Youtube está censurando clipes de Gaga, Pabllo Vittar, Lia Clark e outros associados ao público LGBTQ+

Site tem sido alvo de críticas após impedir que usuários encontrem conteúdos produzidos ou direcionados para a comunidade LGBTQ+.

Tá todo mundo bem puto com o Youtube e, se você passou pelo Twitter neste domingo (19), provavelmente chegou a ver a hashtag “Youtuber Is Over Party” (Festa do fim do Youtube), mas se não entendeu o que está rolando, a gente explica.

O site de compartilhamento de vídeos possui uma configuração que habilita um “modo restrito”, no qual deveria identificar vídeos inapropriados e filtrá-los, entretanto, vários usuários perceberam que a ferramenta se tornou um meio de censurar conteúdos criados ou direcionados para o público LGBTQ+, incluindo videoclipe de artistas como Lady Gaga, Katy Perry, Miley Cyrus e Troye Sivan e, no Brasil, Pabllo Vittar, Lia Clark e Banda Uó.
Todos os videoclipes de Lady Gaga com o disco “The Fame” e outros famosos de sua carreira foram ocultados.
No Brasil, a Banda Uó foi um dos artistas que também sofreram censura, com a ausência de clipes como “Arregaçada”, “Dá1Like” e “É Da Rádio”, do seu último disco.
Na descrição dessa funcionalidade, o Youtube afirma que utiliza a “sinalização de comunidade, restrição de idade e outros sinais para identificar e filtrar conteúdo potencialmente inadequado”, mas, até o momento, não se posicionou quanto a censura dos conteúdos associados ao público LGBTQ+, o que fez com que ocultassem até mesmo o videoclipe de “Million Reasons”, de Lady Gaga.



No Brasil, o modo restrito não permite que encontremos videoclipes como “Chifrudo”, da Lia Clark, e “Todo Dia”, da Pabllo Vittar com Rico Dalasam, além de ocultar ainda todo o canal e videografia de Anitta e até mesmo virais, como a websérie “Girls In The House”. Youtubers que abordam discussões LGBTQ+, como Mandy Candy e Federico Devito, também viram seus conteúdos ficarem indisponíveis. 
Mesmo quando acessamos o canal do criador de “Girls In The House”, Raony Phillips, não conseguimos acessar as temporadas de sua websérie, feita em The Sims.
Para acessar o site dentro deste filtro, basta navegar até o rodapé de qualquer uma de suas páginas e ativar o “Modo Restrito”, devendo seguir os mesmos passos para desativá-lo.
Na gringa, vários criadores de conteúdo têm manifestado sua insatisfação com o serviço, que arbitrariamente tem ocultado seus vídeos, com exceções que claramente demonstram um posicionamento ideológico, como aconteceu com a britânica Neon Fiona, que foi censurada por vídeos em que falava sobre namoradas, mas não sofreu o mesmo em um vídeo de perguntas e respostas com seu ex-namorado – ambos traziam os termos “namorado” e “namorada” no título, mas apenas os que estavam no contexto bissexual foram filtrados.

O próprio Youtube reconhece que “nenhum filtro é 100% preciso”, mas reforça que essa funcionalidade deverá “ajudar você a evitar a maioria dos conteúdos inadequados”, o que, tanto direta quanto indiretamente, fomenta um discurso problemático e exige maior responsabilidade por parte do site, que não deve se omitir diante do que esperamos se tratar de um grande engano.