos quadrinhos da personagem.

O interesse em levar a heroína para a televisão surgiu um pouco antes, em 1967. A desconhecidíssma Ellie Wood Walker deu vida à heroína num piloto de uma série que graças a deus nunca viu a luz do dia; o piloto trazia a princesa amazona num tom cômico, que vestia seu traje ao olhar para o espelho. Mais tarde, em 1974, foi Cathy Lee Crosby quem ficou responsável por dar vida à personagem nas telinhas em um telefilme, no qual ela não tinha poderes, usava um uniforme distante do mostrado nos quadrinhos e sua identidade não era muito secreta, visto que ela trabalhava para o governo.

Finalmente, em 1975, surge a ABC com a sua versão da Mulher-Maravilha, interpretada por Lynda Carter, hoje poderosíssima fazendo ponta em "Supergirl". A série de TV da amazona ficou famosíssima na época, ganhando outras duas temporadas mais tarde. Carter ajudou a eternizar o já icônico visual da personagem: botas de cano alto, braceletes, tiara e laço da verdade. Quase quatro décadas depois, em 2011, a NBC encomendou um piloto de uma série da personagem, interpretada por Adrianne Palicki ("G.I. Joe: Retaliação"), com uma versão nada convencional do uniforme: tons escuros e pasmem, uma calça. O piloto chegou a ser produzido, porém recusado pela emissora.


Entre as tentativas de uma série de TV da personagem, o sucesso de Lynda Carter no papel, e a tentativa frustada da NBC, a Mulher-Maravilha nos quadrinhos só se fortaleceu, literalmente. Na década de 80, surgiu uma versão parrudona da personagem, bem batata cozida com frango. Já na década seguinte, sua sexualização só cresceu, com peitos salientes e traje minúsculo. Só em 2011 que a personagem é, de fato, reformulada através dos Novos 52, com uma nova origem e um uniforme que remete a uma armadura, bem similar ao que estamos vendo no cinema hoje.

Por falar em cinema, diferente da TV, houveram poucas tentativas em trazê-la às telonas. Em 2007, Joss Whedon ("Vingadores") chegou a ter um roteiro pronto para a Warner Bros, porém foi rejeitado pelo estúdio. No ano passado, a personagem fez sua primeira aparição no cinema com "Batman VS Superman: A Origem da Justiça", mas só agora que a princesa de Themyscira vai — finalmente — ganhar um filme para chamar de seu. A produção é dirigira por Patty Jenkins ("Monster: Desejo Assassino"), sendo o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher a atingir um orçamento de 100 milhões de dólares.

O primeiro filme solo da Mulher-Maravilha explorará sua origem e acompanhará a heroína durante a Primeira Guerra Mundial, ao lado de Steve Trevor. O longa-metragem chega aos cinemas amanhã, e conta com nomes como Lisa Loven Kogsli, Chris Pine, Robin Wright e Connie Nielsen.