"Resident Evil 6" quase não tem roteiro, mas é um pipocão muito bem resolvido

O roteiro é algo que Paul não se preocupou, refinando o melhor dos últimos dois filmes: a ação.

A franquia "Resident Evil" nunca se preocupou em trazer uma produção que fosse fiel à série de jogos começada em 1996. A proposta de Paul W. S. Anderson se mostrou ousada logo no primeiro filme, trazendo uma protogonista que sequer existe na franquia de games, interpretada pela talentosa Milla Jovovich. Alice carregou durante cinco filmes um mistério envolvente quanto a sua origem, e agora, neste sexto, tem um desfecho surpreendente satisfatório.

Começamos o longa em uma Washington pós-guerra, com Alice sendo a única sobrevivente e, logo após ter sido ataca por um zumbizão da porra, é convocada pela Rainha Vermelha para salvar toda a humanidade através de um anti-vírus criado pela Umbrella. Alice tem 48 horas para voltar a Raccon City — finalmente! — e liberar o anti-vírus que se dissipa pelo ar. O roteiro que se preocupa em trazer algum diálogo morre aqui.


Após os dez primeiros minutos do primeiro ato em diante, o filme simplesmente não para. O ritmo frenético domina todos os atos, com poucos momentos que trazem um alívio ao espectador, um momento para respirar em meio de todo o caos é raríssimo. É através deste ritmo que entendemos — de novo — a proposta de Anderson que foi aplicada a partir do quarto filme: um filme de ação que não para. Terror? Só jump scare barato.

Exigir um roteiro complexo para a produção chega a ser risonho. A franquia nunca se propôs para tal e sempre funcionou dentro do que Paul W. S. Anderson quis trazer para as telonas. É um pipocão muito bem resolvido, obrigado, e não vemos sentido em cobrar um roteiro minuciosamente trabalhado quando temos uma direção fantástica, apoiada numa computação gráfica de dar inveja e sequências grandiosas. Anderson mostra mais uma vez que sabe dirigir um filme de ação.

Dentro daquilo que a franquia se propôs ao longo dos filmes, "Resident Evil 6" consegue trazer um desfecho improvável. Como reforçado no início do texto, roteiro é algo que Paul não se preocupou, refinando o melhor dos últimos dois filmes: a ação. São sequências grandiosas que preenchem toda a produção, que trazem uma das coisas mais divertidas em 2016 até o momento.