Batemos um papo com a banda The Maine: “Os brasileiros sabem fazer uma banda se sentir amada”

A banda virá ao Brasil para uma série de shows no mês de julho e conversou com a gente sobre essa vinda, seu novo disco e mais.

Formada no Arizona, Estados Unidos, em 2007, por John O'Callaghan, Pat Kirch, Jared Monaco, Garrett Nickelsen e Kennedy Brock, a banda The Maine já percorreu um longo caminho na indústria musical. De aposta de uma gravadora a artista independente, de emo a rock, pop, alternativo e todos os ritmos nesse meio, o grupo chega aos seus 10 anos de existência mais vivo do que nunca, com um sexto álbum a caminho, uma turnê prestes a chegar no Brasil e, principalmente, querendo continuar por muito tempo.



Foi nesse clima festivo e pra cima que tivemos a oportunidade de conversar com o guitarrista, Kennedy. No nosso papo, falamos um pouco sobre como é ser uma banda independente nos dias atuais, o novo disco, "Lovely Little Lonely", que chega no dia 7 de abril, o Brasil, as fãs brasileiras e, claro, sobre esses 10 anos de banda e tudo que o The Maine passou para chegar até aqui. Leia a entrevista completa abaixo:

Oi, Kennedy! Meu nome é Nathalia e eu sou do It Pop, um blog brasileiro de música!
Kennedy: Olá! Tudo bem?

Tudo bem! E com você?
Kennedy: Tudo bem sim!

Podemos começar?
Kennedy: Vamos lá!

Vamos falar do sexto álbum. Como o "Lovely Little Lonely" é diferente dos trabalhos anteriores? 
Kennedy: Eu acho que é o álbum mais focado que já fizemos. Acho que no passado nós tentamos muito ter músicas que se conectassem de forma coesa e esse álbum consegue isso. Parece que as músicas se juntam e fazem sentido e isso é muito especial pra gente. 

Qual a inspiração por trás do título do álbum? 
Kennedy: John (O'Callaghan, vocalista) teve a ideia do título. Ele descreveu como a sensação que você tem quando está no fundo de uma piscina sozinho. O especial sobre esse CD é que ele conversa com as pessoas, vai ajudar quem precise dessas músicas e vai estar lá para os nossos fãs.



Vocês já passaram pelo pop, rock, emo, alternativo... Como vocês se definem hoje?
Kennedy: Nós somos uma banda de rock, uma banda que toca guitarra mesmo, uma banda do "ao vivo". Como banda nós gostamos de fazer outras coisas em nossos trabalhos e experimentar, mas em geral somos rock. 

E como vocês definem o "Lovely Little Lonely"? Vai ser mais pop, mais rock...?
Kennedy: Vai ser um pouco disso (pop e rock). Ele é um álbum catchy e vai chegar em várias pessoas. Estamos muito animados com essa fase da banda e como a banda está nesse momento e vocês poderão sentir isso nas nossas músicas. 

O primeiro single, "Bad Behavior", já saiu. Quando deve sair o próximo? 
Kennedy: Na verdade, nós vamos lançar o vídeo de "Bad Behavior" amanhã (23/02) e quanto mais perto do lançamento do álbum nós estivermos, mais músicas vamos liberar. Pelo menos uma nova vai sair. Agora, nós basicamente estamos tentando divulgar "Bad Behavior" e a resposta tem sido muito boa. Mas vamos lançar outra música perto do lançamento do álbum, sim. 



Pode nos contar alguma coisa especial sobre as canções desse álbum? 
Kennedy: É o que eu disse, é nosso trabalho mais coeso e o as canções se juntam e fazem o álbum fluir. 

Vocês não costumam fazer parcerias. Estão com alguma parceria em mente? 
Kennedy: Gostamos de tocar música com nossos amigos na estrada e tentar criar coisas diferentes à partir daí. Eu acho que vamos tentar fazer algo assim quando voltarmos para a estrada e nos próximos anos. Estão, podem esperar várias coisas assim. Estamos tentando nos manter ocupados e lançar muitas músicas, então coisas legais assim estão nos nossos planos.  

Vocês estão fazendo 10 anos de banda! Como é estar junto por tanto tempo e se ver crescendo profissional e pessoalmente? 
Kennedy: É bem radical! Tem sido uma jornada louca e tivemos que nos achar e achar um jeito de fazer essa nossa paixão funcionar, tudo ao mesmo tempo. Tem sido incrível. Outro dia fomos celebrar (nosso aniversário) e fizemos um festival no Arizona (cidade de origem). Foi a combinação de vários sentimentos de todos os anos de sofrimento para fazer tudo dar certo, mas também dos momentos incríveis e dos pontos altos. Foi uma jornada muito legal e o que é mais legal é que todo mundo da banda está ainda mais animado para fazer música agora do que estávamos quando começamos. Nós queremos fazer cada vez mais.

Vocês trabalharam em uma gravadora por um tempo, mas decidiram sair e se tornar uma banda independente. Por que tomaram essa decisão? 
Kennedy: Pra gente foi uma questão de controle criativo. Somos muito envolvidos na nossa banda e em como ela se apresenta para o público e começamos a ver nossa banda seguindo para um caminho que não era o que queríamos que ela fosse. No final, foi uma decisão incrível e somos muito sortudos de conseguir fazer isso por conta própria. 

Vocês estão fazendo algo para ajudar outras bandas independentes?
Kennedy: Sim! No Arizona nós temos vários amigos. Somos amigos das bandas Technicolor e Beach Weather e tentamos dar oportunidade a eles. É difícil para uma banda dar ajuda a outra banda, mas tentamos ajudá-los sempre que dá, por exemplo, vemos em quais lugares e momentos o som deles se encaixa e tentamos colocá-los para tocar ali, e também levamos eles para a estrada conosco.


Agora, vamos falar do Brasil! Estão animados para voltar?
Kennedy: Estou feliz (em português)! Estou tão animado! Eu amo o Brasil, as pessoas, o lugar, eu amo tentar falar português. 

Seu português é ótimo! Eu entendi tudo! 
Kennedy: Eu não lembro palavras (em português). Eu esqueço as palavras! Tem sido tão bom pra gente e amamos voltar. Dessa vez vamos a mais cidades e por isso estou ainda mais animado. 

O que vocês estão preparando para os shows por aqui? 
Kennedy: Vamos tocar as músicas novas do novo álbum e os shows vão ser selvagens e loucos! Vai ser uma mistura de coisas novas e velhas e vamos fazer um show bem inclusivo, pra todo mundo mesmo. Vai ser no estilo rápido e divertido e temos que deixar a energia lá no alto o tempo todo. 

Qual a diferença entre os shows que vocês fazem no Brasil e os que vocês fazem em outros lugares? 
Kennedy: É sempre diferente tocar em qualquer lugar. Para gente os shows do Brasil são os mais barulhentos! Os brasileiros cantam mais alto que todo mundo. Na primeira vez que eu estive aí, eu não ouvi nada quando estava no palco e eu fiquei muito chocado, mas amei cada segundo. Os brasileiros sabem como fazer uma banda se sentir amada. 

A gente sabe que vocês não costumam cobrar para tirar fotos com fãs. Por quê? 
Kennedy: Não sentimos que isso era certo. Somos pessoas, eu sou uma pessoa, não tem razão para as pessoas pagarem para me conhecer. Nós só conseguimos ir nesses lugares por causa de todas as pessoas que nos apoiam. Sempre achamos que temos que falar com ações e não com palavras e queremos mostrar que realmente nos importamos com essas pessoas. Além disso, essa é uma oportunidade de praticar meu português de merda. Somos muito felizes de conhecer as pessoas no Brasil e nós gostamos tanto de conhecer eles quanto eles gostam de nos conhecer. Também acho que o dinheiro não tem que ser barreira que impeça as pessoas de chegarem na oportunidade. Todos devem ter chance de experienciar as coisas boas da vida e, se podemos levar felicidade a essas pessoas, não vamos fazê-las pagar por isso. 

Pra terminar, um recado para os fãs brasileiros que estão ansiosos para ver vocês de novo!  
Kennedy: Até mais (em português)! Obrigada por tudo, por nos apoiar, por nos deixarem ser nós mesmo. Não vamos esquecer isso e continuaremos a amar o Brasil. Vamos ter uma turnê incrível e louca! Estou feliz pra caralho (em português)!


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E não é que o Kennedy já está falando português melhor do que a gente?

Em julho, a banda volta ao Brasil e terá a oportunidade de aprender ainda mais palavras no nosso idioma. Confira as datas:

15/07 - Tropical Butantã - São Paulo
16/07 - Bar da Montanha - Limeira
18/07 - Teatro CIEE - Porto Alegre
19/07 - Local a confirmar - Curitiba
21/07 - Arena Futebol Clube - Brasília
22/07 - Teatro Bradesco - Belo Horizonte

E se você ainda não garantiu seu ingresso, calma que dá tempo! É só clicar aqui.

Aproveitamos também para agradecer ao Kennedy por disponibilizar seu tempo para conversar conosco. Ele foi muito simpático e divertido, falou um ótimo português e demonstrou um carinho imenso e verdadeiro pelo nosso país. Estamos esperando vocês, seus lindos!